terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Artigo de Opinião - "A Sombra do que fomos", Luís Sepúlveda

Artigo de Opinião - "A Sombra do que fomos", Luís Sepúlveda

   Desta vez, para me vingar das minhas leituras arrastadas, li este livro num dia (sim, ajuda que o dito seja reduzido em páginas)! Tirando a História Do Gato Que Ensinou A Gaivota A Voar, não tinha apreciado realmente mais nenhuma obra deste autor. A razão é muito simples: é que este autor descreve muito o estado político-social do Chile de décadas anteriores e às vezes a descrição é tão cerrada nesse aspecto que se torna maçador (o caso a que me refiro é o Patagónia Express).  No entanto, com o decorrer da acção de "A Sombra do que fomos", acabamos por suportar tudo isto para acompanhar a história de quatro exilados políticos que, já cinquentões ou mais, retornam ao seu país para se verem como que recrutados para recuperar uma quantia de dinheiro (já não me lembro bem derivada de quê, nem de onde, mas tem a ver com os conflitos políticos da sua juventude), há muito escondida, procurada e nunca encontrada. A pessoa por detrás deste recrutamento, a quem se referem como Sombra, está em preparação para divulgar a três dos homens a forma de recuperar esse tão desejado tesouro, quando se vê confrontado com a Morte, vinda sob a forma de um gira-discos voando pelos ares, em consequência de um conflito conjugal... E depois disto não há como não agarrar o livro pelo seu humor e ler até ao fim o que um destino destes, e do de personagens cómicas na seriedade das suas circunstâncias (só lendo é que se percebe a que é que me refiro), traz na manga. Para levantar um pouco o véu, digamos que o cônjuge da esposa enfurecida (responsável pelo voo do gira-discos), fanático por Clássicos do cinema e capaz de imaginar as melhores cenas dignas de Óscar (inspiradas pela sua paixão, claro) para se livrar do homicídio, acaba por, através deste estranho acontecimento, tomar contacto com os restantes três e fazer parte do grupo que desfrutará do tesouro escondido.
   Um homem obcecado por cinema Clássico, um homem que procura uma namorada pela Internet, um homem que teve a mais estúpida experiência com frangos, pintos e galinhas (e que por isso, os detesta) e aprende com o segundo a procurar namoradas pela Internet ("Tu mandas fotografias em pêlo?") e um último a quem falta "um fusível"...Todos exilados, todos retornados. É humor na certa.
Gostei bastante. Aconselho vivamente.



Sofia Fernandes
grupo 3

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