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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Vox Pop - As Repúblicas de Coimbra


Elas são 25 em Coimbra, são emblemáticas para a cidade, fazem parte do Património Mundial da UNESCO. No entanto, num futuro muito próximo, podem vir a desaparecer. Sabem do que estamos a falar? E eles, será que sabem? Vamos conferir!
As Repúblicas são quase tão antigas quanto a própria Universidade. Foram fundadas por D. Dinis, que defendia que estudantes e docentes da UC teriam de se concentrar totalmente na academia, e não em problemas como habitação e alimentação. Mas só durante as Guerras Liberais é que as Repúblicas ganham a forma que têm hoje, de auto-gestão e absoluta independência da Universidade e outros poderes institucionais. Apesar do grande peso na tradição académica da cidade, há uma imagem sobre as Repúblicas que não corresponde necessariamente à realidade. É o que tentamos descobrir com este vox pop.




Tiago Rocha, psicólogo na ARCA (Associação Recreativa de Coimbra Artística), é um antigo membro da “República da Praça.” Tendo em conta esta sua experiência, Tiago Rocha respondeu a algumas das nossas perguntas de forma a percebermos o que, afinal, é uma república.

O que é uma república?
Tiago Rocha: De um modo geral, uma República pode ser caracterizada por ser uma casa de estudantes universitários que, de uma forma autónoma, gerem o espaço onde vivem segundo regras e tradições que foram passando de geração em geração. São também características das Repúblicas, a promoção de valores de igualdade e solidariedade e a defesa de valores universais onde a luta por causas sociais, estudantis e não só, é uma constante. 

Como é que funciona uma república?
T. R.: A diversidade e heterogeneidade das Repúblicas é tanta, que não é possível responder de forma objetiva a essa pergunta. Cada República tem uma forma muito própria de funcionar. No entanto, há algumas características comuns a algumas Repúblicas, nomeadamente, todas as decisões serem tomadas por todos os residentes da casa; a existência de refeições – almoço e jantar – confecionadas pelos próprios ou por uma cozinheira; a existência de comensais – pessoas que não residem na República mas partilham das refeições e participam no funcionamento normal da casa – e a delegação de tarefas pelos residentes e comensais de forma a garantir o bom funcionamento da República.   

E a vossa, mais especificamente?
T. R.: A República da Praça é constituída por residentes e comensais que de um modo geral partilham a casa de forma igualitária, comungando das regalias e tarefas previamente instituídas. Esta República, como outras, possui refeições (almoço e jantar) que são confecionadas por uma cozinheira contratada para o efeito e é organizada em diversos grupos de trabalho que são responsáveis pela realização de diversas tarefas tais como: limpeza do lixo, reciclagem, elaboração de uma ementa, compra de alimentos necessários às refeições, marcações e desmarcações de refeições, etc. No que concerne a decisões respeitantes à República, estas são realizadas em “Reunião de casa” previamente convocada para o efeito e são tomadas por maioria dos membros residentes.

Como é que uma pessoa pode fazer para ser membro de uma República?
T. R.: Como já referi anteriormente, dependerá sempre das regras internas de cada casa. No que diz respeito à Republica da Praça, são essenciais 3 características para se ser membro: gosto pela “causa Republica”, interesse e empenho nas tarefas essenciais ao bom funcionamento da República e a partilha dos valores por quais se rege a República da Praça. A passagem a membro de casa, comensal ou residente é sempre feita através de um processo informal no qual os residentes verificando os pressupostos atrás mencionados, convidam a pessoa para comensal numa primeira fase e residente numa última. A diferença essencial entre um residente e um comensal é que o último não tem um quarto na República. 

E para, somente, conhecer uma república?
T. R.: Basta aparecer na República que se quer conhecer.

Como referimos anteriormente, o futuro das repúblicas está em risco. A lei do arrendamento pode significar que muitas deixem de existir. Podes explicar-nos porquê?
T. R.: A lei do arrendamento pode por em causa a existência das Repúblicas no sentido em que permitirá, numa primeira fase um aumento de renda brutal por parte dos senhorios, muitos desses aumentos dificilmente comportáveis por parte dos Repúblicos e, numa segunda fase (após 7 anos da entrada em vigor da nova lei), a simples rescisão dos contratos com as Repúblicas, o que levará em muitos casos à sua “extinção”.

A “República da Praça” recusou o contrato de atualização de rendas proposto pelo senhorio e foi alvo de uma ação de despejo pelo mesmo. Significa que esta república, a tua antiga casa, tenha de fechar? Que podem fazer para a salvar? Que estão vocês a fazer nesse sentido?
T. R.: Sim e não. Em primeiro lugar, estou confiante que, nesta questão em particular, a justiça será mais forte que a tirania e dará razão à República da Praça na alegação de ser inconstitucional o pedido de despejo pelo senhorio. Em todo o caso, no limite, mesmo que isso viesse a acontecer – um despejo – a República da Praça não deixaria de existir: mais do que as paredes são as muitas pessoas (atuais e antigos) que dão corpo a um projeto antigo e de valores muito sólido e que constituem a República. Em último caso, se fossemos obrigados a sair daquela casa, teríamos de encontrar uma solução que provavelmente passaria por sediar a República noutro lugar. A República da Praça tem sido muito ativa no sentido de salvaguardar as Republicas em geral e a sua em particular; nesse sentido tem desenvolvido vários contactos com a Reitoria da Universidade, Câmara Municipal, pessoas de uma forma ou de outra ligadas às Repúblicas, no sentido de se encontrar uma solução que salvaguarde este património, quer através de alteração à nova lei do arrendamento quer através da introdução de um mecanismo de exceção a esta lei que proteja as Repúblicas. De salientar aqui, o trabalho incansável quer dos atuais Repúblicos da Praça, na defesa da nossa casa, quer do advogado Dr. Aníbal Moreira que nos tem representado judicialmente ao longo de vários anos a titulo pró-bono.


Por Bruna Becegatto, Bruna Dias, Daniela Bulário, Vanessa Ferreira, Zita Moura.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

“É um mundo muito competitivo. Temos de ser fortes. Não podemos desistir."


      Ana Pombo, ex-aluna da Escola Superior de Educação de Coimbra, e estagiária da RTP no Porto, fala sobre o seu percurso académico e profissional, sem esquecer as adversidades que sentiu durante estes anos.


Ana Pombo

Qual o seu percurso académico até agora?
Antes de mais um percurso académico caracterizado de um enorme empenho, curiosidade e exigência. Quando terminei o ensino secundário na área de Línguas e Humanidades, não tinha dúvidas: era jornalismo que eu queria. Era comunicar e contar histórias. Já desde muito cedo que me lembro de ter alguns sinais reveladores de jornalismo. Escrevia notícias em casa e afixava no frigorifico...e queria sempre como prendas livros, rádios, cassetes e até microfones. Fui então tirar comunicação social na Escola Superior de Educação de Coimbra. Comecei a licenciatura sempre muito exigente com o trabalho que ia desempenhando. Inseri-me em muitas formações extracurriculares e fiz muito voluntariado. A minha primeira experiência pré-profissional decorreu nos meses de verão no jornal regional O Ribatejo. Se inicialmente tinha entrado no curso com a ideia de que só gostava de televisão, então aí tive a prova viva de que adorava imprensa. Escrever e desenvolver assuntos era muito recompensante. Aprendi muito com aquela pequena equipa de jornalistas, de quem ainda hoje guardo todos os ensinamentos. Quanto tive de decidir onde estagiar no final da licenciatura optei então por imprensa e estagiei durante três meses no Diário de Notícias, em Lisboa. Aprendi muito. Testei os meus limites e coloquei em prática o que tinha até então aprendido na faculdade. Aprendi a elaborar uma notícia de imprensa com o rigor e a pressão que são exigidos. Além de que foi a minha primeira entrada numa empresa a nível nacional, onde os níveis de exigência são muito superiores a uma empresa regional. No final do estágio já me tinha sido dito que nenhum estagiário teria hipótese de ficar na empresa, então regressei a Coimbra para melhorar a minha formação. Matriculei-me na Faculdade de Letras no Mestrado de Comunicação e Jornalismo. Além de que aproveitei para melhorar idiomas como inglês, alemão e espanhol nos cursos livres da FLUC. No segundo ano de mestrado resolvi apostar noutro estágio. E queria em televisão. E foi com grande entusiasmo que recebi a notícia que tinha conseguido um estágio na RTP do Porto. Já vou a meio do estágio e está a ser uma aprendizagem enorme. Sempre me imaginei a estagiar na RTP, desde o início. E é como um pequeno sonho tornado realidade. É um mundo enorme e que me desperta muita curiosidade. O fato de escrever para a imagem é fascinante. Além de que televisão é trabalho em equipa e isso entusiasma-me mais. Tenho aprendido muito. Aprendido com excelentes profissionais que me ensinam todos os dias, aquilo que não está nos livros.

Como foi o tratamento dos outros colegas durante o estágio? Acha que há discriminação para com os estagiários?
Não é uma questão de discriminação. É uma questão de ver até que ponto somos empenhados e aguentamos a pressão como jornalistas. Primeiro colocam-nos à prova para ver se somos pró-activos e responsáveis o suficiente para confiarem em nós. Depois um estagiário é sempre um corpo estranho numa redacção. Ninguém nos conhece. Ainda ninguém sabe do que somos capazes de fazer e se nos podem dar trabalho de responsabilidade. Como em todas as empresas, há jornalistas que ensinam por gosto e outros que têm menos tempo. Têm prazos de trabalho a cumprir. Muitas vezes é isso que um estagiário empenhado pode sentir...não receber muito feedback inicial...por também não existir muito tempo por parte dos profissionais. Mas muitos querem ensinar quando nos mostramos curiosos e dinâmicos. E quando acreditam em nós, mais trabalho nos dão e aí aumenta a responsabilidade. É uma enorme concretização quando vemos o nosso nome assinado numa notícia num jornal nacional. E é uma concretização enorme aprender com profissionais que nunca pensámos vir a ter contacto. Temos de ser persistentes. Nunca deixar que a desmotivação seja mais forte. É acreditar que, algum dia, todo o nosso trabalho vai ser valorizado. Que alguém olha para nós e vê que podemos fazer a diferença. Mas é preciso, mais do que tudo, ser muito humilde.

Acha que somente o curso é uma base sólida para a carreira jornalística?
O curso é apenas uma introdução a uma futura carreira em jornalismo. Cada vez a forma de entrar no meio se gere por contactos e experiência prática. O curso só nos dá algumas bases. Ensina-nos teoria que, às vezes a nível prático, não será bem assim. É apenas um pilar. Quem quer ser jornalista tem de se interessar pelo mundo, pela sociedade. Tem de gostar de muito mais do que o curso...tem de gostar de trabalhar em equipa...inserir-se noutros projectos e associações que melhorem a sua forma de estar e a comunicação. É muito importante também aprender idiomas além do inglês. É algo muito valorizado para quem quer ser jornalista. É importante sermos curiosos...tirar outras formações, noutras áreas. Porque no jornalismo temos de saber de tudo um pouco. Às vezes pode existir a sorte de estarmos no local certa à hora certa e após o curso conseguirmos logo emprego. Só que na minha opinião ser jornalista é muito mais do que saber falar com as pessoas, saber escrever e condensar informação. É ser criativo. E ser criativo exige tempo. Exige trabalho. Exige curiosidade pelos outros. Um jornalista deve acima de tudo, fomentar laços profissionais e desenvolver muito as relações interpessoais e uma visão abrangente sobre o mundo.

Como é a oferta de emprego na área do jornalismo?
A oferta de emprego na área de jornalismo é escassa. São raros os anúncios de trabalho jornalístico remunerado. O conselho que eu dou é fomentar contactos. Não só no jornalismo, mas também noutras áreas. São os contactos que nos podem dar dicas, que nos podem fazer pular de um meio para o outro. Eu acredito que quem tem paixão por aquilo que faz, tenta fazer a diferença e é empenhado, as oportunidades vão surgir. Foi como já referi: não se pode desistir, por mais que seja difícil. É cada vez mais difícil. Mas temos de acreditar. E se for para isso que temos vocação e queremos mesmo, um dia um lugar surge. Pode ser mais tarde do que queríamos. Mas surge.

Está satisfeita com o seu percurso?
Estou satisfeita com o meu percurso, porque consegui aprender muito até agora. Já ganhei algum estofo, não só nos estágios, mas também em tudo onde estive inserida. Até o fato de ter estudado numa cidade estudantil como Coimbra, me deu estofo para enfrentar o futuro. Aprendemos muito em Coimbra, principalmente se estivermos longe da família. Tive sempre coragem para saltar fora da zona de conforto. Agora estou ainda mais longe. Estou no Porto. E isso dá-me estofo, porque tenho de lidar sozinha com as frustrações que possam surgir. Não tenho a pancadinha da família no ombro, quando algum dia é menos bom. Cresci muito desde que comecei esta maratona em jornalismo. É um percurso duro. Exige persistência. Exige força. Exige paixão. Sinto que dou o meu melhor todos os dias. Sei que quero aprender mais e mais. Que sou curiosa e não consigo estar parada. E sei que isso me pode dar frutos. Acima de tudo, tento ao máximo nunca deixar de ser humilde. A humildade é a melhor característica que podemos demonstrar, sem deixar que nos pisem por isso mesmo. É um mundo muito competitivo. Temos de ser fortes. Não podemos desistir.

Cátia Lourenço

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Coimbra vista de dentro

Coimbra é conhecida historicamente por ser a universidade mais antiga de todo o país e a terceira mais antiga da Europa. Fundada em 1920 é também conhecida como a «cidade dos estudantes». Todos os anos milhares de jovens se mudam para Coimbra para poderem ingressar na Universidade, no entanto existem também muitos estudantes conimbricenses que frequentam esta instituição. Desta forma, esta entrevista destina-se a dar a conhecer melhor a visão de alguém que nasceu e vive em Coimbra em relação a toda vida académica antes e depois de entrar para o ensino superior. O testemunho é dado por Rafael Garcia, um jovem de 19 anos habitante de Coimbra, que frequenta o segundo ano no curso de Matemática na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).


Como é que encaravas a vida académica de Coimbra mesmo antes de seres estudante universitário?
- Sempre considerei como algo característico e tradicional da cidade, Coimbra é essencialmente conhecida pela Universidade e pela vida académica. Acho caricato ver turistas a fotografar os estudantes trajados ou até mesmo os caloiros. É interessante ver que uma situação que para mim é tão normal, para outras possa ser algo completamente novo e desconhecido. Mas ainda bem que isto acontece, pois é uma forma de promover o turismo e a cultura da minha cidade.



O que é que mudou na tua vida a partir do momento em que começaste a estudar na Universidade?
- Em primeiro lugar, foi bastante enriquecedor a nível pessoal, pois como estudante passei a ter mais noções de trabalho e passei a ser mais responsável. Em termos de vida académica, comecei a perceber melhor a importância e o peso que esta tem na vida dos estudantes em geral. Antes sentia-me como um mero «espectador». Como por exemplo, eu gostava de assistir aos cortejos mas de certa forma não conseguia sentir a sua verdadeira essência, para mim era simplesmente mais uma festa dos estudantes. Hoje, olho para um cortejo como um dos dias mais importantes de todo o meu ano, e tem muito mais valor.




Frequentaste as praxes de curso no teu ano de caloiro?
- Sim.

Como vias as praxes antes de seres um aluno universitário e como é que as vês agora?
- Para ser sincero, enquanto aluno de secundário assisti a várias praxes e não gostei muito, pareciam ser demasiado violentas. Quando entrei para a universidade, tive sérias dúvidas se iria frequentar as praxes ou não. No entanto, em poucos dias a minha opinião mudou drasticamente, percebi que a praxe era bastante engraçada e tinha como principal objetivo integrar os novos alunos. A praxe é composta por uma hierarquia, como tal os caloiros obedecem aos doutores mais velhos. Gostei bastante de ser caloiro, aliás tenho imensas saudades, no entanto, também gosto de estar na posição de doutor. É bom sentir-me responsável por alguém e poder acompanhar o seu percurso académico.



Vês Coimbra de uma melhor forma agora ou da mesma forma que vias antes de seres estudante universitário?
- Sem dúvida agora! Não só pelas pessoas que conheci mas por tudo que já vivi enquanto estudante.



Fala-se muito do peso da tradição desta cidade na vida de um estudante. Tinhas consciência disso?
- De certa forma sim. Acredito que para as pessoas que são de fora seja ainda mais especial o que vivem cá.


Para ti a Festa das Latas e a Queima das Fitas não são novidade. Antes já frequentavas estes eventos?
- A Festa das Latas não, costumava apenas ir à Queima das Fitas, porque sempre preferi ir apenas quando fosse universitário. Mas neste momento tanto uma como outra têm muito mais significado, antes eram simples festas.



Se tivesses a oportunidade de ir estudar para outro lugar aceitavas?
- Neste momento acho que não. Apesar de pensar bastante como seria a experiência de estudar e viver noutra cidade. Mas, por outro lado, penso que desta forma consigo tirar o melhor dos dois mundos, porque posso estar em casa com a minha família ao mesmo tempo que vivo e aproveito a minha vida académica e que conheço pessoas de todas as zonas do país.



O que é que sentes por seres da cidade com a Universidade mais antiga e com mais vida académica de todo o país?
- De certa forma não sinto nada de novo, porque já nasci com essa noção. Penso que os estudantes que não são de cá expressam-se mais em relação à tradição e cultura porque é algo que até aí era desconhecido para eles, é uma experiência nova e diferente. Mas como é lógico sinto-me bastante orgulhoso por ser de Coimbra.




Ana Manaia - 2013131

sexta-feira, 31 de maio de 2013

A Histórica Coimbra

     A cidade de Coimbra teve a sua carta foral oficial a 1111, por D. Henrique. A partir desta data, muitos edifícios foram construídos, tornando-se monumentos históricos para a cidade.
    
     Na margem direita do Rio Mondego, encontramos vários locais emblemáticos da cidade. A baixa da cidade é um dos locais de maior atracção com o seu comércio tradicional. Ainda nesta zona, a Igreja de Santa Cruz é um local a ser visitado por todos. A alta da cidade também apresenta vários locais de interesse, desde o Arco da Almedina até a Sé Velha. Por fim, encontramos a Universidade de Coimbra, o símbolo maior da cidade.

     
     Quando nos deslocamos para a outra margem do Rio Mondego, atravessando uma das três pontes possíveis, encontramos um conjunto de monumentos igualmente históricos para a cidade.Situados em Santa Clara, os espaços com maior destaque são, entre vários, a Quinta das Lágrimas, o Mosteiro de Santa Clara-a-velha e o Convento de Santa Clara-a-Nova.

Por João Pedro Rodrigues

Da Baixa até à Alta



Por João Pedro Rodrigues

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Infografia - Datas importantes para a história de Coimbra



Por João Pedro Rodrigues

Universidade de Coimbra

   A universidade de Coimbra foi fundada pelo rei D. Dinis a 1290 em Lisboa mas só anos depois, em 1537 é que esta foi transferida para a cidade de Coimbra, para os edifícios do Paço Real Medieval. 
  Dentro deste espaço podemos encontrar vários locais de destaque, como a Torre da Universidade, a sala dos capelos das armas e do exame privado, a capela de S. Miguel e a biblioteca joanina.
   Ainda dentro do paço das escolas, encontramos a via latina e a porta férrea, símbolos igualmente históricos da universidade.

    Tendo milhares de visitantes por ano, é um dos locais mais reconhecidos da cidade. 


Por João Pedro Rodrigues

terça-feira, 30 de abril de 2013

O lado histórico de uma Coimbra estudantil


         A cidade de Coimbra, localizada na zona centro de Portugal, é considerada a terceira principal cidade do país. Tendo obtido oficialmente a sua carta foral a 26 de Maio de 1111, por D. Henrique, a sua história está muitas vezes ligada a grandes marcos históricos de Portugal. Com o passar dos anos, Coimbra foi crescendo, mas perdeu muita visibilidade com o desenvolvimento em força de Lisboa e do Porto. Actualmente, é vista como a cidade dos estudantes, mas podemos encontrar muitos locais históricos que mostram uma Coimbra que vai para além desta denominação.

Da baixa, passando pela alta e chegando à universidade

         Iniciando esta visita histórica pela cidade, a zona entre a baixa até à universidade é um dos locais preferidos pelos turistas que a visitam. A baixa é caracterizada pelo seu comércio local, onde podemos encontrar um conjunto de lojas e cafés tradicionais que fazem relembrar uma Coimbra antiga. No mesmo local, podemos ainda encontrar a Igreja de Santa Cruz, que tem o estatuto de Panteão Nacional. Quando subimos para a alta, encontramos um local mais residencial, com as suas ruas estreitas e casas típicas. Durante esta subida, encontramos a Sé Velha, local de visita obrigatória. Já na zona da Universidade, encontramos inicialmente o Museu Machado Castro, onde se pode visitar as ruinas da cidade, e a Catedral de Coimbra, também conhecida por Sé Nova. Por fim, encontramos a Universidade, o ponto de referência da Cidade.

A história na outra margem do rio
          
         Na outra margem do Rio Mondego, temos outros locais históricos da cidade. Dois desses locais são os Mosteiros de Santa Clara-a-Velha e de Santa Clara-a-Nova, locais históricos com uma ligação forte à Rainha Santa Isabel, figura histórica da cidade. A Quinta das Lágrimas é um local histórico que tem como elemento-chave a ligação com a natureza. Este ficou emblemático através da história de D. Pedro e Inês de Castro.

João Pedro Rodrigues

domingo, 4 de novembro de 2012

Conhecer a TvAAC (entrevista a Ricardo Abrantes)

Dividida por vários departamentos, a tvAAC é uma televisão feita por estudantes, para estudantes. Com o objectivo de “difundir  informação relativa à academia e à realidade local, nacional e internacional”, esta televisão, por enquanto disponível apenas online e no circuito interno da UC, está no activo como pró-secção da AAC desde 2003 e desde 2005 como secção. Passatempo para uns, ocupação quase a tempo inteiro para outros, a tvAAC é, cada vez mais, um ponto de encontro para os estudantes de Comunicação Social, Jornalismo e até outros cursos que nenhuma relação têm com a área.
Ricardo Abrantes, 27 anos, estudante de engenharia electrotécnica, que esteve na tvAAC durante três mandatos, dois como director e o último como presidente, falou-nos um pouco da história desta secção com a qual ainda colabora, sempre que possível, para contribuir para o seu progresso.
 
Posts de Pescada –Como surgiu a ideia de criar a tvAAC?
tvAAC- uma televisão de e para estudantes
Ricardo Abrantes – A ideia da tvAAC já é muito antiga. Nos anos 80 já tinha surgido a ideia de criar uma televisão aqui no SEC (Secção Cultural), tendo até sido feitas algumas emissões um bocadinho arcaicas, mas a verdadeira televisão como conhecemos hoje foi pensada em 1999,por um grupo de rapazes que faziam da televisão um passatempo. Ao início tiveram imensas dificuldades, mas hoje aqui estamos…
PP – Quando é que esse projecto foi posto em prática?
RA – Em 2001 foi apresentado à Associação Académica de Coimbra (AAC), mas só a 17 de Dezembro de 2003 é que foi aprovado como pró-secção da casa. Todas as pró-secções têm de provar que merecem ser secção e a tvAAC conseguiu, tornando-se numa a 25 de Janeiro de 2003.
PP: Quais foram as primeiras dificuldades sentidas? Como é que as superaram?
RA: A primeira e uma das dificuldades mais sentidas na AAC é arranjar pessoas que possam inteirar os projectos. Conseguiu-se superar este passo através de campanhas de divulgação, palavra passa palavra e foram aparecendo pessoas. Fizemos, também, muitas formações no início, com o apoio do actual ICAM e de profissionais. Ainda hoje é complicado recrutar pessoas. Outra dificuldade é o financiamento, pois estamos quase exclusivamente dependentes da AAC e na altura ainda mais, não tínhamos nenhuma fonte de rendimento a não ser alguma produção externa que pudéssemos fazer, mas não tínhamos qualidade suficiente para produzir os conteúdos. Por fim, uma outra dificuldade foi a falta de apoio das direcções gerais da AAC, o que causou algum contra-tempo.
PP: Como foi feita essa campanha de divulgação de que fala?
RA: O projecto foi divulgado com muitos flyers e exposições nalgumas faculdades. Sempre houve pouca procura, pois as pessoas pensam que a televisão é só para estudantes de jornalismo ou algo relacionado com esse curso, o que não é verdade.
PP: Que tipo de programas têm vindo a desenvolver?
RA: O que nós queremos é formar pessoas e ao mesmo tempo dar-lhes liberdade de fazerem o que querem, obviamente que dentro de alguns critérios, sendo esse o nosso conceito principal, pois a tvAAC é uma televisão experimental. As pessoas podem chegar aqui, ter uma ideia e tentar pô-la em prática. Correu bem, óptimo, não correu tudo bem, analisa-se os problemas e melhoramos para a próxima.
PP: Os cursos que costumam desenvolver têm muita procura?
RA: Têm, o nosso problema até tem vindo a ser o número de pessoas que conseguimos ter a frequentá-los, pois se fizermos o curso na nossa sala, não conseguimos encaixar mais de 12/14 pessoas. Normalmente estão sempre cheios e já tivemos que repetir alguns, porque se justificava devido à grande procura.
PP: Se pudesses mudar alguma coisa no percurso da tv, o que seria?
RA: Só mudava o “tecto” onde nós estamos, pois temos dois metros de altura e precisávamos de quatro. De resto não mudava nada. Obviamente que passamos por momentos mais altos e outros mais baixos, mas tudo serviu para ajudar e aprender. Isto é a nossa televisão e agrada à maioria das pessoas, por isso não há necessidade de estar a mudar as coisas.
PP: Como é o ambiente entre sócios e colaboradores?
RA: Estão todos misturados, no dia-a-dia nem se consegue distinguir, porém, os colaboradores, porvezes, têm um tratamento um bocadinho especial, de forma a integrarem-se e a ficarem cá para nos ajudar, tornando-se sócios.
PP: Há pouco tempo houve eleições para a nova gerência. Como tem sido a adaptação desta equipa?
RA: As eleições foram um bocado conturbadas. Pela primeira vez foram criadas duas listas, existindo sempre conflito, por muito mínimo que seja, mas nada que não se conseguisse superar. As pessoas são novas, é uma questão de se adaptarem e pedirem ajuda às mais antigas. Ma sinceramente parece mais difícil do que realmente é. Aparentemente não vejo, assim, um ponto muito fraco da equipa e os membros estão interessados e empenhados.
PP: Qual a próxima meta a atingir?
RA: Quando entrei para aqui, há uns tempos, dizia que iríamos criar, no nosso 10º aniversário, um canal na tv cabo de Coimbra, no entanto já completámos 10 anos em 2013 e não conseguimos cumprir esse objectivo. Porém, a curto prazo, tentaremos alcançar, em pleno, o Pólo II e o Pólo III e depois outros pontos.
PP: Quais as expectativas para este ano?
RA: Sinceramente espero que as pessoas que cá estão se mantenham e que consigamos mais duas câmaras HD (alta definição) para podermos fazer multicâmara correctamente. Mas isto são daquelas coisas que a direcção consegue pensar e definir melhor, a minha única função aqui, neste momento, é ajudar no que for preciso, já que agora não faço parte do grosso núcleo da televisão.
 
por: Maria Melo e Mónica Silva
 *Este artigo não foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O fim do início

Depois de 7 dias de muita festa e animação, acabou mais uma Festa das Latas em Coimbra na passada Quarta-Feira. A Festa das Latas já muito conhecida pelos que aqui estudam há mais tempo, é como que uma festa de boas-vindas para os novos estudantes, apelidados de caloiros, da cidade de Coimbra.

Apesar da chuva e do mau tempo os estudantes não se deixaram ficar em casa e aderiram em força, e cheios de vontade de fazer a festa, à ultima noite do parque. Para encerrar o cartaz foram escolhidos artistas portugueses, nomeadamente, Macacos do Chinês, que abriram o palco principal, e Azeitonas que proporcionaram um grande momento quando cantaram uma das suas músicas mais conhecidas “Anda comigo ver os aviões”. Para encerrar a festa foram escolhidos o Grupo de Cordas da AAC e a Imperial TAFFUC.

A emoção foi vivida de maneira diferente neste dia, por ser para muitos a última latada e para outros o fim da primeira. Maria, caloira da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra, diz que “foi uma semana fantástica, adoro Coimbra, não me arrependo da escolha que fiz! Coimbra é mesmo uma cidade de sonho, já conheci montes de gente e já fiz amigos que, espero eu, ficarão para a vida”. Do lado oposto está Rodrigo, finalista da Faculdade de Direito, afirma “é o meu último ano, começou da melhor maneira. Foi uma latada fantástica, vivida com a mesma adrenalina da primeira. Em Coimbra vivi os melhores anos da minha vida”.


por: Ana Mota e Inês Machado 
 

O artigo está escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Bolsos vazios pagam propinas



Estudantes combatem a crise sem abdicar do “Parque da Canção”


Praxe - ESEC

Contam-se “trocos” para a “Festa das Latas”. Os estudantes acabaram de aterrar em Coimbra e, apesar dos tempos que correm, não querem perder a receção ao caloiro.

Catarina tem 18 anos e vive atualmente em Aveiro. Escolheu, por enquanto, não arrendar casa em Coimbra e percorrer diariamente os 65km que separam as duas cidades. “Queria estar mais perto da minha família”, afirma, apesar de confessar também ter tido em conta razões económicas na tomada de decisão. Por outro lado, Maria, natural de Olhão, diz ser “impensável ir a casa todos os fins-de-semana”. Tanto pela duração da viagem como pelo preço. Em média, e na circunstância mais económica, uma ida e volta ronda os 50€.

A escolha de uma casa passa por diversos aspetos, embora a maioria dos estudantes procurem um equilíbrio qualidade-preço. Dependendo do orçamento familiar, é possível encontrar casas para todos os bolsos desde 150€ a 250€ de renda mensal. Marta entrou este ano no ensino superior e encontrou uma casa confortável e de preço acessível. Faz contas ao dinheiro que gastará mensalmente nas idas a casa – cerca de 40€ -, e espera conseguir uma bolsa escolar que a irá ajudar a suportar as despesas.

A matrícula no estabelecimento de ensino e as propinas são um abalo no orçamento de qualquer família, embora no Politécnico esses valores sejam menores que no Universitário. Nos Institutos Politécnicos de Coimbra as propinas rondam os 905€ enquanto que na Universidade de Coimbra os valores ultrapassam os 1000€ anuais. Marta diz não ter escolhido a ESEC por esse motivo mas pelo plano curricular e saídas profissionais.

Apesar de a escolha de estudar a 500km de casa tenha sido inteiramente sua, a estudante de Direito algarvia conhece casos em que estudar fora não era possível. A escolha dos cursos nessas situações é um pouco limitativa, pois têm que estar “sujeitos aos cursos existentes na Universidade do Algarve, o que eu não queria para mim”. Uma vez que tem também uma irmã a frequentar o ensino superior, Maria não descarta a hipótese de uma bolsa para não sobrecarregar tanto os pais.

Como parte da integração dos novos estudantes, a Festa das Latas é uma das tradições mais antigas e melhor preservadas de Coimbra. Englobando a Serenata, o Cortejo e as noites de concertos no Parque da Canção, a Latada tem a duração de aproximadamente uma semana.

Em tempos de recessão, a Latada não fica fora dos planos dos estudantes de Coimbra. Marta não pretende ir todos os dias, não tanto pelo preço mas por recear não aguentar a “pedalada”. O bilhete geral ronda os 30€ e Catarina e Maria não querem perder nenhum concerto. “Vou tirar o dinheiro da minha mesada”, afirma a estudante de Aveiro.

 


por: Ana Beatriz Oliveira, Catarina Parrinha, Cristiana Peres