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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O Fangas – Quando o moderno encontrou a tradição





Situada na zona alta de Coimbra, onde no passado moraram aristocrátas, elementos do clero e posteriormente estudantes, esta mercearia-bar, outrora a mercearia do Sr. Henrique durante décadas, na antiga Rua das Fangas, é um espaço  pequeno, intimista e acolhedor.
Ao entrar n’O Fangas, uma pequena sala com apenas quatro mesas, sentimos de forma intensa os aromas e o espaço acolhedor, que lembram-nos outros tempos, aqueles das nossas avós…  
 O aconchego e o revivalismo deste espaço são duas das características do conceito imaginado de raiz pela proprietária Luísa Lucas, de trinta e três anos e licenciada em Turismo e Hotelaria pelo Instituto Superior de Ciências Educativas de Odivelas.  Diz que “no princípio, quando comecei, eram vinte e quatro horas a pensar n’O Fangas” criando assim algo seu que aponta para a diferença. Faz questão de receber os seus clientes de modo  a criar uma ligação à casa e ao ambiente familiar instalado.
Quem lá chega, senta-se, petisca e aprecia um bom vinho, rodeado por uma decoração retro e popular.
Os petiscos confeccionados com produtos exclusivamente nacionais, permitem saborear os paladares do nosso país, ao som da música portuguesa por excelência – o fado, e mesmo encontrar nestes mimos, entre as sombrinhas de chocolate ou as delícias embrulhadas de forma personalizada, o presente ideal para quem aprecia a tradição.
Os  enchidos, como a alheira de Mirandela, os queijos, as conhecidas conservas da Tricana, os vinhos, entre eles os licores do barrocal algarvio, e doces regionais, como o doce de laranja da Farrobinha, são alguns dos produtos que podemos encontrar nesta casa. São oriundos de feiras nacionais e estabelecimentos mais antigos, onde ainda é possível encontrar à venda estas relíquias da infância de muitos nós.
Sem inaugurações, ou grandes publicidades, “O Fangas” simplesmente abriu as suas portas em Outubro de 2009, com uma superfície completamente remodelada.  A sua fama foi criada através do “passa a palavra”. Os amigos, que “ trazendo pessoas  a quem achavam que aquele espaço poderia interessar”, como salienta Luísa Lucas, acabaram por se fidelizar ao bar que satisfaz as suas necessidades de sossêgo e calma e que, portanto, é uma escapatória à agitação do dia-a-dia e à azáfama de uma cidade.
Desde a sua abertura, tem vindo a revitalizar a zona histórica de Coimbra, integrado num conjunto de lojas, conceitos e eventos, tal como o Mercado do Quebra-Costas, com o qual tem parceria e que tem dado algum destaque ao estabelecimento, nos sábados agitados em que decorre. Os dois projectos têm em comum a pretensa de algo diferente.
O Fangas é, então, uma alternativa moderna para quem pretende disfrutar do primor da comida portguesa, com recordações e aconchego à mistura. 
Cristina Freitas

Fontes: Luisa Lucas, proprietária d'O Fangas
Foto: http://questoesnacionais.blogspot.com

Tema Arte - Quinta dos Contos



Ana Sérvolo
Ana Serrano
Andreia Roberto
Cristina Freitas
David Pimenta
Diana Felício
Patrícia Azevedo
Grupo 1

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Fotoreportagem - A Cor do Horto Gráfico


Ana Sérvolo
Patrícia Azevedo
Grupo 1

Afinal Coimbra é ou não é criativa?

FOTO - http://cinema.sapo.pt/pessoa/fernando-taborda/biografia
Fernando Taborda nasceu no Fundão mas foi em Coimbra que iniciou a sua carreira, primeiro como professor primário, depois como bancário, no entanto foi no teatro que se tornou célebre.  Actor da companhia de teatro da Bonifrades tem participado em diversos filmes portugueses, destacando-se o “Embargo” de António Ferreira. Quando questionado sobre a arte e a cultura em Coimbra, Fernando Taborda assume que “ Coimbra continua a estar muito influenciada pela força da universidade e continua a fomentar actividades de modo a evoluir. Mas parece que não evolui. Se não fosse o 25 de Abril não teria evoluído.”

Andreia Roberto (AR) - Em 2003, Coimbra foi o palco da cultura, ao ser reconhecida como capital nacional da cultura em Portugal. Considera Coimbra uma cidade criativa?


Fernando Taborda (FT) - Comparado com o que era estaganado, com uma única presença, com a universidade e o que girava, Coimbra hoje, não é inovadora. Não considero uma cidade inovadora, mas que evoluiu, evoluiu , consegiu fugir das fraldas da universidade. Após o 25 de Abril abriu-se à criatividade.


AR - Na sua opinião, quais as principais semelhanças e diferenças em termos culturais entre Coimbra do século passado e Coimbra de agora?

FT - No final do século passado existe uma data que marca a mudança de Coimbra. O 25 de Abril foi o marco a partir do qual em Coimbra se começou a dinamizar no geral. Expandiu diversas actividades culturais, a nível de organismos (faculdades). Antes do 25 de Abril, a cultura estava dominada pela “censura”, era a universidade que comandava. Eram só os estudantes que desenvolviam a cultura à excepção do Ateneu  (colectividade nas várias áreas de dinamização). Escritores do Neorealismo, políticos, actores entre muito outros colaboravam nos vários ramos, perspectiva contrária à situação que se vivia em Portugal (Estado Novo). A PIDE controlava  todas as áreas. Depois do 25 de Abril a cultura expandiu-se com políticas completamente diferentes.

AR - Sendo Coimbra a cidade dos projectos e sobretudo dos estudantes, é considerada uma cidade vanguardista no que toca às artes em Portugal. Será que Coimbra está prestes a viver a sua “idade de ouro”?

FT - Coimbra não é vanguadista. Continua a estar muito influenciada pela força da universidade e continua a fomentar actividades  de modo a evoluir. Mas parece que não evolui. Até ao século XIX teve a sua idade de ouro. E depois só com o 25 de Abril, com a constituição de novas faculdades e institutos. O século XX não trouxe nada de especial, não se inovou nada. A universidade era clássica e por isso os seus princípios muito pouco virados para a inovação. A universidade era conservadora e só assim se compreende. Antigamente a cultura vanguardista era contra o regime, era difícil em Coimbra ultrapassar isso.

AR - É contra a praxe?

FT - Eu sou anti-praxe. Em vez de se abrir as portas e organizarem as actividades culturais, fazem coisas bárbaras. Isso fazia-se em Coimbra no século XX, com as trupes. O meu irmão teria de ir com protecção para poder ir ao cinema. Não há liberdade. O que chamam de caloiro, os estudantes, eram uma elite e os que não eram elitistas eram perseguidos.

AR - O senhor é actor no teatro da Bonifrades. Ao longo destes anos, já viveu muitas emoções e experiências. Qual o melhor momento artístico que já viveu e sentiu em Coimbra? 

FT - Eu tive uma determinada altura da minha vida, ainda trabalhava no banco, que representei uma peça baseada no Dom Quixote , do nosso escritor António José da Silva, “o Judeu”. Eu fiz o papel de Sancho Pança. Foi o melhor elogio que tive. Isto levou a que o público fizesse uma crítica, tal maneira elogiosa, que eu senti-me na obrigação de continuar. Qualquer realizador de cinema adoraria ter uma personagem como o Fernado Taborba.

AR - Se tivesse a oportunidade de transformar Coimbra, o que alteraria e porque o faria?

FT - Para já, muito mais apoio às colectividades, dinamizá-las e fomentar mais a cultura.

AR - Quais as condições que Coimbra deve oferecer de modo a ser mais atractiva e criativa para os trabalhadores do conhecimento?


FT - Dinamizar e tornar público o que existe, nas artes apoiar mais as colectividades no ressurgindo dos teatros ou de outra índole. Dinamizar o teatro ao nível popular, com as colectividades. Na realidade as colectividades têm vindo a desaparecer.


AR - Será a criatividade um factor importante no desenvolvimento sustentável de uma cidade? 


FT - Claro que sim. Sem cultura não poder haver criatividade. A criatividade tem de ser baseada em fundamento cientifico. É fundamental como o emprego. Coimbra é uma cidade que vive dos serviços instalados. Tem os hospitais que são uma boa organização.

AR - A criatividade é favorecida por contextos territoriais específicos que consubstanciam o chamado genius loci (espírito do lugar). Concorda que a criatividade em Coimbra prima pelas mesmas razões? 


FT - Coimbra tem de formar o seu desenvolvimento e não pode ser só viver da universidade . É tudo muito resumido em Coimbra. A afirmação é correcta. Coimbra ainda é uma cidade romântica, o espírito lembra o século XIX , período do romantismo, ou seja, não se vê evolução. Evolução é sinónimo de pouco. 




Andreia Leonardo Roberto, Grupo 1


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

"Todos devemos agir rumo a um mundo melhor e mais sustentável", entrevista com Cátia Carias

            A off7 é uma empresa nacional de consultoria criada com o objectivo de contribuir para que Portugal adopte uma economia de baixo carbono. A off7 posiciona-se no mercado particular através da Calculadora off7, que calcula o nível de emissões de CO2 produzidos anualmente e em seguida sugere algumas medidas adequadas aos resultados visando a diminuição das emissões de carbono. Para o mercado empresarial, a abordagem é personalizada e depende das necessidades específicas de cada cliente
            Cátia Carias, Romeu Gaspar e Tiago Fernandes são os três sócios-fundadores e os gerentes da off7. Trabalhavam na mesma empresa e durante um projecto sobre o mercado regulado de carbono adquiriram mais conhecimentos nesta área. A fraca presença de um mercado deste género em Portugal levou-os a ver aqui uma boa oportunidade de negócio.


 Cátia Carias, 30 anos, é licenciada em Engenharia Biológica e mestre em Engenharia Bioquimica, ambos pelo Instituto Superior Técnico. Actualmente frequenta um MBA no INSEAD em Fontainebleau, França. Ao longo do seu percurso académico e profissional desenvolveu competências em biotecnologia, energias renováveis, sustentabilidade e mercados de carbono, tendo publicado diversos artigos académicos na área do ambiente em revistas científicas da especialidade. Em entrevista, fala-nos sobre a off7 e o seu modus operandi.


Diana Felício (DF) – Como nasceu a ideia de formar uma empresa deste estilo?
       Cátia Carias  (CC)­ – A off7 nasceu há pouco mais de 2 anos. Eu, o Romeu e o Tiago estávamos a trabalhar na mesma empresa, e no meio de um projecto sobre o mercado regulado de carbono começámos a encontrar muita informação sobre o mercado voluntário. Como todos trabalhámos em consultoria, acabámos por criar uma empresa de consultoria, que se dedica preferencialmente a projectos de sustentabilidade ou economia de baixo carbono. Adicionalmente temos também uma área de contabilização e compensação de emissões de carbono.

DF – Como funciona a off7 e quais são os seus principais objectivos?
CC – A off7 está dividida em duas grandes áreas: a parte de consultoria, que se dedica a projectos de sustentabilidade ou economia de baixo carbono e a parte de compensação de emissões, com a qual é possível contabilizar e compensar emissões de carbono, utilizando os Projectos off7.

DF – O que significa offsetar e como funciona [o offsetting]?
CC – Offset é a palavra inglesa para compensação. Como o nosso negócio gira todo à volta do carbono (compensação de emissões ou projectos de consultoria) achámos engraçado o trocadilho com o off7. Neste contexto, offsetar significa compensar emissões de carbono. Todos nós, indivíduos ou empresas, emitimos para a atmosfera dióxido de carbono derivado da nossa rotina diária (consumo de electricidade, combustíveis fósseis, etc.). Com o offset das emissões é possível compensar as emissões através do investimento em projectos que evitam a emissão de uma quantidade equivalente de dióxido de carbono. Um exemplo: imagina que utilizas a calculadora off7 e as tuas emissões anuais contabilizam 3 tCO2. O que podes fazer é investir nos projectos off7 (por exemplo, o de energia eólica na China) que produzem energia de uma forma limpa. Estes projectos não são rentáveis e só são construídos devido ao investimento dos créditos de carbono. Isto significa que se não houvesse este investimento, a energia nesse local seria produzida utilizando fontes tradicionais (e poluidoras). Uma vez que o aquecimento global é ubíquo, é possível fazer a compensação de emissões em qualquer local.

DF – A Off7 direcciona-se para dois grupos: particulares e empresas. Em que se distingue o modo de actuação nestes dois grupos?
CC – A nível dos particulares, o principal canal é o nosso website, que foi construído de forma a tornar bastante acessível a problemática em torno das alterações climáticas. Não deixa de ser engraçado que a maior parte das pesquisas que temos no nosso site, seja de alunos à procura de informação sobre este tema. Temos ainda disponível no nosso site, a calculadora off7, que permite fazer a contabilização das emissões de indivíduos ou agregados familiares e a posterior compensação.
A nível de empresas e sector público o nosso posicionamento é diferente: disponibilizamos serviços de consultoria em sustentabilidade e economia de baixo carbono. A título de exemplo, posso citar o projecto que fizemos para a Administração Central do Sistema de Saúde/Ministério da Saúde (ACSS/MS) (https://sites.google.com/a/clima.pt/mitigacao/2020-1/planos-sectoriais), que consistiu muito sucintamente num estudo piloto para a elaboração de um Plano Estratégico de Carbono para o Serviço Nacional de Saúde.

DF – A empresa já tem alguns projectos públicos noutros países como a China, a Índia e a Rússia, para quando Portugal?
CC – Uma das principais preocupações que temos é a garantia de qualidade que oferecemos aos nossos clientes. Actualmente, e no que toca a compensação de emissões de carbono, os projectos com o mais elevado nível de certificação, são os projectos do Protocolo de Quioto, certificados pelas Nações Unidas. São portanto estes os projectos que utilizamos para fazer a compensação de emissões. O protocolo de Quioto foi desenhado de forma a permitir às nações industrializadas a diminuição das suas emissões, ao mesmo tempo que incentiva um desenvolvimento sustentável nas nações em via de desenvolvimento. Assim sendo, estes projectos só podem ser desenvolvidos em países em vias de desenvolvimento, como a China ou a Índia.
No entanto, temos estado a trabalhar em colaboração com algumas entidades nacionais de forma a promovermos projectos que tenham acoplado um selo de qualidade, que possamos oferecer aos nossos clientes como garantia.

DF – A Off7 já foi distinguida com alguns prémios e também já lhe foram tecidos inúmeros elogios, achas que a sociedade portuguesa também já a reconhece?
CC – Acho que é um tema que começa a ganhar atenção e uma vez que fomos das primeiras empresas em Portugal a posicionar-se neste mercado, acabamos por beneficiar dessa posição. Mas é claro que é bastante gratificante quando reconhecem o nosso trabalho.

DF – Consideras existir cada vez mais preocupação, quer por parte de empresas como de indivíduos particulares, em reduzir as emissões de carbono que produzem?
CC - Cada vez mais as empresas e os indivíduos estão cientes dos benefícios que podem advir de um reposicionamento para uma economia de baixo carbono. Não só em termos ambientais, mas também de negócio. Aliada a uma diminuição de emissões de carbono encontra-se frequentemente uma diminuição de custos. Por outro lado, as empresas que se posicionarem agora têm uma vantagem competitiva no desenvolvimento de novos produtos para este segmento, que cada vez tem mais procura e começam desde já a preparar-se para os desafios em termos de normas e legislação que cada vez mais são impostos ao mercado. Finalmente, são também indiscutíveis os benefícios em termos de imagem de que as empresas podem beneficiar. Por todos estes motivos, temos assistido a um aumento significativo na procura deste tipo de serviços.

DF – É impossível olhar para o vosso Plano Estratégico de Carbono e não ser remetido para o Plano de Estabilidade e Crescimento (ambos com a sigla PEC). Embora com semelhante sigla são planos muito distintos. Em que consiste o vosso PEC?
CC - Não deixa de ser engraçado, de facto. O “nosso” PEC é mais antigo. Foi criado logo no início da off7, como uma ferramenta que permite ilustrar todos os benefícios que as empresas podem retirar de um posicionamento para uma economia de baixo carbono: aumentar receitas com o desenvolvimento de produtos direccionados para esta nova tendência; diminuir custos com processos de eficiência; antecipar a legislação já previsível para esta área e todos os benefícios que as empresas podem retirar em termos de comunicação.

DF - A nível pessoal, a envolvência neste projecto trouxe alguma(s) alterações ao teu quotidiano?
CC - Naturalmente que existiram muitas alterações não só no meu, mas no quotidiano de todos os sócios, após a criação da off7. Apesar de bastante mais simplificado, o processo de criação de empresas em Portugal ainda é moroso e de início estávamos sempre a deparar-nos com burocracias. Agora já estamos numa fase cruzeiro em termos processuais, mas julgo que a principal diferença de trabalhares numa empresa que ajudaste a criar, é que trabalhas 24h por dia. Não que estejas sempre no escritório, mas tudo à tua volta te remete para novas oportunidades, novas ideias que queres implementar. Principalmente numa área tão entusiasmante quanto a sustentabilidade.
Quanto à questão ambiental, sempre tive muita atenção aos temas do ambiente e às coisas que nós, enquanto cidadãos podemos fazer para contribuir para um mundo mais sustentável, por isso a nível de comportamento não senti uma grande alteração. No entanto, o que se alterou muito com a off7 foi a quantidade/qualidade de informação de que passei a dispor. Se antes fazia as coisas por “carolice”, agora tenho um conhecimento mais profundo do impacto que pequenos gestos têm.

DF – Como convencerias outras pessoas a tomar algumas medidas de preservação ambiental?
CC - Aconselho todas as pessoas a pensar e agir em consonância com a ideia de um mundo melhor e mais sustentável para todos nós. Reciclar, reduzir consumos, aplicar medidas de eficiência energética, etc. são coisas muito simples, ao alcance de todos e que além de terem um impacto muito positivo no ambiente, geralmente também são simpáticas para a carteira.




Pode visitar o site da off7 em: http://www.off7.pt/
Fote da Imagem: no site da off7

Diana Felício
Grupo 1
Entrevista (em atraso)

Artigo de opinião - Crítica ao filme "Le Scaphandre et le Papillon"

            Foto retirada do Google Images

Filme vencedor de 2 Globos de Ouro

(melhor filme estrangeiro e melhor realização)

Jean-Dominique Bauby (Mathieu Amalric) é editor da revista francesa Elle quando,aos 43 anos,sofre um acidente vascular cerebral que o deixa em coma por vinte dias.
Quando acorda,Jean-Do percebe que,apesar de conservar todas as suas faculdades mentais,apenas  consegue mexer o olho esquerdo, naquilo que é definido como o “locked-in syndrome”.Se,inicialmente, o jornalista parece vencido pela sua condição (“como diz o poeta: só um idiota se ri quando não há nada para rir”), rapidamente deixa de sentir pena de si próprio: “decidi não voltar a queixar-me.Percebi que,para além do olho,duas coisas não paralisaram: a minha imaginação..a minha memória.”
Com a ajuda de uma especialista em foniatria (Marie-Josée Croz) e com um método por esta desenvolvido, Jean-Dominique “fala” e “escreve” o livro “O escafandro e a borboleta”. 
O escafandro é uma metáfora da prisão dentro de si mesmo, sendo isto claramente sentido pelo telespectador através da perspectiva subjectiva da filmagem.Durante meia hora, quem vê o filme, apenas tem acesso àquilo que Jean-Do vê, sentindo a angústia que o protagonista vive.O livro transforma-se na borboleta, uma vez que representa a liberdade da imaginação.
Através de filmagens em tons vivos e brilhantes e com a ausência, por vezes, de banda sonora, este filme, baseado numa história real, mostra-nos um herói perseverante que faz a aprendizagem da desgraça.
Mathieu Amalric tem uma prestação sincera e tocante num filme intenso e profundo e que nos faz indagar  se “estava cego e surdo ou foi necessária a luz da desgraça para eu ver a minha verdadeira natureza?”


Patrícia Azevedo - Grupo 1

Lady Gaga no Pavilhão Atlântico: A constatação de um grande talento na Pop

Muitos podem odiar, criticar e dizer que “não passa de mais uma cantora pop que com o tempo irá desaparecer rapidamente” mas Lady Gaga contém uma carreira impressionante em pouco mais de dois anos, uma vez que em 2007 nem existia discograficamente. O Pavilhão Atlântico foi o palco português que recebeu a The Monster Ball Tour, um espectáculo excêntrico e teatralizado em todos os aspectos. Desde as roupas da cantora, os dançarinos, cenários de fundos, pequenos filmes de pausa entre as músicas, nem um pormenor podia escapar dos olhares atentos de cerca 18 500 espectadores. O primeiro concerto de Gaga em Portugal trouxe um público nada homogéneo, com casais hetero ou homossexuais à espera na fila, pessoas com indumentárias extravagantes numa tentativa (um pouco falhada) de imitação da cantora e até crianças na companhia dos pais. Não foi de espantar olhar para trás e ver um senhor de meia-idade à espera do início do concerto.
Dance in the Dark leva o público ao rubro, com gritos histéricos e máquinas fotográficas levantadas para começar a registar, apesar de os espectadores visualizarem apenas a sombra de Lady Gaga. Enquanto se dá a conhecer o cenário do “primeiro acto”, a canção Glitter and Grease ecoa por todo o Pavilhão e com um Chevrolet verde a deitar um pouco de fumo e de seguida com o hit Just Dance tocado furiosamente no piano instalado no capot. Beautiful, Dirty, Rich leva a cantora para a frente do palco com uma estrutura em forma de “T”. O primeiro acto termina com a música The Fameem que a cantora veste uma indumentária vermelha diabólica e contém um keytar nas mãos (instrumento similar a um sintetizador com um formato semelhante a uma guitarra). Em pouco tempo, o público estava em chamas, extasiado com a energia deGaga.
Uma pequena pausa com um filme para dar início ao segundo cenário. O objectivo de todo enredo por detrás do espectáculo, proporcionado graças às mudanças de cenário, às vestimentas dos dançarinos e da própria cantora, entre outros pormenores, é chegar à Monster Ball. Mas o carro avaria-se, em primeiro lugar e o metro leva-a para um lugar estranho em Central Park, acabando por lutar com o monstro da fama. No final acaba por chegar ao destino inicialmente planeado. LoveGame inicia o segundo acto, em que a história decorre no metro e com Gaga vestida de freira num fato de látex transparente com pequenas cruzes a tapar os mamilos, acabando por retirar mais alguns gritos dos tão estimados little monsters portugueses (se bem que algumas vezes acabou por dizer pequeños) . Boys, Boys, Boys foi dedicada a todos os gays portugueses e no fim de cantar Money Honey, a música seguinte, a cantora apelou para que todos esquecessem as inseguranças uma vez que “Jesus ama toda a gente”. Um dos momentos com mais êxtase foi quando a cantora despiu uma espécie de fatiota negra, ficando apenas com soutien e cueca da mesma cor e iniciou a interpretação de Telephonesem a presença de Beyoncé. Antes de começar a despir a fatiota ainda teve tempo de pedir o desenho de um fã, beijá-lo e voltar a entregá-lo, um gesto de demonstração do amor pelos seus admiradores.
Speechless trouxe um momento intimista à sala do Pavilhão, com Gaga embrulhada numa bandeira portuguesa, sentada em frente a um piano e apelando para que todos gritassem “Portugal!”, todas as vozes elevaram-se fortemente num grito de orgulho. A interpretação desta música era interrompida pelas tentativas de comunicação com o público enquanto o fogo deflagrava sobre o piano. De seguida, cantou maravilhosamente You and I, canção que estará presente no tão falado futuro álbum Born This Way. A potente voz da cantora é evidenciada nestas duas músicas assim como a sua capacidade de apaixonar o público com o seu discurso, transformando o ambiente numa espécie de reunião familiar. A conclusão do segundo acto dá-se com So Happy I Could Die, uma espécie de princesa com um vestido brilhante eleva-se no palco depois de uma transformação cintilante, através das estrelas.
Toda a transformação dá lugar a um cenário recheado de escuridão, uma floresta negra em que a cantora começa as interpretações de Monster, no qual fica com sangue no pescoço, e de Teeth. Em Alejandro, um dos pontos fortes do espectáculo, faz novamente um apelo aos direitos dos homossexuais com uma força extraordinária. Se há algo que não falta em Lady Gaga é força, que no final das contas a está a levar até aos seus objectivos. Uma pequena pausa, um novo pequeno filme pelo meio e há lugar para um dos primeiros singlesPoker Face.
Um novo ponto forte desta Monster Ball Tour acontece com Paparazzi, com Lady Gaga num vestido verde a partilhar o palco com o Monstro da Fama. O início deste último acto contou uma grande teatralização e vários gritos por parte da cantora ao enfrentar o tal monstro. Bad Romance arrancou vozes do público mesmo no final, numa cantoria “I want your love and I want your revenge/ You and me could write a bad romance” a sair das bocas de todos os little monsters portugueses. Uma vénia de agradecimento e o espectáculo estava terminado com direito aos créditos no final. Cerca de dezoito mil pessoas saíram do Pavilhão Atlântico encantadas e com desejo por mais, sem qualquer tipo de desilusão no rosto.
Lady Gaga inspirou-se alguns artistas pop mais conceituados, é verdade. Mas é certamente uma das artistas na indústria musical do século XXI que mais probabilidades tem de se tornar numa lenda musical e se o seu objectivo é alcançar esse topo, então está num bom caminho. É uma artista com garra, talento (para dar e vender) e com ideias fixas. E quer se goste ou não, ela veio para ficar definitivamente no mundo musical.
David Monteiro Pimenta
Grupo 1

Tema Livre - Programa Real Gana



Tema: Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes:

Convidado: Elísio Sousa, representante do Comité Nacional Preparatório Português no Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, realizado em Dezembro de 2010 na África do Sul.

Ficha técnica:
Apresentadora: Inês Henriques
Câmara 1: Patrícia Azevedo
Câmara 2: Ana Carolina Sérvolo
Câmara 3: Diana Felício
Teleponto: Sofia Fernandes
Realização: Tiago Cerveira
Assistente de realização: Bruno Sobral
Produção: Patrícia Azevedo

Grupo 1: Ana Sérvolo,Diana Felício,Patrícia Azevedo
Grupo 3: Bruno Sobral,Inês Henriques, Sofia Fernandes
Grupo 7: Tiago Cerveira

Reportagem - Cultura com Casa em Coimbra

Ideias há muitas. Estruturas que as coloquem em prática, essas há poucas.
A Casa da Esquina e a Casa das Artes, bem como a conferência Pensar Fora da Caixa são exemplos de como difundir a cultura em Coimbra, através de novas ideias, alta criatividade e muito dinamismo. Com objectivos bem delineados, as “Casas” fomentam a prática de diversas actividades artísticas através da cedência do seu espaço a outras organizações. Já a conferência destinou-se ao público mais jovem e disponibilizou inúmeras palestras dos mais variados temas.
Uma pequena amostra de como se pode disseminar a arte e a cultura na cidade dos estudantes.
Casa da Esquina
A Casa da Esquina é um espaço de confluência de muitas disciplinas, tanto culturais como educativas. Aberta desde Novembro de 2008, tem como objectivo criar "um espaço onde se possa fazer tudo o que se tem", diz-nos Filipa Alves, uma das impulsionadoras do projecto. 
Passando pelo teatro, artes, plásticas e cinema, entre outras coisas, a Casa funciona também como espaço para outras propostas, sendo uma das suas componentes o aluguer de espaços para projectos ou indivíduos que precisem de escritório ou atelier para desenvolver actividade e, também, o aluguer do espaço para workshops e conferências.
Filipa aponta as escassas ajudas como uma das grandes dificuldades para conseguir uma estrutura permanente que permita um trabalho mais continuado, sendo que a Casa conta apenas com apoios " extremamente reduzidos da Câmara Municipal de Coimbra, da nossa senhoria e não tivemos mais nada. O que tivemos até hoje foram diversos apoios pontuais por parte da DGArtes (Direcção Geral das Artes) e da DRCC (Direcção Regional de Cultura do Centro) para projectos de teatro e artes plásticas e também pontualmente do CES (Centro de Estudos Sociais)”.
Apesar destas dificuldades, em quase três anos de existência, a Casa, situada na Rua Aires de Campos, já fez um pouco de tudo. De entre as actividades desenvolvidas, destacam- se uma feira de artesanato urbano, cursos de teatro, de guionismo e de fotografia, a produção de espectáculos de teatro, de exposições e de performances e a realização de workshops e conferências. Neste momento, a Casa da Esquina apresenta a peça “Senti um Vazio...” de Lucy Kirkwood, que integra o projecto Mercadoria Humana, estando a estreia prevista para Fevereiro.
Actualmente, a Casa conta com três moradores: o xDA, um atelier de experimentação digital, o The Portfolio Project, um projecto de informação sistemática sobre eventos fotográficos e de formação contínua à distância e ainda o Clube de Crochet e Tricot, projecto para todos aqueles que pretendem aprender a crochetar e tricotar. A sua selecção é feita tendo em conta o trabalho que desenvolvem e, sobretudo, pela diversidade de matérias, estando a Casa da Esquina sempre aberta a propostas de colectivos que a queiram integrar.
Quando questionada acerca do contributo que o projecto poderá trazer à cidade de Coimbra, Filipa Alves afirma que esta é "mais uma estrutura com oferta cultural em Coimbra, mas num âmbito mais diversificado, posto que fazemos um bocadinho de tudo" e espera que, um dia, a Associação venha a ser uma referência e que possa "evoluir para uma estrutura mais séria mas com o mesmo grau de diversão".

Casa das Artes
Situada no número 83 da Avenida Sá da Bandeira, a Casa das Artes da Fundação Bissaya Barreto tem como objectivo incentivar a criatividade e dar conhecimento das actividades organizadas pelas associações ali sedeadas.
Patrícia Viegas Nascimento, administradora da Fundação Bissaya Barreto (FBB), definiu-a assim, no discurso de inauguração: «É um espaço-sede para viabilizar a capacidade organizativa e funcional, um espaço-oficina facilitador da discussão de ideias, da construção e consolidação das suas expressões criativas, um espaço- palco de produção/realização e acolhimento dos públicos».
O edifício é composto, no rés-do-chão, não só pelos gabinetes onde cada associação trabalha, mas também por uma sala de exposições, casas de banho e uma cozinha. Já o primeiro andar está um pouco vazio, com função ainda por definir, mas servirá, provavelmente, para receber workshops e conferências.
No exterior, o jardim “apresenta um enorme potencial para a realização de inúmeras actividades”, diz-nos Artur Almeida, membro do Fila K Cineclube, que prontamente se disponibilizou a abrir-nos as portas da Casa.
O FILA K Cineclube, a Camaleão - Associação Cultural e a Companhia de Teatro Marionet, três organizações sem fins lucrativos, são os primeiros ocupantes da Casa das Artes. 
O FILA K Cineclube foi constituído, por escritura pública, em Maio de 2002. Esta associação tem como intuito divulgar o cinema, contribuir para o desenvolvimento da cultura, dos estudos históricos e da técnica das artes cinematográficas. Visa a participação activa e o envolvimento na promoção de acções culturais ligadas, na maioria, ao cinema.
A Marionet surgiu em 2000, destinada a explorar caminhos artísticos diferentes daqueles que, até então, eram desenvolvidos em Coimbra e no resto do país. Pretende proporcionar espaço, e condições, para a evolução de novos profissionais nas diferentes áreas do teatro.
Assim como a Marionet, também a Camaleão está orientada para as artes dramáticas, tal como para outras áreas artísticas como a narração oral, a poesia, a música e a fotografia, quer no âmbito da sua prática como do seu estudo.
Para o bom funcionamento da Casa, é necessária a compatibilização das três organizações, sendo que a FBB não interfere na criação e programação destas. É ainda importante referir o significado do impulso dado pela Fundação ao projecto, que anteriormente não se mostrava tão ambicioso.
Após dois anos de diligências e burocracias, adaptações e ajustamentos, a Casa das Artes destina-se também ao público que se queira envolver nas actividades, tal como a outras organizações que queiram dar o seu contributo para o papel que a Casa desempenha.
Para já, a Casa não está aberta ao público, o que não impede que a visitem, desde que,com aviso prévio.
Pensar Fora da Caixa

“Uma conversação nacional sobre a criatividade” foi o objectivo do encontro Pensar Fora da Caixa. Tratou-se de um fim-de-semana recheado de conferências ou melhor, preenchido com uma série de conversas sobre temas como Design, Moda, Marketing, Jornalismo, Colaboração, Trends e entre outros temas, apresentados com “um formato para ser consumido por um público estudantil, hyper social e com um efeito inspirador e catalizador”.
A edição de 2010 do Pensar Fora da Caixa aconteceu em Coimbra no dia 20 e 21 de Novembro e este conjunto de conferências surgiu da necessidade de definir o papel de criatividade no momento actual, que ganhou importância a partir do momento em que o sector cultural e criativo, nos dias que correm, ultrapassou os têxteis e a indústria alimentar no contributo para o PIB. Foram dois dias em que estudantes, jovens criativos, empreendedores e interessados na temática tiveram a oportunidade de partilhar ideias e questionar personalidades que normalmente estão afastadas dos circuitos de conferências. 
Diferentes personalidades estiveram presentes no Pavilhão de Portugal, no Parque Verde, para falar dos diferentes temas como é o caso de Álvaro Covões, da empresa Everything Is New, que abordou o tema “O processo criativo dos festivais” ou de Ricardo Rosa, coordenador da SIC Online, que explorou o tema dos “Novos Velhos Media” e de Alexandre Lemos, colaborador da Bubok, editora online, incluído no tema das Indústrias Criativas cujo propósito principal era promover o desenvolvimento deste sector.
Inês Henriques,estudante de Comunicação Social, assistiu à conferência e afirma que “os temas eram muito pertinentes e o conceito também e o facto de quererem mais que uma conferência foi algo inovador, principalmente com a pergunta que eles colocavam.. se a criatividade estava também em crise”. Considera que a cidade deveria acolher  mais eventos destes, uma vez que  “acho que há muita falta de inovação e iniciativa por parte das pessoas a quererem fazer algo diferente. Depois de assistir às conferências, fiquei com vontade de fazer alguma coisa.. de criar e isso já é um passo importante, o querer fazer. Acho que eles cumpriram com os objectivos que tinham e motivaram muita gente”
Conclusão
Apesar do surgimento de cada vez mais iniciativas, quer como a Casa da Esquina, quer como a Casa das Artes ou o Pensar Fora da Caixa, as opiniões ainda divergem quanto à questão cultural em Coimbra.
Fernando Taborda, actor do Teatro da Bonifrates, afirma que  “Coimbra não é vanguardista e é uma cidade onde a cultura é pouco vivida”. 
Por outro lado João Maria André, professor de Estudos Artísticos da Universidade de Coimbra e grande impulsionador do “Mercadinho do Quebra Costas”, defende que Coimbra tem “um tecido cultural cada vez mais activo”.

Grupo 1
Ana Serrano
Ana Sérvolo
Andreia Roberto
Cristina Freitas
David Pimenta
Diana Felício
Patrícia Azevedo