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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Diálogos na língua de Camões

O “Colóquio Intercâmbio Cultural: diálogos Brasil-Portugal”, moderado pelo jornalista da TV Globo Maurício Kubrusly, realizou-se no auditório da reitoria da Universidade de Coimbra (UC) no passado dia 28 de novembro.
Mesa 1
Aproveitando o ano em que se comemoram as relações entre estes dois países, a teledramaturgia marcou este evento, que celebrou também o centenário do nascimento de Jorge Amado, autor da obra “Gabriela, Cravo e Canela”, que já deu origem a três adaptações para a ficção. A última adaptação, da autoria de Walcyr Carrasco e protagonizada por Juliana Paes, é transmitida atualmente em Portugal pela SIC.
A primeira mesa de debate contou com os oradores José Wilker, Mauro Alencar, Isabel Ferin Cunha e Carlos Reis, tendo como tema principal a obra de Jorge Amado, destacando-se o remake da telenovela “Gabriela”. Para além disto, evidenciou-se o impacto da TV Globo em Portugal. Isabel Ferin Cunha, professora da UC defende que “a telenovela irá influenciar definitivamente os parâmetros culturais portugueses”. Por sua vez, o professor da UC Carlos Reis sustenta que “o português está condicionado pelas produções da Globo.”
Mesa 2
O intercâmbio cultural Brasil-Portugal foi o tema debatido na segunda mesa já da parte da tarde. “A nossa língua deve ser um mar de ligação entre nós e não de separação como muitos querem”, realça Lima Duarte, ator da TV Globo e primeiro orador desta mesa. A oradora que se seguiu foi Maria Adelaide Amaral, autora de algumas novelas brasileiras, não nega as suas raízes lusitanas. “Os Maias” de Eça de Queirós deram origem à mini série homónima adaptada por esta autora. Este trabalho é considerado por Maria Adelaide a sua melhor produção, evidenciando-se o vínculo com Portugal.
Maria Immacolata Vassallo de Lopes, professora da Universidade de São Paulo, exalta que “a telenovela não é entretenimento. Eu digo que é cultura pois é o que nós vivemos.” Catarina Duff Burnay e Maria Aparecida Ribeiro completaram esta mesa de debate.
José Wilker foi quem mais se destacou neste evento dado que pertence ao elenco do remake da telenovela “Gabriela” no papel do coronel Jesuíno Mendonça.
 
por: Fabiana Ferreira e Joana Amado
*Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico 

sábado, 24 de novembro de 2012

Brasil campeão do Mundo de Futsal pela quinta vez na história



A Seleção do Brasil sagrou-se campeã do Mundo, ao vencer a Espanha por 3-2, numa final realizada no Indoor Stadium Huamark, na Tailândia. O jogo ficou decidido apenas a 19 segundos do final do prolongamento, momento em que Neto marcou o golo que valeu o quinto título da história do Brasil em campeonatos do Mundo de Futsal.
Fonte:
http://www.fifa.com

Naquela que foi uma reedição da final do Mundial 2008, Brasil e Espanha disputaram entre si uma partida nem sempre bem jogada mas, acima de tudo, pautada pelo equilíbrio e pela emoção. A primeira parte acabou por ter sinal mais da equipa espanhola. Logo aos cinco minutos, Lozano poderia ter marcado, mas em cima da linha de golo apareceu Vinícius a cortar aquele que seria ser o primeiro golo do jogo. As oportunidades foram escassas. Numa partida típica de uma final, as equipas estudavam-se mutuamente, arriscando pouco. No entanto, foram mesmo os espanhóis a voltar a criar perigo. Fernandão quase marcava: já dentro da área, desviou perigosamente a bola de calcanhar para a baliza de Tiago, mas esta passou a raspar o poste da Canarinha. Sem golos marcados, as equipas foram para o intervalo a zeros.

Depois de uma primeira parte sem golos, os pupilos de Marcos Sorato chegaram à vantagem. Aos 24 minutos, na transformação de um canto, Neto encheu o pé e fez o 1-0 para o Brasil.

A Espanha não baixou os braços e acabou mesmo por consumar a reviravolta. Quando o cronómetro marcava o minuto 29, Miguelin fez brilhar Tiago, mas na recarga Torras fuzilou as redes e empatou a partida. O Brasil pareceu atordoado e, um minuto depois, a Espanha fez o 2-1. Na marcação de um fora, Aicardo disparou uma bomba que só parou dentro das redes da baliza defendida por Tiago. Nuestros Hermanos estavam pela primeira vez na frente do marcador. Empolgados, estiveram perto do 3-1, mas o remate de Torras embateu com estrondo na trave da baliza brasileira.

Contudo, o Brasil nunca se deu por perdido. A três minutos do apito final, foi a vez de aparecer em jogo uma das maiores estrelas do futsal mundial, Falcão. Aquele que é considerado por muitos como o melhor jogador do Mundo, abriu o livro e de longe colocou a bola no canto superior direito da baliza de Tiago que nada poderia fazer. Até ao final do tempo regulamentar, o resultado não se alterou e a partida acabou por ir empatada a duas bolas para o prolongamento. No tempo extra, as equipas arriscaram pouco. Quando já muitos pensavam nos penaltis, foi então que apareceu Neto. A 19 segundos do fim, numa jogada de génio, o brasileiro picou a bola por cima de Fernandão e na cara de Juanjo atirou a contar para dentro das redes do espanhol. Já não havia tempo para a resposta dos comandados de Venâncio Lopes. O apito final soou. Contrastante com a tristeza espanhola, a festa foi em tons de verde e amarelo.

Ficha de jogo:
Espanha : Juanjo (GK) , Aicardo, Fernandão, Kike, Alemão, Cristian (GK) Rafa (GK) ,Ortiz, Torras,
Álvaro, Miguelin, Lozano e Borja.  Treinador: Venâncio Lopes (ESP)

Brasil : Tiago(GK), Gabriel, Simi, Fernandinho, Neto, Guitta (GK), Franklin (GK), Ari, Rafael, Vinícius, Je, Falcão, Rodrigo e Wilde. Treinador: Marcos Sorato.

Árbitros: Hector Rojas e Marc Birkett .
Marcador: 1-0 Neto, 1-1 Torras, 1-2 Aicardo, 2-2 Falcão , 3-2 Neto.


por: Tiago Adelino e João Brito


*Este artigo não está escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico



quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Estudar do lado de lá



Estudante na UTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro), Rui Machado, aluno do curso de Educação Física e Desporto Escolar, decidiu concluir o seu segundo ano de licenciatura no estrangeiro. Realizou os programas Mobilidade Sócrates rumando ao Brasil (Universidade Federal da Paraíba) no primeiro semestre, e Erasmus na Roménia (Universitatea Babes Bolyai) no segundo semestre.


Cluj-Roménia
Posts de Pescada: Porque optou por fazer o segundo ano de licenciatura através destes programas?
Rui Machado: Optei por esta via, porque em conversa com outras pessoas que já realizaram um destes programas foi uma opção aconselhada. Esta experiência iria enriquecer-me a nível cultural, escolar e pessoal. Tinha como objetivo conseguir fazer algumas cadeiras que em Portugal se tornariam mais difíceis de fazer, e com estes programas iria mais facilidades e assim obter sucesso.

PP: Porque escolheu o Brasil e a Roménia?
RM: Escolhi o Brasil por causa do clima, da facilidade em termos da língua, das praias maravilhosas e paisagens. Pois nem tudo pode ser estudo, não descurando o estudo é importante conhecer outras culturas e divertirmo-nos. Em relação á Roménia foi porque, na minha opinião, fazer Erasmus na europa central não é tão proveitoso como na europa do leste, pois a cultura dos países da Europa central assemelha-se muito á de Portugal, enquanto na Europa do leste têm uma forma de estar/pensar um pouco diferente. E como decidi fazer Erasmus para interagir com novas culturas quanto mais diferente for melhor.

PP: Quais as dificuldades mais sentidas?
RM: São sentidas mais a nível da língua, comida, e a medida que o tempo passa começamos a sentir saudades do nosso país e dos nossos.

PP: Quais as vantagens destes programas?
RM: As vantagens são várias, como já referi, dão-nos a possibilidade de conhecer uma nova cultura, um novo país. Uma das vantagens mais relevantes prende-se não com a faculdade, mas com o nosso crescimento pessoal, a nossa maturação, obriga-nos a crescer, a ter mais responsabilidade, pois estamos a milhares de quilómetros das pessoas que nos resolviam todos os problemas. Em relação à faculdade ajuda pois aprendo novos métodos de ensino, aprendo diferentes unidades curriculares que em Portugal não iria aprender.

PP: Quais as principais diferenças que aponta no sistema escolar entre os dois países? Foi mais difícil estudar no Brasil ou na Roménia?
RM: No Brasil o nível de ensino não é tao elevado como na Roménia, não estando eu a querer dizer que no Brasil não haja qualidade de ensino, apenas há mais facilidade na minha opinião. Relativamente à avaliação em si, tive mais dificuldades na Roménia por causa da língua, na Roménia fui avaliado em inglês e no Brasil em português. Uma das maiores diferenças que eu notei foi que os professores na Roménia tem um estilo mais “militar” e rígido de interagir com os alunos enquanto os professores brasileiros são mais abertos à interacção com os alunos.

PP: E em comparação com Portugal? As tuas expectativas em realizar as cadeiras cumpriram-se?
RM: Em termos de abertura dos professores o Brasil é mais parecido com Portugal, em termos de avaliação a Roménia tem mais a ver com o nosso país. Quanto às cadeiras consegui fazer todas.

PP: Como são recebidos e vistos os alunos destes programas pela comunidade que os acolhe?
RM: Somos vistos como pessoas que vem de férias, que vêm com dinheiro para gastar, e que não vamos frequentar as aulas.
Rio de Janeiro - Brasil

PP: Como são recebidos pela instituição escolar?
RM: Este é um ponto que não é muito favorável. Pois há deficiências nesse aspecto, pelo menos nas faculdades por onde passei. Somos tratados como alunos que já conhecem a faculdade e a cidade. Não houve ninguém que nos levasse a conhecer a faculdade, para sabermos onde eram as diferentes salas de aula, etc.

PP: Contextualizando para a situação económica actual, achas que e difícil fazer este tipo de programas?
RM: Sim, infelizmente penso que sim. No caso do Brasil não tive bolsa nem apoios nenhuns, na Roménia recebi uma pequena bolsa, ajuda mas não chega a quase nada.

PP: Estás arrependido de ter optado por estes programas?
RM: Não. Conhecer e descobrir nunca fez mal a ninguém. Além disso fazer estes programas fez-me crescer. Foi uma experiência para vida e aconselho a toda a gente.

PP: Pensas repetir a experiência?
RM: De momento não, mas não sei o que o futuro me trará.

por: Maria Inês Machado

 *Artigo não está escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.