sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Crónica: Religião: Amén!


“Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam". Que engraçado! Supostamente, a Igreja aceita as pessoas tal como elas são. Então, porquê pedir perdão por quem não crê ou até mesmo por quem não reza, mas acredita?
Foi dia 13 de Maio de 1917 que Nossa Senhora apareceu pela primeira vez, na Cova da Iria, enquanto Lúcia, Francisco e Jacinta brincavam num descampado. Nas aldeias os mais idosos tentam sempre ensinar aos seus filhos e aos seus netos como é a vida no campo.
No outro dia, assisti a uma reportagem na SIC muito curiosa sobre a apanha dos cogumelos. Fiquei a pensar qual a diferença entre os cogumelos bons e estragados e os cogumelos mágicos. Actualmente, as pessoas que procuram este alimento sabem como distingui-los e quais são próprios para consumo. Talvez em 1917 os chamados “três pastorinhos” não tenham aprendido a escolher o cogumelo certo. E na pura das inocências, cheios de fome ou por “gula” tenham comido os famosos cogumelos mágicos - contêm substâncias psicoativas, como a psilocibina e quando ingerido oferece uma alucinação profunda e uma óptima sensação de alegria – e alucinaram com os clarões que dizem ter visto, de onde aparecera uma Senhora vestida de branco, mais brilhante que o sol, irradiando luz mais clara e e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente como está descrito nos “Devotos de Fátima”.
Com ou sem cogumelos a verdade é que os pastorinhos tiveram a sorte de ver Nossa Senhora aparecer mais cinco vezes. Irónico é que mais ninguém viu. Só Lúcia, Francisco e Jacinta é que eram exemplos a seguir naqueles tempos? Só eles é que tinham fé? Só eles é que podiam difundir a sua aparição?
Mal ou bem a verdade é que conseguiram que muitas pessoas acreditassem nesta aparição. Vivemos num tempo onde as pessoas, muitas vezes, se agarram a fé. E, por isso, fazem promessas sem lóica nenhuma e sacrificam-se a coisas que têm tudo menos de Humano. Onde é que já se viu alguém ir até ao Santuário de joelhos por uma promessa que nem sempre corre como deseja? Para ser perdoado é necessário sair magoado? Pensa que pecou, reza uns quantos “Pai Nosso” e “Avé Maria” e fica limpo do suposto pecado? Rídiculo!
A aparição da Santinha não só ficou conhecida a nível nacional como mundial e muitos são os peregrinos que vêm até ao santuário e quase preferem morrer para conseguirem rezar por alguém, por eles ou para cumprir uma promessa. Se Nossa Senhora apareceu e é Santa então não é com sacrificios físicos que se paga o prometido ou o esperado.
O Santuário tornou-se alvo dos turistas. Consequentemente, foi uma boa estratégia haver uma loja de recordações. De facto, as vendas íam subir e o tão famoso e conceituado Santuário iria lucrar com tais vendas. Neste momento, até exposições já existem com o ouro que os peregrinos deixam lá como recompensa, como agradecimento; “Fui a Fátima e trouxe-te este presente para estares protegida(o)” é uma frase muito comum entre amigos e famílias que visitam este local e decidem gastar o seu dinheiro em coisas que não são, de todo, importantes ou imprescindiveis nos tempos que correm. “Olha, meti uma velinha por ti”, outra frase típica. Tumba, mais dinheiro para Fátima. E de uma história que ganhou proporções gigantescas entre os fiés à fé sobrepôs-se uma coisa: o dinheiro. Os peregrinos compram velas, terços, quadros com frases de apelo e orações. Para quê? Crente é aquele que tem isso tudo? Que visita este sítio? Que faz promessas e não é recompensado? Que se humilha? Sim, porque é humilhar(-se) a si mesmo rastejar à volta do Santuário para “apagar” uma atitude que a Igreja considera menos correcta, mas que nem tem razão de haver critica alguma.
E que tal uma nova oração? Quiçá: Nossa Senhora de Fátima que apareceste, difundida seja a sua mensagem que nada de novo traz, seja feito à vossa vontade e à dos pastorinhos, num descampado com ou sem cogumelos mágicos, assim na terra como no clarão em que apareceste. Amén!

Soraia Tomaz, r2
2010090


2 comentários:

  1. Olá Soraia! Gostei bastante deste "recorte" apesar de ser um assunto tabú na crença relativa à Nossa Srª de Fátima e Pastorinhos. De facto as drogas de que falas, realmente conseguem ludibriar a mente no sentido religioso. Não te esqueças que o Cristianismo é uma religião com principios pagãos embora haja muitas mais religiões cuja base espiritual foi criada a partir de um estado induzido por drogas tomadas por Xamãs. Logo, sempre foram usadas drogas para descrever um estado mental iluminado. Mas o que quero salientar aqui é apenas uma prespectiva direccionada para aquilo a que hoje em dia chamamos de "fé". O facto de acreditar em algo superior que de certa forma equilibra o julgamento que temos uns dos outros e até de nós próprios. O que está errado é precisamente a maneira como a "fé", sendo instrumento de sobrevivência humana, está a ser explorada de maneira comercial e material. Daí agradeço a atenção com que sublinhaste esta abordagem à religião tornando este assunto um bocadinho menos tabu e mais claro. Continua com o bom trabalho. Renato Folgado

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  2. Se o teu objectivo é fazer parte de um grupo sensacionalista, parabéns, tens futuro. Se quiseres dou-te os próximos títulos a comentar:

    - muçulmanos são todos bombistas;
    - feministas são todas lésbicas;
    - negros são todos ladrões;
    - dreads são todos drogados;
    - todos os drogados são ladrões;
    - budistas são todos carecas;
    - góticos são todos uns deprimidos;
    - quem houve música metal têm todos cabelos compridos e só vestem t-shirts de bandas;
    - gays são algo contra-natura;


    É graças a opiniões extremas como as tuas que existe tanta guerra no mundo. Se todos tivessem mais compaixão, paciência, TOLERÂNCIA, mais CULTURA e conhecimento da história... acredita: o mundo não era como o conheces.
    É preciso pesquisares, ler, conhecer a fundo algo antes de criticar. Fala com essa ditas pessoas que achas que se humilham por algo que consideras não existir, tenta saber o porquê! Fala com padres, irmãs, fala com todos! Não fiques pela opinião de uma pessoa que admiras. Investiga, sê minuciosa...pois é isso que vai fazer de ti uma boa jornalista. E não é com estes comentários rudes que chegas lá...

    E antes de me criticares: não sou crente, mas respeito e sei do que aqui falei, bem mais do que imaginas!
    (Pois antes de criticar as pessoas que aqui criticas, não sabes o que elas passaram para se ajoelharem e tomarem uma atitude tão vulnerável para com um Deus ou algo em que acreditam, seja no amor por ou de alguém, na amizade, pelo bem maior de alguém, ...).

    E melhora o português porque tens aqui MUITOS erros.

    Ana Costa - Porto

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