quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Mais liberdade para quem escolhe ser livre

Na escola básica de Monforte, no Alentejo, alguns jovens preferem as actividades lúdicas às aulas do ensino regular. Os PCA’s (Percursos Curriculares Alternativos) promovem a inclusão de alunos com insucesso e risco de abandono escolar através de programas especiais de estudo. O percurso escolar é repensado e as opções de escolha variadas. É caso para dizer que há mais liberdade para ser diferente.

São muitas as vozes que se levantam a favor da evolução da escola actual para uma escola inclusiva. Desde 2006 que a legislação portuguesa permite a constituição de turmas com percursos curriculares alternativos que visam o desenvolvimento de competências de base e de áreas de interesse. O intuito é que jovens com dificuldades de integração e aprendizagem continuem a ir às aulas. “As escolas que oferecem este tipo de formação estabeleceram protocolos com diversas empresas e entidades; o nosso principal objectivo é a conclusão da escolaridade obrigatória por parte destes alunos, bem como o incentivo para prosseguirem os estudos em áreas profissionais específicas”, explica o Presidente do Agrupamento Vertical de Escolas de Monforte, António José Baptista Pereira.
Monforte é uma vila situada no norte alentejano, a 28 km de Portalegre. Dos cerca de 1200 habitantes, grande parte é de etnia cigana. Os jovens em idade escolar desta etnia são os que mais frequentam os PCA’S na localidade.
Um ex-aluno dos PCA’s, João Pedro Marrucho Gamas, de 19 anos, conta que reprovou “duas vezes em três anos”, porque “na época a escola não fazia sentido, não se adequava ao que pretendia”. A frequentar actualmente uma via de ensino profissionalizante, mais avançada, é com estas palavras que João Gamas explica a sua transição do ensino regular para um ensino com percursos alternativos.
O presidente do Agrupamento Vertical de Escolas de Monforte afirma que a adopção dos PCA’s pela escola foi uma medida para “encontrar soluções ajustadas à diversidade de casos que não se enquadram nem no ensino regular nem no ensino recorrente”.
O programa oferecido é amplo e rico em diversidade, com um planeamento e horário bem definido. “Da parte da manhã os alunos têm aulas com algumas adaptações a nível do programa lectivo. Da parte da tarde desenvolvem outro tipo de competências: praticam actividades desportivas, natação, jogos, dança e teatro”, explica Catarina Rato, coordenadora de departamento e de estabelecimento do 1º ciclo de Monforte.
“As actividades que praticamos são diferentes, vão mais ao encontro do que gostamos de fazer.” diz, timidamente, Joana Ramos, uma aluna dos PCA’s de Monforte.
Matilde Candeias, professora do ensino básico da escola de Monforte, relata que as famílias de etnia cigana têm hábitos e crenças “muito peculiares”, que se reflectem no desempenho escolar dos filhos. As crianças de etnia cigana são as que mais optam por esta via de ensino. As actividades mercantis e sazonais que desenvolvem com os pais e a comunidade em que se inserem, faz com que se ausentem durante longos períodos da escola, impossibilitando-as de fazer um percurso normal de aprendizagem. “As raparigas, por exemplo, quando terminam o 4º ano de escolaridade, são retiradas da escola para aprenderem as suas tarefas domésticas e para se prepararem para o casamento”, diz Palmira Grilo, professora da mesma escola.
Pelas descrições, e numa ida ao local, percebe-se que as crianças estão mais integradas e predispostas para a aprendizagem. “Os jovens de etnia cigana crescem em liberdade e, por isso mesmo, não estão habituados a estar fechados em salas de aula.”, diz Matilde Candeias.
Segundo Alda Lista, docente que contacta de perto com este programa de ensino, existem diferentes percepções sobre o funcionamento de uma escola inclusiva. “As matriarcas de etnia cigana, apesar de recusarem uma aculturação, sentem-se excluídas e gostavam que os filhos frequentassem a escola juntamente com os outros”. Apesar das necessidades especiais evidentes de alguns jovens, a comunidade cigana parece discordar de uma separação, uma vez que as aulas decorrem em edifícios individuais.
A docente acrescenta que os alunos com predisposições diferentes para o estudo, em ambiente de aulas convencional, não se sentem motivados e, mais tarde, acabam por abandonar a escola. Os entraves não se colocam somente aos alunos, mas também aos professores que, muitas vezes, não sabem como lidar com as necessidades destes jovens. “Os professores de uma classe regular não encontram tempo nem disponibilidade suficientes para dar resposta a estes alunos que, na sua maioria, chegam à escola sem os pré-requisitos dos outros”, justifica.
Longe vai o tempo em que a uniformidade do ensino se dirigia a um grupo restrito de alunos social e culturalmente semelhantes para quem a utilidade da educação escolar era única e estava bem definida. “A mudança da realidade implica repensar o ensino actual. Para que a aprendizagem seja satisfatória é necessária mudança”, entende Matilde Candeias que, apesar dos programas alternativos, não sabe até que ponto “será inclusivo estruturar as turmas de PCA’s e isolá-las do ensino regular”.

Paula Cabaço
Redacção 2

GERAÇÃO À RASCA QUE SE DESENRASCA


Crise vs. Educação. O que fazem os jovens estudantes portugueses para combaterem a crise?



GERAÇÃO À RASCA QUE SE DESENRASCA

Apesar das enormes dificuldades por que têm de passar, os jovens estudantes portugueses mostram-se capazes de superar os obstáculos que lhes são colocados ao longo da sua formação. Pagar as propinas e sustentarem-se a si próprios são algumas dessas barreiras que conseguem ultrapassar com um espírito de garra, esforço e dedicação.
Por Isabel Oliveira

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ropinas, 100 euros; renda do quarto, 150 euros; despesas da água, luz, gás e internet, 30 euros; transportes, 75 euros; alimentação e outros gastos, 80 euros. Esta poderia ser a factura média mensal de um estudante deslocado, do Ensino Superior, na cidade de Coimbra. Despesas que rondam os 500 euros mensais não são fáceis de ser suportadas, mas esta é a realidade por que têm de passar os universitários se querem investir no seu futuro.





Os Universitários vêm-se obrigados a fazer muitas contas para perceberem o que gastam e onde podem poupar.







Numa altura em que os valores das propinas sobem, as bolsas de estudo da acção social diminuem, as rendas da casa, transportes e alimentação são cada vez mais caros, muitos estudantes vêm-se obrigados a desistir de estudar, com impossibilidade de comportar tamanhos gastos. Segundo dados revelados pela Associação Académica de Coimbra, até Março do presente ano, já 600 estudantes da academia coimbrã tinham abandonado a Universidade.







Cartaz da AAC (Associação Académica de Coimbra) mostrando o desagrado com a diminuição das bolsas de estudo e as suas consequências: 600 estudantes abandonaram o Ensino Superior. Por: Isabel Oliveira










Ver os filhos tirarem um curso superior é o sonho de qualquer pai. Mas o que podem fazer as famílias portuguesas para verem este sonho tornar-se realidade? Num país em que as palavras da ordem do dia são FMI, Troika, dívidas, desemprego, crise, crise e mais crise, pouco ou nada podem fazer para ajudar os filhos. ‘A vida está cara’ é o que mais costumam dizer os portugueses quando confrontados com a sua situação económico-financeira. Para além de se verem privados de aumentar o poder de compra e de melhorar as suas condições de vida, porque simplesmente não há dinheiro, não conseguem simplesmente dar continuidade à formação dos filhos. Como muitas vezes afirmou José Sócrates, a educação e o investimento nos mais jovens é a base para o desenvolvimento do país. Com os desenvolvimentos políticos a que se tem assistido juntamente com as dificuldades de financiamento no sector da educação prevê-se dias muito complicados para uma geração que se tem intitulado de ‘geração à rasca’. Geração esta que se vê responsável por si própria, pelo cumprimento dos seus e dos sonhos dos familiares e pelo desenvolvimento do país. A maioria dos jovens portugueses universitários não se querem juntar aos 600 apontados pela AAC, pois, pretendem ver realizados os seus desejos. Cabe a cada um encontrar soluções para combater a crise, que em muitos casos passa por arregaçar as mangas e começar a trabalhar.

Exemplos de Sacrifício

Olivia Silva, estudante do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas na Universidade de Coimbra, é um exemplo da vontade e coragem dos jovens de prosseguirem os estudos graças ao seu esforço. “Sou guia no Jardim Botânico de Coimbra. Para além da importância monetária deste part-time é-me igualmente útil por estar dentro da minha área de estudo pois uma das áreas de investigação para o desenvolvimento de novos fármacos é o estudo dos constituintes das plantas. Como aluna de MICF acho interessante saber que plantas podem ser usadas na medicina e que plantas pelo seu perigo não devem nem ser usadas na medicina tradicional. Como futura agente de saúde pública acho que é uma mais-valia saber identificar essas plantas para poder aconselhar os utentes” afirmou a estudante que se sente realizada por conseguir juntar o útil ao agradável, ou seja, ganhando dinheiro fazendo o que gosta. Para esta estudante, é muito importante o dinheiro que ganha com este pequeno part-time, pois lhe permite cobrir os gastos do seu dia-a-dia. Não sendo um exemplo com uma situação económica muito negra, quer, ainda assim, manter este trabalho, pois considera ser muito importante para não sobrecarregar tanto os seus pais. Um conjunto de factores faz com que Olivia adore este trabalho: boa recompensa monetária, é na área que gosta e pretende trabalhar futuramente e não lhe ocupa grande tempo, conseguindo conciliar na perfeição com os estudos. Sendo uma estudante deslocada, pois é oriunda de Pombal, mas estuda no centro de Coimbra, aproveita o ordenado, essencialmente, para as despesas alimentares e relativas aos transportes.
Já Sandra Antunes, estudante de Comunicação Social na Escola Superior de Educação de Coimbra, tem uma situação económica bem mais difícil. Os seus pais, com muita pena, não conseguem suportar os custos com a educação da filha. Contudo, a estudante não vira as costas às dificuldades. “Trabalho num quiosque dentro de um Centro Comercial, vendendo cafés, bolos e tostas. Já trabalhei também num call center da PT. Não posso estar parada sem trabalhar, porque tenho muitas despesas a pagar e, por isso, tenho de fazer qualquer coisa”, afirma a estudante. Orgulha-se de ser independente, por conseguir pagar as propinas, a renda do seu quarto, e todas as outras despesas com o seu próprio dinheiro, mas sente-se desiludida por não trabalhar no que gosta. Deixando por vezes as obrigações escolares um pouco de lado, Sandra assume que foi fácil arranjar trabalho, no entanto “as condições são terríveis”, em que os patrões abusam muito por haver muita procura.

Daniela Nunes faz animações em festas para crianças

Mas nem todos os estudantes encontram facilmente trabalho que consigam conciliar com os estudos. Estudante de Educação Básica, Daniela Nunes aproveita o tempo das férias para fazer limpezas em casa de vizinhos e animações em festas para crianças. “Prefiro sem dúvida fazer animações em festas para crianças, pois é com elas que quero trabalhar futuramente. Mas é fazendo limpezas que ganho mais dinheiro, por isso não posso dizer que não ao trabalho que me aparece”, disse, a futura professora. Fazer limpezas não é o trabalho ideal, mas é o perfeito para quem precisa de dinheiro. 









Para a maioria dos estudantes trabalhar é a solução para pagar os estudos. Sujeitam-se a qualquer trabalho para superar os elevados valores das propinas.

Estes são apenas três estudantes que mostram a realidade de muitos jovens portugueses. Uns conseguem conciliar a sua área de interesse com as questões monetárias, outros nem por isso, mas não é por isso que deixam de trabalhar, desistindo da sua vida. Contra todas as dificuldades, contra a crise, mas a favor dos seus sonhos, do seu futuro, os jovens mostram-se à altura de qualquer desafio. Trabalham, lutam e vêm a sua dedicação estampada na hora de pagarem as despesas com o seu próprio dinheiro. Conseguir cerca de 1000 € por ano (valor médio aproximado das propinas em Portugal) não é fácil, mas, como se consegue perceber a ‘geração à rasca’, afinal, consegue desenrascar-se. Mas valerá a pena este esforço grandioso para conseguir um curso superior, atendendo aos elevados valores de desemprego que apresenta Portugal?

Futuro incerto

“Quanto a perspectivas, acho que me fui desiludindo com o sistema, sonhei ter um futuro, e agora apercebo-me que vou ter outro completamente diferente” acrescentou Sandra Antunes, que aspirava seguir uma carreira na área da Comunicação Social. Acredita que o esforço vale a pena, nem que seja pelo simples facto de se sentir independente, “sem depender de ninguém” na hora de pagar as contas.
Já Fernando Pessoa afirmava que “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. Com grandes almas cheias de espíritos de sacrifico, entrega, dedicação e luta pelo que querem os estudantes mostram que é possível combater a crise. Mesmo sem um futuro garantido, os jovens já não se sentem os mesmos com a realização dos seus grandes sonhos: licenciarem-se.

Por: Isabel Oliveira, Redacção 1



quarta-feira, 2 de novembro de 2011

It's Echo-Logic


v ZMAR ECO CAMPING RESORT &; SPA

IT’S ECHO-LOGIC

             
  A bússula mercava Sul e o relógio umas tardias 23 horas de sexta-feira, dia vinte um de Outubro. Chegados à enorme e acolhedora recepção do Zmar foi hora de descobrir tudo o que o Eco Camping Resort & Spa tinha para nos mostrar. Tínhamos chegado à apenas dez minutos e já se instaurava o clima pensativo de quem lamenta que tamanha beleza seja vislumbrada em apenas dois dias. O tempo será escasso, mas este será um fim-de-semana completamente diferente, revolucionário, direi. Cinco estrelas que esperam os hóspedes deste resort na Zambujeira. E se se assustou com a designação do parque de campismo, fique para se informar até ao fim. O Zmar preenche os requisitos de qualquer idade: seja criança que brince no parque de diversões, ou que passeie pelo parque de bicicleta, sejam adultos que aproveitem a piscina exterior ou a zpa, ou então ambos que aproveitem a piscina interior de ondas, localizada junto ao ginásio. Estes são apenas alguns dos cenários que temos oportunidade de presenciar no Zmar. Para além destes, há ainda outras opções igualmente saudáveis como o arborismo, um percurso com doze pontes aéreas e três slides, os circuitos de btt, ou os percursos pedestres. Tudo boas opções.


Em cima: Arborismo; em baixo: Piscina Coberta de Ondas

                                                                                                                                   

              
O Paraíso Ecológico
               Mas hoje o que nos trouxe aqui foi um evento especial – It’s Echologic Too. O conjunto de artistas que a Madame respresenta, juntamente com o Resort Zmar deram iníco em Fevereiro a um fim-de-semana que convidava todos aqueles que gostassem de se divertir, nunca esquecendo a nossa responsabilidade ecológica neste mundo. A segunda edição do evento repete-se agora e nós cá estamos para o descobrir. Chegados pelas tardias 23 horas é agora tempo de relaxar, pousar as malas e aproveitar toda a harmonia que o Zmar e os nossos Zchalets têm para nos oferecer. É um modesto chalet de madeira com dois ou três quatros, destinado a quatro ou cinco pessoas com todas as comodidades que teríamos em nossas casas. Ao fundo já se ouve o barulho vindo da festa que se realiza no restaurante – os dj João Jacob e João Maria. Foi a noite mais curta dadas as horas a que chegámos e o cansaço que se fazia sentir por força da semana que passou.


Vista Zmar
               Desporto e Música – A combinação Perfeita

               Sábado de manhã, depois da alvorada é altura de descobrir o parque. O calor que se faz sentir convida-nos a um passeio a pé pela enorme piscina, ao som de Mary B. Um fantástico quadro desenhado: em grande plano uma mata enorme e verde; mais próximo, a relva povoada por uma casinha pequenina; e mais perto, duas piscinas, uma delas habitada por peixes de várias espécies. Nas nossas costas algo semelhante a umas docas ocupadas pelo restaurante, o Zinfo, o supermercado, tudo o que pode ser útil a quem visita o Resort. A manhã foi ocupada também por uma actividade englobada no fim-de-semana, o Swap Market: a troca de roupas que já não usamos. Algo tão simples como “Eu já não uso estes ténis, mas adoro essa tua camisola, trocamos?”. As roupas não trocadas serão enviadas depois à TAIPA. Vistadas as “docas” seguimos em direcção à zona de tendas, dos alvéolos e mais uma vez uma mata enorme acompanha as nossas costas e o nosso horizonte. É agora altura de levantar as cinco bicicletas (o Zmar, neste evento, oferece cinco bicicletas a quem trouxer o carro com cinco pessoas) e fazer o mesmo percurso agora de forma mais rápida. Famintos é hora de atacar o caseiro almoço, que antecede o arborismo, com um custo extra de cinco euros. Quarenta e cinco minutos de pura diversão e recheados de vistas quase mágicas. Do cimo das cordas suspensas onde nos encontramos podemos observar uma Natureza pura, extensiva e quase indescritível. Seguidamente é altura de nos deliciarmos nos vinte e oito graus da piscina interior, de ondas; e nos quinze graus da piscina exterior, onde nos limitamos a molhar os joelhos.             
Blasted U
               À noite a diversão foi acompanhada pelo dj italiano Henriq. O auge da noite foi a ao som do novo live act da banda BlastedMechanism – Blast U, um concerto em que o conjunto de artistas se mostra sem adereços cénicos. Aqui a energia e a dinâmica mistura rock (por Valdjiu), electrónica (por Ary) e tribalismo (por Winga), um místo que encheu a tenda como até então não tinha enchido. A banda totalmente integrada na noite deliciava-se alternando a sua música entre os instrumentos alternativos de percursão e cordas e o dj que mixava as músicas já conhecidas do grupo, pelo álbum Mind at Large. Entre o mix e a percursão, Ary interagia com o público através das sábias palavras passadas pelo filósofo Agositnho da Silva “Com o pé no chão e com a cabeça no coração”. Assim se viva a música do grupo Blasted Mechanism. Seguidamente é a vez de Stereo Addiction que entraram com a mesma garra e com a mesma luta para conquistar o público que aderiu sem arrependimentos. A longa noite foi marcada pelo espírito, pela música e pela motivação que trouxe todos aqui: afinal são oitenta hectares para aproveitarmos todos juntos. A aventura começou nesta noite, onde se encaixaria perfeitamente a frase tão conhecida “Traz outro amigo também”.

               Pequenos Luxos
               O Domingo começou com uma alvorada cansada e tardia. O grupo levantou-se forçosamente para se dirigir ao brunch de despedida, oferecido pelo Eco Camping, onde não faltava nada. Desde pão, bolos, compotas, sumo de laranja natural, leite, café e o perfeito almoço americano com os ovos mexidos, as salsichas e o bacon.
               Foi um fim-de-semana de muitas descobertas. Entre as dicas ecológicas do Eco Camping Resort (organiza boleias!, reutiliza o mesmo copo durante toda a noite, não deites beatas para o chão), parece que todos os que participaram e aderiram à festa, juntaram a estas dicas outras, tais como: faz novas amizades, ouve boa música, olha a tua volta e enjoy!  O ambiente amistoso e sem descriminações de qualquer tipo levou a que disfrutássemos de um fim-de-semana muito diferente, pouco monótono, com um excelente conceito de base e acessível a muita gente – Um Ecofim-de-semana com Eco-Custos – um evento corajoso, que concerteza se repetirá.

               Mara Rodrigues
R1

Anorexia: Quando o espelho é o pior inimigo



Em 2004 surgiu na Alemanha um restaurante, no mínimo diferente, que foi vítima de polémica devido a uma característica muito especial: é dedicado a pessoas anorécticas. A fundadora deste restaurante sofreu também desta doença e aponta a incapacidade para apreciar a comida como um dos problemas que atingem as vítimas de anorexia. De facto, os anorécticos transformam uma simples refeição familiar numa enorme carga de tensão, uma vez que tentam disfarçar a “falta de apetite” - que eles próprios provocam - de modo a que ninguém perceba o seu problema. É neste contexto que Katja Eichbaum vê o seu restaurante, como uma forma de os anorécticos se divertirem a comer sem receios, pelo que denominou os pratos com nomes que não se relacionam com os seus ingredientes de modo a que, para pedir um prato não seja necessário falar em comida. Por exemplo, se desejar uma deliciosa receita à base de lagosta basta dizer “Hallo” (“olá” em alemão). O ideal do restaurante “Sehnsucht” (“saudade” em alemão), é precisamente ajudar as pessoas que sofrem de distúrbios alimentares, devolvendo-lhes a sensação de distracção que uma refeição pode proporcionar, já que a tendência destas pessoas é refugiarem-se de refeições em público.

Os media têm sido fortemente atacados por se acreditar que veiculam um modelo sociocultural de beleza baseado na magreza extrema. É certo que se dedicam programas e revistas inteiras aos cânones de beleza em vigência, mas é na moda que reside o principal impulsionador da anorexia. Joana (nome fictício) tem 20 anos,  1,70m e uns escassos 43kg e afirma “o meu sonho sempre foi ser modelo mas quando me olho ao espelho acho que ainda não estou suficientemente magra”. O mundo da moda preenche o imaginário de muitas adolescentes mas cada vez mais é preciso alertar para o perigo da anorexia de modo a evitar testemunhos como o anterior. Um corpo magro é associado a beleza, sucesso e felicidade que conduzem a dietas extremas e perigosas. Mas o que poucas adolescentes sabem, é que a anorexia pode provocar sérios danos no sistema reprodutor feminino, pode detectar-se através da descalcificação dos dentes, do crescimento retardado ou até paragem do mesmo com a resultante má formação do esqueleto, de depressões profundas ou até através de tendências suicidas.

Eis alguns números que vale a pena saber: 1 em 5 mulheres sofrem de distúrbios alimentares, 70 milhões de pessoas no mundo têm distúrbios alimentares, 15% dos anorécticos são homens, em cada mil adolescentes dois a cinco sofrem de anorexia,  a cada 5 pessoas anorécticas 1 morre. Uma delas foi Ana Carolina Reston que faleceu em Novembro de 2006, aos 21 anos, vítima de uma infecção generalizada provocada pelo estado de extrema fraqueza. A modelo brasileira tinha 1,74m de altura e pesava 40kg.

A publicidade é também um sector muito associado à anorexia. Neste sentido, o fotógrafo italiano, Oliviero Toscani, lançou em 2007 uma campanha contra a anorexia em plena semana da moda em Milão. Esta campanha, financiada pela marca de roupa Nolita, recorre à imagem chocante da modelo francesa Isabelle Caro com somente 32kg para o 1,65m de altura cujo objectivo era precisamente chocar para sensibilizar para os perigos da anorexia. E foram mesmo esses perigos que vitimaram a modelo a 17 de Novembro de 2010, uma vez que o grave distúrbio alimentar que possuía desde os 12 anos lhe arruinou irreversivelmente a saúde. Assim, aos 28 anos, Isabelle Caro não resistiu aos efeitos de uma pneumonia.
Apesar de todas as sensibilizações e apelos como o da marca de roupa Nolita, o aumento da incidência sobre a população é progressivo e não tende a parar. Qualquer tentativa de fechar os olhos a este problema será em vão, visto que se torna cada vez mais vulgar convivermos com pessoas afectadas por esta doença. Deste modo, a nossa consciência e sentido racional obriga-nos a reflectir sobre este assunto para que as mortes de Isabelle Caro, Ana Carolina Reston e todos os restantes anónimos espalhados por esse mundo fora não tenham sido em vão.

Eduarda Barata R2