quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

No cinema… uma arte. Na imprensa… um poder


Quando penso em cinema, recordo-me imediatamente de um livro que li quando era mais pequena. Não o percebi muito bem e lembro-me de ter pensado que aquilo não era para a minha idade. Chamava-se "Papalagui". O livro falava do cinema e da imprensa de uma forma aterradoramente diferente daquela a que eu me haviam acostumado. Deu o mote a muitas perguntas lá em casa... Agora, já consigo dar as minhas respostas e fazer as minhas próprias comparações.
Papalagui… raça estranha essa que passa a vida enfiada com a cabeça enfiada nos jornais. Pelo menos é esta a opinião de um chefe de tribo que vive no meio da floresta. Seres que vivem através de gatafunhos, de informação que enche mas não dá conteúdo, linhas e mais linhas de dados sobre a vida que não deixam que ela aconteça realmente. Para este chefe de tribo os papalagui são loucos. Não aproveitam realmente o que é natural e o que a vida tem para lhes dar. Saltam para uma realidade paralela preocupados em saber da vida e esquecendo-se que o que lêem já passou e que enquanto estendem as grandes folhas à sua frente, a vida que realmente existe está mesmo a passar… e a passar ao lado.
Precisam de assunto para falar nos poucos momento em que estiverem com os outros papalagui e de temas que os façam repetir o que outros disseram e assumir o que outros escreveram. Para isso, continuam a preparar-se e a refugiar-se entre as linhas vazias dos grandes jornais.
No cinema a situação não se altera muito. Numa sala escura, fugindo e alheando-se de tudo quanto se passa lá fora, os papalagui olham desaustinadamente para o ecrã que reproduz cenas de uma vida que alguém inventou. Cada um, sentado na assistência, mergulha uma vez mais até à criação de alguém, através de uma vida que não existe mas dá jeito pensar que sim. Numa realidade irreal, cada um dos indivíduos imagina e identifica-se com uma personagem que admira, que gostaria de ser. Lembra-se de quem não gosta assim tanto e, à semelhança do que fez consigo mesmo, identifica-o e adapta-o a uma das outras personagens do ecrã. O vilão para aquele chefe que não nos deixa em paz no trabalho, a linda mulher para aquela rapariguita por quem estamos embeiçados… E vamos sendo assim levados numa corrente de ideias que não são factos e não existem. Refugiamo-nos na tela e não reparamos que estamos rodeados por dezenas de pessoas que se acumulam num mesmo espaço. Pessoas que não falam e não se relacionam. Que estão ali simplesmente com o objectivo de olhar para uma parede cheia de luz durante horas e caem no esquecimento de que existe vida lá fora e, que nessa, não podemos ser quem quisermos e fazermos o que nos apetece. A sala está escura e deixamo-nos levar pelo sono e pela dormência da tentativa conformista de não viver o que dá trabalho. Sentados na audiência, como puros espectadores, vamos deixando a vida passar por nós e adaptamos o que vimos ao que queríamos ser. Embora sabendo que lá no fundo não será possível, pegamos numa personagem e mergulhamos fugindo do mundo.
Para o chefe da tribo não faz sentido. Para quem fala com os outros, aproveita o mundo natural e vê o que toca, sente o que existe… o mundo do cinema e dos jornais não passa de um refugio aos loucos que, para não viver a vida, inventam uma outra.
E embora perceba a análise que aqui é feita não concordo totalmente. O equilíbrio é algo fantástico e que não está a ser utilizado nesta abordagem. Para além deste ponto de vista ser feito por alguém que viveu algumas décadas antes de nós, o que implica uma abordagem um pouco desactualizada e descontextualizada (e com isto não digo que não haja quaisquer semelhanças, porque realmente existem), não é estabelecida qualquer noção de equilíbrio. Como estudante de Comunicação Social não me parece correcto acreditar que quem lê o jornal se distancia completamente da vida. Sou apologista da informação e espero vir a fazer dela o meu instrumento de trabalho. Como em tudo, é necessário que a balança fique com os dois pratos ao mesmo nível e, se por um lado, é bem possível que as pessoas se refugiem em algo que já aconteceu e não vivam o que está a acontecer, por outro, é imprescindível (e cada vez mais…) saber e reflectir sobre o que já passou, está a passar e poderá vir a passar… mesmo que para isso se tenha de gastar algum tempo do presente. Os jornais são responsáveis pela educação e instrução de muitos. Foram meios de revoluções e ferramentas da liberdade imprescindíveis à partilha de ideologias, de informação e de realidades a quem nada sabe. É verdade que muitos que as lêem as assimilam rapidamente e as engolem sem mastigar. É um facto que existem muitas pessoas que não reflectem sobre o que lêem e “mandar cá para fora” aquilo que viram sem pensar… como se fossem ideias suas. É verdade que a informação que vem nos jornais muitas vezes não é assim tão útil à pessoa x ou y… todos sabem que quando folheiam um jornal e o corre com os olhos, em busca de saber mais do que os rodeia, se desligam em parte do que acontece à sua volta naquele instantes. Mas qual é o mal disto? Qual é o problema de retirar uns segundos ao presente para entender o passado e prevenir o futuro?
Relativamente ao cinema a situação é semelhante. É verdade que quando vamos ver um filme e nos sentamos naquelas cadeiras confortáveis e ambiente escuro, nos deixamos levar (se o filme for bom…). Quem já viu um bom filme sabe, com certeza, que o objectivo de cada um dos enredos e das produções que vimos é captar o espectador e leva-lo até onde se quiser. O cinema é arte e, levar a viajar alguém sem o tirar do conforto da sua cadeira, é algo fenomenal! Uma fugida ao nosso “rang-rang” e à nossa rotina não é mau de todo… muito pelo contrário! Se não se tornar um hábito e não substituir o que realmente existe e faz parte da nossa vida é até saudável dar asas à imaginação. Desde que tenhamos consciência e consigamos discernir o que é real do que não é, não vejo onde é que está o mal de sonhar e acreditar que podemos ser o que bem nos apetecer por alguns instantes.
Com isto não ignoro o facto de existirem problemas quando esta fuga à realidade é despropositada e se torna um hábito. Fazer rotina da fuga não é saudável para ninguém e terá como resultado uma fuga à realidade inevitável.
Assim, na minha opinião, há que ver no cinema uma arte e na imprensa um poder. Na primeira a oportunidade de sonhar e na segunda a tentativa de entender o mundo e saber mais sobre aquilo que nos rodeia.

Mónica Ribau    R_2

De privilégio à necessidade básica


Imaginemos um pêndulo. Um pêndulo pesado, forte e robusto. O pêndulo foi construído por mãos humanas e o primeiro empurrão foi dado pela mão de um homem…
O pêndulo começa a balançar. A oscilação cada vez é maior. Devido ao seu peso e porte o movimento cresce por si próprio. Aumenta, aumenta e continua a aumentar. A oscilação ganha vida própria e, chegada uma certa altura ninguém o consegue parar. Só mesmo outra máquina. Porque aqui, mãos humanas começam a servir apenas para construir algo que combata o que foi criado pelas mesmas mãos… Outra máquina ou engenho qualquer.
A capacidade para pensar veio como extra na categoria de animais racionais onde o Homem se enquadra. O poder que temos para criar e construir instrumentos que nos ajudem a superar as limitações físicas que possuímos é espantoso! O Homem apercebeu-se disso e começou arduamente a desenvolver mecanismos que lhe permitissem subir a grande escada, degrau a degrau até ao “Posso ser e fazer tudo o que quiser!”
A técnica tem milhares de anos e partilha a data de nascimento com a espécie humana. Nasceu com ela… desde os seixos de pedra para curtir as peles até aos mais avançados sistemas e mecanismos de engenharia e mecânica têm sido dados passos espantosos e o homem tem razões para se sentir orgulhoso. Já depois da técnica, dessa capacidade implícita que a raça humana tem de adaptar recursos naturais e, a partir deles, construir outros mais complexos com funções determinadas, surgiu a tecnologia. Entrámos na realidade binária e o que até aqui evoluía pela mecânica e pela descoberta de novos materiais, começou a crescer através de uma realidade algorítmica, uma técnica tão complexa que criou um mundo dentro do nosso próprio mundo. As vantagens são imensas, ninguém o pode negar. Mas até que ponto não passou já o homem a barreira do bom senso e dos limites da auto-protecção? Até que ponto não serão a tecnologia e a técnica armas já tão poderosas e desenvolvidas que se tornem independentes? Não poderá o homem perder o controlo sobre a sua própria criação?
Existem os defensores do sim e os apologistas do não, como em tudo. De facto, todos usufruímos do que a tecnologia e a técnica nos trazem mas é imprescindível saber e ter noção dos nossos limites. O controlo que as máquinas podem vir a ter sobre nós. A dependência generalizada da sociedade de criações artificiais que ocupam cada vez mais o lugar de actividades que outrora eram naturais ao homem. O problema neste momento é que o homem está a ficar dependente de algo que ele próprio inventou. Se até a algum tempo as máquinas eram usadas para chegar onde era impossível e conseguir fazer o que era impensável agora servem para fazer o que sempre foi básico para o homem e substitui-lo em tarefas quotidianas e de rotina essências.
Seguindo o mesmo ponto vista, temos como exemplos o sistema de saúde e de educação. A informatização do registo civil, das contas bancárias, dos sistemas mais importantes da vida em sociedade. Neste momento se a tecnologia deixasse de existir a existência humana era colocada em risco. Cairíamos no caos total. Não se saberia quem morre e quem nasce, que dinheiro existe em cada conta e a quem pertence, quem havia passado na escola ou não, quem trabalhava ali ou acolá… os sistemas de gás, de água, de electricidade. Necessidades que outrora eram um privilégios uma regalias com as quais agora não podemos deixar de viver.
Mais do que uma simples evolução cognitiva, a técnica e a tecnologia ocupam neste momento, nas sociedades desenvolvidas, lugares obrigatórios. Sem eles a segurança e o desenvolvimento da sociedade, como a conhecemos agora, simplesmente deixará de existir. A dependência que temos das máquinas e da tecnologia é enorme e a tendência é para piorar. O problema é que parece que ninguém se parece importar. Os benefícios adiam decisões e escolhas complicadas e o conhecimento que a humanidade possui é cada vez maior. Alimentado por tecnologia de ponta, o ser humano usa o que não sabia mas já sabe para criar mais e melhor que o vai ajudar a saber mais e melhor também… Numa bola de neve rolando colina a baixo sem qualquer controlo. E perguntam então se por acaso isto é mau. Perguntam, com alguma razão, que mal poderá ter a evolução do conhecimento humano e dos recursos e construções por ele descobertos e criados. Então eu respondo. Começará (ou começou) a ter algum mal e grande risco associados a partir do momento em que o supérfluo se tornou necessidade. Até que ponto os benefícios compensam o risco de comprometer o futuro da humanidade e coloca-lo nas mãos de máquinas? Até que ponto será uma atitude e um comportamento de bom senso fazer depender a subsistência do ser humano ou dos modelos sociais em que vivemos de uma obra que nós próprios criamos?
Enquanto me interrogo, dou por mim a ouvir musica no meu mp4, com a janela do Google aberta e o telefone ao pé de mim. De facto, todo o texto foi escrito utilizando um computador.  A tecnologia está de tal forma enraizada nos hábitos dos comuns mortais que será já quase impossível parar e contrariar a tendência.
O pêndulo ainda balança e não há quem o faça parar, muito pelo contrário…

Mónica Ribau_ R2 

Não vêm clientes... mas podem vir sempre!

                                                     (trabalho de aula)
 Mónica Ribau _ R2

Reflexo de uma cidade


Reflexo… Reflexão. Ou talvez a reflexão de um reflexo. Aveiro é assim. O espelho de uma cidade que se mostra duas vezes. Uma por terra, outra por ria. Uma real, outra espelhada.
Entre canais que não têm ondas mas têm sal, a cidade de Aveiro cresce e abraça a água como se sempre tivessem crescido juntas e não houvesse irmã mais velha. A cidade moldou-se à ria e aos tempos. E a ria não se importou.



Os moliceiros, com as suas bordas baixas para carregar melhor o moliço, povoaram os canais. 




        Mónica Ribau 1_ O Moliceiro 


O tijolo cresceu entre as margens e as ruelas nasceram estreitas, em calçada, com cheiro a peixe. 



    Mónica Ribau_ A Baixa e o Rossio

E como se não pudesse ser de outra maneira, o canal principal permaneceu sempre imponente. No centro, no alvo principal da cidade. Pintalgado e agitadas as águas pelas carcaças coloridas. 



    Mónica Ribau 3_ Canal Principal da Cidade 

 E mesmo quando, por vezes, se decidiu que não havia espaço para terra e água coabitarem juntas, cada uma no seu sítio… encontraram-se soluções e criaram-se maravilhas, quase sem querer.



        Mónica Ribau 4_ Capitania


Mónica Ribau 5_ Praça dos Arcos


As montras que deixam a água na boca. Quando se comprimem os saberes e as tradições de um povo no paladar. Quando se reflecte a cidade salgada no doce do sabor.  





          Mónica Ribau 6 _ Os Ovos Moles


Numa cidade feita de reflexos e reflexões... os contrastes aparecem. Mais do que terra e ria, há antigo e novo. Há quente e há frio.  



      Mónica Ribau 7_ Centro de Congressos e Hotel Meliá Ria  

Há passado e futuro num presente. A tradição e a história… 



     Mónica Ribau 8_ Antiga Estação de Comboios 


 …O visionário e o empreendedor.
 

Num momento. Num reflexo ou numa reflexão.
Numa cidade.



     Mónica Ribau 10 _ Largo do Fórum Aveiro

MÓNICA RIBAU _ R2

Televisão digital terrestre só para alguns


A tão falada tecnologia TDT – televisão digital terrestre não vai chegar a casa de todos portugueses.
Uma simples busca na internet, no sítio destinado ao esclarecimento de dúvidas sobre todo processo da TDT, foi o suficiente para descobrir que esta nova tecnologia não vai abranger toda a população.

Segundo o site da Telecom, “uma pequena percentagem da população não terá acesso á nova televisão digital por via terrestre, uma vez que não existe viabilidade técnica para a cobertura TDT de todo o território nacional. Para estas situações, o serviço de televisão digital com os canais gratuitos nacionais, será assegurado através de uma tecnologia alternativa, ou seja, de TDT complementar via satélite (Direct To Home – DTH) ”.

Esta nova tecnologia complementar da TDT, não tem qualquer mensalidade associada mas o equipamento adquirido rondará um valor entre 77 e 96 euros.

O kit complementar da TDT, inclui um descodificador DTH, um telecomando, cabos de ligação e um smartcard.

A TDT é a nova forma de ver e ouvir televisão, proporcionando uma melhor qualidade de imagem e som

Todos os portugueses que não possuem televisão paga vão ser obrigados a adquirir um descodificador para continuarem a ver os quatro canais de televisão, RTP1, RTP2, SIC e TVI, até dia 12 de Abril, dia escolhido para desligar definitivamente o sinal analógico.

Notícia por Tiago Rentes.R2