A Festa das Latas e Imposição de Insígnias é a primeira festa académica de
Coimbra que se realiza todos os anos em meados do mês de Outubro e tem como objetivo
receber e integrar os novos estudantes na cidade.
Segundo a Associação Académica de Coimbra (AAC), o conceito da “Latada”
mudou desde o século XIX, nessa altura realizava-se um cortejo para cada
faculdade, em dias diferentes do mês de maio, para celebrar o fim da época de
exames. Atualmente, a Latada, como é chamada, tem o seu início com a Serenata,
sendo o cortejo o ponto alto da semana, onde os “caloiros” – alunos do primeiro
ano - desfilam em trajes escolhidos pelos “doutores” – futuros padrinhos - que
aproveitam para enviar mensagens satíricas à sociedade. Além da serenata e do
cortejo existem também as Noites de Parque onde estão presentes várias bandas
que preenchem os cartazes ano após ano. Esta festa é aberta a toda a comunidade
estudantil e não estudantil.
DA SERENATA AO CORTEJO
Este acontecimento varia de instituição para instituição. Segundo a
tradição da ESEC - Escola Superior de Educação de Coimbra, os “caloiros” nas primeiras semanas fazem os seus pedidos de
apadrinhamento aos “doutores”. Para dar início à Festas da Latas ocorre um
jantar de curso na noite de Serenata, em que participam todos os “caloiros”,
“doutores”, “veteranos” e ex-alunos. Nesta noite, antes do jantar, é feita uma
praxe aos caloiros onde são realizadas atividades de integração, bem como jogos
didáticos. No jantar cantam-se os hinos de curso e músicas alusivas à tradição
Coimbrã. Posteriormente, os afilhados juntamente com os seus padrinhos seguem
até à Sé Nova, onde assistirão debaixo das suas capas, à tradicional Serenata à
meia-noite e um minuto.
Na preparação para o cortejo, tanto os padrinhos como os afilhados têm
um papel fulcral a desempenhar: os padrinhos compram para os seus afilhados o
“Kit Caloiro”, no qual vem uma chupeta, um apito e um penico com as respetivas
cores do curso/faculdade. O fato dos afilhados fica ao encargo dos padrinhos,
definindo qual a personagem “encarnada” pelos seus afilhados no dia do cortejo.
Os padrinhos pedem para que os seus afilhados “roubem” um nabo e adquiram um
número ímpar de latas que irão levar consigo no cortejo. Não obstante, existe
um hábito criado pelos estudantes que corresponde ao pedido dos “doutores” aos
“caloiros” para que estes roubem um carrinho, onde levarão comida e bebida.
CORTEJO
Eis que chega o dia mais esperado da Latada, o cortejo. Os “doutores”,
durante a manhã, preparam a sua pasta com o grelo - a insígnia pessoal dos
doutores do 2º ano - composto por duas fitas com as cores da escola. De
seguida, os afilhados dirigem-se para casa dos seus padrinhos que os vão vestir
com os seus fatos e preparar todos os detalhes para o desfile do cortejo. O
cortejo inicia-se nos Arcos do Jardim e termina no rio Mondego, passando pela
Praça da República, Praça Oito de Maio e Rua Ferreira Borges. No entanto, a
tradição da ESEC reúne todos os estudantes na Escola que, posteriormente, irão juntos
para os Arcos do Jardim. Chegados ao local onde se vai realizar o cortejo,
doutores e caloiros de curso reúnem-se para conviver.
Entre muitas brincadeiras e boa disposição, os “caloiros” vão fazendo o
percurso com os seus padrinhos pelas fontes, enquanto isso, os nabos que os
doutores pediram aos afilhados servem para serem trincados, simbolizando o
desejo de boa sorte na vida académica. O nabo está dentro da pasta do doutor,
atado pelo grelo, terminando em laço.
No final do percurso, e já no rio Mondego, os “caloiros”, dando uso ao
penico, enchem-no de água do rio e os seus padrinhos batizam-nos de forma
simbólica para marcar este dia importante das suas vidas académicas. Este
batismo é marcado pelas palavras proferidas pelos padrinhos aos afilhados,
desejando felicidades na sua vida académica, enaltecendo a tradição de Coimbra
dando as boas-vindas à cidade que será a sua casa nos próximos anos.
Depois do batismo, a rama do nabo é atirada ao rio, estando o estudante
de costas para o mesmo. Normalmente, durante esta ação simbólica os estudantes
organizam-se por grupos dizendo ou cantando algo que os caracterize e em
contagem decrescente atiram em conjunto as ramas ao rio, seguindo o seu caminho
sem olhar para trás.
No final do batismo, existe um jantar organizado e pago pelos afilhados,
aos seus padrinhos seguindo, depois, para a tradicional Noite de Parque que
conta, todos os anos, com a atuação do músico Quim Barreiros.
Este dia é marcado pelas palavras, memórias, risos e muitas lágrimas de
emoção que passam de geração em geração, repetindo-se todos os anos.
“Para tudo há um tempo, para cada estudante há um momento.” – Slogan da
Queima das Fitas de Coimbra 2012
Ana Marisa Ventura
Cátia Lourenço
Jéssica Bárbara
Ricardo Lomar
Salomé Assunção
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