Páginas

domingo, 28 de maio de 2017

A memória de um ditador

Avenida Dr. Oliveira Salazar
António de Oliveira Salazar, natural de Santa Comba Dão, da Freguesia do Vimieiro, é conhecido na terra como uma pessoa humilde  e que “não tirava nada ao Estado”. Apesar da sua história e da marca que deixou em Portugal, o seu património encontra-se ao abandono. No entanto, embora a sua casa estar abandonada e a sua estátua ter dado lugar a uma fonte no centro da cidade. o ditador não é esquecido na sua terra natal. Na madrugada do dia 12 de fevereiro de 1978 a estátua, que já não tinha a cabeça de Salazar, foi destruída por uma bomba. Os sinais visíveis que ainda restam da sua passagem são a avenida Dr. Oliveira Salazar, a antiga estrada para Coimbra que passava à porta da casa onde nasceu e da outra que comprou já era presidente do Conselho e ainda a Escola_Cantinha Salazar.


Casa do Dr. Oliveira Salazar
Assim, numa perspectiva diferente, as pessoas ainda têm bem presentes na memória a pessoa que ele era e os seus costumes quando estava na sua terra, o Vimieiro.
Aurora Borges, residente em Santa Comba Dão, relembra a passagem do ditador pela cidade.“ Dizem muito sobre Salazar, mas a verdade é que ele não tirava nada ao Estado, como acontece agora”. A residente explica que Salazar era uma pessoa humilde, quando ia a Santa Comba Dão, a empregada ia às compras para a casa, mas ele tirava sempre dinheiro dele para as compras e para o transporte. “Era também costume mandar fazer um par de sapatos por ano, sem tirar dinheiro nenhum ao Estado”, acrescenta. Por fim relembra ainda, que “ mesmo quando fazia um jantar, ou havia algum evento especial, o talher que era usado para essa ocasião era reposto logo a seguir. Não é como agora que quanto mais puderem roubar ao Estado melhor”.

Escola_Cantina Salazar
Todavia, João Bernardo, recorda ainda o tempo da guerra em que “tudo era racionado, pois a comida tinha de ir para fora para o exército, mesmo que pudéssemos comprar mais, não podíamos”. Este, refere ainda que “o povo está melhor agora porque há mais liberdade e não há tanta fome” como no seu tempo. Contudo, admite que “apesar de ter havido muita miséria e de o povo ter passado muita fome, não havia a corrupção que há hoje em dia”.

São várias as histórias que se contam acerca do seu funeral e do sitio onde estará o seu corpo. “Apesar de ter sido feito um funeral no cemitério do Vimieiro acredita-se que o corpo não estaria dentro do caixão”, explica Aurora Borges.
No cemitério pode-se encontrar um pequeno memorial em sua honra com um poema e algumas frases.





“O Homem mais poderoso de Portugal
Do século XX, e modesto sem igual
Nasceu humilde e humilde cresceu
Viveu humilde e humilde morreu
…
Medíocre é o povo que com ele nada aprendeu”.


Memorial no cemitério do Vimieiro

“Havemos de chorar os mortos, se os vivos não o merecerem”.
“O errar é próprio dos Homens, mas até à data foi o melhor estadista.
É o mais honesto dos governantes de Portugal”.







Trabalho realizado por:
 Joana Beja



Rotinas

Trabalho feito por: Pedro Meneses

"3 Penáltis Por Assinalar, Menos 1 Nos Açores"

"3 Penáltis Por Assinalar, Menos 1 Nos Açores" é um programa regional e semanal de comentário satírico-desportivo da Lajes FM, apresentado por Armando Costa. O tema de hoje é: "O caso do túnel de Rabo de Peixe". Os convidados são o antigo presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, o presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa e o professor José Pedro Cerveira, da Escola Superior de Educação de Coimbra.


"3 Penáltis Por Assinalar, Menos 1 Nos Açores"


Trabalho realizado por:
-Mário Mateus.

sábado, 27 de maio de 2017

“As marcas ficam cá para toda a vida”
Cerca de um milhão e meio de soldados portugueses estiveram envolvidos na guerra do Ultramar.

Passados 56 anos do início da guerra do Ultramar são muitas as memórias e pesadelos que ainda assombram a vida de quem foi obrigado a participar numa guerra que não considerava sua. Lúcio Costa, do regimento da infantaria 1 da Amadora, foi destacado para a província ultramarina de Angola. Hoje, com 76 anos, conta-nos o que passou em solo angolano e a emoção que não conseguiu conter.

Em que ano foi destacado para a guerra do Ultramar?
Estava na Amadora há dois meses na recruta quando a chacina à população branca começou em Angola. Só estávamos para ir para Luanda em 1962, mas como a guerra “explodiu” o comandante ofereceu a nossa companhia. Eramos a Quinta Companhia de Caçadores Especiais, e fomos obrigados a ir em 1961, ainda sem qualquer experiência.

Teve a oportunidade de se despedir de quem mais gostava?
Como fomos das primeiras companhias a ir, recebemos as fardas numa tarde e ao outro dia de manhã apanhamos logo o avião. Muitos militares não quiseram, mas eu ainda vim a casa. Tive de me despedir dos meus pais, até porque não sabia se era a ultima vez que os via.
Lúcio Costa, Angola 1962

Percebia as razões deste combate ao serviço de Portugal?
Eu sabia que ia para uma guerra, mas não fazia ideia do que ia encontrar. Estávamos a ir para o
desconhecido, deixando o nosso país para trás. Praticamente íamos de olhos “vendados”.

Já tinha tocado em armas?
Nunca tinha tocado em armas. Mas ali era preciso, apesar da experiência ser nula tínhamos de nos defender. Ao início usávamos uma espécie de espingarda. Só para o fim é que nos deram as automáticas.

Tinha noção de que o risco de vida era grande.
Sim, claro. Mas as forças rebeldes da UPA tinham estratégias que fomos conhecendo. Por exemplo, quando víamos uma árvore caída no chão a tapar um caminho já sabíamos que ali estavam eles à nossa espera. Prontos para nos matar assim que descêssemos do jipe. Como já sabíamos metralhávamos aquela zona toda, não podíamos correr esse risco.

O que é que ainda hoje o emociona?
Daquilo que vi o que mais me emociona foi um episódio que vivi na fazenda Nunes, nos arredores de Quitexe. Ao chegar a este local a primeira coisa que vi foi num berço, um bebé completamente mutilado. Isto deita qualquer um abaixo. Passados já tantos anos são imagens que ainda estão muito presentes na minha cabeça. Foi das piores coisas que vi. 

Além deste, houve mais algum episódio que o tenha marcado?
Chegamos a uma serração noutra fazenda, onde encontramos sete corpos chacinados. Ali tinham agarrado nas pernas dos meninos mais pequenos e batiam com eles na parede, foi assim que os mataram. Fizeram as maiores atrocidades àquelas pessoas e crianças inocentes.
Lúcio Costa com um colega

Como foi ver os seus colegas morrer?
Não foram muitos. Só vi dois colegas meus falecerem. Um deles porque o carro de combate que conduzia se virou e ele teve o azar de ficar lá de baixo. O outro também por acidente. Um dos sargentos levava uma arma FBP e num segundo aquilo disparou. O meu colega estava na frente e foi atingido.

Conseguia dormir?

Muito pouco. Quem é que não tinha medo? Todos tínhamos. Durante a noite era ainda pior. Quando conseguíamos dormir era no chão. Fazíamos turnos. Uns descansavam, enquanto os outros ficavam de vigia. Não podíamos estar descansados porque a qualquer momento podíamos ser atacados. A minha “melhor amiga” era a espingarda. Dormia com ela, caso houvesse alguma coisa de repente estava pronto a disparar.


Como conseguiu gerir as emoções no meio de algo tão atroz?
Não foi fácil. Chorei muitas vezes. Tinha saudades de casa e do meu país. Mas principalmente por tudo aquilo que se passava em Angola e o que eu via.

Eram bem alimentados?  
Quando íamos para o mato comíamos ração de combate. Latas de atum ou sardinha, bolachas de água e sal, não tínhamos muito mais. Para “matar” a sede, muitas vezes, bebíamos a água das poças sujas. Não havia mais nada e a sede era muita.

Os últimos meses continuaram assim atribulados?
Não. Regressei em 1963 e os últimos meses já eram muito mais calmos. Já não passávamos fome, por exemplo, comíamos santola e lagosta. As pessoas de lá tratavam-nos como se fossemos da família.

Como reagiu no dia em que anunciaram o regresso a Portugal?
Foi uma alegria muito grande quando nos disseram que podíamos regressar a casa, ao nosso país. Eu só queria vir embora.

Veio um homem diferente?
Depois de tudo o que vivi naquelas fazendas, tornei-me um homem diferente. Quando regressei a Portugal estava muito revoltado e agressivo. Tudo era razão para agir com violência. Aos poucos fui acalmando e, hoje em dia, controlo-me muito melhor, mas as marcas ficam cá para toda a vida.
maio, 2017
Os traumas ainda estão presentes?
Estive em Angola durante dois anos e seis meses. Não dá para simplesmente apagar da memória um período tão marcante que vivenciei. Ainda hoje adormeço e acordo com pesadelos, como se ainda lá estivesse. Não é fácil lidar com as coisas que vimos.
               
                 
                                                                                                                Ana Margarida Costa
                                                                                                               Atelier de Cibercultura

sexta-feira, 26 de maio de 2017

O futebol contribui para o desenvolvimento das crianças?


O professor Hugo Sarmento responde




Entrevista a Hugo Sarmento: “Se as metodologias forem as adequadas, podem tornar-se resilientes, trabalhadores focados, com objectivos e cumpridores. As mesmas normas para jogadores diferentes têm resultados diferentes.”

Hugo Sarmento foi treinador e atualmente é investigador e professor na Faculdade de Ciências do Desporto (FCDEF) da Universidade de Coimbra (UC), onde a entrevista teve lugar. Foi possível perceber a enorme movimentação de alunos e desportistas.

É licenciado em Ciências do Desporto e Educação Física pela Universidade de Coimbra. Mestre em Treino de Alto Rendimento pela Universidade do Porto e doutor em Ciências do Desporto pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Possui um pós-doutoramento em Ciências do Desporto pela Faculdade de Motricidade Humana.

Exerceu o cargo de professor durante anos, no ensino secundário e no ensino superior. Dentro do ensino superior, trabalhou no Instituto Politécnico de Viseu e no Instituto Superior da Maia.

No mundo do futebol foi treinador do campeonato nacional de seniores de vários clubes da região de Coimbra e ocupou durante quatro anos o cargo de treinador na Academia do Sporting em escalões sub-10 e sub-13.


A entrevista foi realizada no âmbito de uma reportagem para unidade curricular Jornalismo Digital, do segundo ano do curso de Comunicação Social (reportagem aqui: https://goo.gl/VOIkUd).

Ao longo da entrevista procurei desmistificar de que forma o futebol contribui para o desenvolvimento das crianças, perceber qual o comportamento que os pais adotam e quais as suas consequências.



O futebol pode influenciar o desenvolvimento da personalidade das crianças?
Pode, como qualquer outra atividade do dia a dia. Até que ponto isso se pode mensurar é mais difícil de identificar e de tornar objetivo. Pode influenciar de várias formas, positiva ou negativamente. Se as metodologias forem as adequadas, podem tornar-se resilientes, trabalhadores focados, com objetivos e cumpridores. As mesmas normas para jogadores diferentes têm resultados diferentes. Há aspetos da personalidade deles que são intrínsecos e que não são moldáveis assim tão facilmente. E se o suporte parental não for adequado é um problema.

Que ensinamentos/ práticas devem ser inseridas para os fazer evoluir enquanto seres humanos? 
Há todo um conjunto de saberes e que tem a ver com princípios, normas, regras, que devem seguir e que é um dos principais suportes que o futebol pode dar a estas crianças. No entanto, existe um mundo de possibilidades que se encerram neste jogo desportivo coletivo. Mas depende muito da capacidade do treinador, do grupo de jogadores e dos pais.


Quais as diferenças entre treinar um adulto e treinar uma criança?
Em termos de metodologia de treino é completamente diferente. Existem fases sensíveis para desenvolver algumas das capacidades, nomeadamente a força, a resistência, a agilidade, a velocidade. Todas essas capacidades têm períodos sensíveis de desenvolvimento e necessitam de ser incrementadas nos mesmos. Portanto, há uma necessidade completamente diferente em relação aos adultos. Mesmo na forma como se lida com eles, como se fala com eles, como se planifica o treino para o tornar mais motivador. Isto acaba por ser muito diferente, se não leva a que eles abandonem a atividade desportiva. Nos seniores temos os seniores de rendimento, os seniores amadores e é muito diferente a abordagem no treino em função dessas especificidades. 

Quais os cuidados a ter quando se lida com crianças no desporto?
Há intensidades de treino que são completamente diferentes. Há uma forma de comunicar diferente. Com jovens tem de se comunicar de uma forma muito mais próxima, tem de se ser mais tolerante, cativante, porque o objetivo não é só incrementar o rendimento, embora nas academias o objetivo seja cada vez mais o rendimento. É a cima de tudo preparar o ser humano para a prática da atividade. E antes de qualquer tipo de rendimento, há que desenvolver o gosto pela prática da atividade física, que é isso que os torna adultos saudáveis, vão eles mais tarde pelo caminho do futebol ou não.

De que forma reagem as crianças às motivações (expetativas) criadas pelos treinadores e pelo desporto em si?
Há que ter cuidado com o nível dos nossos atletas. Se temos expetativas muito altas e eles não conseguem cumprir, isso pode levar a que eles abandonem a prática e proporcionar sentimentos de inferioridade perante os colegas, afetando-os negativamente. Mas isso é um aspeto que o treinador tem de dominar e saber gerir muito bem para perceber até que ponto os jogadores podem chegar.

De que forma o futebol, pelo reconhecimento e dimensão que tem, pode ajudar a combater o sedentarismo, a falta de autonomia dada pelos pais às crianças, entre outros problemas?
O futebol é uma modalidade que pela expressão que tem a nível mundial cativa as crianças para a sua prática. Ao estarem envolvidos neste contexto de equipa em que os pais não entram, pelo menos no balneário não entram. Em contexto de jogo e de treino entram cada vez mais, infelizmente. Mas o facto de eles estarem envolvidos no seio desta dinâmica permite que eles se tornem mais autónomos, que tomem decisões próprias, que se insiram na dinâmica de grupo e naturalmente a autonomia deles é favorecida. E em todas as viagens que vão jogar fora, para o estrangeiro, eles não têm o domínio dos pais e isso acaba por ser muito bom para eles se tornarem cada vez mais autónomos.


A presença dos pais em jogos e treinos é importante para as crianças?
É. Se for uma presença regular e moderada acaba por ser benéfica. Por isso é conveniente que os pais acompanhem os filhos na prática desportiva. A presença dos pais é importante. Só será má quando eles adotam comportamentos inapropriados e começam a pressionar os filhos, a questionar as decisões dos treinadores e a qualidade dos colegas. Isso faz com que os atletas tenham grandes problemas. 

Por exemplo, quando eu tava no Sporting tínhamos um atleta, na altura com 11 anos, foi dos melhores jogadores que eu vi em toda a minha vida! Era um jogador fantástico! Só que tinha um problema, treinava bem durante a semana (os pais não eram de lá e não podiam assistir) e a semana corria sempre bem. Ao domingo o pai ia ver o jogo, enquanto  jogo corria bem não havia problema. Ao primeiro passo que ele falhasse, a primeira falta que fizesse e era desnecessária, ele começava a olhar para o pai, que tinha sido também jogador de futebol e começava a chorar e eu tinha de o tirar do campo. E ele não deu jogador de futebol, está agora num clube de menor dimensão, amador, mas tinha todo um potencial para ser um grande craque.

De que forma o comportamento dos pais influencia (positiva ou negativamente) as crianças?
Qualquer comportamento negativo (pais a chamar nomes aos árbitros, a criticar os colegas, os adversários, a prestação do próprio filho e a dar continuamente indicações aos jogadores) cria-lhes transtorno e baralha-lhes a ideia de quem são os seus adultos de referência nos vários contextos.

Os comportamentos dos pais em jogos de futebol dos filhos têm sido alvo das atenções públicas pela negatividade que apresentam. Porque é que estes pais adotam este tipo de comportamentos?
Muitas vezes eles tentam projetar nos filhos aquilo que eles não foram e gostavam que os filhos fossem. Jogadores de excelência ou que atingissem determinado nível competitivo; que eles próprios não atingiram. Ou seja, projetam a sua sombra nos filhos e ao verem que os filhos não estão a conseguir esse objetivo, de certa forma, descarregam as suas frustrações nesse contexto. Outras vezes são mal educados e não conseguem ter a perceção disso.

O que precisam os pais dos atletas mais novos saber para que sejam adotados comportamentos mais corretos?
Eu acho que os pais sabem as consequências que os seus comportamentos podem ter nos miúdos. Não lhes dão é a devida importância. Quando um pai adota comportamentos negativos percebe que aquilo não está a ser positivo. Acho que é mais um caso de inconsciência.

Que papel devem desempenhar os pais?
O papel dos pais é um papel de suporte, de presença. Claro que estar num jogo, não digo que os pais tenham de ir a todos os treinos ou jogos, mas é óbvio que os filhos gostam que os pais vão, que assistam, que apoiem a sua equipa e que os apoiem. Um pai não tem de estar sempre a dizer a um filho que ele jogou bem, quando ele jogou mal. O filho também percebe isso. Agora, se o pai lhe fizer uma perspetiva correta de qual foi o seu desempenho, focando-se sempre que, mais do que a performance desportiva, o importante é ele praticar desporto, respeitar os colegas, os adversários, o árbitro e o treinador. Qualquer criança nesta situação, sente-se motivada para continuar porque sente confiança dos pais. Um pai que diga sempre ao filho que ele jogou muito bem, que foi o melhor, o filho percebe claramente que aquilo é mentira e não valoriza essas declarações.

Quais as consequências para os filhos de pais que adotam comportamentos incorretos na bancada?
Depende. Mas de uma forma genérica, se as crianças sentem o comportamento incorreto dos pais, elas podem ficar apreensivas perante a sua equipa. Podem sentir-se desmotivadas ou até mesmo abandonar a prática. Uma criança que não se sente confortável com o comportamento do seu pai na bancada não gosta de estar naquele contexto e pode não querer jogar.

O que deve ser feito para reduzir estes comportamentos em termos regionais e nacionais?
Eu acho que tem sido feito cada vez mais e há clubes a terem esse tipo de preocupações. Realizando palestras para os pais. A própria comunicação social tem dado um ênfase que ajuda a consciencializar sobre esta realidade. O caminho a  percorrer deve ser o de formar os pais para o papel que eles têm. E isto cabe não só aos clubes como é uma questão de cultura geral. Algumas das estratégias que se adotam quando se percebe que alguns pais são muito interventivos no treino e o prejudicam são organizar jogos , aulas e contratar alguém para andar à volta do campo, durante os treinos e jogos, para falar com os pais e assim evitar que estes destabilizem.

O que tem a dizer acerca da escolha por parte dos pais dos desportos para os seus filhos?
A escolha do desporto muitas vezes também reflete o estatuto social dos pais. Cada vez mais há uma tendência para não colocar os filhos em desportos coletivos e coloca-los em desportos elitistas (ténis, judo…). Mas devem ser os miúdos a escolher a prática desportiva que querem e na qual se sentem bem e felizes. O facto de os pais colocarem os filhos numa modalidade para que possam experimentar não é mau, desde que, no momento em que as crianças percebem o que gostam, lhes seja dada a liberdade de escolha. Porque ninguém fica numa modalidade obrigado e isso levará ao abandono.




Trabalho realizado por:
Rute Cunha