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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Isso não é verdade!

É pena que não haja por aí um Dr. Lightman a resolver os casos mais controversos e a decidir o futuro da nação através da leitura de um rosto. Ou pelo menos a fazer com que a verdade venha ao de cima em situações banais, como um mero discurso político. 


Eleições norte-americanas, discursos de políticos portugueses mediáticos, episódios da série Lie to Me. O que poderão ter estes três factores em comum? Desde já, e para minha grande infelicidade, apenas um me dá vontade de ficar colado ao ecrã. Mas não é aí que pretendo chegar. Em todos eles há sempre alguém que dá a cara ao manifesto e que se tenta safar com o que vai dizendo. Porém, ao contrário da série televisiva onde a verdade vem ao de cima e os “maus da fita” têm o que merecem, poucos são os especialistas que conseguem detectar uma mentira, quer por microexpressões evidenciadas, quer por qualquer tipo de comportamento adoptado durante uma conversa. Na realidade, são mais os casos em que os “maus da fita” saem impunes e a verdade fica por apurar.

No outro dia, resolvi observar um dos debates entre Obama e Romney, assumindo o papel de Dr. Lightman, o tal expert da série Lie To Me. Pelo meio lá fui reparando na expressão de felicidade patente nas maçãs do rosto de um apoiante de Obama ou no desprezo contido nos lábios de duas pessoas que muito provavelmente irão votar em Romney. Nada mau para quem experimenta estudar as microexpressões faciais pela primeira vez. No entanto, uma coisa é jogar no nível simples, como era o caso, outra é jogar no mais avançado. E desengane-se quem pensa que isto é pêra doce. Ou aqueles dois homens têm muitos anos de experiência a dissimular as suas emoções, ou simplesmente não tenho jeito nenhum para isto. Mas eu quero acreditar que a culpa residiu na qualidade das câmaras e no trabalho dos cameramen.

Findado o debate norte-americano resolvi colocar as minhas recentes aptidões novamente à prova. Desta vez em solo português, que à partida imaginei ser dos mais férteis relativamente a estas matérias. Um dos nomes que me veio logo à cabeça foi o do político que os portugueses mais gostam de ouvir no que toca ao aparecimento de novas medidas de austeridade. Aquele cujo tom monocórdico embala a alma dos portugueses e ao mesmo tempo os desperta para a dura realidade. Aquele que tem a amabilidade de felicitar deputados pelo seu aniversário durante audições no Parlamento, exibindo um sorriso falso, denunciado pela expressão do olhar. O que me leva a criticar o senhor Vítor Gaspar pela primeira vez neste parágrafo. Se fosse para dar os parabéns a alguém, podia muito bem ter esperado pelo fim da audição... 

É pena que não haja por aí um Dr. Lightman a resolver os casos mais controversos e a decidir o futuro da nação através da leitura de um rosto. Ou pelo menos a fazer com que a verdade venha ao de cima em situações banais, como um mero discurso político. Tal como eu tentei - e temporariamente “suspendi funções” -, pode ser que muitos outros também o façam e possivelmente se dêem melhor. Até isso acontecer, lá vão sendo eleitos aqueles que mais verdades escondem através de uma simples expressão que acaba por se perder no tempo. 

por: Diogo Carvalho

O artigo não está escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

A verdade da mentira

“Agora não posso, estou ocupada!” Esta, é uma mentira muito frequente entre as pessoas, mas são as chamadas mentiras piedosas, mentiras usadas esporadicamente para resolver ou sair de uma determinada situação. Conviver com este tipo de mentiras é fácil, faz parte de uma sociedade onde crescemos e temos que adaptar, difícil é, conviver com mentirosos compulsivos, considerados doentes mentais que vivem num mundo à parte onde as próprias mentiras são a base e o suporte da vida. Um mentiroso compulsivo diz tão convictamente a sua mentira que acaba por acreditar piamente no que diz, o seu mundo é transportado para uma bola, no sentido figurativo, onde a realidade se baseia em mentiras. A mitomania é uma patologia diagnosticada em mentirosos obsessivo-compulsivos, é uma mentira voluntária e consciente, necessária para que a aceitação na sociedade seja total e na maioria das vezes superior à de todos os outros. Um mentiroso compulsivo é alguém com baixa autoestima e por isso com grande necessidade de se mostrar superior em relação ao que o rodeia, muitas vezes parte da educação dada durante o crescimento, por maus momentos vividos na infância onde a única saída era alterar factos de maneira a que o fizesse feliz e então, acreditar. O discurso de um mitomaníaco não é um discurso para prejudicar ninguém, é na maioria das vezes um discurso para se sentir feliz e por isso a tentativa de acreditar tão intensamente no que diz. A pseudolalia é outro termo científico usado para descrever um mentiroso, agora de uma maneira mais exagerada, a pseudolalia diz que este doente não mente só para se sentir feliz, mente da mesma maneira que faz tudo o resto (comer, vestir, etc.), afirma algo e segundos depois nega o que disse, deixando quem os rodeia estupefactos com tal atitude. Todos estes nomes teóricos definem esta doença, o que ninguém consegue imaginar é o quanto se sofre ao lidar diariamente com alguém assim, alguém que no fundo nos faz feliz mas que tem um grave problema. Esta é uma das patologias psiquiátricas mais difíceis de lidar para quem rodeia um mentiroso compulsivo, o facto de saber que é uma doença e ao mesmo tempo a falta de confiança gerada por tantas mentiras. O assumir da doença é algo muito importante, normalmente estes doentes não aceitam o seu estado e quando aceitam não conseguem mudá-lo. O que estas pessoas não pensam é como deixam quem os rodeia e quem os tenta apoiar, arrisco a dizer que para além de mentirosos são também egoístas, o mundo é só deles, só eles sofrem, só eles têm sentimentos, só eles têm problemas, tudo o resto não interessa, só não estão bem quando há frontalidade, são pessoas fracas de personalidade e por isso não conseguem ser frontais e contêm-se quando se deparam com situações em que a frontalidade é necessária. Feliz ou infelizmente, por experiência própria quase que posso garantir que a mentira é a verdade na vida de alguém assim, e o que mais revolta é o facto de muitos não assumir e conseguirem viver a vida desta maneira. 



por: Patrícia da Costa 


O artigo está escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico