domingo, 4 de junho de 2017

Jonathan Margarido, o "diamante em bruto" da Sofia Escobar

Jonathan Margarido é um jovem de 25 anos, licenciado em Gerontologia pela Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro e apaixonado pelo teatro musical. Participou no programa Got Talent Portugal em 2016, chegou à semi-final e inclusive foi repescado para uma segunda oportunidade após ter sido expulso. Depois do programa participou no musical "Cinderela - O Musical", na terceira edição "Idíoladas - A Arte da Maior Idade" e foi ainda reconhecido na categoria "Cultura", na XIII Gala Vaga D'Ouro em Vagos. Está ainda envolvido na radionovela "Becos de Amor" a ser transmitido na quinta edição do Festival Rádio Faneca, a decorrer de 2 a 4 de junho.

Jonathan no pré-casting do Got Talent Portugal

Quando começou o interesse pelo teatro musical?
Sempre quis cantar e sempre vi musicais mas nunca tinha coragem de ir para um palco ou de procurar esse sonho porque era muito envergonhado, era muito metido em mim próprio. No entanto, houve uma altura da minha vida, em que disse: “Não! Eu se calhar gosto disto e vou inscrever-me em aulas de canto”. Inscrevi-me há cerca de 3 ou 4 anos. Nesta escola não havia teatro musical, depois conheci a Kika que é a minha professora de canto, como ela também gostava de teatro musical, juntámo-nos e foi uma coisa que construímos os dois. Com os “empurrões” dela, comecei a ir para palco, comecei a cantar e a fazer algumas performances. A minha voz mudou completamente e com as aulas de canto mudou ainda mais, com isto ganhei mais confiança e foi aí que comecei a perceber que eu gosto de fazer teatro musical.

O que te levou a participar no Got Talent Portugal?
Não foi uma escolha minha (risos). Era uma quarta-feira e recebo uma chamada da Kika a dizer “ Vais receber uma chamada da RTP e vais ter casting sexta” e desligou. Nesse momento caiu-me tudo. Só pensava que não queria passar vergonhas, ou seja, tive basicamente aquele pensamento que todos temos. Depois o senhor ligou, começou a falar do casting e a dizer que me tinham inscrito, então foi nesse momento que decidi arriscar. A Kika também quase que me obrigou a ir, por mim nunca me tinha inscrito num concurso televisivo.

Ainda bem que ela o fez, não concordas?
Agora vejo dessa forma mas na altura não.

Qual foi momento que mais te marcou no programa?
As palavras da Sofia Escobar, é a pessoa da área, uma pessoa que admiro muito. Quando disse “tu és um diamante em bruto” aquilo para mim foi importante. Mas não só, uma coisa simples e que se calhar muitos não dariam valor foi no primeiro casting poder cantar no coliseu, só o simples facto de estar ali. Eu estava encantado, é uma sala linda e estava cheia de gente. Só por isso já tinha ganho, independentemente do que o júri dissesse.

Jonathan no papel de rei no musical da Cinderela

Sentes que a participação mudou a tua vida de alguma forma?
Mudou completamente a minha vida. Sou uma pessoa muito mais confiante. á não sou tão tímido, agora canto em todos os sítios e mais alguns e estou em 1001 projetos. Ou seja, a pessoa que eu era ficou para trás. Entretanto fiz o casting para o Pinóquio, que por acaso até foi a Sofia Escobar que me deu a conhecer, mas não fiquei com o papel. Acabei por mais tarde conseguir entrar no musical da Cinderela.

Como é fazer parte da peça Cinderela?
Se eu fosse dizer a alguém que o meu sonho era ser o rato da Cinderela acho que as pessoas ficavam a olhar para mim. Fazia 4 personagens: o rato, o rei, o padre e o criado. Somos um elenco de menos de 10 atores, então todos têm mais do que 1 personagem e existem momentos certos em que se troca a roupa/personagem. Eu saía de lá mais suado do que a fazer ginásio (risos).
Foi um grande desafio. Porque eu sei cantar e na representação safo-me bem mas há outra parte no teatro musical, a dança. Aqui deixava muito a desejar só que agora já não, evoluí bastante. Cresci imenso com esta peça.

Achas que teatro e gerontologia se complementam / influenciam de alguma maneira?
Claro que sim! Eu fiz o número de abertura de teatro musical com 3 idosas num projeto em Ílhavo, o Idíoladas. Foi um desafio, eram pessoas que nunca tinham lidado com estas coisas de cantar, dançar e de certa forma representar, ou seja, de encarnar uma personagem. O tema também não era fácil para pessoas mais velhas, era cabaret. Foram quatro meses de muito trabalho, preparei o número, pesquisei sobre o tema e criei os instrumentais e as coreografias. 

O que é o Idíoladas?
É um evento de amostra de artes de terceira idade, onde várias instituições, as IPSS de Ílhavo, fazem números de música e teatro. O meu grupo ficou encarregue de fazer a abertura do espetáculo.

Como foi fazer parte do Idíoladas?
Aprendi muito, nós temos uma expectativa de como as coisas costumam ser mas nunca sabemos como é que vai ser com a terceira idade. Não sabemos como vão reagir, se conseguem cantar e dançar ao mesmo tempo, ou se temos de adaptar os atos às pessoas. Eu tive de tornar as coreografias mais simples e escolher músicas portuguesas, por exemplo. Foi um autêntico desafio mas bastante gratificante.


III Edição Idolíadas, a Arte da Maior Idade

Foste nomeado na categoria de cultura na XIII Gala Vaga D’Ouro, o que é que sentiste ao ver este tipo de reconhecimento do teu trabalho?
A Gala Vaga D’Ouro é um dos eventos mais importantes de Vagos, é onde premeiam as instituições, as entidades, as pessoas que de alguma forma mudaram Vagos. Eu fui nomeado por ter participado no Got Talent, em conjunto com duas grandes instituições: Vagos Metal Fest e Banda Vaguense. Fiquei bastante surpreendido com esta nomeação, ainda mais surpreendido por estar no meio de quem estava. Ganhou a Banda Vaguense e foi muito merecido. Qualquer um era merecedor do prémio pela importância que tem em Vagos, mas sim, fiquei muito feliz só pelo facto de ter sido nomeado.

Quais são os teus projetos futuros?
Neste momento trabalho numa IPSS, no entanto não sei se volto a aceitar a Cinderela ou não. O teatro em Portugal é uma área muito instável, então tive de procurar algo mesmo na minha área e deixar o teatro musical um pouco para segundo plano. Gostava de tirar um curso de teatro musical porque nunca tirei, tudo o que aprendi foi com a minha professora de canto e a fazer a Cinderela. Estou também a participar numa radionovela com os idosos de Ílhavo e outros projetos comunitários. A Kika dá aulas numa escola de teatro musical, nos Covões. São muitos alunos e ela precisava de alguém que fosse o seu braço direito então propôs à direção que eu me juntasse a ela e aceitaram. Começo dentro de um mês e vou ficar na parte da encenação e coreografias. Eu na parte das coreografias! (risos) Vamos fazer o musical Cats, vai ser um novo desafio porque em vez de trabalhar com idosos vou trabalhar com crianças.

"...o teatro musical vai estar sempre presente, quanto muito como hobby."


Nunca pensaste sair do país por causa do teatro musical?
Já, mas há sempre aquele receio se vai correr bem ou não. Depois tirei o meu curso e é tipo deixar para trás muita coisa por algo que não sabes se vai dar certo. Mas não meto essa hipótese de parte, se surgisse um bom convite era capaz de aceita e tenho tanto para aprender ainda.


Onde te imaginas daqui a 10 anos?
Não sei, isso é muito complicado de responder. Estou numa fase em que gosto do que estou a fazer mas não sei se é isto que vou fazer para o resto da minha vida.
Daqui a 10 anos não faço ideia mas o teatro musical vai estar sempre presente, quanto muito como hobby.

Que conselho dás a quem tem sonhos?
Não façam como eu, arrisquem! Corram atrás, nem toda a gente tem uma Kika como eu.



Trabalho realizado por:
Fábio Oliveira

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