sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Artigo de Opinião: Ataque de glicose


por Joana Góis, R1


Por volta das seis horas da tarde, já se ouve o genérico na minha casa, no país inteiro, talvez até em alguns locais do mundo. E assim acontece há oito anos.

A “escola de talentos”, como é apelidada por algumas pessoas, cai no ridículo de tentar aproximar-se da vida dos adolescentes de hoje em dia. Ninguém, e vão concordar comigo, do estrato médio, consegue ir durante as férias de verão na totalidade para a praia. Isto, porque atrás de 9 séries caracterizando anos lectivos, seguem 8 temporadas de descanso destas. Já não se aguenta ouvir falar do mesmo, já não aguento ter um canal de televisão durante duas horas a passar a repetição do dia anterior e um novo episódio. A força do destaque dado pela TVI a esta série adolescente deixa todo o país diabético, tal não é a quantidade de açúcar que estamos habituados a consumir, há cerca de 3000 dias. Depois, é óbvio que as falas das personagens só podem ser do mais básico e rudimentar possível. Quando sou “obrigada”, pelo meu irmão de sete anos, a ver esta novela, não posso deixar de ficar boquiaberta com os diálogos que ouço. É verdade (tal como os críticos afirmam) que a série é um lugar onde novos talentos têm oportunidade de florescer, visto que se vêem a trabalhar ao lado de grandes nomes portugueses que por lá passaram como Nicolau Breyner e Ana Zannati. Mas, não nos esqueçamos de verificar que a maioria destes pequenos actores sofre ainda de um escasso nível de aproveitamento, e decerto não é única e exclusivamente quem tem voto na matéria que se apercebe dessa realidade.

A história é sempre a mesma, o que (ainda) vai variando, são as pessoas que a vivem. Podemos pedir, por favor, para substituir por umas bananas com sal? Já ninguém pode com tanta coisa doce.





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