sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Festival da Música de Coimbra traz cultura à cidade


Até 7 de Dezembro, músicos portugueses exibem o seu trabalho, na cidade dos estudantes. Graças ao Festival da Música de Coimbra, a veia musical da cidade acaba por envolver os habitantes de toda a região centro.

Este festival – FESMUC-, para além de mostrar os trabalhos originais de vários autores portugueses, tem como objectivo festejar os 200 anos do nascimento de Liszt, compositor e pianista do Romantismo.

 O FESMUC, dirigido pelo maestro Augusto Mesquita, pretende-se afirmar como um festival dedicado a toda a região e não apenas à cidade de Coimbra. Para além da dedicatória ao pianista Franz Liszt, o festival pretende celebrar a criação do Orfeão Académico de Coimbra, bem como os 650 anos da trasladação de Inês de Castro para Alcobaça.

São vários os locais onde os vários habitantes da região poderão assistir aos concertos: o Teatro Académico de Gil Vicente, o Auditório do Conservatório de Música de Coimbra, e a Biblioteca Joanina.

Para os apreciadores da música de Liszt, no dia 24 de Novembro terão a oportunidade de ouvir o recital de piano executado por Paulo Oliveira. O recital, “200 Anos do nascimento de Liszt”, baseia-se na obra do consagrado pianista e de vários seguidores do mesmo, como por exemplo Busoni, Sgambati, Vianna da Mota e Rosenthal. Paulo Oliveira nasceu em 1979 em Vila do Conde e é um dos pianistas mais distintos da sua geração. Não só a nível nacional, mas também a nível internacional, recebeu vários prémios destacando-se no “Concurso Internacional de Piano Vianna da Motta”.

Constituído por 18 espectáculos, quase todos de entrada livre, o festival espera chamar toda a região de Coimbra para assistir e desfrutar do ambiente cultural existente. Segundo o maestro, as apresentações são dedicadas a “um público que vai desde o mais exigente até quase pessoas que não gostam de música", é por isso um festival que vale a pena incluir na agenda.


Inês Silva, redacção 1
Fotografia: www.cienciapt.net

Jogar à macaca?! Tenho um canal sobre isso!




Todos nós, de gerações recentes, sabemos o que é uma televisão. Estamos habituados a lidar com ela, marcou-nos a infância. Ainda assim, saímos à rua, fizemos amigos e brincámos com pessoas na estrada que não conhecíamos de lado nenhum.

E mesmo assim os meus irmãos mais velhos me diziam: estás tanto tempo em casa, tu não tens amigos? Vocês não vão brincar para o parque? Ou andar de bicicleta? Eu sempre respondi que sim, que passava muito tempo na rua. Eles argumentavam que não.

É verdade que a minha infância foi marcada pela TV e que, muitas vezes, não saí de casa por estar a ver um filme, ou uns desenhos animados de que eu gostasse. O próprio fenómeno "Dragon Ball Z", que fazia parar escolas e até empresas chegou a tocar um pouco a minha vida de 2° ciclo. No entanto, o que noto agora é um exagero do uso da TV por parte dos mais novos que lhes custa uma infância de descobertas e relações com amigos, próprias da idade.

A viciação é um dos grandes males da tecnologia, o que se nota e muito. Mas pode ser controlada se as pessoas se aperceberem do problema e das suas consequências. No entanto, a verdade é que num mundo em que a criminalidade e o rapto de crianças estão num nível tão elevado, a segurança é cada vez menor e os pais optam por manter os filhos em casa, na quietude dos seus lares. Contudo, nem tudo o que reluz é ouro, e este facto tem as suas contrapartidas. As crianças cada vez usam óculos mais cedo, a obesidade infantil está a tomar níveis catastróficos e as depressões em idades recentes aumentam cada vez mais.

Em lado nenhum há a certeza de que estamos totalmente seguros. Uma catástrofe acontece a qualquer momento, mas existem sítios onde há o esforço por haver segurança, e um passeiozinho pelo parque só faz bem à relação entre pais e filhos. É verdade que com a tecnologia neste ponto já existem jogos que fazem uma pessoa mover-se e exercitar o corpo, e as redes sociais permitem fazer milhares de amigos. Mas só a convivência, as brincadeiras e asneiras dão às crianças as vivências próprias da idade. Aquelas que, um dia mais tarde, lhes servirão para se tornarem adultos.

Nos dias que correm, a resposta mais provável que o Carlinhos dará à Carolina quando ela o convidar para ir jogar à macaca será: jogar à macaca?! Tenho um canal sobre isso!
E provavelmente tem razão.

Joel Domingos, R2

Surpresas agradáveis e outras nem tanto marcaram a Praça Luís de Camões em Lisboa

Terminaram os castings para mais uma edição do concurso Elite Model Look promovido pela conceituada agência de modelos, Elite Models.





por Bárbara Corby





São dez horas da manhã. Na Praça Luís de Camões em Lisboa há uma fila interminável. Parte de uma porta, a porta da Agência Elite Models. É dia de castings para o conhecido concurso de moda Elite Model Look, que lança uma rapariga e um rapaz para o mundo da Moda.

Diana Santos é uma das raparigas que está a concorrer. “ É a terceira vez que me inscrevo neste casting, tenho 17 anos, e como desde o ano passado cresci mais um bocadinho resolvi tentar outra vez. Gosto muito do mundo da moda, é algo que está dentro de mim!”.A Diana foi rejeitada nos últimos três castings porque não tinha a altura suficiente, mas não é a única que já não está aqui pela primeira vez. “Concorri há dois anos, mas não passei. Nunca me disseram porquê…Talvez não fosse bonita ou magra o suficiente. A minha mãe nem gosta destas coisas, desta vez vim as escondidas, é o meu sonho!” diz Luísa com um ar esperançoso.

Cinco mil jovens entre os 13 e os 23 anos em busca do mesmo sonho, o de chegar á final deste concurso.

“ Na infância as crianças pensam que tudo pode acontecer como idealizaram, como sonharam. Quando chegam á adolescência, idade em que começam a querer alcançar esses objectivos, começam as desilusões de se aperceberem que o mundo não os espera de braços abertos como imaginavam. E é aí que se deixam influenciar pelos meios de comunicação, que mostram a vida das celebridades, nesta caso dos manequins, como uma vida de glamour e sem preocupações. É normal que eles também queiram chegar lá.” explica Raquel Guiomar, licenciada em Ciências Psicológicas.

Já o Pedro tem outras razões para estar aqui. “ Não estou nervoso. Nunca foi um sonho para mim. A minha namorada é que sempre quis ser modelo, vim para acompanhá-la. E não vou dizer que o dinheiro não vinha a calhar!”. Os colegas que ouvem a conversa, abanam a cabeça, concordando com o Pedro.

“Em tempos de crise, em que tanto se ouve falar do desemprego, os jovens acabam por refugiar-se neste tipo de profissões, ligadas á arte, aliciados por uma vida “fácil” e bem remunerada” explica Raquel Guiomar.

De entre nervos, ansiedade e algumas gargalhadas dos que se vão conhecendo ao longo das intermináveis horas que têm que aguardar, vão comentando. Uns dizem que já estão ali há cinco horas, alguns pais que acompanham os filhos também vão manifestando o cansaço das horas de espera.

“Trouxe a minha filha porque só tem 14 anos, e não gosto que venha as estas coisas sozinha. Já estamos aqui a 4 horas, e nada. Vim do Porto, ela diz que é um sonho ,espero que valha a pena!”, diz Dolores, mãe da Mariana que também vai concorrer.

São agora uma da tarde, e as portas abriram-se finalmente. “Boa Sorte! Não fiques nervosa! Vais conseguir!” é o que se ouve quando entra a primeira candidata. A partir daí o tempo corre mais depressa…para alguns o brilho nos olhos transforma-se em lágrimas. “Não passei! Disseram que não tinha as medidas ideais, e que por isso não tinham lugar para mim.” , explica a Mariana enquanto abraça a mãe Dolores.

Já o Pedro passou, mas a namorada não. “Passei, mas a Francisca não. Não vou continuar sem ela. Isto era o sonho dela e não o meu. Ela está muito triste, mas já lhe disse que até a modelo mais famosa do Mundo já foi rejeitada em algum casting. A Francisca é muito bonita e tenho a certeza que para a próxima vai conseguir.” , diz com um ar divertido.

Para a Diana á quarta foi mesmo de vez. “Passei! Finalmente! Se não fosse agora não era mais. Eles lembravam-se de mim! Disseram que me iam dar-me uma chance. Agora tenho que descobrir como vou contar á minha mãe!”



“…entram no lado negro da procura pelo sonho.”

A estudante de psicologia explica, que enquanto é apenas um sonho é benéfico. É essencial sonhar. O problema é quando os jovens se tornam obsessivos querendo seguir a carreira a todo o custo. “Todos os adolescentes, e principalmente as raparigas sonham em ser modelos. E isso é natural e até positivo para o seu desenvolvimento. No entanto, alguns quando são rejeitados, tornam-se obsessivos, podem deixar de comer para obter a forma que desejam, desenvolvem distúrbios alimentares chegando a recorrer a doenças nervosas como a anorexia e a bulimia para conseguiram alcançar o que o mercado pede. Aí entram no lado negro da procura pelo sonho.”

A Bruna tem hoje 21 anos, e explica que também sonhava ser modelo. “Quando tinha catorze anos toda a gente dizia que tinha corpo para passerelle. Era o meu sonho, comecei a ir a castings, mas fui rejeitada em todos eles. Então um dia, um dos júris disse-me que se eu emagrecesse um pouco poderia ser aceite. Deixei de comer, media 1.74m e cheguei a pesar 43 quilos. Perdi o chão, sentia-me insegura, humilhada, incapaz. Entrei num caminho sem volta. Com a ajuda da minha família e dos meus amigos consegui recuperar da doença, hoje estou curada, penso de maneira diferente e apesar de não ter as medidas para passerelle, de vez em quando faço alguns trabalhos como modelo fotográfica”



“ começam muito jovens e não conseguem aguentar pressão …”

Os Mundo do glamour não são só passadeiras vermelhas, fotógrafos e roupas bonitas. Existe a pressão, muitos não aguentam e refugiam-se em tudo menos na ajuda saudável. Muitos começam a usar drogas, a afugentar-se no álcool para esconder as suas frustrações.

“Os jovens, principalmente na altura da adolescência experimentam um estado de desconforto psicológico e crise de identidade. Não sabem bem quem são, a sua personalidade não está totalmente formada, não definiram ainda objectivos e por isso são tão influenciáveis pelos media. Hoje em dia começam muito novos, não conseguem aguentar a pressão. São os principais alvo e por isso é normal que essas coisas aconteçam.”

Raquel Guiomar sublinha ainda que “é necessário que os pais dialoguem com os seus filhos, não lhes cortem as asas, mas expliquem-lhes a realidade, mostrando-lhes que se não conseguirem realizar os seus “sonhos” no mundo artístico, há muitas outras coisas boas que poderão fazer!”.



O João foi o último concorrente a ser visto e para ele a espera valeu a pena. “ São oito horas da noite, estou aqui desde as 9, pensei que já não ia passar por ser último. Fiquei surpreendido, nestas coisas eles nem costumam ver toda a gente. “

Eufóricos ou lavados em lágrimas, os jovens vão deixando a Praça Luís de Camões que há algumas horas impedia a circulação dos que queriam passar e era palco de sonhos de cerca de 5000 jovens , a maioria portugueses de várias localidades.

Surpresas boas e más, disto foi feito o último dia de casting do Elite Model Look 2011.

Cordinhã é digna de aparecer no mapa


Existe muito a maledicência da chamada "terrinha", em que as pessoas que vão para a cidade tratam de forma desprezível a terra onde nasceram e passaram a sua infância.
Não sei se é giro, ou cria uma ideia de intelectualidade, ou mesmo se existem infâncias miseráveis, mas no meu caso estou muito satisfeito.

Cresci numa aldeia de seu nome Cordinhã, concelho de Cantanhede e distrito de Coimbra, e nunca tive razão de queixa.

Em primeiro lugar, na terra onde moro existe uma farmácia que está aberta das 10 ao meio dia. Apesar de estar apenas 2 horas de serviço, isso acaba por não ser mau. Significa que a partir da hora do almoço não há ninguém doente em Cordinhã.
Segundo, há cabeleireira que, apesar de não ter curso nenhum e muito menos salão certificado, corta cabelos que é um primor. Aprendeu com a mãe e só cobra 3 euros.
Terceiro, temos a loja da “ti’silda”, que é filha única e, no entanto, tia de todos os habitantes da aldeia. A única contrapartida é que tem de se dar especial atenção à validade dos produtos porque, de quando em vez, lá aparece algum do ano passado.

Existe ainda um campo de futebol e um clube chamado Botafogo. A ideia principal seria que tivesse elementos lá da terra, mas parece que só os de fora é que trabalham de graça.
Usufruímos de um ginásio que serve a comunidade e arredores. O problema está no facto de o personal trainer ter 5 empregos, e portanto não lhe sobra muito tempo para lá estar. No entanto, o número de telemóvel dele está afixado, e se alguém partir um osso pode sempre ligar e explicar a situação.

Temos ainda um talho. Esse acho que foi fechado pela ASAE só porque tinha de existir uma arca frigorífica para conservar a carne...
Há a “Gina” florista, que é patrocinadora da “festa de Agosto” e aproveita para fazer campanhas em que cada raminho de flores traz um Tupperware.

E por último, gozamos da existência de 2 cafés rivais, o “Texas” e o “Central”, que são maioritariamente frequentados pelo pessoal da terra. Pelo menos o "Central", o "Texas" já não é frequentado. Mas continua aberto!

Já para não falar do Ramiro “torto” que tem menos 5 cm numa perna do que noutra, do João “mosca” que uma vez ou outra lá dorme na rua por chegar a casa embriagado, o grande “chavalo” que trabalha no estrangeiro e vem em agosto passar 2 semanas ao café Central, o “Toino Passaretas” que deixou a mão debaixo de um comboio, o “Picas” que comercializa espumante, a Arminda “Gamela” que sabe da vida de toda a gente, a Carlota “Peixeira” e o Souza galinheiro que entrou de G3 no café da terra para acabar com a raça do piloto de uma mota que fazia barulho.

O mais hilariante é que nunca ninguém chamou a polícia. Acho até que a polícia não sabe que Cordinhã existe.
Mas nós gostamos assim. Aliás, se não fossem estes os assuntos da ordem do dia, aquela aldeia não era a mesma animação.
É por isto e muito mais que digo: Cordinhã é digna de aparecer no mapa.


Joel Domingos, R2

EN 125 com 71 novas retundas até 2012

Iniciou-se este ano o projecto de remodelação da estrada nacional 125, a principal estrada algarvia que atravessa 14 dos 16 concelhos da região do Algarve ao longo de 157,5 quilómetros.

O projecto conta com a construção de 71 novas retundas ao longo de todo o trajecto algarvio, pretendendo-se remover os numerosos cruzamentos com semáforos que prejudicam a fluidez de tráfego e que dificultam a inversão de macha assim como banir toda a publicidade nos traçados da estrada fora de centros urbanos.

A EN 125 foi considerada repetidamente de 1998 a 2007 como a 2ª estrada mais perigosa de Portugal, tendo registado nos últimos 10 anos níveis crescentes de sinistralidade na estrada.

Com a conclusão deste projecto, que está prevista para 2012, espera-se uma redução do número de vítimas fatais de acidentes de viação na ordem dos 35 porcento.