sexta-feira, 1 de junho de 2012

Entrevista: «É um projeto de jovens para jovens» - Emigração mais fácil para a CPLP


Dado a conjuntura atual da economia portuguesa, a emigração começou a tornar-se a primeira opção para quem tem dificuldades em trabalhar no seu país e quer tentar a sua sorte "lá fora".
Foi a pensar nestas novas dificuldades e dúvidas dos portugueses que surgiu o Talent Abroad.
Marcelo Silva, criador deste projeto, explica para o Posts de Pescada o passado, presente e futuro do TA, que promete dar resposta a todas as perguntas em relação à emigração para os países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa).
Vanessa Sofia



Posts de Pescada: De onde surgiu a ideia de criar o Talent Abroad?
Marcelo Silva: O projeto Talent Abroad surgiu da minha própria necessidade, enquanto jovem, que coloca em hipótese a procura de trabalho nos mercados internacionais.
Em agosto de 2011, visitei uma Feira de Emprego em Aveiro sobre os mercados de trabalho internacionais e verifiquei uma grande falta de organização e informação relativamente a países como o Brasil, Moçambique e Angola, que por sinal são países em grande crescimento e com grande procura de mão-de-obra qualificada para algumas áreas.
Desde lá,  decidi então procurar mais informação e foi aí que me surgiram as principais dúvidas: Quais os melhores mercados de trabalho para a minhas área? Que empresas estão dispostas a receber-me enquanto estrangeiro? Quem é que estaria disposto a fazer o mesmo percurso que eu? Se não conseguir emprego vou ficar desamparado no país de destino?
Comecei a questionar-me se seria o único a pensar assim, o que me permitiu estudar profundamente o mercado e perceber que é realmente uma necessidade e um problema social.
Não me conformando com esta questão, decidi encontrar e começar a criar respostas. Depois de muito trabalho e de muita ajuda por parte de toda a equipa envolvente, finalmente consegui começar a solucionar alguns dos problemas, surgindo assim o Projeto Talent Abroad.

PP: Qual é o objetivo desta plataforma?
M.S.: De uma forma muito simples, o objetivo desta plataforma é apoiar todos os jovens que querem conquistar o seu espaço no mercado internacional e fazer um matching entre a procura e a oferta de trabalho. Queremos fornecer ferramentas e mediar serviços simples que permitam responder às questões básicas de quais empresas que estariam interessadas em receber determinada mão-de-obra, quais as empresas dispostas a receber-te enquanto trabalhador emigrante, que pessoas estão realmente a pensar internacionalizar-se para determinado local, informação institucional e importante sobre todo o processo de cada país, fornecimento de contactos, troca de experiências e feedbacks reais entre pessoas de vários pontos do mundo e de uma forma muito importante, criar uma rede de cooperação internacional do mercado de trabalho.

PP: Porquê a vossa preferência com os países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa)?
M.S.: Os países da CPLP surgiram por uma vantagem comparativa básica nos mercados em questão que é a língua portuguesa.
Contudo, e sustentando a análise do projeto em fatores base, a verdade é que 4,6% do PIB Mundial fala português; existem 253,7 milhões de pessoas que falam a nossa língua; o peso no comércio internacional de trocas entre agentes de língua portuguesa é já de 441,9 milhões de euros; e, num caso específico, já temos hoje 3.000 empresas portuguesas em Angola.
A minha questão prende-se então: porque não acompanhar todo este movimento por uma internacionalização da mão-de-obra qualificada portuguesa? Focamo-nos portanto numa ideia de comunidade entre estes países, porque sabemos que a criação de laços entre as pessoas é muito importante, de forma a também resolvermos o problema real de desemprego nacional e de apoio a todos os jovens que procuram alternativas e soluções.



PP: Apostaram na Rede Social Facebook para difundir o vosso projeto. Têm tido muita procura?
M.S.: A aposta nas Redes Sociais surgiu como necessidade de testar os feedbacks de potenciais interessados. Começamos uma semana antes de ter uma etapa importante no projeto que foi a final no concurso de Empreendedorismo de Diogo Vasconcelos, organizado pela FAP, e na verdade, tivemos um crescimento da nossa notoriedade, alcançando 1000 jovens apenas nesses dias.
Desde lá, temos tido um feedback fantástico de muitos interessados no projeto, que nos contactam tanto por email, telefonemas, contactos pessoais o que nos tem feito trabalhar sem parar. É bom que assim seja, porque a verdade é que cada vez mais toda a equipa acredita e foca-se no nosso objetivo e através de todo estes contactos, pretendemos agora começar a construir a nossa comunidade.
 A rede social foi apenas mais um meio para termos material para trabalhar.

PP: Quais são as maiores dúvidas que chegam até vocês?
M.S.: As maiores dúvidas, em síntese, prendem-se com as incertezas laborais.
O que tenho verificado é que o que faz muito dos jovens não arriscarem na procura de oportunidades nesses mercados é numa palavra: o medo.
E o medo deve-se à falta de informação, à falta de contactos, à falta de feedback de pessoas que tenham passado por essa experiência, à falta de preparação e à falta de confiança no que vão encontrar.
O que nós pretendemos é responder o mais possível a todas essas dúvidas e tirar o medo às pessoas.
Por isso estamos a trabalhar neste momento em ferramentas e meios que o permitam fazer, proporcionando toda a informação possível sobre as necessidades de cada um, criando uma rede de contactos, organizando bases de dados de pessoas que vão para determinados locais e a área que pretendem, organizando meetings entre pessoas e empresas com experiências e interesses semelhantes e responder às necessidades específicas de cada um.
De salientar ainda que trabalhamos enquanto organização sem fins lucrativos, em que o que deixamos bem assente é que não garantimos o futuro a ninguém, garantimos sim, um lugar seguro para começar.

PP: Atualmente, quais são as melhores saídas profissionais e locais de trabalho fora do país?
M.S.: Existem áreas gerais que têm tido muita procura a nível internacional, não só nos países que especificamos mas também noutros países. Dentro dessas áreas destacamos as Tecnologias e Sistemas de Informação, as áreas de Engenharia, a Gestão e  Economia que têm sempre alguma saída e dentro da área de Marketing, o E-commerce.
No Brasil, de referir ainda que as áreas sociais e o Terceiro Setor estão muito mais desenvolvidos que em Portugal, por exemplo, o que pode ser uma oportunidade para quem trabalha nesta área. Nos países dos PALOP poderá ainda ser uma solução e uma alternativa para profissionais da área de educação.



PP: Quanto investiram neste projeto?
M.S.: Os maiores investimentos mais do que financeiros, têm sido o investimento de tempo e de trabalho, que tem grande significado e valor no mercado.
Neste momento temos 14 pessoas ligadas diretamente ao projeto de diferentes áreas como Design,  Marketing, Gestão, Economia, Tecnologias da Informação, Saúde, Engenharias de diferentes universidades do país. Todos nós temos investidos muito tempo e trabalho para responder às nossas necessidades, sendo um projeto de jovens para jovens. E este trabalho em termos económicos, volto a referir tem valor no mercado.
Financeiramente, em termos concretos, temos algumas pessoas a investir no projeto, mas pretendemos colmatar as necessidades estruturais com parcerias fortes e credíveis que identifiquem as suas organizações com o objeto social e com as mais-valias que pretendemos transmitir. Trabalhamos para estabelecer parecerias win win entre os agentes, que contribuam socialmente para o desenvolvimento da nossa comunidade.

PP: Recebem algum tipo de apoio financeiro ou operacional por fora da equipa que criou o Talent Abroad?
M.S.: A nível operacional temos conseguido diversos apoios com o desenvolver do projeto. De salientar a abertura do IAPMEI e da Universidade Católica (onde se situa a nossa sede neste momento) que nos têm orientado de forma a focar-nos e a concretizar o que pretendemos.
Não deixa de ser importante claro que apelamos o apoio de outros entidades, como a Aicep Portugal Global que seria muito importante, em termos de informação.
Durante este ano de trabalho, temos também aberto algumas portas entre instituições bancárias, instituições públicas e organizações de empreendedorismo social que manifestam o interesse em nos apoiar.
Para já, procuramos ser autossustentáveis e crescer por nós mesmos, de forma a que os principais apoios que pedimos no momento, é a de todos os jovens que queiram lutar por esta causa e se queiram juntar a nós, como comunidade. Volto a referir que é um projeto de jovens para jovens.
Tudo o resto, tem surgido naturalmente.

PP: Pretendem expandir o vosso negócio da Internet para agências próprias no país, e quem sabe, fora de Portugal?
M.S.: Sim. O nosso principal objetivo é difundir o nosso conceito por todo o país e criar uma comunidade credível e organizada. Neste momento temos a nossa associação localizada no espaço da Socialspin da U. Católica. Mas pensamos já noutros locais como Universidade de Aveiro, ou mesmo Universidade de Coimbra. Todos os jovens que nos têm contactado com intuito de trabalhar connosco não serão certamente esquecidos, pois queremos conjugar as capacidades técnicas de cada um com uma forte vontade e motivação pelo projeto. Somos 14 neste momento, mas estamos a pensar expandir nos próximos meses para a segunda equipa.
A médio prazo queremos estar presentes nos principais pontos a nível nacional e depois quem sabe, pensar para além de fronteiras... Why not?

PP: Que conselho dão a um recém-licenciado que quer começar a sua carreira no Brasil ou em outro pais da CPLP?
M.S.: Preparem-se muito bem antes de tomar uma decisão. O que nós apelamos é que tomem decisões bem conscientes do que estão a fazer. Procurem toda a informação disponível, troquem contactos com pessoas que se encontrem nos locais que querem ir, procurem empresas das vossas áreas dispostas a receber-vos, contactem pessoas que no nosso território que também pensam no mesmo processo que vocês e se possível frequentem também algumas ações de formação. Diminuam o máximo possível o vosso risco.
Essencialmente, procurem o máximo de informação e tomem a vossa própria decisão. Se não o quiserem fazer sozinhos, podem então contactar-nos que estamos dispostos a ajudar. Sem qualquer custo, pretendemos que as pessoas se juntem também à nossa rede comunitária. É nesta força conjunta que acreditamos e que pretendemos passar a mensagem a todos.


Para mais informações, contacte a TA:

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