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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Terras portuguesas com ritmos brasileiros



Em Portugal, são várias as terras que vivem o espírito carnavalesco, como se fossem pertencentes do país que o acolhe - Brasil. O samba é uma dança típica do Brasil. No entanto, em Portugal esta dança também é muito frequente.


Atuação em palco da madrinha de bateria e bateria
da escola de samba “Vai quem quer” de Estarreja
Embora haja muitos locais onde prevalece a tradição portuguesa e fazem uso dos costumes do país, existem outros, onde as festividades vão ao encontro de outros países, como é o caso da dança típica do Brasil, o samba.

Mealhada, Sesimbra, Ovar, Figueira da Foz, Estarreja, entre outras cidades são exemplos em que a festa mais aguardada do ano é o Carnaval.

Estarreja é uma cidade do distrito de Aveiro, onde a tradição brasileira predomina. Existem cinco escolas de samba, bem como doze grupos animadores. Aqui, o Entrudo vive-se intensamente pelos seus residentes, assim como, pelos habitantes dos arredores. Para aqueles que mais o veneram, o Carnaval, mais precisamente as festas que o honram, começam logo após o Natal.

Porém, o trabalho numa escola de samba começa muito mais cedo. Após o Carnaval, o trabalho continua, para assegurar a qualidade e a eficiência do próximo. Existem muitas tarefas: desde o planeamento do enredo, a sua execução, a música, as vestimentas, aos ensaios das passistas e da bateria que dá ritmo às dançarinas. É um trabalho permanente e exaustivo, mas que, com a colaboração de todos os associados, se faz duma forma alegre, divertida e incentivante.

Uma escola de samba engloba várias alas, sendo elas a comissão de frente, as baianas, a porta-bandeira e mestre-sala, as passistas, as destaques de chão, a madrinha de bateria e, por fim, a bateria. Podem existir ainda, sendo facultativo, outras alas, cuja função é completar e animar o desfile.


Desfile de Carnaval- Comissão de frente da
escola de samba “Vai quem quer” a representar o
tema “Viva Elvis”
São três os desfiles que as associações carnavalescas usufruem, existindo júris especializados que avaliam todas as escolas de samba, assim como os grupos apeados. Na terça-feira de Carnaval, os festejos acabam, e são apresentados os resultados de quem venceu esse ano, tendo como recompensa um prémio monetário, bem como um troféu.

Ainda que se possa pensar que as escolas de samba só desfilam no Carnaval, estas fazem muitas atuações fora do distrito e, por vezes, fora do país. São muitos os convites e contratações para atuar noutros locais, dando a conhecer ao país, uma outra cultura externa existente numa determinada parte do território português.

O Carnaval é sinónimo de festa e alegria, e em Estarreja, tal como noutras cidades portuguesas, faz-se uso a esse significado. Para além do trabalho e custos que uma escola de samba acarreta, existe o companheirismo, a paixão e o amor à camisola que acompanham todo o trajeto da associação.

A escola de samba mais antiga de Estarreja tem o epíteto de “Vai Quem Quer” e existe há 25 anos. Os mais experientes, com mais anos de “casa” revelam um sentimento nostálgico ao falar da escola de samba de eleição. “Para fazer parte duma associação como esta, é preciso gostar e ter amor à camisola que se veste e que se defende. Dá trabalho, mas tudo o que fazemos, fazemos por gosto.” diz uma associada da Escola de Samba “Vai Quem Quer” de Estarreja.

Como se verifica, Portugal é multicultural, uma vez que abarca uma grande variedade de culturas, assim como, os seus costumes e tradições. Na época carnavalesca, as brincadeiras são frequentes, o samba e o pagode são os estilos de música eleitos, as caipirinhas aquecem o ritmo e os trajos fazem as serventias das festividades. No Carnaval, Portugal vira Brasil.

por: Liliana Pastor

 
O artigo está escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

segunda-feira, 5 de março de 2012

Tristeza Mascarada

Nem o fenómeno Carnaval escapou à crise. Vale de Ílhavo foi salva pelos Cardadores.

Nos passados dias 19 e 21 de Fevereiro realizou-se mais um típico Carnaval de Vale de Ílhavo.
Como já é hábito, a população aveirense assistiu ao corso carnavalesco composto por participantes de todas as idades e deliciou-se com a principal atracção desta localidade, os Cardadores de Vale de Ílhavo.

“Para mim, carnaval significa Cardadores.”, confessou Ângela Pereira, enquanto observava o desfile, “Os Cardadores são o que alegra o carnaval e uma tradição própria de Vale de Ílhavo. Gosto do cheiro das fitas deles.”, acrescentou.

Os Cardadores são representados por homens mascarados que nestes dias de festa soltam gritos e dão saltos enormes, enquanto passam as suas cardas nas mulheres com que se cruzam e repetem em voz de falsete: “Ai tanta lã! Ai tanta lã!”
Apesar do paranorana económico-fincanceiro do nosso país, os cardadores não desistiram desta tradição, no entanto, foi possível verificarem-se em menor número.
Assim, a crise assombrou o Carnaval. Os cardadores estão quase desaparecidos, o cortejo não teve a habitual animação e muitas pessoas não quiseram pagar para assistir ao desfile este ano.

“O carnaval este ano foi mais triste, teve menos animação. Pensei que tivesse mais piadas com a crise e com a troika. Mesmo as piadas não tinham piada nenhuma.”, afirmou a espectadora referida acima, “Os Cardadores não são tão enérgicos como antigamente, a tradição já não é o que era. É outra geração.”

Como refere o ditado “É rir para não chorar!”, os portugueses este ano celebraram o carnaval numa tentativa de esquecer a crise que atravessam. Porém, não existe máscara capaz de disfarçar a tristeza e a preocupação que os inquieta.  


Por Filipa Lopes