Páginas

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Serviço público? Sim, por favor.

“Hoje há comunidades que se encontram quase privadas de comunicação social”. Foi esta a frase que deu início à Conferência “Serviço Público de Rádio e Televisão – Por quê? Que Futuro?”, no dia dez de Dezembro, na Casa da Cultura em Coimbra.
O Doutor João Carlos Correia, professor de Ciências de Comunicação, foi o primeiro orador da tarde. Este, resumidamente, relatou os acontecimentos mais relevantes da história do serviço público na rádio e na televisão.
Focando mais a RTP (canal estatal de Portugal), a Doutora Estrela Serrano apontou quais os três pilares do serviço público, sendo estes os apoios, as obrigações e o controlo. “A televisão pública não tem a autonomia, em alguns aspectos, que as televisões privadas têm”, reforça a Presidente do Centro de Investigação Media e Jornalismo. Estrela Serrano salienta que a RTP1 e a RTP2 se completam e que “é na diferença que a televisão pública marca a sua legitimidade.” Para concluir, ainda reforçou a ideia de que “estamos a querer inovar da pior forma. Não há nenhum país na Europa que tenha o serviço público de televisão ligado a um privado”, tendo em conta que o estado português está em negociações para privatizar a RTP.
Continuando nesta ideia de privatização, Alberto Arons de Carvalho, membro da ERC (Entidade Reguladora Para a Comunicação Social), realçou que “Portugal tem dos serviços públicos mais baratos” e que “a lógica de um operador público é completamente diferente e incompatível com a lógica de um operador privado”.
“O serviço público legítimo deve chegar a qualquer plataforma (…) pois só é relevante se for próximo das pessoas”. Esta foi a ideia apoiada pelo professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Sílvio Santos. Este afirma ainda que o serviço público já não é só rádio e televisão, mas sim serviço público dos media, visto que actualmente, os meios digitais conseguem abarcar um maior número de pessoas.
Algumas das ideias que se podem retirar desta conferência são que o serviço público tem de manter equidistante do Estado e do Mercado e que este pode oferecer o que o mercado oferece, desde que seja inovador na forma de divulgar esses produtos.
 
Painel de Oradores
 
 
por: Joana Amado
*Este artigo não está escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

"Agradar a todos é não satisfazer a ninguém"



Por: Ana Beatriz Oliveira e Catarina Parrinha

“Querido Pai Natal…”



“Querido Pai Natal, este ano eu gostava de receber…” ora, era assim que as revistas de brinquedos dos vários hipermercados começavam a carta para as crianças enviarem ao Pai Natal. Quando era pequena, escrevi várias vezes para ele a pedir inúmeros brinquedos e, a verdade é que sempre conseguia um ou outro. Sabia perfeitamente que o Pai Natal não existia e que quem comprava o que eu queria era a minha família, mas aquela coisa de escrever uma carta era sempre algo de engraçado. Era uma miúda com sorte, bastava querer uma coisa e debaixo da árvore lá aparecia ela. Mas a minha mãe sempre me disse que as coisas não eram assim com toda a gente.


Sempre fui uma criança que sabia do que se passava pelo mundo fora. Sabia que fora do “meu mundo” existiam crianças sem brinquedos, sem comida, sem escola e alguns até sem família. Fui habituada a viver os meus natais com crianças órfãs que a minha tia trazia do lar onde trabalhava. Ainda hoje isso acontece. São crianças tímidas mas espantosas. Tiveram de aprender a fazer tudo sozinhas desde muito cedo e nunca tiveram nada do que queriam. A família delas são os lares que as acolhem, são as outras crianças que lá vivem, são os empregados dos lares que fazem tudo para eles terem uma vida minimamente feliz.


Lembro-me de um menino, há uns três ou quatro anos atrás, a quem a minha mãe perguntou o que ele gostava de receber no Natal, e ele apenas respondeu: “queria um cão de peluche mas não tenho dinheiro para o comprar”. Esse menino passou o Natal connosco e demos-lhe o tal “cão de peluche”. Não me lembro de ver uns olhos brilharem tanto como os dele naquela noite. Agarrou-se a nós a chorar e a agradecer. São coisas assim, simples, que deixam as crianças felizes, basta carinho e fazê-los sentirem que têm alguém a cuidar e a olhar por eles.


Nos dias de hoje, principalmente com a crise que tem atingido não só o nosso país como o resto do mundo, há cada vez mais crianças em lares, bebés deixados às portas das pessoas ou encontrados em caixotes do lixo porque os pais não têm condições de os criar. E, é nesta altura, no Natal, que eles mais precisam de alguém, de algo parecido com uma família.


O dinheiro tornou-se num factor de extrema importância para os portugueses. Nas notícias só se houve falar de tragédias, da crise, de coisas tristes. O espírito natalício já não é o mesmo. Para muitas pessoas nem há vontade de fazer uma simples árvore de natal. Não há dinheiro, não há prendas, e se não há prendas não há Natal. Mas porque é que têm as pessoas de pensar assim? Sempre ouvi dizer que o importante no Natal era a família estar toda reunida e não o haver prendas ou não. E se estas crianças pensassem assim? A diferença está ai. Elas não têm uma mãe, um pai, um avô ou uma avó. Elas não se preocupam em receber prendas ou não. Só lhes importa que não estejam sozinhas. E é isso com que nós, portugueses, temos de nos preocupar. Temos de deixar de pensar que não há dinheiro para isto ou para aquilo, porque um dia podemos ser nós a não ter ninguém num outro Natal.


As crianças órfãs ficam felizes com um abraço, com um mimo. Por isso, neste Natal, vamos tornar tudo um pouco diferente, deixar as preocupações de lado, deixar o problema do dinheiro de lado e viver o Natal no seu verdadeiro significado, com as nossas famílias.


Querido Pai Natal, que este Natal seja diferente de todos os outros!

por: Vânia Santos


*Este artigo não está de acordo com o novo Acordo Ortográfico

 

Dá-nos 5 minutos e nós damos-te 1 vida



“A nível nacional, morrem todos os anos 40 a 100 jovens por causada morte súbita cardíaca.”
Fonte: http://5minutos1vida.com/
 As doenças cardíacas são a quinta causa de morte em Portugal, nos jovens, entre os 18 e 35 anos, sendo a morte súbita cardíaca a responsável pela sua maioria. O projecto “-nos cinco minutos e nós damos-te uma vida” surgiu com o intuito de precaver e alertar para uma das causas de morte mais proeminentes nos jovens da nossa população.  O cardiologista e coordenador do projecto, Dr. Rui Providência, realçou a importância do rastreio, que pode fazer toda a diferença!

Posts de Pescada – Como é realizado o rastreio? Quais os procedimentos seguintes depois da verificação de alguma anomalia no coração?
 Dr. Rui Providência  - O princípio do rastreio é detectar um grupo restrito de jovens que possa ter doenças cardíacas que o coloque em risco. Como todos os rastreios globais baseia-se em exames rápidos, mas eficazes para fazer essa separação. Um resultado negativo pode deixar os jovens relativamente descansados. Um resultado positivo só por si não define a presença de uma destas doenças, mas coloca a necessidade de realização de mais alguns exames a confirmar.
O rastreio baseia-se num questionário, de forma a avaliar a presença de sintomas e história familiar que possam indiciar algum risco, e no Electrocardiograma, que pode mostrar a presença de doença estrutural ou eléctrica.

P.P. O que é a morte súbita cardíaca?
Dr. R.P. -  A definição utilizada internacionalmente é a seguinte: “A morte súbita cardíaca é a morte inesperada de causa cardíaca em que o intervalo que decorre desde o início dos sintomas até ao evento fatal é inferior a uma hora.”

P.P. – Quais são os sintomas mais frequentes desta patologia?
Dr. R.P. - Frequentemente (em mais de metade dos casos) podem existir sintomas prévios. Porém, temos duas dificuldades: por vezes esses sintomas também são frequentes em jovens que não têm doenças cardíacas, e por isso não têm risco. Por outro lado, cerca de 1/3 dos casos podem ter um evento trágico sem ter sintomas prévios.
Como se pode então resolver esta questão? Acoplando a realização de um Electrocardiograma. Assim, se uma pessoa tiver sintomas ou alguns factos que por vezes nos preocupam (história familiar de morte súbita num familiar directo antes dos 50 anos, ou um episódio de síncope, nomeadamente se acontecer em esforço, ou episódios de palpitações rápidas/sensação de coração acelerado em repouso) em associação a alterações do Electrocardiograma, podemos classificá-los como indivíduos em risco. Por outro lado, mesmo que não tenham sintomas sugestivos, a presença de certos padrões do Electrocardiograma serve, só por si, para detectar risco elevado.

P.P.A miocardiopatia hipertrófica ocorre com mais frequência nos jovens. Porém existem outras doenças cardíacas, quais?
Dr. R.P. -  O síndrome de Wolff-Parkinson-White é bastante frequente (1 em cada 300 jovens). Depois temos a miocardiopatia hipertrófica (1 em cada 500) e outras doenças mais raras, mas que já tivemos a oportunidade de detectar ao longo destes meses: a não compactação  do ventrículo esquerdo, o Síndrome de QT Longo, o Síndrome de Brugada, a displasia arritmogénica do ventrículo direito, etc.

P.P. – Estamos na Era das novas tecnologias. A ciência faz todos os dias novas descobertas. Actualmente, quais são os novos tratamentos possíveis para ajudar a prevenir a morte súbita cardíaca?
Dr. R.P. -  Dependendo das doenças em questão temos diferentes tratamentos. Se falamos de um síndrome de Wolff-Parkinson-White o tratamento é a ablação percutânea por radiofrequência. De uma forma bastante simplista, trata-se de um método invasivo em que são realizadas picadas na “virilha” para a introdução de sondas que viajam até ao interior do coração. Aí, detectam um “fio eléctrico” que se encontra em excesso e é responsável por uma espécie de “curto-circuito” que pode levar à ocorrências de arritmias graves. Depois de detectado, pode ser realizada a ablação por radiofrequência. De uma forma simples, podemos dizer que esse “fio é queimado”.
Em doenças como o Síndrome de QT longo e não compactação do ventrículo esquerdo, o diagnóstico pode servir para começar medicação para proteger o doente.
O cardioversor desfibrilhador implantável é uma opção nos casos de doença (não compactação  do ventrículo esquerdo, Síndrome de QT Longo, Síndrome de Brugada, a displasia arritmogénica do ventrículo direito) associados a outras alterações de risco nos exames. Este pequeno dispositivo é um computador altamente especializado que é colocado debaixo da pele e detecta a informação sobre tudo o que se passa em termos eléctricos a nível do coração, através de sondas que o ligam directamente ao músculo cardíaco. Na presença de uma arritmia potencialmente fatal ele entrega muito rapidamente o tratamento eficaz.

P.P. – O desporto de alta competição aumenta o risco de morte súbita cardíaca (para duas vezes mais). O projecto teve com base o exemplo italiano realizado em desportistas, porquê?
Dr. R.P. -  A Itália é o exemplo a nível Mundial do sistema mais evoluído na triagem de atletas. Este sistema encontra-se devidamente legislado, existindo Centros especializados a nível Regional que avaliam todos os atletas de alta competição e olímpicos de forma protocolada. Desta forma, conseguiu-se diminuir o número de óbitos em 90% nos últimos 20 anos.

P.P. - Um indivíduo que tenha nascido sem qualquer anomalia aparente pode desenvolver uma patologia cardíaca?
Dr. R.P. -  Muitas vezes, as pessoas já nascem com uma alteração genética mas que só se manifesta mais tarde. Por exemplo, a miocardiopatia hipertrófica pode, por vezes, só se manifestar depois dos 40 anos. Em casos extremos, mas raros, mesmo as pessoas que não têm alterações, se tiverem uma infecção viral e desenvolverem uma miocardite (inflamação do músculo cardíaco) podem ficar em risco. Dessa forma, é muito importante a realização periódica do Electrocardiograma.

P.P. - O cidadão comum pode intervir de alguma maneira para ajudar uma pessoa que está em morte súbita?
Dr. R.P. Existem coisas simples que todos nós podemos fazer.
Se não detectarmos pulso ou respiração na pessoa em questão devemos chamar imediatamente o 112.
A realização de suporte básico de vida (massagem cardíaca e suporte de ventilação) pode fazer toda a diferença. Qual o fundamento para isto? Trata-se de numa situação de paragem cardíaca tentar manter de forma artificial (compressão externa) a função de bomba cardíaca e a oxigenação (ou por respiração boca a boca, ou com máscara ou outros dispositivos).
Cada vez mais vão surgindo formações para leigos sobre este assunto. No nosso País ainda vão escasseando, mas tenho doentes que só sobreviveram a episódios de morte súbita cardíaca abortada porque algum familiar ou amigo os manteve em massagem cardíaca enquanto o INEM/VMER não chegava.

P.P. O projecto iniciou-se em Fevereiro de 2012, com o objectivo de incluir o maior número de jovens possíveis (cerca de 20.000). Qual é o balanço que faz desde o início até agora?
Dr. R.P. Atingimos os 11.000 participantes muito recentemente. Julgo que iremos ficar perto dos 15.000 no final. Trata-se do maior rastreio do género (jovens não desportistas e desportistas) realizado a nível Mundial (dado que todos os outros estudos se focam em desportistas apenas).
Detectamos vários casos de doenças cardíacas de risco em jovens que não faziam a mínima ideia de que teriam qualquer tipo de problema. Trata-se de facto de uma minoria de 30 participantes, mas que possuíam um risco de morte súbita que variava entre 10% e 50% nos próximos 10 anos. Desta forma, sabemos que conseguiremos alterar positivamente a vida destas pessoas e esperamos sensibilizar os organismos competentes para tal, a nível nacional e internacional, para que esta prática se generalize. A nível nacional, morrem todos os anos 40 a 100 jovens por causa da morte súbita cardíaca. Diminuir este números em 90% faria toda a diferença para muitas vidas e famílias.

Para mais informações consulte: http://5minutos1vida.com/ 

por: Márcia Alves

*Este artigo não está de acordo com o novo Acordo Ortográfico

Beco com saida - Art Shoes



por: Diogo Sousa