segunda-feira, 8 de junho de 2015

Poesia

"Ser poeta é ser mais alto"

Neste mundo, onde tudo é poesia, as palavras são o oxigénio que faz a voz dos Poetas soar; são a luz que traz a imagem aos olhos das pessoas que vivem como se ela não existisse e a informação dos outros que a representam. Contudo, ninguém lhe dá o devido valor. 
Até à época do neoclassicismo (segunda metade do século XVIII) existiam uma série de características que tornavam o conceito de Poema, praticamente incontestável. O texto literário era acompanhado de uma sobrecarga de regras em relação à composição, à organização rítmica, aliada a recursos estilísticos e imagéticos próprios, o que fazia discurso ser incomum, criativo, repleto de conotações (figuras de estilo) de sonoridade especial, de polivalências, de ambiguidades, de rompimento com as normas de uso dos signos e com as normas gramaticais, ou seja signos inventados, neologismos e vícios de linguagem, como por exemplo:

“Cerca de grandes muros quem te sonhas
Depois onde é visível o jardim
(…) Põe quantas flores são as mais risonhas,
Para que te conheçam só assim.”
Fernando Pessoa.

A partir do Pré-Romantismo, desencadeou-se uma revolução do conceito poético em que o poema se aproxima cada vez mais da prosa literária, fugindo aos “normais” cânones da época, pela renúncia dos esquemas métricos, rítmicos, estróficos, ou seja, o verso, passa a ser independente do discurso, como se cada verso fosse um poema, estabelecendo pausas fónicas independentemente das pausas sintáticas.

O moderno conceito de poetização deixa para trás os esquemas formais e interessa-se maioritariamente por criar imagens poéticas e pela descrição da realidade, sentida e descrita artisticamente:

“Não tirei bilhete para a vida,
Errei a porta do sentimento,
 Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse.
Hoje não me resta, em vésperas de viagem,
Com a mala aberta esperando a arrumação adiada,
Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem,
Hoje não me resta (à parte o incómodo de estar assim sentado)
Senão saber isto:
Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Grande é a vida, e não vale a pena haver vida.”
 Álvaro de Campos

Francisco Lopes - 2013117 e Rui Correia - 2013122
2º ano Comunicação Social - Atelier de Crossmedia
ESEC - 2015 


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