sábado, 24 de dezembro de 2011

“Ser Cristão não é fácil”


Entrevista a Amélia Melo, vice-presidente da Catequese da Paróquia de Moreira da Maia

Administrativa de profissão, catequista por adoração, Maria Amélia Carvalho de Melo, de 40 anos, entrou para o Mundo da Igreja aos 5 anos, aquando da iniciação da sua catequese, e aos 8 anos já tinha feito a Profissão de Fé. Nunca se desligou da Igreja, tendo acompanhado vários grupos auxiliando as catequistas no que necessário. Aos dezasseis anos teve o seu primeiro grupo de catequese, com apenas 6 crianças que ainda hoje recorda (Cristina, Helena, Andreia, Quim Jorge, Rui e Jorge) e, 24 anos depois, é a responsável pelo grupo de catequistas da Paróquia de Moreira da Maia. A nível catequético já frequentou o curso de iniciação, o curso geral e o estágio.

Amélia Melo



Posts de Pescada (PP): Actualmente, com a crise de valores que se diz estar a atravessar poucas são as pessoas que crêem e praticam a sua religião. Enquanto paroquiana, catequista e Ser Humano por que acha que cada vez mais a religião Cristã Católica tem cada vez menos praticantes?

Amélia Melo (AM): As pessoas nunca estão satisfeitas com aquilo que têm. Só se lembram de Deus quando as coisas não correm como deveriam. Ser Cristão não é fácil, mas se pudermos contagiar os que estão há nossa volta já é uma vitória, porque é através do nosso testemunho do nosso dia-a-dia que poderemos de alguma forma fazer a diferença, embora quem pratique nem sempre dá o melhor exemplo.




PP: O que deveria ser feito para contrariar esta tendência?

AM: As pessoas terem um comportamento de acordo com aquilo que professam.

PP: Enquanto responsável pelo grupo de catequistas da Paróquia de Moreira, como avalia a fé e crença das pessoas da sua localidade?

AM: Eu sou catequista e a realidade que conheço é a da catequese, mas quando não há catequese não costumo ir à missa à freguesia a que pertenço, mas sim a outra freguesia vizinha, por uma questão de horário mais conveniente.

PP: Que valores da sua religião incute para a rotina do seu dia-a-dia?

AM: Tento ter um comportamento de acordo com aquilo em que acredito (ser sincera, solidária, amiga, humilde) e tento transmitir às crianças essa mesma vivência. No entanto, sou muito exigente comigo mesma e sinceramente acho que nem sempre sou o exemplo que gostaria de ser porque tenho falhas…

PP: Acredita em todos os pressupostos da religião Cristã Católica ou considera que, com o evoluir dos tempos e desenvolvimento das mentalidades alguns aspectos deveriam ser mudados?

AM: Acredito que a Bíblia é o livro mais actual de sempre. Mas não quero com isto dizer que a Igreja não deve ser mais tolerante e aberta à mudança dos tempos.

PP: Que peso tem a religião na sua vida?

AM: Não faria sentido a minha vida sem a religião. É como ter de temperar a comida sem sal.

PP: Que papel considera que deve ter um catequista na educação religiosa das crianças e, ao mesmo tempo, nas respectivas famílias?

AM: O Catequista deve ser o segundo educador da fé. A educação religiosa deve começar em casa com o exemplo dos pais. Assim, para além de transmitir às crianças o catequista também deve viver essa mesma missão em casa.

PP: Por que razão começou a ser catequista e, mais recentemente, ser a responsável pelo grupo de catequistas da paróquia de Moreira da Maia?

AM: Comecei por ser catequista porque queria continuar a aprender cada vez mais sobre Jesus. Sou corresponsável com mais dois catequistas, não por opção, mas porque fui convidada e não tem sido tarefa fácil, pelo contrário, e se não fosse a ajuda do Bruno Aguiar e da Fernanda Sobral não seria capaz.

PP: Enquanto catequista com alguns anos de experiência que estratégias pedagógicas e metodologias usa para cativar as crianças, de modo a torná-las mais próximas de Deus?

AM: Para falar às crianças de Deus não é preciso muito, apenas falar-lhes com verdade e com o coração. Claro que os meios multimédia e a utilização de filmes, músicas, histórias, etc. ajuda bastante .

PP: A nível organizacional, como descreve a catequese exercida em Moreira da Maia e, também, a nível nacional? Que aspectos deveriam ser melhorados?

AM: Na paróquia há um secretariado que é composto pelo Padre que é o presidente, dois vice-presidentes, uma secretária e uma tesoureira. Julgo que a catequese em Moreira está bem organizada. Os catequistas reúnem-se mensalmente, para resolver os assuntos mais importantes e para termos a informação que vem da vigararia em que há dois catequistas que representam a catequese de Moreira.

PP: Como consegue gerir o seu tempo em função da família, trabalho e catequese?

AM: É com muita ginástica que se consegue tentar gerir o tempo, nem sempre é fácil e por vezes alguma coisa falha. Mas onde estou tento estar a 100%.

PP: Houve alguma frase ou gesto de uma criança que a tenha marcado ao ponto de considerar ser uma lição de vida?

AM: Ao longo destes anos tenho tido grupos que me marcaram por esta ou aquela razão. No entanto não há nenhuma que consiga destacar. Apenas posso dizer que cada criança é especial, cada criança é um bocadinho de Deus!

Por: Isabel Oliveira
Redacção 1

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