sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Entrevista a Cristina Aveiro: Defender direitos como forma de integrar


Em conversa com Cristina Aveiro, membro do Gabinete de Apoio ao Estudante (GAPE) da Associação Académica de Coimbra (AAC), muitas foram as informações dadas não só sobre o GAPE mas também sobre toda a AAC e a sua Direcção Geral (DG/AAC).Uma tarde de conversa que deu para conhecer como os novos estudantes são integrados na vida académica e onde devem recorrer quando surgem problemas. A AAC está pronta a ajudar não só os novos os estudantes mas todos os que recorram a esta instituição.
Por Maria Inês Antunes. R2

POSTS DE PESCADA - O que oferece a AAC aos alunos de Coimbra?
CRISTINA AVEIRO - A AAC representa os estudantes de toda a Universidade de Coimbra na defesa dos seus direitos, na defesa de um ensino superior público, universal e de excelência. É constituída pela Assembleia Magna como órgão deliberativo máximo da AAC, Direcção Geral como órgão executivo da AAC, Conselho Fiscal como órgão de fiscalização e jurisdição da AAC, vinte e seis Núcleos de Estudantes, vinte e seis Secções Desportivas, dezasseis Secções Culturais e oito Organismos Autónomos.
Desde 1887 que a AAC se tornou num imprescindível aliado na formação de indivíduos conscientes e multidisciplinares prontos a assumir um papel preponderante na sociedade portuguesa, quer pela sua acção individual quer colectiva. É neste ambiente de procura permanente de conhecimento que entram os novos estudantes, pois só com esforço e dedicação se chega longe.

PP - Quais as formas de integrar os novos alunos nas actividades da AAC e quais são essas actividades?
CA - Acima de tudo é importante um contacto directo com o estudante através do diálogo. Para que a informação chegue a todas as pessoas a DG/AAC tem o pelouro da Comunicação e Imagem que reforça a ponte de ligação com o estudante. O pelouro de comunicação e imagem da Associação Académica funciona como a cara da AAC, sendo responsável por informar o estudante das várias actividades da direcção geral, secções e organismos autónomos assim como todo e qualquer evento relacionado com a academia.
A regulação do site da Académica, assim como das redes sociais, é também outro dos objectivos do pelouro assegurando assim toda a informação e posições políticas da AAC a todos os estudantes. Além disto, realiza actividades ligadas a áreas de interesse como comunicação, design, fotografia entre outras.
O Pelouro dos Núcleos da DG/AAC tem como função fundamental fazer a ligação entre a DG/AAC e os Núcleos de Estudantes das diferentes faculdades e departamentos, pois estes também são muito importantes na passagem de informação e na ligação entre DG/ AAC e o estudante.

PP  - Em que se pode ajudar esses novos alunos na integração?
CA - A Direcção Geral da Associação Académica é constituída por pelouros que tem funções especializadas para ajudar a integrar o estudante da Universidade de Coimbra, nomeadamente pelouro de Acção Social, Administração, Gabinete de Apoio ao Estudante, Cultura, Relações Externas, Relações internacionais, Intervenção Cívica e Ambiente, Desporto, Núcleos, Comunicação e Imagem, Política Educativa, Ligação aos Órgãos, Saídas Profissionais e Pedagogia.

PP - Qual é o objectivo dessa integração?
CA - Pretendemos apoiar, orientar e ajudar o novo estudante que chega a Coimbra de modo a que este se sinta bem nesta nova etapa da sua vida e que tenha o gosto de estudar em Coimbra.

PP - Por que razão foi criado este gabinete de apoio ao aluno?
CA - O GAPE tem como finalidade ser o elo de ligação e integração do estudante no mundo universitário, auxiliando-o tanto a nível pessoal como académico. Desta forma, pretendemos ser o primeiro contacto a quem o estudante deve recorrer, ajudando-o a ultrapassar eventuais dificuldades e obstáculos que poderá encontrar ao longo do seu percurso académico.

PP - Quais as actividades realizadas pelo GAPE?
CA - Foram já várias as actividades realizadas pelo GAPE para integração e formação de novos alunos como por exemplo o Colóquio Parlamentar sobre "Os Jovens, Álcool e Segurança Rodoviária", a Arruada do Dia dos Namorados, o concurso de fotografia - agenda do Caloiro 2011, Colaboração no projecto” Consumo de álcool dos jovens nas festividades académicas” do CNJ (GBP) ou o workshop de “Defesa Pessoal” com a secção de Judo. Temos também um protocolo com a Faculdade de Psicologia que investe em consultas de apoio psico-pedagógico para os alunos aos alunos e rastreios auditivos e visuais numa unidade móvel. O GAPE é também responsável pela elaboração da Agenda do Caloiro que funciona como um guia de orientação e integração no mundo académico, pela elaboração de um vídeo direccionado para a integração do estudante de Erasmus, com a colaboração da TVAAC e pela elaboração de uma banda desenhada, sendo esta uma estratégia para divulgar o pelouro bem como as competências que possui para auxiliar os estudantes da Universidade de Coimbra.

PP - São muitos os alunos que recorrem a este gabinete?
CA - Sim e pretendemos que a procura aumente ainda mais pois nós trabalhamos para o estudante e a pensar no estudante, auxiliando-o naquilo que necessita. No início deste ano, a AAC abriu um novo espaço para atendimento ao estudante que se situa no piso 0 da AAC, devido à grande procura pelos nossos serviços e apoio.

PP - Qual o aspecto em se destaca este gabinete de apoio para que os alunos recorram a ele?
CA - Apoiamos os estudantes na vertente social, cultural e psico-pedagógica. Há um dia específico para atendimento de estudantes de Erasmus, bem como para a provedoria do estudante, que é um organismo criado para zelar pelo respeito pelos direitos e interesses legítimos dos estudantes.
Ao longo dos séculos, a Universidade de Coimbra sempre se caracterizou por corresponder ao que deve ser uma instituição do Ensino Superior, um espaço de crescimento profissional mas, acima de tudo, um lugar de evolução pessoal.

Crítica - O Clube (1985)

Título original: The Breakfast Club

Origem: EUA

Género: Comédia, Drama

Realização: John Hughes

Argumento: John Hughes

Elenco principal: Anthony Michael Hall, Emilio Estevez, John Kapelos, Judd Nelson, Molly Ringwald, Paul Gleason


       Este é um clássico de referência dos anos 80 que junta um grupo de jovens que, aparentemente, nada têm em comum, à excepção de uma única coisa. Todos transgrediram pequenas normas na sua escola secundária, vendo-se obrigados a passar um Sábado na biblioteca, durante várias horas, período em que terão de redigir um ensaio acerca de “quem julgam ser”. Assim reunidos, um “crânio” conhecido pelas suas excelentes notas, um desportista vencedor, uma maníaco-depressiva de poucas falas, uma obcecada por fama e um bully tido como criminoso não podem fugir à convivência entre si.

Cada um dos adolescentes se vê singularizado pelos restantes, devido à carência de qualquer tipo de proximidade entre si, até então, e apercebem-se das peculiaridades de cada um, que se acentuam e entram em conflito com o aborrecimento trazido pelo passar das horas. A presença do presidente da escola, que representa a figura de poder durante a narrativa, acaba por desempenhar um elemento-chave condutor à criação de laços comuns. Hughes habilmente desmistifica os estereótipos atribuídos a cada um dos adolescentes, desde o fanfarrão com problemas familiares, que assim justifica o seu comportamento abusivo, ao nerd abraçado pela loucura, mostrando que não é o “filho perfeito”, como todos o contemplam.

O engenhoso desenrolar conduzido pelo cineasta e as excelentes interpretações da parte dos jovens actores, fazem de O Clube uma película que ultrapassa a sua premissa inicial e supera expectativas, provando que, embora explore a rebeldia adolescente, o consumo de drogas e a sexualidade precoce, não é apenas mais um filme de miúdos. Os estereótipos são progressivamente desmontados entre imprevisíveis confissões e exibições de dotes desconhecidos, entre gritos, gargalhadas e lágrimas. Falamos de um retrato realista da etapa mais importante da nossa formação e transição, enquanto indivíduos, para uma fase de maturidade e adultez. Retrato este que, ainda assim, é caracterizado por relativas falhas, como os atraentes e comuns clichés hollywoodescos e o director que não vivência um processo de mudança à semelhança dos alunos, constantemente apresentado como um ser frio privado de coração, o que acaba por contrariar o objectivo final da obra, a desconstrução de ideias feitas sobre os que nos rodeiam.

Classificação: 4 em 5

Tiago Mota
Redacção 1

Ritual de Passagem

Para  ano  lectivo de 2011/ 2012, em Portugal, as várias instituições de ensino superior abriram 54 068 vagas divididas por 1 181 cursos. O ensino politécnico, onde se enquadra a Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC), abriu 20 974 vagas em regime normal e 3 994 em regime pós-laboral, sem contar com o regime de ensino à distância (280 vagas).
 Patrícia Oliveira, aluna do 1º ano de Gerontologia Social, decidiu enveredar por este tipo de ensino, ao escolher a ESEC, para continuar o seu percurso estudantil. Esta jovem, que frequentou a área Científica Humanística, está agora a encarar uma nova realidade académica: o ensino superior. Em entrevista, esta estudante demonstra como o "caloiro" vê a sua entrada nesta nova etapa.

Posts de Pescada: Como encaras este novo regresso às aulas?

Patrícia Oliveira: Encaro este novo regresso às aulas como o virar de uma página e um novo começo de vida. É um novo ciclo que pretendo seguir e concluir. Penso ter todas as condições para me sair bem neste curso pelo que não pretendo falhar.

Posts de Pescada: Porquê a escolha do curso, Gerontologia Social, no meio de tantos outros?

Patrícia Oliveira: Eu sempre gostei de ajudar e cuidar dos outros (os que mais necessitam). Neste Verão trabalhei, durante três meses, numa Casa de Saúde para pessoas com problemas psíquicos e adorei a experiência. Foi algo novo para mim… Para além do prazer em ajudar todas aquelas pessoas, descobri o que queria mesmo fazer da minha vida. Ajudar o próximo, usar as minhas capacidades para auxiliar aqueles que não as possuem.


Posts de Pescada: O que pensas das praxes académicas a que estás a ser sujeita?

Patrícia Oliveira: Penso que é algo que está ligado à vida académica e, por isso mesmo, temos que encarar estas brincadeiras da melhor forma possível. Sem elas nunca conheceria o verdadeiro espírito académico nem me sentiria tão acolhida neste novo meio.

Posts de Pescada: Na tua opinião, sem as ditas praxes académicas, integrar-te-ias da mesma forma junto dos teus colegas na ESEC?

Patrícia Oliveira: Na minha opinião sem os chamados “rituais praxísticos” não me conseguiria integrar-me tão bem, na ESEC. Com o convívio, nas praxes, consegui conhecer melhor os meus colegas de curso, a escola em si e, claro, o espírito académico, como já referi anteriormente.

Posts de Pescada: Consideras as praxes um ritual de passagem?

Patrícia Oliveira: Tendo em conta a praxe que me deram a conhecer, na ESEC, considero sim um ritual de passagem. Sem ela nunca teria contacto com os restantes alunos, não valorizaria o espírito de equipa nem a, tão falada, solidariedade para com o outro.
Posts de Pescada: Quais as principais diferenças com que te deparaste no Ensino Superior em relação ao Ensino Secundário?

Patrícia Oliveira: A avaliação, os professores, o ambiente, o grau de exigência… Já tenho imensos trabalhos e frequências agendadas para este mês. É uma mudança um pouco complexa mas com os colegas certos, e com empenho e dedicação, é facilmente ultrapassada.

Posts de Pescada: Achas que a matéria leccionada, e o método de ensino atribuído, se adequam ao curso que escolheste?

Patrícia Oliveira: Ainda está tudo no início mas, a meu ver, penso que sim. Tanto o método de ensino como toda a matéria apreendida enquadram-se no curso e no que espero do mesmo. Apesar de estar só a começar, e ser uma “novata” nestas coisas, tanto os temas de trabalho, as actividades em aula e o número de frequências conciliam-se perfeitamente entre si.

Posts de pescada: O que pretendes fazer para vingares no teu curso?

Patrícia Oliveira: Pretendo empenhar-me a 100% a fim de conseguir um bom emprego na minha área de trabalho. Para mim isto não é só uma profissão mas um lema de vida. Auxiliar os mais idosos deveria estar sempre em primeiro lugar. Por exemplo, se todos ajudarmos um bocadinho (como ajudá-los a atravessar a estrada ou a levarem as compras) a nossa sociedade seria mais unida e, certamente, mais pacífica.

Ao entrevistar a estudante, Patrícia Oliveira, concluímos que apesar das diferenças que a mudança do ensino secundário para o ensino superior acarreta, das "tão faladas" praxes académicas que assustam e do novo estilo de vida que traz tantas responsabilidades novas, a mudança pode, e muitas vezes é, algo bastante positivo. A integração, graças às praxes, torna-se natural para além do tipo de ensino ser relativamente simples de acompanhar. Como tudo na vida, existem partes boas e menos boas, às quais todos estamos sujeitos e somos capazes de superar.

Inês Silva, Redacção I

A universidade é o que parece?


Esta pergunta assola todos aqueles que pela primeira vez ingressam o ensino superior. A ânsia, o entusiasmo, o medo, são alguns dos sentimentos que percorrem o pensamento de um caloiro. Um caloiro significa isso mesmo, o novo numa nova vida, desconhecendo aquilo que provavelmente nunca irá esquecer, as amizades que irão provavelmente ficar eternizadas, simplesmente pelo facto de estarem lá até nos momentos mais insólitos, e acreditem que eu sei do que falo.
Agora respondendo á pergunta em si, não, a universidade não é o que parece, as expectativas são elevadas, mas nem sempre correspondem á realidade, o desconhecido é algo que nos leva a fantasiar e por vezes à desilusão. Falando de ensino e de condições, descem a um baixo nível, mas os novos alunos só se dão conta das lacunas quando já integrados. 
A falta de condições, a falta de apoios aos alunos, entre muitas outras coisas, são factores que desiludem e impressionam pela negativa os novos alunos e recém-chegados. Mas nem tudo é mau: a comunidade universitária sabe ser acolhedora, tais como as tunas académicas, associações de estudantes, as actividades praxisticas, o curso onde se encontram e as amizades que só esta vida académica proporciona… são meios de integração e convivência que entusiasmam a maior parte dos alunos e que os faz começar a sentir-se em casa. 

Concluindo, a universidade pode não ser o que parece, mas mesmo assim vale a pena viver e aproveitar ao máximo todos os momento e experiências que ela proporciona. 

                                                                                                                                   Por Andreia Oliveira
                                                                                                                                   Redacção 1
 

               

Mundam-se os tempos, mantêm-se as vontades…


Estudante do curso de medicina, no início do seu terceiro ano, Luisa Ferreira é natural de Vila Nova de Poiares, uma vila a aproximadamente 23 quilómetros de Coimbra, mas actualmente reside em Coimbra. Estuda na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e o seu terceiro ano de experiências na cidade dos estudantes confere-lhe um estatuto que a permite analisar a evolução do regresso às aulas nesta cidade, que nos ajudará a perceber como têm sido estes três anos em Coimbra. No meio do entusiasmo dos caloiros e doutores de medicina que vão passando pela tasca Pintos, conversa após conversa, temos oportunidade ainda de assistir às praxes pacíficas, que vão sendo feitas. Ora entra um grupo para fazer barulho e sair bem regado; ora entra outro grupo, que com uma armação de plástico indentificativa do curso de medicina, vai inventando músicas. De vez em quando, aparecem também caloiros e doutores para “invadir” a tasca a provocar os caloiros de medicina. Cantam as suas músicas e os rapazes de direito vão conhecendo as meninas de medicina. Luisa confessa-nos aqui que “já tinha saudades desta vida”.
Aqui no Pintos Luisa conta-nos que apesar das aulas, dedica também o seu tempo ao Núcleo de Estudantes de Medicina, ajudando a desenvolver e a promover o núcleo recreativo.
                Em três anos, as experiências que recorda de Coimbra são tantas, que de muitas já se esqueceu, como nos conta. “Em Coimbra vive-se e aprende-se muito”, acrescenta. Refere que devido à exigência do seu curso tem de gerir bem o seu tempo de modo a ter tempo para tudo em que está envolvida.
                Este é o perfil da nossa entrevistada que nos falará acerca do regresso às aulas dentro da sua faculdade - a mais respeitada dentro da universidade mais antiga do país, dado que é a faculdade que se encontra no topo da cadeia hierárquica das universidades, como nos indica o 13.º artigo do código da praxe académica da Universidade de Coimbra, aprovado em 26/07/2007.

                Entraste para a Faculdade no ano lectivo de 2009/ 2010. Porquê concorrer à Universidade de Coimbra (UC)?
                Concorri à Universidade de Coimbra porque é perto de casa, tenho mais facilidade a ir a casa e assim não estou tanto tempo longe da família. Coimbra foi opção também devido à qualidade do curso de medicina.
                Lembras-te de como foi chegar à UC? Qual foi a sensação?
                Sim, perfeitamente. Era tudo novo, mas felizmente tivemos logo doutores a integrarem-nos e a apresentar-nos aos restantes caloiros e aos restantes doutores do curso.
                Como foi a recepção?
                Foi fantástica. Eu adorei, porque a recepção foi muito acolhedora. Chegámos à universidade perdidos, mas encontramos logo pessoas que nos mostraram a cidade e nos explicaram a história e qual o sentido da história da cidade no contexto académico.
                E hoje, no terceiro ano da licenciatura, quais são as evoluções mais notórias, no regresso às aulas, a nível académico?
                Posso dizer que em vez de dar mais importância à parte festiva, por exemplo, à animação nocturna e aos convívios, dou mais valor às aulas, à faculdade - ao curso, no fundo.
                Achas que os alunos de primeiro ano sentem o início desta etapa de forma diferente, comparativamente com os outros ciclos de ensino onde já estiveram?
                Sim. Eu posso dizer que senti e acho que todos nós sentimos a universidade de forma diferente. Temos outra liberdade, outras responsabilidades. É um mundo completamente novo. Somos nós a crescer.
                Quais são as diferenças de vocês, doutores, ao receberem os caloiros, comparativamente com os doutores que te receberam no primeiro ano?
                Não há muitas. Mantém-se muito semelhante. Difere numa brincadeira ou noutra, nas praxes, mas regra geral, não muda muito. Nós preocupamo-nos mais em receber, integrar e conhecer os caloiros; e quando eu entrei, acho que foram essas as preocupações que tiveram connosco, também.

                Vocês sentem o peso de pertencerem à faculdade que se encontra no topo hierárquico das faculdades da UC, uma universidade com tanto prestígio?
                Eu não sinto. Acho que sentem mais as outras pessoas do que nós próprios. Acho que as pessoas olham mais para nós dessa forma , mas nós não nos sentimos no topo do que quer que seja. Não acho que sejamos alunos diferentes de outros alunos de outras faculdades, nem tão pouco que tenhamos atitudes diferentes.
Seguem o código da praxe rigidamente, como exemplo para as restantes faculdades? Dão algumas indicações especiais aos caloiros a esse respeito?
                Tentamos seguir o código da praxe à risca, claro. Acho que todas as faculdades tentam. Quanto aos caloiros, damos indicações para que leiam o código da praxe e que nos perguntem, caso tenham dúvidas. Se virmos alguma irregularidade, também chamamos à atenção. Acho que isso todos os alunos de todas as faculdades fazem, porque acho que todos vestimos e representamos a Universidade, isso também faz parte do espírito.
                Achas que vocês têm uma preocupação diferente, ou mais acentuada, ao receberem os caloiros, pelo facto de eles serem os futuros doutores desta faculdade?
                Não. Temos uma preocupação por serem caloiros que vão lidar com a vida de pessoas, isso sim. Por exemplo, um advogado e um engenheiro interferem na vida das pessoas, mas é diferente. Nós temos vidas nas nossas mãos, isso é muito sério e não pode ser encarado como uma brincadeira. Tentamos passar esta responsabilidade aos caloiros e fazê-los perceber isso logo desde o primeiro ano.
                Como foi o teu regresso às aulas este ano?
                Foi muito bom. Já tinha saudades dos colegas, da vida de Coimbra e da agitação.
                Notas alguma evolução a esse nível, consoante os anos passam?
                Não. A única coisa que eu noto é que cada vez somos mais e cada vez há mais caloiros. Relativamente às aulas, há diferenças: as cadeiras começam a estar totalmente relacionadas com o curso, já estamos no hospital, este ano começamos a contactar com o que será a nossa realidade quando começarmos a trabalhar. Isso motiva-nos imenso.
                Como descreves os teus primeiros dias de aulas este ano, a nível pessoal?
                Espectaculares. Têm tido muita diversão e ao mesmo tempo muita responsabilidade. Interagimos bastante, convivemos e temos a outra parte: aprender o que aí vem este ano a nível académico.
                E os primeiros dias de aulas dos caloiros?
                Igualmente espectaculares. Ainda vão dividindo mais o tempo fora das aulas, mas começam a perceber o que é a essência da medicina. Acho que eles têm gostado – o feedback tem sido positivo.
E como foram os teus primeiros dias de caloira?
                Foi tudo uma novidade. Convívios e festas. Como eram os primeiros dias, no primeiro ano, eram os dias em que tínhamos mais tempo disponível, mas queríamos perceber como funcionava tudo e tínhamos algum receio. Andavamos a descobrir...
                Este ano, podes dizer que regressaste às aulas com vontade de fazer mais, ou tiveste saudades de outras coisas?
                Muito a sério: voltei com vontade de fazer mais. Estou muito motivada para o ano que aí vem. Quero fazer mais e melhor.
                Como é a relação entre os alunos de medicina? Tem-se fortificado? São um grupo coeso?
                Ao contrário do que as pessoas possam pensar nós somos muito companheiros e muito unidos. Toda a gente quer participar e ajudar nas actividades. Damo-nos muito bem.
                Por último, o que é que te marca mais no regresso às aulas e o que achas que diferencia o regresso à UC, do regresso às aulas noutras instituições?
                Acho que o que me marca mais no regresso às aulas é reencontrar as pessoas e encontrar o ritmo de trabalho. Acho que o que diferencia o regresso às aulas aqui é a recepção. Há mais pessoas e por isso as actividades são em maior número e permitem uma maior interacção entre os alunos do mesmo grupo e de grupos diferentes, porque muitas vezes juntam-se cursos para festas, para jantares, para convívios...

                Luisa Ferreira chegou a Coimbra há três anos, tímida, acanhada e receptiva à novidade. Aos primeiros minutos essa sensação dissipou-se. Após a acolhedora recepção dos doutores de medicina, foi fácil perceber que os alunos são muito companheiros e amistosos. Três anos depois, o regresso às aulas ficou marcado pela vontade de fazer mais, o desejo de rever os colegas, de reviver a vida e a animação Coimbrã. A Faculdade de Medicina é uma de oito faculdades da Universidade de Coimbra, que se distingue pela responsabilidade com que encaram o curso e não por se encontrarem numa posição preferencial, a nível de código de praxe . São uma faculdade igual a tantas outras.
Mara Rodrigues
Redacção 1