terça-feira, 23 de novembro de 2010

A Literatura Fantástica sob as mãos de Fábio Ventura

Fábio Ventura
Fotografia - esmiucaolivro.com
Nascido em 1986, em Portimão Fábio Miguel Ventura licenciou-se em Ciências da Comunicação na Universidade do Algarve e trabalhou como estagiário na SIC, um dos canais privados de Televisão em Portugal. A sua paixão por Fantasia e pela escrita levou-o a publicar em 2009 o seu primeiro livro, Orbias – As Guerreiras da Deusa, pela editora portuguesa A Casa das Letras. O seu segundo livro, Orbias – O Demónio Branco, foi publicado em Setembro de 2010.
O universo de Orbias gira à volta de Noemi ao descobrir que é um Anjo, uma Guerreira ancestral renascida e que, numa dimensão paralela à da Terra, existe um mundo mágico regido por uma Deusa – Orbias. Noemi terá de lidar com novos poderes e responsabilidades, perigos e emoções ao qual não estava habituada especialmente um sentimento em relação a Sebastian, um orbiano sedutor e aos poucos vai encontrando as companheiras, também elas Guerreiras. Para mais informações sobre o autor e a sua obra, consulte o seu espaço em http://orbias-asguerreirasdadeusa.blogspot.com
O Posts de Pescada fez algumas perguntas ao jovem escritor.

(David Pimenta) D.P - Quando é que surgiu a ideia de começar a escrever o seu primeiro livro?
(Fábio Ventura) F.V - A ideia de escrever um livro surgiu durante a faculdade. Sempre tive uma grande imaginação e adorava criar histórias, mas nunca pensei em aplicar isso em papel. Durante a faculdade, quando comecei de facto a escrever, comecei a ganhar um gosto especial pela escrita e foi aí que decidi escrever um livro, criar um projecto, desafiar-me a mim próprio. Foi um processo muito compensador, especialmente porque consegui cumprir o meu objectivo. A partir daí começou outro objectivo mais difícil: conseguir a sua publicação. Mas felizmente tive muita, muita sorte e a Casa das Letras decidiu pegar em mim.

D.P - Quais foram as suas inspirações?
F.V - Eu costumo dizer que me inspiro em tudo e em nada, ou seja, não há nada específico que me inspire mais. Eu diria que vou buscar imensa inspiração ao cinema, séries de televisão e videojogos, especialmente na forma de estruturar a narrativa e de explorar as personagens; ao surrealismo e ao inconsciente para criar mundos; à música para embelezar a minha escrita; aos outros livros e autores para aperfeiçoar a minha escrita. Há três nomes que preciso de referir como grandes referências para mim na arte de contar histórias: Tim Burton, Hayo Myiazaki e Hironobu Sakaguchi (criador da saga Final Fantasy).


D.P - Sentiu alguma dificuldade em ter a sua obra publicada?
F.V - Eu tive duas versões do Orbias que coincidiram com duas fases de submissões para as editoras. Da primeira vez, dois anos antes da publicação do livro, não tive sorte. Não recebi qualquer resposta das editoras, mas mais tarde percebi porquê: a obra estava muito fraca. Mais tarde voltei a investir no mundo de Orbias e reescrevi completamente o livro. Nessa altura fui mais cauteloso e enviei apenas um capítulo e a sinopse num primeiro contacto com as editoras. Tive imensa sorte, pois a Casa das Letras respondeu-me rapidamente e pediu-me a obra completa. Um mês depois soube que iria mesmo ser publicada. Nenhuma das outras editoras me respondeu até hoje…

D.P -  No geral, como acha que foi a reacção do público às suas obras? Algumas diferenças entre as duas publicadas até ao momento?
F.V - A aceitação e o sucesso não podiam ter sido melhores. Tendo em conta que era um autor duplamente jovem (na idade e no mercado) e tinha arriscado num género, por vezes, discriminado, consegui pôr muita gente a ler o Orbias ou simplesmente a falar sobre o Orbias. O trabalho de divulgação da editora e da minha parte foi muito importante para esse sucesso. O livro teve algumas críticas, sim, mas também teve muitos aplausos e um grande grupo de leitores que se tornou fiel.
Este segundo volume é bastante diferente do primeiro, embora não tenha perdido a sua “magia” e o seu espírito. Eu aproveitei todas as críticas e conselhos para melhorar a minha escrita e a própria história, sem perder o meu estilo e criatividade. Eu diria que este novo volume, para além de mais negro e maduro, é mais envolvente e há uma maior exploração das personagens e das suas relações que vai agradar ao leitor.

D.P - E projectos para o futuro? Existem alguns?
F.V - Existe um novo livro que estou a escrever para ser publicado para o ano. Será do género fantástico, mas mais maduro e menos fantasioso que o Orbias. Eu e a editora ouvimos alguns leitores e, como o segundo Orbias fecha um ciclo da história, decidimos parar ou pausar a saga. Também estou a preparar um conto para ser publicado numa antologia de uma editora do Brasil que vai juntar autores portugueses e brasileiros.


D.P - Como acha que se encontra o nosso país em questões de Literatura? Os portugueses contêm hábitos de leitura, ao contrário do que muitos cidadãos pensam?
F.V - Penso que o nosso país está muito bem fornecido a nível de literatura. Por um lado, é um país onde o mercado literário tem sofrido um crescimento imenso e onde as editoras começaram a apostar em cada vez mais quantidade e variedade de livros aliada a um marketing cada vez mais inovador. E isso só é possível graças ao grande número de leitores portugueses. Por outro lado, apesar da forte influência de autores estrangeiros, temos excelentes autores portugueses que “povoam” os top’s de vendas durante várias semanas.
No caso mais específico dos leitores mais jovens, também se assiste a um aumento dos hábitos de leitura. O género Fantástico tem sido essencial para esse crescimento, sendo que é o género de eleição dos mais jovens e do chamado público “jovem-adulto”. Penso que essa mudança surgiu com o Harry Potter e foi de certa forma renovada com o Twilight e consequente moda de vampiros. Hoje em dia, quando faço divulgação dos Orbias nas escolas, vejo que muitos jovens lêem com frequência e isso era algo que não acontecia quando eu andava na escola.
Há muito o preconceito que o português não lê, especialmente o português mais novo. É verdade que ainda temos um longo caminho a percorrer e os números de leitores ainda não são satisfatórios, mas penso que somos um país leitor, com toda a certeza.


D.P - Algum conselho para os novos escritores?
F.V - Cinco ingredientes essenciais para formar o “bolo”: talento, muita persistência, muita prática de escrita, muita leitura, muita capacidade para sonhar. Se conseguirem juntar todos esses elementos, conseguem alcançar os vossos objectivos.


David Monteiro Pimenta - Grupo 1

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