segunda-feira, 5 de março de 2012

Barato e Bom no Flickr

Barato e Bom

Fomos tentar descobrir na Baixa de Coimbra, os locais onde é possível comer bem e a um preço razoável, tendo como referência o máximo de dez euros por pessoa.






O Restaurante O Pátio situado no Pátio da Inquisição, está na família há cerca de 30 anos, tem uma variedade de pratos todos os dias, incluindo sopa, prato principal, sobremesa e café por cerca de sete euros. A ementa é fortemente marcada pelos sabores característicos portugueses.

Este pequeno restaurante encontra-se na rua Pedro Rocha, é um pouco mais barato que O Pátio, no entanto a qualidade é inferior. A sua ementa é muito tradicional, apostando no tradicional bitoque e afins, mas surpreendendo com um ocasional arroz de coelho entre outros.
Com o seu nome incontornável, o Mijacão situado na Rua Nova destina-se a uma refeição rápida, servindo uma variedade de sandes na hora, como por exemplo a tradicional bifana, moelas, disponibilizando também peixe para os mais saudáveis. A grande vantagem deste estabelecimento é o seu preço, por três euros e meio é possível uma sopa, sandes e bebida.
Esta é outra casa de sandes da Baixa, estabelecida no Terreiro da Erva, sendo um dos concorrentes do Mijacão, apesar se ser um pouco mais barato, reflecte-se na qualidade, como por exemplo no pão, na frescura da carne entre outros. Não deixa de ser uma boa alternativa para quem precisa de uma refeição rápida e barata.
O Fangas é um restaurante muito peculiar por causa do seu tamanho e da sua ementa. Encontra-se na Rua Fernandes Tomás, plenamente envolvido na mística da Baixa. O seu menu é especializado em tapas, ou seja pequenas doses em que absorvemos uma quantidade enorme de sabores, destacando-se a frescura destes produtos. Por cerca de dez euros é possível jantar no Tapas com vinho incluído.

 A Baixa está repleta de pequenos restaurantes com preços bastante acessíveis, bastando um olhar atento para os descobrir. Sendo um espaço da cidade relativamente menosprezado, encontram-se bons espaços comerciais, provando que a Baixa está viva e recomenda-se.

Sessões de Cinema a Um Euro


 Fila K Cineclube promete divulgar muito mais do que cinema português independente.

Foi na Casa das Artes da Fundação Bissaya Barreto que Gonçalo Barros, da direcção do Fila K Cineclube, nos recebeu. Casa que abriga outros dois projectos, Camaleão - Associação Cultural e MRNT Marionet, e onde a ideia de sustentabilidade entre as três associações é bem patente na partilha de equipamento, espaço e meios financeiros.
Fila K Cineclube faz este ano 10 anos e nós fomos conhecer este projecto que é apenas criança na idade, mas muito adulta quando se fala no que já alcançou neste tão seu curto período de tempo. 

Vanessa Sofia - Posts de Pescada



Posts de Pescada (PdP) - Quando e pela mão de quem nasceu o Fila K Cineclube?
Gonçalo Barros (GB) - O cineclube nasceu a 17 de Maio de 2002 e precisamente este ano vai fazer 10 anos. Foi tudo através de amigos. Reunimo-nos, cerca de 10 pessoas, e formamos a associação cultural sem fins lucrativos. O nome surgiu porque na altura, em 2002, não havia nenhum cineclube em Coimbra. 

PdP - Qual é o público-alvo do Cineclube?
GB - Depende muito da iniciativa. Temos ciclos de cinema que é para toda a gente. Temos, por exemplo, ciclos para o público infanto-juvenil, dos 7 aos 14 anos. E depois dos 14 até ao fim, não é? (risos) Digamos que depende muito da programação que adoptamos.

PdP - Será que nos podia dizer o objectivo do vosso projecto?
GB - Basicamente é divulgar a cultura cinematográfica. É sempre o objectivo de um cineclube: é para promover cinematografias normalmente esquecidas do público e promovê-las para que as pessoas as vejam. No nosso caso foi mais para promover cinema que não era divulgado pelas grandes distribuidoras. Pois se bem reparares, os filmes que estão em exibição num centro comercial, são quase sempre os mesmos que têm no outro. Por isso o nosso primeiro objectivo foi divulgar o cinema português independente e dar ao público mais variedade de escolha. E não só, também mostramos cinema de outros países, mas acima de tudo tivemos o cuidado de sempre divulgar o cinema feito por cá.

PdP - Já que falas na programação em si, tinha reparado pelo vosso site que vocês têm uma programação muito distinta. Para além da atenção que dão ao cinema português, qual é o método de selecção e de organização do vosso calendário de projecções?
GB - Nós como Fila K projectamos em dois sítios diferentes: no Mosteiro Santa Clara, no auditório, todas as sextas feiras às 21:30, e aqui, na Casa das Artes da Fundação Bissaya Barreto. A programação em si difere dependendo do sítio que escolherem.
No Mosteiro, no ano passado, fizemos por autor para mostrar às pessoas a evolução, por filmes, de um realizador. Neste ano decidimos organizar o calendário por temas, como por exemplo o «O Cinema e a Pintura», o «Cinema Mudo» e por aí fora.
Na Casa das Artes adoptamos outra estratégia: nós estamos cá, damos a cara, mas quem programa são outras instituições. Ou seja, funcionamos como acolhimento desses projectos, abrimos a casa e emprestamos equipamento para essas instituições que querem fazer os seus ciclos de cinema.
Por exemplo, este mês [Março] vamos ter três acolhimentos: o do Centro de Estudos Sociais, mais conhecido por CES, que propôs um ciclo de cinema com comentadores todas as Quartas-feiras, depois temos também parceria com os Pioneiros de Portugal e às quintas teremos o Departamento de Arquitectura com o seu ciclo de filmes.

PdP - Como tem sido a adesão do público?
GB - É curioso perguntares isso. Tudo o que começa, demora o seu tempo para chegar aos ouvidos das pessoas, ainda mais falando de um cineclube. Temos que criar um «público» e depois arranjar estratégias para que elas voltem sempre.
Uma das estratégias que arranjamos foi encontrar um dia fixo. Por exemplo, no caso do Mosteiro [Santa Clara], como já disse, é todas as sextas-feiras às 21:30. Assim as pessoas sabem que há ali cinema uma vez por semana com entrada livre.
Este ano, em 2012, a partir de Fevereiro decidimos criar uma entrada simbólica de um euro e quem quiser ser sócio paga 15 euros e pode ver todas as sessões durante um ano. Com esta nova política de preços pensávamos que as pessoas não vinham mais e por acaso aconteceu precisamente o contrário. Temos tido mais público e estamos a crescer cada vez mais.

PdP - Por fim, acha que falta mais projectos como o vosso aqui em Coimbra que divulguem a cultura.
GB - Penso que não.
A cidade não é assim tão grande e se surgir muitos outros projectos pode surgir o problema de haver para um só dia muitas actividades. Nós como Fila K defendemos que temos de trabalhar todos em união, ou seja, se realmente houver diferentes eventos culturais no mesmo dia, seja ele teatro, cinema, música ou outras expressões artísticas, pode-se fazer uma programação em conjunto.
O problema em Coimbra é que a instituição que trabalha com o teatro gosta de divulgar cinema, o que trabalha com música gosta também de cinema . Isto tanto pode ser saudável como não, pois origina desorientação ao público que deixa de saber para onde quer ir por ter tanta oferta. Por isso, não, acho que não haja falta de projectos culturais na cidade.


*Por opção da autora, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945.



Expo Clássico Coimbra 2012 com muitos clássicos em exposição

No passado dia 3 e 4 de Março o estacionamento E2 do centro comercial Dolce Vita Coimbra encheu o seu espaço de clássicas viaturas da história do automóvel. Oiça aqui a notícia radiofónica e veja a cobertura fotográfica do evento.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Da matança à "papança"


Durante o Inverno, nas regiões do interior de Portugal é comum realizar-se a matança do porco, e daí obter o belo fumeiro (carne de porco exposta ao fumo), tão apreciado por todos.
      Trás-os-Montes não é excepção, e é neste recanto do nosso país que o fumeiro, considerado uma das riquezas da gastronomia portuguesa, ganha características únicas como o cheiro e o sabor.
O fumeiro que em tempos idos servia maioritariamente para consumo próprio, é hoje uma fonte de rendimento para várias famílias que vendem os seus produtos em feiras, como por exemplo, a feira do fumeiro de Vinhais, muito conhecida a nível nacional, e noutros certames, principalmente gastronómicos.
Para que o fumeiro seja tão aclamado, requer conhecimento, que passa de geração em geração, muito trabalho e vários dias de confecção.
O trabalho começa ainda antes da matança do porco, com o arranjo das tripas que têm de ser bem lavadas com água morna, sabão, limão ou vinagre, e depois atadas.



O porco é geralmente criado pelas pessoas mas também  pode ser comprado.
            Quando é morto, é-lhe aproveitado o sangue que posteriormente vai servir para a confecção do fumeiro doce, e queimado com um maçarico para ficar livre de bactérias e pêlos, depois é cortado em partes e limpo de vísceras.



A carne é cortada em pedaços pequenos, temperada com sal, pimento, água, vinho branco e rodelas de laranja. Permanece nesta espécie de calda durante dois dias.



             As morcelas são o primeiro tipo de enchidos a ser confeccionado. Tendo como base o sangue do porco, esta espécie de “chouriça doce” é também constituída por pão, água, açúcar, canela, mel e amêndoa.
            Tradicionalmente este enchido serve de sobremesa. Come-se cozido.



            No dia posterior ao da confecção das morcelas chega a vez de conceber as famosas alheiras.
Este tipo de enchido requer bastante trabalho e tem como ingrediente base o pão, que é migado ou cortado em fatias muito pequenas e finas.
Entre outros ingredientes, é essencial juntar ao preparado várias carnes cozidas, principalmente a carne do porco que fica junto aos ossos e uma galinha, e a gordura do porco que foi derretida ao lume. 






Tal como as morcelas, também as alheiras têm de passar por uma caldeira com água a ferver.
É muito comum comer este enchido assado.



O cheirinho a carne temperada abunda pela casa, e o quentinho da lareira ajuda a tornar o ambiente mais acolhedor para se começar a encher as tripas com os bocadinhos de carne.
          Durante e após este processo, a tripa é picada para que liberte o ar e a carne fique unida.
          Este enchido tem a particularidade de pingar gotas de tempero, durante aproximadamente uma noite.

          Quando estiverem secas, as chouriças podem conservar-se dentro de potes de azeite e comerem-se cruas, assadas, ou cozidas.




             Depois de feito, todo o fumeiro é colocado em canas, e posto a secar ao calor da lareira e ao ar fresquinho das noites geladas do inverno rigoroso de Trás-os-Montes.




            Passados oito a dez dias o fumeiro está no ponto e pode começar a ser consumido.
            Bom apetite!




Todas as fotografias são da minha autoria

Foto reportagem por: Tiago Rentes