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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Atitude com Marca - Luís Lucas, um jovem investigador de sucesso na área de processamento de sinais

Alguns portugueses são autores de grandes feitos, valentes obras e prestigiadas ações. Na vida de alguns jovens vão sendo abertas janelas por onde vão passando raios de luz. Estes agarram cada oportunidade com uma força única, tentam ser reconhecidos e alguns tornam-se, por enquanto, pequenos heróis. Há histórias e casos de portugueses de sucesso. Há pessoas que tiveram ideias que triunfaram. O anonimato ou as luzes da ribalta são pequenos adereços de um grande cenário na peça de teatro que é a vida.
Nem todos os quadros se pintam com as mesmas cores. Para além de nem todos os jovens terem as mesmas oportunidades, nem todos seguem os sonhos da mesma forma, nem todos têm a mesma atitude. Luís Lucas, de 24 anos, um apaixonado pela Física, é investigador no Instituto de Telecomunicações (IT) em Leiria, no campus da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG), do Instituto Politécnico de Leiria (IPL). Está a desenvolver o trabalho da sua tese final de doutoramento em Engenharia Elétrica, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Nos últimos meses tem percorrido um bocadinho do Mundo, conhecendo novas culturas, aumentando a sua experiência e adquirindo conhecimentos. Licenciado em Engenharia Eletrotécnica, no ramo de Eletrónica e Telecomunicações pela ESTG-IPL e mestre em Engenharia Eletrotécnica – Telecomunicações pela mesma instituição, o jovem, natural de Évora de Alcobaça, abraçou a proposta dos seus orientadores e continuou a sua formação académica. “Já que consegui financiamento, não perco nada em fazê-lo. É sem dúvida uma mais-valia”, declara.
 
Defesa de Mestrado
 
“O trabalho de investigação requer que os desenvolvimentos e os bons resultados sejam publicados em artigos de conferência ou de revista, neste momento ainda só consegui publicar artigos em conferência”, relata. Para apresentar alguns deles, a parte da comunidade científica que trabalha em processamento de sinal viajou até Bruxelas, na Bélgica, e até Orlando, nos Estados Unidos da América. Satisfeito, refere que “nas conferências foi interessante ouvir as outras pessoas a comentar o nosso trabalho e assistir e aprender com o trabalho dos outros”. Passou uma semana em Tampere, na Finlândia, numa espécie de escola de verão sobre vídeo 3D para estudantes de doutoramento que trabalham com esses sinais e com a qual enriqueceu bastante os seus conhecimentos.
 
Tampere, Finlândia
 
Durante sete meses esteve em terras brasileiras, uma experiência “única, inesquecível e vantajosa a nível pessoal. A oportunidade de conhecer e aprender com uma cultura diferente alarga os nossos horizontes.”, conta Luís, sorridente e claramente animado com o que vivenciou. “Estive no Rio de Janeiro, no Brasil, a fazer parte letiva do meu doutoramento. Gostei de experienciar a forma de estar daquele povo e, apesar de lá ter o mesmo ritmo que aqui, precisei de alguma adaptação.”.
 
O investigador na floresta da Tijuca
É certo que neste labirinto não foram só as escolhas pessoais que contaram para o caminho percorrido até agora. As oportunidades têm surgido atempadamente. Os mais reticentes e aqueles que se consideram pouco afortunados caracterizariam a situação com uma única palavra: sorte, mas essa é relativa, ao contrário da atitude, que está concretamente definida com a sua marca.
“A ideia de fazer um curso superior só surgiu no final do secundário. Foi uma aposta que fiz. Não vivi propriamente a sonhar com este curso.”, confessa enquanto reflete por momentos sobre o assunto. O gosto traçou o futuro. “A Eletrotécnica é uma área da Física com grande aplicabilidade e com um leque de saídas profissionais superior à própria Física teórica, por isso optei por esta área da engenharia.”, justifica.
 
 Momentos de lazer na Barra de Guaratiba - Praia do Perigoso / Pedra da Tartaruga
 
A dedicação ainda não é comerciável. Muitos têm a paixão mas não a sabem saborear. Só com esforço é que se obtêm os resultados pelos quais se luta, enfrentando obstáculos e percorrendo caminhos que nem sempre são os mais fáceis. “Os resultados atingem-se com trabalho. Gostar dos assuntos pode motivar quando chega a hora de ir trabalhar, mas não é o suficiente. No geral, a minha formação correu bem, tive as mesmas dificuldades que os outros e claro, matérias de que não gostava mas que não deixei de estudar.”.
Modesto em relação à bagagem que foi adquirindo e às capacidades que tem, vê a sua profissão “como qualquer outra área da engenharia. Estar ligado a uma área tão vasta como esta nos dias de hoje significa adquirir e usar o conhecimento no desenvolvimento de engenhos/tecnologias que nos sejam úteis.”, diz, acrescentando entre gargalhadas e deixando a questão no ar, um pouco ao critério de cada um: “ou não”. Ainda assim admite que quando se consegue sentir útil, o que nem sempre acontece num ambiente de investigação pois por vezes os projetos não funcionam ou não se verificam os resultados esperados, se sente muito bem.
A ambição continua e, neste caso, ao mais alto nível. Gosta do que faz “embora ache que existem outras áreas das telecomunicações onde gostaria mais de trabalhar”. Até ao momento, tem consciência de que poderia ter tomado outras decisões, apesar de não saber se seriam melhores ou piores, mas não se arrepende das escolhas feitas. Para além de sentir “vontade de acabar esta fase com sucesso”, quer entrar no mercado de trabalho, como afirma: “Quando olho para trás vejo que ainda estou a desempenhar a mesma função e, embora agora seja um pouco diferente, quero evoluir. A perspetiva é trabalhar. Onde não sei, será onde encontrar emprego”. Com um brilho no olhar confessa que “o ideal seria gerir o meu próprio trabalho”, porém, reticente, diz que “isso é muito improvável”, mas não impossível, pois nada é impossível quando queremos mesmo.

         por: Joana Pestana
*Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Agarrar a Oportunidade

Paula Vicente, de 29 anos é Mestre pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL). Atualmente é a responsável pela área administrativa e financeira da empresa Science4you, oportunidade que agarrou desde 2010 e na qual sente bastante orgulho. 
 
Posts de Pescada: Que empresa é a Science4you e quais são os seus objetivos?
Paula Vicente: A Science4you é uma empresa 100% portuguesa que desenvolve, produz e comercializa brinquedos científicos. Tem também outra área de negócio que são as ações de formação em ciência experimental para termos pessoas que deem as aulas de ciência experimental, que fazem a ponte entre os brinquedos e as escolas, que realizem as festas de aniversário científicas e que dinamizem os campos de férias de ciência.
 
PP: A Science4you nasceu em janeiro de 2008 e desde então tem estado em constante expansão. Como surgiu a oportunidade de trabalhar na empresa?
PV: Comecei a trabalhar na Science4you em janeiro de 2010, tinha saído em dezembro do Instituto Hidrográfico da Marinha Portuguesa e já estava desde setembro a enviar o meu CV. A meio de dezembro chamaram-me para a primeira fase de recrutamento, estava lá tanta gente que fiquei sem esperança. Após uma breve entrevista, onde tive pouca oportunidade de falar e depois de saber que tinham analisado mais de 800 CV pensei que nunca seria escolhida. Continuei a enviar CV e daí a uma semana fui contactada para a segunda fase de recrutamento. Com a esperança a aumentar, passado dois dias fui chamada a fazer com mais quatro raparigas uma dinâmica de reação e capacidade de liderança na qual sobressaí, tive perfeita noção disso. Tivemos de vender individualmente um brinquedo e realizámos mais uma entrevista. Falei mais e fui convicta que era perfeita para o lugar, transmiti confiança e saí orgulhosa. Passados dois dias, o telefone tocou: ““passou à terceira fase do recrutamento!”. Após esta a última etapa, eu fui a escolhida. Chorei perdidamente quando o telefone tocou e o que ouvi do outro lado foi: “ficaste, o lugar é teu!”.
 
PP: A profissão que exerce é um sonho que queria e pelo qual lutou?
PV: Não. Tirei um curso superior porque era preciso. É tão difícil conseguir emprego e sem um curso mais portas se fecham e menos oportunidades surgem. Lutei muito para pagar as propinas e para conseguir terminar o curso de Biologia.
 
(À direita) A Bióloga Paula Vicente na sede da empresa
  Fonte:http://www.facebook.com/Science4you/photos_stream
PP: Tenciona apostar mais na sua formação?
PV: De momento não tenho tempo para seguir com um doutoramento, só com formação complementar.
 
PP: Arrepende-se das decisões que tomou no âmbito profissional até hoje?
PV: Não, sou uma grande sortuda.
 
PP: Como é que descreve o seu trabalho na Science4you?
PV: Neste momento sou responsável por toda a área administrativa e financeira. Desde controlar pagamentos – ordenados, fornecedores nacionais e internacionais –, recebimentos e cobrança de clientes, gestão de pessoal – seguros, presenças diárias, estágios, contratos, férias –, controlo diário de encomendas, ou seja, criar encomendas de cliente e gerir as saídas, gestão de stock em armazém – brinquedos feitos, manuais, conteúdos e caixas - e ainda gestão de correspondência.
 
PP: A imagem que tem passado é de uma equipa muito unida, que luta claramente por um objetivo comum. Como é trabalhar assim?
PV: É um orgulho. Somos uma equipa jovem e muito dinâmica, coesa e muito trabalhadora. Alguns de nós trabalhamos uma média de 10 a 11 horas por dia.
 
PP: A marca já é comercializada em Espanha, em Angola e no Brasil. A exportação para estes países tem aberto mais portas?
PV: Sim. Em Espanha já temos um escritório aberto com quatro pessoas a trabalhar e este ano já vamos faturar 60.000€ só no país vizinho. Os outros países também têm contribuído para um crescimento da Science4you. Este ano abrimos portas também em França onde tivemos dois franceses a trabalhar connosco de julho a outubro e conseguimos vender cerca de 35.000 brinquedos agora para o Natal.
 
Brinquedos científicos
 Fonte: http://www.science4you.pt/brinquedos/pontos-de-venda
PP: As principais parcerias são feitas com a FCUL e com os Museus da Ciência. Qual é o balanço destas escolhas?
PV: A FCUL foi importantíssima para conseguirmos ter a credibilidade necessária no arranque do projeto, pois tínhamos da parte deles uma grande ajuda na validação dos conteúdos. Os Museus são igualmente importantes pois acabamos por conseguir oferecer uma entrada num museu por cada brinquedo comprado. Neste momento ambas as parcerias se mantêm e estão sempre a surgir projetos e ideias novas devido a esta aliança de sucesso.
 
PP: Apesar de ser um projeto com imenso êxito há alguma dificuldade ou preocupação, principalmente tendo em conta a atual conjuntura económica?
PV: Sim, há. De facto as vendas aumentaram, o ano passado faturamos 600.000€ e este ano o objetivo, já com índices apontados válidos, é faturar 1,000.000€. Os pais continuam a ter cinco e dez euros para comprar uns mimos aos seus filhos. No entanto é necessário muita mão-de-obra para se conseguir realizar todas as tarefas que são inerentes ao desenvolvimento diário da Science4you. Isto tem implicações financeiras mensais astronómicas e é muito difícil gerir o dinheiro pois muitas vezes recebemos dos fornecedores com cinco e seis meses de atraso. Esta deve ser a maior dificuldade da Science4you de momento.
 
PP: Quando olha para trás e reflete sobre o seu contributo tendo em conta o reconhecimento feito à empresa, o que sente?
PV: Sinto-me orgulhosa, adoro o que faço. O meu chefe escreveu-me uma carta de recomendação, chorei ao lê-la. Nunca pensei que ele sentisse e achasse aquilo tudo de mim. Sinto que contribuo imenso e se eu não estivesse ali uma das áreas mais importantes da empresa não estaria tão bem controlada.
 
Para saber mais sobre a Scince4you poderá consultar as seguintes páginas: http://www.science4you.pt/
 
 por: Joana Pestana
*Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico