terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Crónica: "A esperança está onde menos se espera"

São muitas as vozes que dizem que os filmes portugueses não são tão fantásticos como os produzidos em Hollywood, que os nossos contêm cenas menos próprias ao longo de toda a narrativa, que têm sempre os mesmos actores, a história é sempre igual e aquele velho pensamento que só o que é de fora é que é que tem qualidade. Porém, o que é nacional também é bom.

 “A esperança está onde menos se espera” é o título que prende o espectador desde o início até ao fim e na apoteose final irá fazê-lo pensar que a vida não é assim tão estável como pensamos. A produção é de 2009 e tem a realização de Joaquim Leitão. Apesar de não ser uma história soberba, reúne todos os ingredientes para ser considerado um bom filme. Com a particularidade de ter saído para as salas de cinema num momento em que a economia do país estava no auge da sua queda e em que muitas famílias perderam os bens conquistados ao longo de uma vida de árduo trabalho, muitos foram aqueles que se viram reflectidos na tela e perspectivaram uma viragem no seu infortúnio ou os que não tendo caído começaram a pensar no quão frágil é a vida. Porém, um dia a janela pode abrir-se novamente.

Lourenço (Carlos Nunes) tem 15 anos e é feliz, é o melhor aluno de um dos mais exclusivos colégios particulares de Cascais/Sintra, tem uma banda e é popular entre as raparigas. O pai, Francisco Figueiredo (Virgílio Castelo), é um treinador de futebol que começa a construir uma carreira de sucesso e, apesar de treinar uma equipa modesta, qualificou-se para a final da Taça de Portugal. Mas Francisco é um homem de princípios e não quer ganhar a qualquer custo, o que lhe vai sair caro. É despedido do clube e nenhuma outra equipa o contrata. Todos lhe fecham as portas. E mês após mês, o dinheiro vai-se esgotando. Lourenço tem de deixar o Colégio e passa a frequentar uma Escola Secundária oficial cujos alunos são predominantemente da Cova da Moura. Lourenço, ao mesmo tempo que luta para se integrar numa nova e dura realidade, vai também ajudar o pai a recuperar a dignidade perdida.

Este é um bom filme português que vale a pena ver. É uma história consistente, tem ritmo, tem bons actores e obriga a assistência a reflectir.
Joana Santos - Grupo2

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