sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Mulheres dentro das quatro linhas



Num campo de futebol, o mais usual é encontrarmos três equipas principais, constituídas por homens. Mas progressivamente este cenário tem vindo a alterar-se, a esquipa de arbitragem deixou de ser constituída apenas por árbitros do sexo masculino, a entrada da mulher nas mais diversas áreas também ocorre na arbitragem. É certo que há cada vez menos descriminação quanto á entrada da mulher no mundo do trabalho. Mas como reagem os jogadores e adeptos quando é uma mulher a liderar um jogo de futebol masculino? O distrito de Aveiro é um excelente exemplo, com várias mulheres árbitro todas na divisão nacional de futebol feminino e que em simultâneo actuam no futebol masculino distrital. Também é neste distrito que encontramos a melhor árbitra portuguesa, Sandra Bastos, residente em Lobão, Santa Maria da Feira.
Encontramo-nos num dos muitos fins-de-semana desportivos da árbitra internacional filiada na Associação de Aveiro, são vários os jogos que chega a fazer nestes dias ‘ para além dos jogos da divisão nacional de femininos, também é habitual apitar jogos masculinos do distrital’. O futebol é a sua vida, ‘é a minha grande paixão, ocupa-me muito tempo, isso é certo, mas depois de nascer o bichinho da arbitragem já não é possível largá-lo’, afirma a árbitra que começou a sua carreira em 2001. “ É um dos melhores exemplos de persistência na arbitragem feminina, num curto espaço de tempo conseguiu atingir as insígnias da FIFA, motivo de orgulho para a arbitragem nacional e em especial para a Federação de Aveiro ‘, diz o seu colega de equipa André Castro enquanto verifica as fichas de jogo no balneário. 
São necessárias várias competências para se exercer o cargo de árbitro, para além da competência física, do conhecimento das regras de jogo , é necessário um perfil psicológico muito concreto , ‘ não é fácil lidar com certas situações , mas o meu principal objectivo é ser justa , dar o meu melhor e oferecer todas  as condições para que ocorra um bom jogo de futebol’. Distinguida pelas insígnias da FIFA desde 2007 e tendo desde aí um vasto currículo de jogos internacionais, a árbitro salienta momentos marcantes na sua carreira ‘ no final de um jogo masculino, quando me retirava do campo foi surpreendida pelos aplausos dos jogadores e até do público presente que me felicitou pela minha prestação no jogo’. Ser juiz de um jogo de futebol, feminino ou masculino, segundo esta ‘é um privilégio e não uma função desmotivadora como muita gente o afirma, um bom árbitro deve saber impor regras, impedindo o conflito e apelando ao fair-play entre todos os intervenientes’, no caso das camadas mais jovens ‘ temos uma função bastante pedagógica, a minha postura torna-se mais flexível , cumpro as regras e simultaneamente explico-as aos jovens jogadores , dialogando sempre ‘ , algo que é fundamental segunda a própria .
No entanto, existem vários condimentos num jogo de futebol, pois até nos jogos dos mais pequenos as confusões e emoções fortes são muito frequentes. Num jogo de infantis ao sábado de manhã e com uma plateia maioritariamente constituída pelos pais dos pequenos jogadores existem sempre muitas crítica e o árbitro é sempre o principal alvo, ‘no meu caso essas intervenções externas não dificultam minimamente o meu desempenho, é mais do que habitual, os árbitros sabem que estão sempre bastante expostas às críticas, por vezes injustas do público’. Não é algo que os desmotive, nem afecte de forma significativa ‘ quando estou dentro de campo, quer esteja a apitar um jogo masculino do distrital ou um jogo internacional feminino, o meu grau de empenho é sempre o mesmo, mantenho a minha concentração ao máximo no jogo que está a decorrer e não presto atenção ao que é dito fora das quatro linhas’, conta Sandra Bastos.
Após um jogo calmo entre duas equipas bastante jovens, o ambiente vivido no balneário da equipa de arbitragem é de grande descontracção, ‘é difícil os espectadores em geral pensarem no que acontece dentro do nosso próprio balneário, normalmente antes do jogo estamos todos concentrados no jogo e motivamo-nos mutuamente. Depois do jogo o ambiente mais descontraído , gostamos de brincar e discutir alguns lances de forma critica mas sempre divertida’ , afirma Óscar Rocha colega de equipa.  Quanto ao facto de ter uma mulher no balneário refere que ‘é exactamente a mesma coisa, não há qualquer distinção , já tive outras mulheres em equipas anteriores e acho que uma mulher é capaz de perceber tanto ou mais que um homem’ .
Quanto ao panorama da arbitragem feminina em Portugal as opiniões entre os três elementos da equipa de arbitragem são mais ou menos consensuais. Para a conceituada Sandra Bastos ‘ apesar dos obstáculos, com esforço e persistência, o facto de ser mulher não impede a obtenção de grandes resultados’. Porém Óscar Rocha, que defende activamente a igualdade entre homens e mulheres no mundo do futebol pensa que ‘ ainda são claras algumas limitações na progressão da carreira de uma mulher árbitro, é fácil o acesso e evolução na carreira em termos de futebol feminino, quanto ao masculino a situação complica-se’. De forma assertiva Sandra refere logo a sua própria situação ‘apesar do apoio que me é prestado, existem restrições, apesar de ser estar na primeira a nível internacional, em termos nacionais estou impossibilitada de exercer na primeira categoria nacional pois teria que perder as insígnias da FIFA. Este é um facto que impede que árbitras com muito talento de exercerem em grande jogos nacionais de futebol masculino’. Ou seja todos admitem que para uma mulher chegar á primeira divisão nacional ainda há muito trabalho a ser feito e barreiras para serem quebradas. No entanto ‘ não é algo impossível’, afirma o árbitro André Castro. Para finalizar da melhor maneira, a árbitro que é um exemplo de sucesso fenomenal e que representa o nosso pais da melhor forma estabelece ‘como principal objectivo chegar a árbitra de elite a nível internacional’.



Por: Rosália Costa
redacção 1

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