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terça-feira, 21 de outubro de 2014

Entrevista - Eutanásia


Entrevistado: José António Madeira Dias

Idade: 52
Profissão: Médico Ortopedista, no Hospital dos Covões; Director Clinico no Hospital da Fundação Aurélio Amaro Dinis – Olveira do Hospital;
Este tema consiste num dos mais polémicos e debatidos dos dias de hoje. De modo que achei importante aprofundar este assunto, utilizando como base algumas entrevistas realizadas a especialista de medicina. A entrevista apresentada a baixo, faz parte do leque recolhido.


Contra ou a favor?

A favor

Se se visse com uma doença incurável que lhe vai trazer sofrimento a si e restante família, ponderaria sobre o assunto?

De certeza

É a favor de prolongar a vida a todo o custo nem que isso inflija sofrimento nas pessoas e falta de qualidade de vida (incluindo humilhação pessoal que o doente possa sentir)?

Não

Concorda que se deve sofrer para morrer (em caso de doentes terminais)?

Não. Nem para morrer nem para viver – existem hoje muitas drogas para minimizar o sofrimento. Algum sofrimento, quer na doença quer nos tratamentos é inevitável, mas o sofrimento atroz, persistente ou terminal não é aceitável.

Considera que um doente em fase terminal tem qualidade de vida?

Pode ter. Para isso existem as Unidades de Cuidados Paliativos. O que se pode ou deve fazer nestas unidades é que constitui o busílis da questão.

Com a nova política de medicamentos para doentes terminais, que diminuirá em muito a qualidade de vida dos doentes, não seria melhor legalizar a eutanásia?  

É uma questão pertinente e trata-se de uma situação potencialmente perigosa que exige ponderação. A política do medicamento não implica necessariamente uma diminuição da qualidade de vida (ou se se quiser de qualidade na morte). Trata-se de uma discussão paralela e muito séria. Misturar as coisas é potencialmente perigoso – pensar legalizar a eutanásia por questões económicas (situação que a pergunta sugere) é muito grave. A eutanásia terá sempre de ser uma opção pessoal baseada em dados médicos e não uma decisão médica.

Podemos deixar as pessoas a sofrer mas não as podemos ajudar a morrer com dignidade. Acha justo?

Não.

Se a eutanásia deve ser uma resolução médica ou uma resolução pessoal?

Já respondi a essa questão, quando me interrogou acerca de ser ou não melhor legalizar a eutanásia - o ónus da decisão estará sempre no doente salvaguardando a ética deontológica (e eventualmente religiosa) do médico - um doente pode querer morrer mais depressa mas ninguém pode obrigar um médico a fazê-lo. O médico deverá funcionar como conselheiro.

Acha que a igreja tem uma palavra a dizer relativamente à eutanásia?

Tem seguramente. Portugal é um país fortemente católico e numa discussão todas as partes devem ser ouvidas.

Se sim, acha que Deus quer mesmo que alguém sofra desmesuradamente para depois morrer? Não lhe parece um castigo divino (imagine aquilo a que normalmente designamos com “era uma boa pessoa”)?

Não acho nada sobre o que Deus quer ou não quer. Sou agnóstico (para não dizer ateu). 

Acha que o tema da eutanásia deveria ser exclusivamente um decisão governamental ou deveria ser referendada?

Terá sempre de ser referendada. Trata-se de uma alteração muito importante da lei em termos sociais, religiosos e éticos e que, por conseguinte, não poderá depender única e exclusivamente de 230 pessoas (até para salvaguarda desses eleitos).



Ana Teresa Abrantes - 2013895

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A Bioética e a Educação


A apresentação do "Manual de Bioética para Jovens" realizou-se no dia três de outubro na Casa Municipal da Cultura em Coimbra pela Profª. Doutora Ana Maria Ramalheira, presidente da Associação de Defesa e Apoio da Vida de Coimbra (ADAV), e pelo Prof. Doutor Henrique Vilaça Ramos, antigo responsável pela Associação dos Médicos Católicos Portugueses. Trata-se de uma tradução do manual francês da autoria da Fundação Jerôme Lejeune, que concedeu a edição portuguesa à Associação Famílias de Braga e à ADAV-Coimbra.

Numa sociedade em que o dinheiro acentua as desigualdades sociais, Ana Maria Ramalheira explicou os limites que se devem impor à compra e venda dos bens da vida do ser humano, tais como crianças, embriões, barrigas de aluguer e até a dignidade humana. A oradora realçou o fato do livro ser pequeno na sua dimensão, mas grande no seu conteúdo, pois concentra-se "na vida humana desde a sua concepção até à morte natural", pretendendo "levar os jovens a pensar".

Nesta sessão discutiu-se também a importância de debater e informar os jovens da educação bioética para que "possam encontrar o caminho certo para os seus relacionamentos e, assim, tomar decisões corretas", afirmou o médico Henrique Ramos. Apelou ainda ao bom uso deste manual.

Além dos jovens, esta obra também pode ser adquirido pela restante comunidade que deseja aprofundar os seus conhecimentos sobre questões do aborto, eutanásia, procriação medicamente assistida, diagnóstico pré-implantação, entre outros. O livro é gratuito e pretende-se que haja exemplares em todas as bibliotecas das escolas e em locais frequentados por jovens.


 

por: Patrícia Gomes