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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Teoria vs Prática: Preparação para o Futuro



Nos dias de hoje, apostar na formação superior já não se trata apenas de uma opção mas de uma necessidade, sendo a entrada no mercado de trabalho, cada vez mais, uma preocupação dos jovens universitários. Em alternativa ao Ensino Superior Público, existem diversas instituições de ensino privado que têm vindo a apostar na formação técnica e prática, entre as quais a ETIC (Escola Técnica de Imagem e Comunicação). Das nove áreas de estudo - Jornalismo, Televisão, Fotografia, Som e Música, Digital, Eventos, Design, Moda, Espetáculo - este estabelecimento de ensino engloba um total de 33 cursos profissionais.
André Leiria

O Posts de Pescada conheceu André Leiria, de 19 anos, estudante da ETIC que ingressou este ano no Ensino Superior e optou por, em horário pós-laboral, conjugar a licenciatura com a formação profissional prática que esta instituição privada oferece.

Posts de Pescada: Que licenciatura e que curso profissional frequentas?
André Leiria: Estou a tirar a licenciatura em Artes do Espetáculo na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e o curso noturno de Técnico de Vídeo na ETIC.

P.P: Porquê o interesse em estudar na ETIC?
A.L: À partida eu já sabia que queria fazer um curso anual nesta escola pela da sua reputação e por ser muito boa a nível técnico. Ao receber o horário da faculdade deste semestre percebi, pela facilidade que tinha, que conseguiria conjugar os dois cursos, pelo que decidi inscrever-me.

P.P: E como consegues conjugá-los monetariamente? Sabendo que pagas propinas da licenciatura e que o curso profissional é pago em 9 prestações de 390€…
A.L: Penso que isso seja uma questão um pouco pessoal… Mas posso dizer que a minha família tinha algum dinheiro de parte para a minha educação.

P.P: Em que pode este curso ser-te útil no futuro?
A.L: Acho que pode ser muito útil visto ser uma escola bastante prestigiada e ter um índice de empregabilidade muito alto.

P.P: O que pode a ETIC oferecer-te que a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa não possa?
A.L: Sem dúvida conhecimentos práticos. Eu ainda nem sei, sinceramente, se vou acabar este curso na faculdade ou se vou mudar para o ano, mas sei que quero terminar o curso de Técnico de Vídeo.

P.P: O interesse em frequentar este curso profissional está, de alguma forma, relacionado com o facto de o Ensino Superior Público não estar a responder às tuas expetativas?
A.L: Não, porque quando eu me inscrevi na ETIC não sabia que a faculdade não ia corresponder às minhas expetativas.

P.P: Se decidires terminar a tua licenciatura, consideras que no futuro poderás ter mais ofertas/hipóteses de emprego por esta oportunidade de conjugar os dois cursos? Ou neste momento é mais importante para ti aprender algo do teu interesse mesmo havendo a possibilidade de não teres emprego quando acabares?
A.L: Para ser sincero, penso que o curso na faculdade não me vai levar a lado nenhum. Acho que está mal organizado e, na verdade, vou lá sem vontade nenhuma. O que eu queria mesmo era estudar cinema, que é apenas uma pequena parte do curso da faculdade, e as cadeiras nem sequer têm nada de prático, ao contrário do que acontece na ETIC em que essa componente está sempre presente. Nos três anos da licenciatura em Estudos Artísticos só tenho três cadeiras relacionadas com cinema: História do Cinema, Cinema e Literatura e Cinema em Portugal. Sendo a área em que eu vou querer estudar para o resto da minha vida considero que esta formação está aquém dos meus objectivos. No cinema não há muito a questão do "chegar ao mercado de trabalho" visto ser uma área artística e fracamente apoiada em Portugal, o que conta é o “know how” e a capacidade de inovar e aprender. Não será com um curso com três cadeiras teóricas de cinema que eu irei estar preparado para isso de certeza.

por: Catarina Parrinha

O artigo está escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Pelo fim da desorganização

A Latada de Coimbra marcou o fim da época de recepção aos caloiros na Universidade. Os novos alunos desfilaram pelas ruas com fatos criados pelos padrinhos e, claro, muitas latas, para mostrar ao mundo que já estão integrados na comunidade académica. No entanto, alguns destes alunos chegaram há poucos dias e perderam a maior parte das actividades. São estes os alunos da segunda e terceira fase.

Todos os anos acontece a mesma coisa: quando sobram vagas nas Universidades, abre-se uma nova fase de candidaturas para preenchê-las. Mas isto já ocorre em tempo de aulas. Ora, os alunos desta fase perdem as primeiras semanas do ano lectivo, ficando logo prejudicados em relação aos colegas. Além disso, causa problemas na ordem dos trabalhos nas aulas. Isto para não falar nas medidas de última hora que os alunos mais velhos têm de tomar para integrar afilhados imprevistos. A intenção por trás deste sistema é muito boa: dar uma segunda oportunidade a quem a primeira fase não correu bem e garantir o máximo de vagas preenchidas. Mas de boas intenções está o inferno cheio…

Existe uma forma muito simples de acabar com tamanha confusão: organizar as matrículas todas antes do início das aulas. E sim, é possível. Entre a primeira fase de candidaturas ao ensino superior e o período de matrículas há um buraco de um mês em que não se faz nada. Se os funcionários das instituições, em vez de irem todos de férias em Agosto, calendarizassem as pausas no trabalho de forma a haver sempre pessoal suficiente para ficarem abertos, haveria muito mais tempo para organizar as matrículas. Este método é utilizado noutros países e é muito eficaz.

Portanto, já que o Governo está a reorganizar tantas coisas, porque não reorganizar também esta? Com óbvios benefícios para o ensino superior (e instituições em geral), seria talvez a medida que causasse menos greves este mandato. E todos os alunos poderiam desfrutar da vida académica desde o início.


Por: Amy Gois



O artigo não está escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

"Não podemos viver obcecados com a crise"

Numa altura em que o país atravessa uma situação extremamente complicada e o número de desempregados continua a aumentar, fomos ao encontro de alguém que ainda acredita que o ensino superior pode abrir portas para um emprego melhor, em termos de tarefas/exigências e remuneração.
Sónia Raquel Soares de Almeida tem 33 anos, é natural de Águeda e decidiu ingressar no Instituto Politécnico de Leiria em regime de ensino à distância, uma vez que tem família e emprego e torna-se necessário conciliar todas estas funções. A “nova caloira” falou-nos acerca das suas motivações, dificuldades e desta modalidade de ensino.

 
 
Posts de Pescada- Quais foram os motivos que a levaram a retomar os estudos nesta época de crise?
Sónia Raquel - A crise faz parte do presente, mas a vida continua e não podemos viver obcecados com a crise. Se formos todos a pensar que não vale seguir os estudos e os nossos objetivos por causa da crise, então seria muito pior e a sociedade parava. No meu caso decidi retomar os estudos, porque é uma realização pessoal que sempre quis cumprir e sempre me faltou a coragem por insegurança da minha parte. Este ano decidi acreditar em mim e ir em frente, sem pensar na crise, mas focada no meu objetivo. É óbvio que o momento que estamos a viver também me assusta, mas quero viver um dia de cada vez e quando acabar o curso logo se vê! Até lá muita coisa há-de mudar e esperamos que seja para melhor.
 
PP - Como é que teve conhecimento do regime de ensino a distância?
SR - Tive conhecimento do regime à distância através de uma colega, que fez o curso da mesma forma.
 
PP - Que procedimentos foram necessários para a candidatura?
SR - Foram vários os procedimentos necessários para a candidatura, desde a inscrição em como estava interessada em concorrer, fazer o exame de ingresso, exame oral e entrevista. Depois de passadas estas etapas, candidatei-me (nova inscrição) e cá estou eu! Durante este processo houve a parte financeira, em que no País em que estamos não podia faltar. Não fica barato estudar.

PP - Quais são as suas espectativas em relação ao curso?
SR - As minhas espectativas em relação ao curso são as melhores, ou seja, quero chegar ao fim. Sei que não vai ser fácil e neste momento já estou a notar isso. É muito trabalhoso e complicado, mas espero alcançar a espectativa inicial.
 
PP - Como funciona o regime de ensino a distância?
SR - Este regime de ensino à distância funciona através de uma plataforma, em que temos acesso a tudo. Podemos aceder às disciplinas, aos recursos que nos podemos apoiar para estudar e efetuar os trabalhos propostos pelos professores, fóruns de conversa com os colegas e professores, onde podemos expor as nossas dúvidas. Os professores estão sempre atentos e prontos a esclarecer dúvidas. É também através da plataforma que enviamos os trabalhos, tendo eles prazo de entrega. Neste método existem também aulas presenciais e exames, sendo a avaliação final contínua mais os resultados do exame. Resumindo, este método é praticamente igual ao processo normal, porque a maioria das faculdades têm uma plataforma onde os alunos podem aceder, sendo os mais praticantes os alunos com o estatuto trabalhador/estudante. Uma coisa muito importante que me esqueci de dizer, mas parto do princípio que todos sabem, é que cada aluno tem um nome de utilizador e uma senha para entrar na plataforma.
 
PP - Considera que, atualmente, uma licenciatura é uma mais-valia para o mercado de trabalho? Porquê?
SR - Depende. Existem casos em que uma candidatura não é uma mais-valia para o mercado de trabalho, porque as empresas não pretendem pagar o equivalente a essa habilitação. Acabam por ter um funcionário com menos qualificações, mas que faz o mesmo trabalho por menos dinheiro. Por outro lado, existem situações em que a candidatura é obrigatoriamente uma mais-valia para o mercado de trabalho, dado que é necessário o trabalhador ter as qualificações necessárias e exigidas pelo posto de trabalho. Em alguns casos, sem licenciatura ou mestrado não há forma de entrar no mercado de trabalho.
 
PP - Que dificuldades espera encontrar neste regime de ensino?
SR - Muitas. As dificuldades vão ser muitas, desde gerir o trabalho/família/casa/faculdade. Também sei que vão existir muitas dificuldades a nível da matéria e já estou a sentir isso. Existem certas disciplinas (como a matemática) em que fazer trabalhos e estudar não é o suficiente para ter um bom resultado no exame. Nestes casos, haverá a necessidade de recorrer a uma segunda pessoa que nos ajude a entender, compreender e como se faz determinados exercícios. Não vai ser fácil.
 
por: Fabiana Ferreira e Sofia Rocha
*Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico