quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Da pena à pen

Se uma das principais premissas de jornalismo é acompanhar a atualidade, seria praticamente impossível não extrapolar isso para a realidade da produção de informação. Será que seria possível ver, hoje em dia, uma notícia sobre o iPhone 6 escrita numa… máquina de escrever?
Provavelmente sim, mas quereria também dizer que o jornalismo não se tinha adaptado à realidade. Não é só o objeto jornalístico que evolui, o jornalista também tem de o fazer, sob pena de perder a capacidade de analisar e expor a realidade com conhecimento atualizado.
Se a prensa móvel, invenção de Guttenberg, já tinha revolucionado a divulgação e expressão de grandes manchas textuais, a invenção da máquina de escrever, no século XIX, veio revolucionar e agilizar a escrita de textos, relegando o papel e a pena para um segundo plano. O trabalho jornalístico podia então ser desenvolvido com maior rapidez e de forma mais eficiente, rentabilizando recursos e horas de trabalho.
Tecla a tecla, eram produzidos textos com atenção redobrada, de forma a evitar erros e falhas de formatação. 
No entanto, e como a tecnologia está em constante evolução, apareceu o aparelho que hoje quase todos tomamos com base de trabalho: o computador.
Capaz de produzir e armazenar textos, faz parte do trabalho jornalístico desde a sua fase mais rudimentar. Os jornalistas iam adaptando o seu trabalho ao novo equipamento, com as suas regras e particularidades.
O primeiro computador em que trabalhei era uma máquina muito arcaica; era necessário decorar códigos para conseguir fazer os acentos ou os parágrafos. A maior dificuldade residia aí, no ter que decorar os códigos.” - observa Helena Silva, jornalista há 24 anos - “O monitor era muito pequenino e, para ter a noção do que se escrevia, era preciso imprimir e ler, depois, em papel”. Foram deste tipo os primeiros computadores a ser inseridos nas redações, o que muitas vezes exigia conhecimentos específicos acerca do funcionamento dos aparelhos, tornando os jornalistas uma espécie de “especialistas” numa tecnologia muito recente mas altamente produtiva. A certeza, porém, é que os processos de produção noticiosa eram mais simples e directos, ainda que a tecnologia avançasse com passos pequenos mas firmes.
Passo a passo, os computadores foram evoluindo até aos modelos que conhecemos hoje em dia. Algures nesse intervalo de tempo, surgiu uma das tecnologias mais revolucionárias de sempre: a World Wide Web, mais conhecida como Internet. A velocidade de partilha e processamento de informação aumentou de forma exponencial, e com isso surgiram novas preocupações, facilidades e estratégias de abordagem da informação. 
Se “com um grande poder vem uma grande responsabilidade”, então com esta evolução nas formas de partilha de informação surge também uma nova necessidade de confirmar e tratar a informação que surge nos vários contextos de observação e recolha noticiosa. Para Helena Silva, “a informação chega mais rapidamente ao jornalista. Mas o trabalho de verificar, confirmar a veracidade não pode ser descurado, mesmo que a quantidade de partilhas de algum caso lhe confira, quase, o estatuto de verdade inquestionável”, tantas vezes dado aos conteúdos virais que se espalham pela Internet. A popularidade de um assunto e dos comentários sobre si feitos nem sempre revela uma veracidade inerente.
Avançando ainda mais na linha temporal da evolução das tecnologias, mais particularmente na sua vertente social e informativa, vive-se neste momento uma época de grande inovação: a era das redes sociais. Com acesso em tempo real a todos os assuntos de índole informativa, recreativa ou particular da vida das pessoas à nossa volta e do mundo em geral, todas as informações que queremos obter estão à distância de um click. “Um acontecimento, seja ele qual for e em que parte for, está hoje nas redes sociais e na internet quase em tempo real. Se o jornalista estiver atento, e tem de estar, consegue aceder à informação quase em tempo real também”, observa Helena Silva. Com a constante necessidade de atualização e procura de novos conteúdos pertinentes por parte do jornalista, há um ganho que é inquestionável: “Ganha-se rapidez, o que no jornalismo é dos maiores ganhos”. A era da informação está aqui para ficar, sendo irrefutável que tem que existir uma adaptação por parte dos jornalistas, de forma a manter a actualidade não só das suas análises, mas também dos seus conhecimentos e métodos de trabalho.
O futuro do jornalismo é incerto, com o aparecimento de novas tecnologias a parecer ameaçar o trabalho “tradicionalmente” manual do jornalista. Em 2014, na sequência de um sismo em Los Angeles, a notícia foi dada em primeira mão por… um robô. Tendo selecionado toda a informação relevante que recebeu diretamente de sismógrafos, e com a ajuda de um algoritmo, escreveu sozinho a notícia que daria o alerta, em primeira mão. O caso abalou o mundo do jornalismo, que se virou de imediato para o jornal em questão, que tinha vindo a despedir jornalistas. Poderão os robôs vir a substituir os jornalistas nas redações?
Helena Silva alerta-nos para o que é, no caso do jornalismo, um aspecto fundamental da produção noticiosa: “O jornalismo não é, nem pode ser, um simples relatar de factos de acordo com as regras de ‘fabrico’ da notícia. Se assim fosse, máquinas e quaisquer pessoas, seriam jornalistas. E não são.
O jornalismo deve, então, relegar as máquinas para segundo plano? A resposta óbvia e lógica será a afirmativa, uma vez que para se ser jornalista é necessário mais do que relatar. Para Helena Silva “o jornalista não tem apenas o papel de informar. Essa é uma visão redutora do trabalho do jornalista. Para além de informar, tem o papel de formar a opinião pública. E isso parece-me que nenhuma máquina, por muito evoluída que seja, pode fazer”.
O papel do jornalista do futuro será, neste momento, uma incógnita, tanto a nível de recursos como de tratamento de informação. Com a evolução tecnológica, a velocidade de produção e tratamento de informação aumentou, mas trouxe novos desafios ao jornalismo. Do papel e pena ao teclado houve mudanças técnicas e adaptações físicas e metodológicas, mas até onde terão que ir essas mudanças? Ou será que um dia nem sequer teremos que as fazer, porque já não nos cabe a nós a produção noticiosa?
O futuro é incerto, mas sabe-se que serão os jornalistas a documentá-lo.
Resta saber de que forma.

Grupo 3
Liliana Gonçalves
Joana Magalhães
Miguel Azinheira
Leonardo Ramalho

Gonçalo Teles

VOX POP - E se visse alguém a deixar cair uma carteira, o que faria?

E se visse alguém a deixar cair uma carteira, o que faria?
Fomos às ruas da Baixa de Coimbra descobrir o que os portugueses respondem a esta questão diante de uma câmara e o que realmente fazem quando não sabem que estão a ser filmados.




 VOX POP realizada por grupo 4: 
Ana Francisco 
Daniela Silva 
João Sobral 
Valentina Ardagna

terça-feira, 3 de novembro de 2015

“Não, eu não sou fotógrafo. Eu faço fotografias”

Nuno Ramos, natural de Coimbra, tem 35 anos, é licenciado em Geologia no ramo educacional mas não esconde o seu enorme gosto pela fotografia.

 Autoria: Nuno Ramos

Nuno, sendo que a tua profissão não é fotógrafo, conta-nos como surgiu a fotografia na tua vida?
Nestes últimos anos tenho lecionado a disciplina de Ciências Naturais em várias escolas do país e foi no ano de estágio que surgiu a experiência de fazer algumas fotografias sobre atividades que os alunos faziam na escola e acho que foi mesmo aí que surgiu o gosto pela fotografia. Comprei a minha primeira máquina e as primeiras fotografias que fazia era a nível da natureza. Só posteriormente é que me “apaixonei” por fazer auto-retratos nos quais tentava expressar algumas emoções, usando até o meu próprio corpo para fazer diversas fotografias.
Neste momento continuo a dar aulas e apenas nos tempos livres é que faço alguns trabalhos de fotografia. Ultimamente, mais ao nível de fotografia de eventos: casamentos ou batizados.
Nesta área apenas tive formação de edição de fotografia e tudo o que tenho feito até hoje, considero autodidata. Os meus trabalhos são realizados à base de experiências e inspiração de outros fotógrafos, sendo que o que eu faço é tentar criar as minhas fotografias, os meus próprios trabalhos.

Qual é o teu objetivo com a fotografia?
Costumam-me perguntar “então, mas és fotógrafo?” e eu costumo dizer “não, eu não sou fotógrafo…eu faço fotografias”. E isto, porquê?! Porque eu não tenho qualquer formação na área, a não ser a que já referi, portanto, não me considero fotógrafo. Considero-me sim uma pessoa que faz fotografias, que fotografa momentos e que depois através dos resultados que obtenho, tento “passar” alguma coisa para o “outro lado” e sim, normalmente as pessoas gostam dos meus trabalhos.

Consegues definir o teu estilo fotográfico?
Eu não considero que tenha um estilo definido, embora as pessoas que olham para as minhas fotografias vêem nelas um determinado estilo. Eu, pessoalmente, não o consigo ainda encontrar. Procuro muitos trabalhos e inspiro-me em fotógrafos de fotografia conceptual, portanto, fotografia que tenta, quando olhamos para ela, transmitir qualquer coisa. Quanto às minhas referências, não tenho ainda nenhum “fotógrafo de eleição”. A minha inspiração advém de trabalhos que vou encontrando “online” e alguns através de partilhas e que depois vou investigando acerca do autor da fotografia. Agora, em concreto, nomes de fotógrafos em mente não tenho.

Como praticas esta arte?
Na maior parte dos casos, quando tenho um trabalho de casamento para fazer, costumo dar uma vista de olhos, antes de partir para o terreno, em fotografias que gosto e depois a partir delas, surgem-me ideias. Mas isto também depende muito das pessoas que vou fotografar. Quando eu sinto que há uma grande empatia entre elas, a “coisa” parece que funciona muito bem, enquanto que nas pessoas com menos empatia eu é que tenho de criar ali, digamos que, uma espécie de afinidade para que o trabalho resulte, “puxando” por eles. E quando ficam tímidos com a minha presença, o que acontece também muitas vezes, explico-lhes que devem fazer da sessão fotográfica um momento só deles, fazendo de conta que não estou ali, isto para poder captar o ambiente de forma o mais natural possível e eu acho que o resultado final das fotografias espelha isso mesmo. Não há aquelas “poses” rígidas e típicas de muitos fotógrafos que trabalham nestes eventos. Pretendo captar momentos “espontâneos”, naturais e descontraídos.


Nas fotografias de rua, tento fotografar mais ao nível de paisagens. Tento“apanhar” alguma coisa que torne a fotografia especial, diferente. Por exemplo, estou-me a recordar neste momento de uma fotografia tirada em Coimbra que eu fiz com um espelho retangular, em que estou a segurar nele, da mesma forma que os estudantes desta cidade agarram na sua pasta académica, fazendo refletir a cidade junto do Rio Mondego. Essa ideia surgiu-me do nada, enquanto estava a fazer umas compras. Olhei para aquele espelho e pensei “isto poderia dar um resultado engraçado”. Comprei-o, desci rapidamente as escadas rolantes do Fórum e fui até ao Rio Mondego, visto que ando sempre com a máquina fotográfica atrás de mim. E assim a fotografia saiu. Entitulei-a de “Coimbra…Levo-te comigo!”. Foi assim uma coisa espontânea. Depois andei com o espelho muito tempo e fui sempre fazendo uma série de fotografias com ele, mostrando sempre reflexos: fiz algumas na Figueira da Foz junto ao mar, outras no campo do Baixo Mondego e também outras em Coimbra.


Quais são os procedimentos que utilizas até obter o produto final?
Primeiro fotografo, depois passo as fotografias para o computador, uso alguns programas para fazer a edição de fotografia – o programa com que mais gosto de trabalhar é o “Lightroom”, um programa que aprendi a manusear sozinho, sem qualquer formação – e gosto, depois, de dar um aspeto diferente à fotografia, formar algo fora do vulgar.
Gosto, por exemplo, de quando se trata de uma fotografia com um céu carregado de nuvens de dar um certo ar dramático, mais melancólico. Agora se se tratar de algo mais alegre, puxar talvez mais pelas cores. Isto funciona consoante a ideia que a fotografia me transmitir, tentando fazer as coisas ao meu gosto e fazendo, claro, com que as pessoas percebam a mensagem que lhes quero também transmitir.

És tu quem trata dos elementos de decoração das fotografias ou são as pessoas que dão as ideias e fazem questão de usar?
Normalmente sou eu quem pensa nesses aspetos e nesses materiais e as ideias surgem nas pesquisas que faço antes do dia das sessão fotográfica. Depois, ou sou eu que faço e passo para os noivos ou então eles é que organizam após discutirmos o que melhor se enquadra naquele momento.
Por exemplo, numa sessão de noivos, eu achei que ficaria muito engraçado fazer umas fotografias como as que vi que se realizou num género de um campo e que tinha várias lanternas. Pegando nessa inspiração, achei que ficava engraçado colocar velas dentro de copos de iogurte enfeitados e espalhados pela praia e depois fazer fotografias ao pôr do sol, como se os noivos estivessem ali a dançar.
Um outro exemplo, numa “trash the dress”, uma sessão que se faz após o casamento, que realizei com um casal que fazia um ano de casados, o que idealizei para eles (e que também tinha visto numa outra fotografia) era uma espécie de uma “cabana do amor” que se localizava no meio de uma floresta. Na minha versão, foi feita na praia. O que eu fiz foi arranjar canas da Índia (umas canas grossas) que na altura até pedi ao meu pai para me as cortar e com uma série de fotografias fiz uma espécie de filme/ película, em que os noivos estão a construir a cabana e eu estou ao fundo a fotografar. O véu da noiva (de 15 metros e usado anteriormente pela sua mãe e irmã nos seus casamentos) servia como que uma espécie de “proteção”. Levei também uns candeeiros com umas velas e assim criámos um ambiente especial. Como era o “trash the dress”, eles foram primeiro ao banho (no mar) e depois é que foram para a cabana do amor. Resultaram muito bem as fotos, mas na altura a melhor fotografia não foi publicada porque como era a cabana do amor, eu criei a ilusão de que estavam nus, mas na verdade não estavam, e então pediram-me que não a publicasse por se tratar de uma dimensão mais íntima.


Portanto, os materiais sou eu normalmente quem os investiga e depois peço aos noivos as suas opiniões e se gostarem claro que aceitam e deixam-se levar nas minhas ideias.

E quanto às ferramentas de trabalho? Que materiais usas?
Neste momento tenho duas câmaras: uma Canon 5D mark II e tenho uma Canon 70D. Não tenho portanto muito material fotográfico. Não tenho material de estúdio. É só mesmo as máquinas, algumas lentes e tenho o flash, mas que não gosto muito de utilizar. Considero-me um anti-flash [entre risos]. Acho que dá muito brilho às fotografias, opinião de um “amador” que pode ainda não perceber muito bem acerca da utilidade de alguns materiais.

Atualmente, como te posicionas comercialmente?
Tenho lucro com as fotografias através de sites de venda online (bancos de imagem) para os quais envio as imagens, que por sua vez passam por um “filtro”, onde só são realmente publicadas imagens de qualidade e que sejam diferentes, originais. Só depois disso é que passam a estar disponíveis para compra.
Há um site que é o “Shutterstock” onde eu tenho conseguido um maior número de vendas, apesar de ter ainda uma galeria de tamanho reduzido, motivo de não ter ainda apostando muito nisso. E eu sinto que se tivesse disponibilidade para apostar nesse tipo de fotografia (fotografia para publicidade), penso que poderia ser uma boa fonte de rendimento.
Para além desse site, é através da minha página do Facebook que me vão contactando para fotografar eventos, que mediante a minha disponibilidade, vou aceitando.

Projetos que tenhas criado, em que contexto se baseiam e como descreves a experiência?
Um deles é o de “365 dias, 365 rostos”. Este projeto surgiu quando estava a trabalhar numa escola na qual não tinha horário completo e portanto tinha bastante tempo livre que “canalizava” para a fotografia. Fiz nesse ano muitos auto-retratos e fotografias de paisagens pois o meu final de dia era passado quase sempre no mesmo local, na serra a fotografar ou o pôr do sol ou a fotografar-me a mim e ao pôr do sol. E então nesse ano, dizia eu que, deu para fazer muitas pesquisas a nível de fotografia e ver muitos projetos. Foi aí que verifiquei que muitas pessoas desenvolviam um projeto de 365 fotografias, ou seja, todos os dias publicavam uma fotografia. E eu pensei porque não avançar também com esse projeto, o projeto de “365 dias, 365 rostos”. Ou seja, durante 365 dias, todos os dias publicava um rosto diferente na minha página do facebook e para além disso decidi associar a cada foto uma legenda que incluía: a idade, uma coisa de que a pessoa gostasse, outra de que não gostasse e um sonho.
No final, o projeto ficou muito consistente e não estava à espera que tivesse tanta visibilidade, sinceramente.  Foi engraçado ver uma pessoa que tive oportunidade de fotografar, uma senhora de 100 anos, que ainda tinha sonhos. Apesar de ser um sonho de fácil concretização, assim como muitos outros que surgiram, ali notava-se a experiência de todos aqueles anos de vida – o sonho de “não ter dores”, uma coisa que poderia ser simples de se realizar mas que uma pessoa não consegue controlar. Foi em suma, um projeto que me deu muito gozo de fazer e acho que o resultado final foi excelente.


Houve também um outro projeto que se realizou numas férias de verão que eu partilhei com três amigos e que consistiu em experimentar fazer campismo selvagem na Costa Alentejana e na Costa Vicentina. Fotografei aqueles dias de férias “low cost” e foi assim que o nosso “verão azul” foi escolhido e publicado na revista “Público”, na P3. Aliás, ambos os projetos foram publicados nessa revista online.
E penso que estes foram os projetos que tiveram maior visibilidade.

Onde podemos acompanhar todos os teus trabalhos fotográficos?
Na minha página do facebook (www.facebook.com/nunoramosfotografia) podem encontrar todos os meus trabalhos e que ultimamente são mais relacionados com casamentos. Este ano, como já referi, tenho estado mais ocupado portanto não está a ser muito fácil conciliar as duas coisas, sendo que a fotografia tem estado um pouco “parada”. Mas claro, sempre que tenho oportunidade, pego na máquina fotográfica e vou fazendo umas fotografias e publicando online.

Tens alguma fotografia favorita?
Não, sinceramente não tenho. Mas com a venda de fotografias online, existe uma fotografia da Torre Eifel , em Paris, que tem tido bastante saída.

Autoria: Nuno Ramos


Tens alguma mensagem a deixar aos iniciantes desta área?
Eu acabo por ser também ainda um iniciante desta área, mas com as experiências que já tive, posso-lhes deixar a dica de que é necessário ter bastante paciência. Fotografar não é só o ato em si. Trata-se de se experimentar coisas novas, perceber nos trabalhos realizados onde é que errámos e numa próxima oportunidade tentar melhorar os aspetos negativos, fazendo disto sempre uma espécie de ciclo.
A edição de fotografia também é uma coisa que exige paciência. Não basta pensar que ter o programa já é caminho feito para a edição estar pronta. Não, é um processo que é lento e que exige tempo. Mas a partir do momento que já se percebe de edição de fotografia, claro que depois se torna muito mais fácil.


Elisabete Branco, nr.20140107, grupo 5

Poadcast Grupo 1: FOX Halloween Party

"Foi a festa mais arrepiante do ano inspirada nas personagens das séries da FOX. Deu lugar às experiências mais assustadoras e quem sobrevivesse à entrada seria recompensado. A pontaria, o equilíbrio e os teus dotes de dançarino valiam bebidas grátis. Os mais destemidos até podiam passear o seu próprio Walker (...) "

https://soundcloud.com/posts-de-pescada/fox-halloween-party-grupo-1

A calçada portuguesa é o chão, o céu de Coimbra é o teto!




São muitos aqueles que adormecem com vista para o céu de Coimbra e acordam na calçada portuguesa. São muitos aqueles que fazem do banco de jardim a sua casa e o Mondego a sua janela. São muitos aqueles dos quais a calçada já sentiu as suas lágrimas e os seus corações. Eles são pessoas. São seres humanos. Fogem dos flash´s dos turistas e dos curiosos. Pedem na rua de cabeça baixa. Sentem vergonha. São sem-abrigo.


 
Nem todos os que vêem param. Nem todos os que fogem têm medo. “Acredito que as pessoas quando passam na rua discriminem e não consideram os sem abrigo como sendo parte da sociedade” diz-nos o técnico Tiago Ferreira da Associação Integrar (trabalho que o preenche à cerca de três anos). Nem todos assumem o que os atormenta, mas existe quem se preocupe. Existe quem queira fazer, por mínimo que seja, algo de bom por estes seres humanos. Entre os que querem ajudar temos o nome de várias instituições distribuídas pela cidade de Coimbra. Todos os dias há uma carrinha a percorrer as ruas da cidade, desde locais perto da Praça D. Dinis até outros locais identificados, quer pelos cidadãos, quer pelas instituições. Todos os dias da semana há uma instituição nas ruas da cidade, sendo que durante a semana há várias instituições com equipas na rua, a instituição Anajovem, a associação Integrar, a Câmara Municipal de Coimbra (Divisão de Ação Social e Familia), o Centro de Acolhimento João Paulo II, a Cruz Vermelha Portuguesa, a Associação Todos pelos Outros e a Instituição CASA. “As equipas de rua já funcionam há mais ou menos dez anos”– Tiago Ferreira. Este percurso tem início às 21:30 horas e pode prolongar-se até às doze badaladas que soam dos sinos das capelas e das igrejas de Coimbra.



A Associação Integrar, sediada na Rua Do Teodoro junto ao Estádio Cidade de Coimbra, no âmbito do projecto de ajuda aos sem-abrigo, tem a preocupação de implementar rotinas de passagem para a distribuição de cobertores e alimentação. “A população alvo da associação são maioritariamente pessoas desfavorecidas em situação de sem abrigo e/ou com problemática de adição” refere Sara Teixeira. A instituição, para além dos giros noturnos e diurnos, tem ainda um “centro de acolhimento familiar” mais direcionado a famílias carenciadas, “um pronto a vestir no pólo de formação das lages” onde os mais necessitados podem recorrer sem qualquer custo. Oferece ainda um “centro de acolhimento que acolhe doze Homens e acompanha mais vinte e cinco Homens em regime ambolatório” explica a técnica Sara Teixeira da Associação Integrar. O principal objectivo é a intervenção tanto a nível psicológico como social. 



Esta Associação conta com setenta a oitenta voluntários distribuídos pelos diversos projectos da associação. “Para ser voluntário é muito simples. Existem duas maneiras: ou dirigem-se à sede da Associação Integrar e preenchem o formulário de voluntariado ou então preenchem o mesmo formulário presente no site da instituição e mandam para o e-mail da mesma.” – Sara Teixeira. Os voluntários poderão ser chamados de imediato ou quando a associação sentir a necessidade de os chamar, tendo em conta a disponibilidade horária apresentada pelo mesmo. “A primeira coisa que os voluntários fazem em ambiente de giro é ocuparem os seus postos pré-definidos e começarem a distribuição de bens alimentares”- Tiago Ferreira. A intenção de ajudar alguém através do voluntariado, de doações alimentares ou de vestuário é necessária ao longo de todo o ano, no entanto Sara Teixeira diz-nos que, “As épocas festivas são as alturas em que notamos, infelizmente, que a maior parte das pessoas se lembra de ajudar. É nessa altura que há mais procura tanto pela imprensa para fazer reportagens e pelos cidadãos para fazer voluntáriado. Lamentavelmente acontece que existem alturas do ano em que é dificil termos os bens necessários para distribuir e, por exemplo, no natal passado houve uma abundância exagerada de bens distribuídos”. Mesmo com a exagerada afluência de bens materiais, a associação tenta “juntar todos os utentes na Quinta dos Olivais durante o dia para promover as relações entre eles”– Tiago Ferreira. Esta é uma iniciativa da associação que tem como objectivo mostrar que o Natal é e deve ser para todos e que ninguém está sozinho. A familia é insubstituível mas o carinho que recebem atenua esse sentimento de perda e de solidão.

A baixa de Coimbra é sem dúvida o maior palco destes que são os familiares da calçada Portuguesa. É junto ao Mondego e na zona da Estação Nova que muitos se fixam. Esta realidade faz principalmente parte da vida de muitos adultos, reformados e inválidos que todos os dias tentam sobreviver. No entanto, existem jovens que passam por estas situações por questões de necessidade ou por rebeldia. A fome, o frio e a solidão não são as únicas complicações da vida destas pessoas, que muitas vezes são atraiçoadas pelas dependências. 



Na quinta-feira, a Associação Integrar saiu à rua, à semelhança de todas as semanas. Eram cerca de 21:30h quando a carrinha da associação saiu das suas instalações com rumo à zona da portagem, mais concretamente ao hotel “Astória”. Em representação da instituição havia dois profissionais técnicos, duas voluntárias e Maria Garcia, estudante de Comunicação Social da Escola Superior de Educação de Coimbra. Chegaram não só recheados de comida para distribuir como também de carinho para dar. “A primeira coisa que fazemos quando chegamos ao local de encontro é cumprimentar as pessoas e saber se alguém precisa de apoio tentando perceber se existe algum tipo de problema com os utentes que acompanhamos”, diz-nos Tiago Ferreira. “É gratificante saber que um simples “boa noite!”, um sorriso e uma refeição quente podem fazer a diferença na vida destas pessoas que entre sorrisos e apertos de mão se divertiam sem pudor. Ali eles sabem que estão bem. Estão seguros e nada de mal lhes vai acontecer.” diz Maria Garcia. Sentaram-se a conversar e por ali ficaram cerca de meia hora. Ao todo eram cerca de trinta e cinco pessoas das quais o técnico Tiago Ferreira apontou “os nomes e eventuais problemas que possam existir”. Reuniram-se mais cedo, meteram a conversa em dia e assim que a carrinha da associação chegou, fizeram fila para recolher a sua refeição. 

“Todos os dias, nós e as restantes instituições da Cidade, ajudamos cerca de setenta a oitenta pessoas que se deslocam ao nosso encontro com grande afluência na primeira paragem do nosso percurso que é no hotel «Astória»”. Sara afirma ainda que “este projecto não é movido apenas pela felicidade que sentimos ao fazer parte dele mas sim pela possibilidade de intervir para ajudar e fazer alguma coisa diferente pelos outros“. Para estas pessoas é sem dúvida o momento mais esperado do dia. 



Grupo 8
Maria Garcia
Cristiana Barreto
Rafael Simões
Rubina Teles