sábado, 22 de outubro de 2011

Portugueses e programas educativos: uma triste realidade

Analisando tudo o que a televisão portuguesa transmite todas as semanas, todos os dias, deparamo-nos com várias diferenças, a vários níveis.
Temos programas informativos, como são os telejornais (matinais, da hora de almoço e da noite), de carácter político, económico e social, com debates entre especialistas, o que é transmitido em várias horas ao longo do dia, principalmente em canais informativos (por satélite ou cabo) mas também em canal aberto (nos telejornais). Existem os desportivos, este um caso semelhante ao anterior e, por fim, as telenovelas, os reality shows e uma quantidade infinita de programas do mesmo tipo. Tipo esse que, por muitos (em termos gerais, poucos) é apelidado de várias formas e feitios nada agradáveis de ouvir ou ler, mas que têm a sua razão de ser.
Semanalmente, todos nós temos acesso à informação acerca das audiências da televisão portuguesa e, na maior parte delas temos sempre «campeões» diferentes, sendo que, em maior parte dos casos, jogam todos no mesmo campeonato. Isto é, é rara a semana em que o programa mais visto pelos portugueses não seja, referindo-nos à actualidade, a «Casa dos Segredos», um episódio especial (ou não) da novela da SIC ou da TVI, programas diurnos, tanto transmitidos de manhã como de tarde, em que só se fala de «fofocas» sobre os famosos, contendo informação como «Cristiano Ronaldo saiu para jantar com a mulher e o filho, tendo levado o seu Mercedes e depois de saírem não conseguimos apurar para onde foi a ida da família.».
Posto isto, grande parte das pessoas fica indignada por não saber pormenores (tornados por elas em por maiores) de coisas que não interessam absolutamente nada para as suas vidas nem para o bem de um país ou do Mundo, ou pelo menos não trazem nada de novo nem de bom. Tal como estão bastante interessadas em saber qual o segredo que a pessoa «x» ou «y» esconde e que vai ser descoberto antes de sair de uma casa em que tudo o que se lá passa é público e toda a gente vê. Ou emocionam-se com histórias de amor/ódio e peripécias da ficção nacional que se forem pensadas na vida real são completamente diferentes. Concluindo, tudo isto é tudo menos educativo e enriquecedor para o nosso intelectual.
Maior parte das pessoas não está muito preocupada em assistir a debates políticos em que se discute a situação real e actual do país, que neste momento é preocupante, ou se preocupa com os cortes nos salários e com o aumento do desemprego, do défice, enfim, crise… mas está preocupada com quem vai ser o próximo a ser expulso da casa mais famosa do país ou com quem vai acabar feliz com quem na novela a que assiste…
Uma triste realidade. Mas será essas pessoas vivem mesmo no real?


Xavier Vaz Gomes, R2

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