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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Tuning ou Street-Racing?



O NewLife Tuning Club, oficialmente legalizado em 2009 e conta já com cinco anos de existência. Marco Bettencourt, presidente da assembleia geral do NewLife Tuning Club, explica o verdadeiro significado de tuning, o seu atual estado em Portugal e sobre a eterna associação desta modalidade com o Street-Racing.

Posts de Pescada - O que é Tuning?

8º Braga Internacional Tuning Motor Show.
Foto por: Márcio Sousa

Marco Bettencourt - Tuning no sentido em que é colocada a questão é toda e qualquer alteração efetuada à viatura no sentido de a aproximar ao gosto e estilo do proprietário, seja por exemplo no aspeto interior, exterior ou na área do entretenimento (Car-áudio/Multimédia), não esquecendo as áreas mecânicas.

PP - Pode dizer-se que é um estilo de vida? Porquê?
MB - Pode-se dizer que é um Hobby principalmente, tal como a Música, o 
Cinema, o Teatro. Estes exemplos não são inocentes e destinam-se a colocar o Tuning no patamar de “Arte” e como tal é necessária “Paixão” para viver o Tuning. Quem estiver no Tuning sem paixão é porque escolheu a “vocação” errada!

PP - Como entrou o tuning na tua vida?
MB - Desde muito pequeno gostei de desportos motorizados, principalmente 
Rally e Velocidade. Como se sabe esses veículos são alvo de modificações a todos os níveis de forma a melhorar a sua base de série para o fim a que se destinam. O primeiro carro que tive, um simples e modesto Opel Corsa A 1.0 foi alvo de modificações de forma a ser mais agradável de conduzir, a partir daí todos os carros que se seguiram foram alterados de acordo com os meus gostos. Tudo começou em 1990, ainda pouco se falava de “Tuning” em Portugal!

8º Braga Internacional Tuning Motor Show.
Foto por: Márcio Sousa


PP - Como vê o tuning em Portugal?
MB - Estagnado, como de resto um pouco por toda a Europa e mesmo em outros 
Continentes. O Tuning não é, nunca foi nem será uma atividade barata e por isso a atual conjuntura económica não ajuda ao seu desenvolvimento. Não é por acaso que os Mercados onde ainda há alguma “atividade” são aqueles onde menos se sente a crise: Alemanha, Inglaterra e França, isto a nível Europeu. A juntar à nossa parca situação económica temos a ausência de Legislação Específica que afasta muita da boa vontade que possa existir em “transformar” os carros. Não vejo, infelizmente que esta situação se possa alterar nos próximos 10 anos. Não temos também uma Entidade credível junto dos centros de decisão que possa alterar este estado de coisas, apesar da boa vontade de alguns.

PP - Como vê o futuro de tuning?
MB - A nível interno com disse anteriormente não vejo no espaço de uma década uma evolução do atual estado de estagnação. Não há, nem haverá Legislação num futuro próximo. Não há nem haverá também poder económico para o Português desviar, do seu cada vez menor orçamento uma fatia para transformar o seu carro.

8º Braga Internacional Tuning Motor Show.
Foto por: Márcio Sousa

Penso que grande parte do desenvolvimento do Tuning passará pelas próprias Marcas que cada vez mais tentam aproximar os seus produtos ao gosto de cada um, como por exemplo a linha BMW Performance ou a Gama de Acessórios OPC Line da Opel.
A Falta de legislação e suas consequências levarão a que cada vez mais se opte por material homologado pelas Marcas, o chamado OEM, como aliás já se nota bem. Esta tendência resulta também do facto de as alterações serem mais dificilmente “detetadas” pelas autoridades ou centros de IPO. Infelizmente esta tendência em vez de potenciar o desenvolvimento do Tuning em Portugal poderá levar a que o reduzido desenvolvimento do mesmo se “arraste” no tempo. A falta de ideias e inovação não são propriamente a melhor solução mas vivemos cada vez mais das “modas”. O Tuning Nacional passa atualmente pela fase a que chamo “Pronto a vestir”, não se inventa nada, não se inova…copia-se!

PP - Existe uma tendência para juntar o street-racing com o Tuning. De que forma estão ligados?
MB - Ao contrário do que se pensa esta foi na minha opinião a área em que mais evoluímos nos últimos anos. Cada vez menos o Tuning está associado ao Street-Racing e isso deve-se em grande parte ao excelente trabalho desenvolvido junto da Comunicação Social e mesmo dos Organismos Públicos pela União Portuguesa de Tuning (UPT).
Apesar da constante tentativa por parte dos Street-Racers em associar a sua atividade, que é crime, ao Tuning essa associação por parte da Sociedade é cada vez mais rara. A ligação entre estas atividades resume-se apenas e só ao aspeto material. Mas é a mentalidade que as separa, tanto pode ser Streer-racer um individuo com um modesto Corsa 1.0 como um com o seu potente Ferrari!!!... É a atitude do condutor que se senta ao volante que separa um “Tuner” de um Street-Racer!

8º Braga Internacional Tuning Motor Show.
Foto por: Márcio Sousa



PP - Qual pensa ser a melhor forma de terminar com o preconceito que envolve o mundo do tuning?
MB - Informar! Sensibilizar! Ninguém nasce informado, nem aprende sozinho! O preconceito mantem-se porque nós Tuners contribuímos para isso! Não há, não houve até hoje a preocupação em informar a população em geral do que é o Tuning. Se não sensibilizamos a população sobre o nosso modo de vida, a nossa paixão nunca conseguiremos reunir condições para atingir os nossos objetivos.
Olhamos na maior parte das vezes para dentro quando o deveríamos fazer para fora. No dia em que tivermos “do nosso lado” a população e afastarmos esse preconceito será muito mais fácil sensibilizar os nossos governantes para a necessidade de enquadrarem legalmente o Tuning.
Depois sim poderemos iniciar a luta pela Legislação que pretendemos.


por: Laura Duarte


*Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

segunda-feira, 19 de março de 2012

«Direitos dos Trabalhadores do Sexo são Direitos do Homem»

Foi no dia 17 de Dezembro 2003 que Gary Leon Ridgway declarou-se culpado de matar 48 mulheres nos Estados Unidos da América. A sua  maioria eram trabalhadoras do sexo. A escolha rna tipologia das suas vitimas recaiu nestas porque «Provavelmente ninguém iria fazer queixa à polícia. Escolhi prostitutas porque pensava que podia matar quantas quisesse sem ser apanhado», declarou Ridgway.

Foi em memória a essas vitimas e para relembrar o constante perigo  que as pessoas ligadas à industria do sexo enfrentam, desde os actores e actrizes de pornografia, directores, a equipe técnica; strippers, donos de sexshops, operadores de linhas eróticas e muitos mais, que se fundou o Dia Internacional contra a Violência sobre Trabalhadores do Sexo.

O vazio de lei na maioria dos países  e a proibição em muitos outros, fazem com que o risco de violência contra os trabalhadores do sexo só aumente.
É por uma legalização e mais segurança que instituições como Internacional Union of Sex Workers, Panteras Rosas, Rede sobre Trabalho Sexual e UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta) lutam diariamente. 

Nas actas do II Congresso Internacional de Investigação e Desenvolvimento Sócio-cultural consta que, em Portugal, cerca de 80% a 90% dos inquiridos foram vitimas de violência, verbal e/ou física.
Foi também proferido pela investigadora Alexandra Oliveira que «os transexuais e os homens que se prostituem na rua são ainda mais vítimas de violência e agressões do que as mulheres (...) e que o facto de serem pessoas sem direitos, sem voz, sem poder reivindicativo, dota os agressores de uma sensação de impunidade que faz com que as agridam».

Foto de: Persona Non Grata Pictures

É graças a marchas, cartazes e documentários como o "Das 9 às 5" que este assunto, considerado por muitos tabu, é exaltado de modo a fazer o público pensar naqueles que apesar de fornecerem serviços  que são procurados por muitos, são depois (e talvez desde sempre) marginalizados.

Com o mote «Direitos dos Trabalhadores do Sexo são Direitos do Homem», comemora-se então há 8 anos esta data com o objectivo de fazer chegar a estes cidadãos os seus direitos e segurança no seio de uma sociedade em que estão inseridos mas que muitas vezes são esquecidos.


Vanessa Sofia

*Por opção da autora, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945.