terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Trabalhar e/ou estudar?

Escola Superior de Educação de Coimbra

               Trabalhar e/ou estudar? Esta é a questão com que muitos jovens se deparam quando terminam o ensino secundário. Dada a conjuntura económica do país, os estudantes sentem necessidade de procurar um trabalho, quer seja part-time, quer seja full-time, para que não dependam de terceiros e sejam cada vez mais autónomos financeiramente. A percentagem de estudantes do ensino superior que procuram um trabalho para se conseguirem sustentar tende, cada vez mais, a aumentar. Na Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC), esta tendência foi comprovada através de testemunhos de quatro estudantes.

                Ao abrigo do disposto no Código do Trabalho (aprovado pela Lei n.º 07/2009, de 12 de Fevereiro), trabalhador- estudante é um trabalhador que "frequenta qualquer nível de educação escolar, bem como curso de pós-graduação, mestrado ou doutoramento em instituição de ensino, ou ainda, curso de formação profissional ou programa de ocupação temporária de jovens com duração igual ou superior a seis meses".



Bruna Dias
               Bruna Dias, 19 anos, estudante do 2º ano de Comunicação Social e natural de Valongo, trabalha, desde o Verão, num estabelecimento de restauração do Dolce Vita de Coimbra.
               Na situação desta estudante, devido à incompatibilidade entre o horário laboral e o horário escolar, tornou-se imperativo coordenar os dois.  No entanto, de acordo com o artigo 90º do Código de Trabalho (aprovado pela lei nº7/2009, de 12 de fevereiro), “o horário de trabalho de trabalhador-estudante deve, sempre que possível, ser ajustado de modo a permitir a frequência das aulas e a deslocação para o estabelecimento de ensino.” É neste sentido que se verifica que, muitas vezes, apesar de todas as formalidades estabelecidas, estas nem sempre são cumpridas.                   
                O facto de viver longe do local onde estuda também é uma desvantagem para a maioria dos trabalhadores-estudantes. Ainda que o trabalho possa trazer independência financeira para muitos, as limitações horárias  não permitem visitar as famílias regularmente. É neste contexto que Bruna nos revela que não vai ao Porto há dois meses .
                Uma das maiores razões que conduzem à procura por um trabalho durante os estudos, é a vontade de ajudar os pais nas despesas escolares. “Uma vez que a minha mãe é divorciada e o meu pai nunca ajudou nas despesas, senti a necessidade de começar a trabalhar (…) para pagar a estadia e para poupar algum dinheiro.”, afirma a estudante.       

Entrevista a Bruna Dias




Gabriela Pereira
         Gabriela Pereira, 18 anos, estudante do 1º ano de Turismo em regime pós-laboral e natural de Aveiro, trabalha num stand de angariação de fundos para uma associação de beneficência no Dolce Vita de Coimbra . Sendo o seu horário laboral das 10 horas até às 16 horas e o seu horário escolar das 18 horas às 22 horas, esta estudante é um bom exemplo de desequilíbrio entre o tempo para trabalhar e o tempo livre que deveria ter para estudar. Gabriela revela ainda que “o facto de morar longe da faculdade também é uma limitação à minha organização do tempo”.





Entrevista a Gabriela Pereira



Flávia Silva
            Flávia Silva, 22 anos, estudante do 2º ano de Comunicação Social e natural do Rio Grande do Sul, Brasil, trabalha numa pastelaria na baixa de Coimbra. Apesar da estudante trabalhar enquanto estuda, não conseguiu obter o estatuto de trabalhadora-estudante na ESEC. O facto de não ter contrato, não lhe possibilita ter as regalias que um estudante com este estatuto teria. “Tenho que saber gerir tudo porque não tenho nenhuma regalia como poder entregar trabalhos mais tarde ou faltar a aulas ou ao meu próprio trabalho”, lamenta.
             Flávia não é exceção à realidade portuguesa: tal como muitos estudantes, não poderia estudar se não continuasse a trabalhar. À parte das dificuldades, a estudante sente que tanto os colegas de turma como a entidade patronal são flexíveis ao facto de ela não ter tanto tempo como um estudante dito normal.                                                                                               



Entrevista a Flávia Silva



Fábio Mendes
            Fábio Mendes, 27 anos, estudante do 1º ano de Comunicação Social e natural de Coimbra, é chefe de uma equipa de vendas numa empresa de telecomunicações. Ao contrário da maioria dos estudantes, Fábio começou a trabalhar antes mesmo de começar a estudar para que um dia, mais tarde, pudesse ingressar no ensino superior e responder a todas as despesas que daí advêm. Inicialmente, a ideia era conseguir sustentar-se economicamente mas, posteriormente, tornou-se também uma forma de crescimento individual, tal como  testemunha Fábio. Este estudante revela que o facto de usufruir o estatuto trabalhador-estudante lhe confere algumas regalias como, por exemplo, no que diz respeito ao processo de avaliação contínua que se realiza na ESEC. Contudo, conciliar os estudos com o trabalho não é fácil “principalmente pela falta de planificações apesar de, neste momento, tentar manter-me organizado para que não sinta dificuldades extremas.”
             É comum verificar-se, nos trabalhadores-estudantes, um contrato instável ou até a ausência dele. No entanto, Fábio trabalha há cinco anos o que lhe permite ter um contrato estável e continuar a estudar uma vez que “se neste momento não estivesse a trabalhar, não conseguiria sustentar esta situação nem avançar com a minha formação académica devido aos seus custos elevados”. 


Entrevista a Fábio Mendes

Falta de dinheiro, independência financeira, contas a pagar, propinas elevadas e firmeza em prosseguir estudos são alguns dos principais fatores que levam estes jovens a lutar por um futuro melhor. Neste sentido, a vontade de permanecer no ensino superior motiva-os a ultrapassar todas as barreiras, apesar das dificuldades sentidas.



Por: Adriana Vieira, Maria Inês Guardado, Maria João Gonçalves, Filipa Ferreira, Silvana Queirós.




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