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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Dançar ou viver?



O conceito de jazz tem origem por volta de 1808 com o tráfico de escravos no Atlântico que trouxe meio milhão de africanos aos Estados Unidos. As tradições de músicas tribais por eles trazidas formaram um conceito de danças e sons diferentes, tudo isto misturado com a cultura europeia, criticada e “gozada” pelos escravos. Os instrumentos de extrema sonoridade usados pelos mesmos foram proibidos para que não fosse possível a transmissão de mensagens codificadas. Por este motivo, foram criados instrumentos com os materiais disponíveis que iam tendo. Os chefes eram os primeiros a incentivar com o propósito de unir o grupo.


No início do séc XIX os escravos começam a aprender a tocar instrumentos ocidentais, o que os torna monetariamente mais valiosos na sua sucessiva “venda” ou “troca”.


Nova Orleãs foi o palco destes acontecimentos pela mistura cultural que apresentava, tanto de africanos como de europeus.


Este género tem como momento principal a década de 1920 a 1960, sendo este período considerado como o auge do Jazz e desta cultura que o rodeia. As suas origens estilísticas nascem de uma mistura de Blues, Folk, Ragtime e Marcha.


Em meados dos anos 30 surge o Swing, primeiro estilo popular do Jazz, de seguida, em 1945 surge um estilo muito mais radical, o bebop sendo ampliado nos anos 50 com o hard pop. Em resposta à agressividade destes géneros aparece no final dos anos 50 o Cool Jazz e no final dos anos 60 surge a fusão do Jazz com o Rock, despertando inicialmente inovação e de seguida dúvida


Ultrapassando agora a história e focando o conceito, particularmente, afirma-se que Jazz não é o que se toca, mas sim como se toca. O Swing e a Improvisação são dois elementos absolutamente necessários na “performance” de Jazz. Diz-se também que uma apresentação de Jazz, não o é se não tiver um pouco de improvisação. Fazer jazz significa assumir um risco pois há que preencher o papel de compositor instantâneo com o risco de preencher um silêncio de possível confronto. O conceito de Improvisação trata-se de produzir, em tempo real no exato momento o que se toca. O Swing, numa definição apresentada por André Francis, significa trazer à execução de uma peça um certo estado rítmico que determine a sobreposição de uma tensão e de um relaxamento, é portanto dar flexibilidade a um ritmo, dar “balanço” a uma frase, e contudo manter a precisão, preservar o foco da música, evitando que ela perca carácter incisivo.


Dentro do jazz existe o Jazz Dance, que é uma expressão pessoal criada também nos mesmos moldes do Jazz original mas passando pela experiência do sapateado, sendo novamente uma crítica às danças usadas pela cultura “branca”. Nos navios usados para transportar os escravos de África para os Estados Unidos, os que não morriam por doença eram obrigados a dançar para se manterem com saúde, usando todo o tipo de instrumentos e danças para o fazer. Da mistura de danças, nasce então o Jazz Dance. Esta expressão artística reveste-se do Modern Jazz Dance, do Soul Jazz, do Rock Jazz, do Disco Jazz, do Free Style e do Jazz.


As características deste género de expressão incluem a isolação, uma explosão de energia que se irradia e um ritmo pulsante que dá balanço certo e a qualidade do movimento.


Em Portugal surge numa garagem em 1948 com o HOT CLUBE DE PORTUGAL, sendo atualmente reconhecido nacional e internacionalmente. Tal como anteriormente referido é um estilo alternativo e por isso de difícil caracterização, vai ao encontro da postura do vocalista (do seu estado de espírito ou maneira de estar na vida) ou do “soulista”.


Focando agora a cidade de Coimbra, ainda em crescimento e reconhecimento cada vez mais valorizado, encontra-se o JAZZ AO CENTRO CLUBE, constituído a 30 de Abril de 2003 no meio de uma parceria com o evento Coimbra Capital Nacional da Cultura, uma maneira de internacionalizar encontros de Jazz no centro do país, tendo como objetivo a divulgação, promoção e ensino deste estilo nacional. As parcerias começam a surgir e em 2005 nasce a primeira revista de Jazz de edição nacional, projeto este de imensa visualização. O festival Itinerante de Jazz nasce em 2006 com o objetivo de levar este estilo musical a todos os municípios portugueses. Passa então a ser reconhecido pelo Presidente da República e com estatuto de Interesse Cultural atribuído pelo Ministério da Cultura. No site do Jazz ao Centro Clube (http://www.jacc.pt/main.php) é possível fazer uma excelente pesquisa desde notícia publicadas sobre jazz, a músicos e correspondente perfil, formações que decorreram ou decorrerão numa data específica e como não poderia deixar de ser, contactos.


Jazz ao Centro Clube tem em Coimbra uma parceria com o Salão Brazil localizado no Largo do Poço, nº 3, 1º andar, no coração da baixa da cidade de Coimbra é palco atual de grandes nomes da música Jazz, conjuntamente com a gastronomia típica portuguesa, um espaço onde se conjuga o bom gosto musical com a excelente gastronomia nacional. É uma Associação Cultural sem fins lucrativos, presa apenas pela divulgação de um estilo tão inconstante e bonito, todas as semanas apresenta uma agenda bastante completa com nomes nacionais e internacionais, é possível a consulta em http://www.facebook.com/SalaoBrazilfan.


por: Patricia da Costa 


*Este artigo está escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Tuning ou Street-Racing?



O NewLife Tuning Club, oficialmente legalizado em 2009 e conta já com cinco anos de existência. Marco Bettencourt, presidente da assembleia geral do NewLife Tuning Club, explica o verdadeiro significado de tuning, o seu atual estado em Portugal e sobre a eterna associação desta modalidade com o Street-Racing.

Posts de Pescada - O que é Tuning?

8º Braga Internacional Tuning Motor Show.
Foto por: Márcio Sousa

Marco Bettencourt - Tuning no sentido em que é colocada a questão é toda e qualquer alteração efetuada à viatura no sentido de a aproximar ao gosto e estilo do proprietário, seja por exemplo no aspeto interior, exterior ou na área do entretenimento (Car-áudio/Multimédia), não esquecendo as áreas mecânicas.

PP - Pode dizer-se que é um estilo de vida? Porquê?
MB - Pode-se dizer que é um Hobby principalmente, tal como a Música, o 
Cinema, o Teatro. Estes exemplos não são inocentes e destinam-se a colocar o Tuning no patamar de “Arte” e como tal é necessária “Paixão” para viver o Tuning. Quem estiver no Tuning sem paixão é porque escolheu a “vocação” errada!

PP - Como entrou o tuning na tua vida?
MB - Desde muito pequeno gostei de desportos motorizados, principalmente 
Rally e Velocidade. Como se sabe esses veículos são alvo de modificações a todos os níveis de forma a melhorar a sua base de série para o fim a que se destinam. O primeiro carro que tive, um simples e modesto Opel Corsa A 1.0 foi alvo de modificações de forma a ser mais agradável de conduzir, a partir daí todos os carros que se seguiram foram alterados de acordo com os meus gostos. Tudo começou em 1990, ainda pouco se falava de “Tuning” em Portugal!

8º Braga Internacional Tuning Motor Show.
Foto por: Márcio Sousa


PP - Como vê o tuning em Portugal?
MB - Estagnado, como de resto um pouco por toda a Europa e mesmo em outros 
Continentes. O Tuning não é, nunca foi nem será uma atividade barata e por isso a atual conjuntura económica não ajuda ao seu desenvolvimento. Não é por acaso que os Mercados onde ainda há alguma “atividade” são aqueles onde menos se sente a crise: Alemanha, Inglaterra e França, isto a nível Europeu. A juntar à nossa parca situação económica temos a ausência de Legislação Específica que afasta muita da boa vontade que possa existir em “transformar” os carros. Não vejo, infelizmente que esta situação se possa alterar nos próximos 10 anos. Não temos também uma Entidade credível junto dos centros de decisão que possa alterar este estado de coisas, apesar da boa vontade de alguns.

PP - Como vê o futuro de tuning?
MB - A nível interno com disse anteriormente não vejo no espaço de uma década uma evolução do atual estado de estagnação. Não há, nem haverá Legislação num futuro próximo. Não há nem haverá também poder económico para o Português desviar, do seu cada vez menor orçamento uma fatia para transformar o seu carro.

8º Braga Internacional Tuning Motor Show.
Foto por: Márcio Sousa

Penso que grande parte do desenvolvimento do Tuning passará pelas próprias Marcas que cada vez mais tentam aproximar os seus produtos ao gosto de cada um, como por exemplo a linha BMW Performance ou a Gama de Acessórios OPC Line da Opel.
A Falta de legislação e suas consequências levarão a que cada vez mais se opte por material homologado pelas Marcas, o chamado OEM, como aliás já se nota bem. Esta tendência resulta também do facto de as alterações serem mais dificilmente “detetadas” pelas autoridades ou centros de IPO. Infelizmente esta tendência em vez de potenciar o desenvolvimento do Tuning em Portugal poderá levar a que o reduzido desenvolvimento do mesmo se “arraste” no tempo. A falta de ideias e inovação não são propriamente a melhor solução mas vivemos cada vez mais das “modas”. O Tuning Nacional passa atualmente pela fase a que chamo “Pronto a vestir”, não se inventa nada, não se inova…copia-se!

PP - Existe uma tendência para juntar o street-racing com o Tuning. De que forma estão ligados?
MB - Ao contrário do que se pensa esta foi na minha opinião a área em que mais evoluímos nos últimos anos. Cada vez menos o Tuning está associado ao Street-Racing e isso deve-se em grande parte ao excelente trabalho desenvolvido junto da Comunicação Social e mesmo dos Organismos Públicos pela União Portuguesa de Tuning (UPT).
Apesar da constante tentativa por parte dos Street-Racers em associar a sua atividade, que é crime, ao Tuning essa associação por parte da Sociedade é cada vez mais rara. A ligação entre estas atividades resume-se apenas e só ao aspeto material. Mas é a mentalidade que as separa, tanto pode ser Streer-racer um individuo com um modesto Corsa 1.0 como um com o seu potente Ferrari!!!... É a atitude do condutor que se senta ao volante que separa um “Tuner” de um Street-Racer!

8º Braga Internacional Tuning Motor Show.
Foto por: Márcio Sousa



PP - Qual pensa ser a melhor forma de terminar com o preconceito que envolve o mundo do tuning?
MB - Informar! Sensibilizar! Ninguém nasce informado, nem aprende sozinho! O preconceito mantem-se porque nós Tuners contribuímos para isso! Não há, não houve até hoje a preocupação em informar a população em geral do que é o Tuning. Se não sensibilizamos a população sobre o nosso modo de vida, a nossa paixão nunca conseguiremos reunir condições para atingir os nossos objetivos.
Olhamos na maior parte das vezes para dentro quando o deveríamos fazer para fora. No dia em que tivermos “do nosso lado” a população e afastarmos esse preconceito será muito mais fácil sensibilizar os nossos governantes para a necessidade de enquadrarem legalmente o Tuning.
Depois sim poderemos iniciar a luta pela Legislação que pretendemos.


por: Laura Duarte


*Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico