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terça-feira, 7 de outubro de 2014

Abriu-se A Porta em Leiria

Abriu-se A Porta em Leiria


Sara Damásio, uma das principais forças da organização do Festival A Porta, deu-nos a conhecer esta iniciativa que aconteceu no centro da cidade de Leiria, nas zonas históricas mais esquecidas. Criada por Guilherme Garrido e Sara Damásio, “A Porta” aconteceu de 1 a 5 de Outubro e para além de música, juntou ateliers, exposições, jantares, piqueniques e muitas outras actividades.


De entre tantos nomes porquê “A Porta”? Surgiu a partir de que ideia?
O nome foi um dos pormenores que nos deu mais trabalho logo ao início. O grupo organizativo, que era um pouco maior quando começámos, tinha opiniões muito diferentes tivemos que fazer uma lista de palavras que depois foram a votos. Por incrível que pareça no final ficaram três empatados, tivemos que chamar uma pessoa de fora para desempatar. A Porta foi o nome vencedor e acabou por ser aquele que melhor representou o nosso objetivo e visão para este festival.


“A Porta” começou com uma serie de jantares temáticos com convidados musicais em casas particulares, este é um conceito que existia em outras cidades mas nunca tinha sido feito em Leiria, o publico foi recetivo ?

Esta era a parte do programa da qual tínhamos mais receio mas também que nos entusiasmou mais porque era um desafio para nós e para Leiria. Queríamos muito que isto acontecesse, ao início até era para ser uma semana só com esta programação mas tivemos que encurtar os dias. A adesão foi incrível e muita gente teve que ficar de fora por causa do limite de pessoas por casa. No final foi um sucesso, toda a gente adorou, fizeram-se novas amizades e todos transmitiram que querem mais, tivemos muitos oferecer as suas próprias casas para uma próxima edição. Tivemos que prometer pelo menos o dobro para o ano.

O festival não tem um conceito propriamente definido e estanque, foi fácil "vender" este festival aos apoiantes, patrocinadores e ao público em geral?
Essa foi outra das dificuldades ao início conseguir explicar, não tanto aos patrocinadores em geral mas mais às pessoas que estavam ao nosso lado a colaborar, o conceito deste projeto. A ideia era mesmo esta, juntar muita coisa num só evento, ser uma espécie de piquenique gigante, cada um traz uma coisa ou ideia e todos juntos construímos algo para a cidade. A diversidade é a nossa característica mas sem perder o fio à meada. O nossos apoios institucionais e patrocinadores perceberem isso, acho que sempre conseguimos mostrar bem os nossos objetivos e públicos-alvo, duas coisas importantes para este projeto ir para a frente.



Para além do festival mostrar o que leiria tem de melhor, reparei no reencontro de pessoas que não se viam há alguns anos, algo que num fim-de-semana normal não aconteceria, este era um objetivo que A Porta também tinha? Um reencontro de gentes na sua cidade e nos locais que costumavam frequentar?

Acho que essa foi mais uma das consequências deste festival, o que foi ótimo para nós. Objetivo em concreto não era, mas era naturalmente um dos resultados óbvios tendo em conta que muita gente que está fora aproveitou este evento para voltar a Leiria por uns dias. Acabaram por rever pessoas que não viam há muitos anos, passar por zonas pelas quais já não passavam há muito tempo, como a Rua Direita e Parque do Avião, e passar um bom momento em festa e com muita alegria. Foram honestamente dias de muita emoção e felicidade para nós, organização, Leirienses em geral e moradores e lojistas da Rua Direita em particular, que viram aquela zona com a vida que já não viam há décadas.


Está nos vossos planos repetir o Festival A Porta, ou quem sabe expandi-lo e dar a conhecer zonas mais esquecidas a habitantes de outras cidades?
Neste momento é hora de balanço, foi um evento feito em tempo record, dois meses e meio, mais coisa menos coisa, com pouca gente, com muito trabalho, sangue suor e lágrimas. Temos que deixar assentar e perceber o que faremos e como daremos o próximo passo. Acho que todos queremos continuar, o nosso desenho inicial do evento era muito diferente em termos de áreas de ação, talvez na próxima edição consigamos ir a todos os lugares que tínhamos pensado. Para já Leiria ainda é a cidade onde queremos ficar, ainda há muito a fazer por aqui e os laços que criámos com as pessoas da zona histórica de Leiria, por exemplo, ficaram muito fortes e ainda temos muito a fazer por eles.

O que faltou fazer?
Fica sempre muita coisa por fazer e melhor, acho eu, principalmente porque foi muito em muito pouco tempo, queríamos ter chegado a muito mais gente, ter mostrado muito mais da zona histórica, ter tido mais jantares privados… um passo de cada vez, o primeiro já foi dado agora é pensar e planear tudo com mais calma para a próxima edição ser ainda melhor do que esta primeira.



Mariana Reis






Do Desporto para o Mar

Do Desporto para o Mar

Ana Ramos é uma jovem de 24 anos, licenciada em Ciências do Desporto, mas com uma grande paixão pelo mar desde pequena. Também diz sempre ter tido gosto em ajudar as pessoas, daí ter decidido ser Nadadora Salvadora.

Há quanto tempo é Nadadora Salvadora?
Desde o verão de 2012. Para o ano terei de renovar o curso e voltar a fazer os exames teóricos, práticos e teórico-práticos, pois de três em três anos teremos de renovar a licença, e para continuar apta não poderei chumbar em nenhuma das provas.

Porque decidiu trabalhar como Nadadora Salvadora?
Primeiramente porque estou muito ligada ao mar, vivo perto da praia e pensei ser uma forma de aproveitar o verão na praia sendo útil à comunidade. Depois foi uma forma de enriquecer o meu curriculum uma vez que sou licenciada em Ciências do Desporto, e também porque, na minha opinião, é uma profissão muito importante e deve ser levada a cabo por pessoas conscientes que devem ter sempre presente a responsabilidade das vidas humanas. Outra das razões que me motivou a tirar o curso e exercer, foi o facto de cada vez existir mais afluência de pessoas às praias na minha zona (zona centro) fazendo-me sentir útil no que diz respeito à segurança das praias e contribuir para que cada vez sejam mais frequentadas.

Em que praias trabalhou?
Trabalhei em várias praias da zona centro, que pertencem à concessão da Câmara de alcobaça:  S. Pedro de Moel, Pedra do Ouro, Vale Furado… etc

Quais as ocorrências mais frequentes?
Um bom Nadador Salvador (NS) é aquele que previne o acidente e consegue antecipar atitudes de risco evitando males maiores, no entanto existem sempre pessoas que arriscam, e o que acontece mais são crianças em pré-afogamento, porque os pais facilitaram e as deixaram sozinhas a brincar com a água pelo joelho. Esquecendo-se que o mar pode ser imprevisível e mesmo uma onda pequena pode ser suficiente para a criança perder o pé e ficar aflita sem ajuda imediata. Nestes casos é fundamental advertir os pais e apelar à responsabilidade e vigia constante dos seus filhos quando estão na praia. Existem também casos em que as pessoas não conhecem as correntes do mar e se aventuram para zonas onde não conseguem sair sozinhos.
O caso mais grave que tive, foi na praia de S. Pedro de Moel, uma praia com fundos muito rochosos e num dia de bandeira vermelha, quatro crianças estavam a brincar à beira mar, veio uma onda do set (à qual costumamos chamar vassoura) e as quatro crianças foram arrastadas para dentro, todos agarrados uns aos outros, felizmente nessa praia existem quatro postos de praia cada um com dois NS e em trabalho de equipa conseguimos resgatar as crianças sãs e salvas.

Na sua opinião acha que os banhistas têm consciência dos perigos e respeitam as bandeiras e os avisos dos Nadadores Salvadores?
Tendo em conta a minha experiência, penso que as pessoas cada vez têm mais consciência dos perigos e preferem frequentar praias vigiadas, principalmente quando têm crianças. No entanto como em todo lado existem pessoas que fazem questão de ignorar os avisos dos NS e preferem arriscar as próprias vidas e muitas vezes as nossas vidas também.

Em termos das condições de trabalho o que considera que está mal e deveria ser mudado para uma melhor realização do trabalho do Nadador Salvador?
Alguns concessionários não vêm com bons olhos o NS, porque são obrigados pela lei a ter dois NS por cada 100m de praia concessionada. Isto é o início de uma bola de neve de acontecimento que, a meu ver, se podia resolver com a seguinte lei: “Todos os comerciantes que estejam na praia (e não só os que estão nas dunas) e que usufruem dos meses de época balnear (hotéis, restaurantes, etc…) devem contribuir para o salário do NS”; pois todos usufruem se a praia for bem vigiada, faz com que as pessoas voltem em novos verões. Antigamente na minha zona as remunerações rondavam os 1000€, hoje em dia ganhar 700€ é considerado muito bom pela maioria dos NS, pois os concessionários, não se importam de pagar apenas o salário mínimo nacional, que a meu ver não é justo para ninguém muitos menos para uma pessoa que arrisca a própria vida para salvar alguém.
A polícia marítima deveria ser o exemplo a seguir, responsável pelo bom funcionamento das praias e zonas costeiras de todo o país.
Contudo este foi um Ano muito tranquilo nas nossas praias, na pedra do ouro (praia onde trabalhei este ano) não fiz nenhum salvamento, mas os peixes aranhas fizeram das suas mais uma vez… 12 ocorrências em três meses, esta na média.



Daniela Ramos
Jornalismo e Profissão

Hoje em dia, ser jornalista é ter coragem de dizer a verdade num mundo repleto de mentiras. É querer saber mais e transmiti-lo aos outros, é um dar e receber constante. No entanto, ser jornalista também é deparar-se com a enorme barreira que é o desemprego visto que o jornalismo é uma das profissões com menor taxa de empregabilidade em Portugal.


Eduarda Macário, jornalista e sub-diretora do Diário As Beiras, dá-nos a conhecer não só o seu encontro inesperado com o jornalismo como também os prós e contras desta profissão. 

“Como acontece – ou devia acontecer – em todas as profissões, ser jornalista é, acima de tudo, uma paixão. Paixão pela escrita, pelo contacto com as pessoas, pela vontade de formar e informar os cidadãos, pela procura de histórias e pela capacidade de dar voz a quem, normalmente, não a tem. Paixão pela coragem de denunciar o que está mal de forma independente e assertiva.
Estes valores – ou princípios – são comuns aos profissionais e devem nortear a aprendizagem de todos os jovens estudantes nas áreas de jornalismo/comunicação social.
Costumo dizer a brincar que foi o jornalismo que me descobriu e não o contrário. Licenciada em Filosofia, e por isso, professora numa altura em que os cursos de Letras começavam a ter dificuldades de colocação no mercado, em 1987 respondo a um concurso no DIÁRIO DE COIMBRA, o único diário na cidade. E fui das primeiras mulheres a entrar como jornalista naquele jornal. Tive sorte. Descobri a mais bonita profissão do mundo que me realizou ao longo destas quase três dezenas de anos, em que muita coisa mudou. Umas para melhor, com as mulheres a descobrirem e a afirmarem-se cada vez mais numa profissão que os vários poderes aprenderam a respeitar e a temer, até.
Outras, seguindo o percurso vivido em quase todas as áreas de atividade, menos positivas, nomeadamente, o aumento do número de cursos em jornalismo e comunicação social que acabou por criar uma grande oferta no setor para a qual o país não tem capacidade de resposta. O que acabou por contribuir para colocar no mercado mão-de-obra barata (ou gratuita) que as empresas vão usando (ou explorando) segundo as suas necessidades mas sem criarem condições de continuidade, nem perspetivas de futuro.
Mas não só. A luta pelas audiências (nas televisões) e pelas tiragens (nos jornais), com vista à conquista dos anunciantes, foi acentuando graves distorções no tratamento da atualidade e na utilização dos critérios noticiosos. Ver a informação como um serviço que é preciso vender depressa e bem, tem levado ao predomínio não só do sensacional, mas também do curto e simples, do facilmente digerível pelo leitor ou espetador. Felizmente – ou não – estas questões não se colocam de forma tão incisiva nos jornais regionais – cuja realidade eu conheço bem. Uma realidade marcada pela pluralidade e onde todos acabamos por saber fazer um pouco de tudo e escrever sobre todos os assuntos. Uma questão que tem sido discutida por vários investigadores e que reconheço, tem coisas boas e menos boas.
Destes 27 anos de profissão, os primeiros quatro foram vividos no DIÁRIO DE COIMBRA, três anos no semanário AS BEIRAS que, entretanto se transformou em DIÁRIO AS BEIRAS (há 20 anos). Considerando-a uma das profissões mais bonitas e completas, lamento, no entanto, que o presente e o futuro não sejam risonhos, quer para os profissionais, quer para os jovens estudantes. Se por um lado, não aparecem novas empresas no setor que criem resposta para as centenas de jovens que anualmente concluem os seus cursos no ensino Politécnico e Universitário, por outro o desenvolvimento de novas tecnologias, das redes sociais (etc) levou ao aparecimento de outros meios alternativos e abriu as portas ao cidadão comum. É claro que as transformações operadas nos últimos anos nos media e no jornalismo têm como eixo central o fator económico. Mas não podemos esquecer nem desvalorizar a importância da evolução tecnológica.
Casada e com uma bebé de um mês quando entrei na profissão, sem dúvida que as coisas não foram fáceis. A ideia de que um bom jornalista é um pouco boémio, que gosta da noite e que não tem horários não é de todo descabida e nem sempre compreendida por quem nos rodeia. Mas a verdade é que a notícia não tem hora marcada para acontecer e o controlo dos horários não é nada fácil. Não sendo a causa primeira, é claro que também contribui para que haja muitos divórcios nesta profissão. Eu sou um exemplo. O que, ainda tornou as coisas mais complicadas, há 23 anos que sou mãe e pai, jornalista a tempo inteiro e fui subindo alguns degraus dentro da estrutura do DIÁRIO AS BEIRAS. Comecei por ser responsável por uma secção do jornal (Região), passei a sub-chefe de redação, chefe de redação e hoje, sub-diretora.
É claro que, quanto mais se sobe na hierarquia, maior é a responsabilidade e outros desafios nos são colocados, como a capacidade de trabalhar – e até liderar - a equipa.”

Dura Praxis, Sed Praxis

A praxe é dura mas é praxe.
Será a praxe um bicho de sete cabeças? Os alunos de Comunicação Social da Escola Superior de Educação de Coimbra dão-nos o seu testemunho...

CARTAS



 Na era da Internet, será que todos se renderam às novas tecnologias ou será que ainda existem apologistas dos antigos métodos? 
  Será que os tempos mudaram assim tanto?