sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Reportagem: Ser estudante, dia após dia

Todos sabemos, como estudantes de ensino superior, as dificuldades monetárias a que nos sujeitamos, a vida incorrecta que levamos e, muitas vezes, por falta de tempo ou desleixo, não seguimos os melhores hábitos de saúde. Tomando um modelo de estudante que, tal como nós, frequenta o curso de comunicação social na Escola Superior de Educação de Coimbra, tentaremos descrever o seu quotidiano, e os gastos monetários que lhe estão associados. Quanto mais não seja, para mostrar aos senhores engenheiros que mandam no nosso país, que a cortar bolsas a este ritmo, vão passar a haver trabalhadores precários ao invés de estudantes universitários.

Por João Rosado, Joel Domingos e Xavier Vaz R2

Segunda e Quarta-feira:

Estes são os dias considerados "normais", que são dedicados unicamente à frequência nas aulas e a actividades extra aula de enriquecimento curricular.

Pela manhã, e contando que toma o pequeno-almoço em casa, existe o tão conhecido intervalo, onde se aproveita para enganar o estômago com uma comidinha, só para adiar o almoço. Aqui são gastos cerca de 2€.

Prosseguem as aulas até à hora de almoço, e o nosso amigo dirige-se à cantina da escola, onde conta com um prato social no valor de 2,40€.

Agora da parte da tarde, o aluno não tem aulas, e aproveita para se envolver em projectos relacionados com o seu curso, como uma televisão, um jornal ou uma rádio, mas que em nada têm a haver com o seu horário. Assim sendo, há a obrigatoriedade de se distanciar de casa e, por isso, a necessidade de refeições fora dela. Aqui temos um gasto de mais 2€ num lanche a meio da tarde, e de mais um prato social à hora de jantar, se o universitário se dirigir, por exemplo, às cantinas amarelas perto da Praça da República.

Já no fim do dia, quando sai do seu "local de trabalho", o estudante terá de se dirigir a casa, e fará o percurso de autocarro, caso ainda estejam a circular, ou terá de ir a pé, pois de táxi seria uma despesa considerável a acrescentar a todas as outras.

Terça e Quinta-feira:

Como todos sabemos, estas representam as noites académicas, onde todo o estudante aproveita para ir beber um café e descontrair com amigos e colegas de curso. Contando que sai numa destas noites, com os tão conhecidos "jantares de curso" e tudo o que os envolve, contaremos com um gasto de 15 €. A partir da meia noite, como não há autocarros, resta ao estudante retornar a casa a pé, caso não lhe reste dinheiro para o táxi que envolve, em média, uma despesa de cerca de 5€. é claro que a isto são acrescidos os habituais gastos, tirando apenas os 2,40€ de prato social que supostamente seriam gastos no jantar.

Sexta-feira:

Chega finalmente o dia de retornar a casa. Isto para quem consegue, é claro. Com aulas durante a manhã e seus gastos adversos, é durante a tarde que o estudante se dirige a sua casa. Terá de fazer as malas e apanhar um autocarro que, fazendo uma estimativa de cerca de 100 quilómetros de distância, ir e voltar irá perfazer a quantia de 50€.

Cotada a quantia semanal que este estudante despendeu, chegamos ao valor irrisório de 102,20€. Isto porque ele andou a pé, senão teríamos de adicionar cerca de 5€ por cada dia de semana.

Bem, senhor ministro, como deve saber, um mês tem em media 4 semanas, o que significa quadruplicar este valor, e levar para metade a sola do menino.

De seguida, existe ainda a casa, gás, água e electricidade, em que tudo junto ronda os 200 euros. Depois, caso o estudante esteja inserido em algumas actividades extracurriculares ou não more a 100 metros do seu estabelecimento de ensino, aumentar-lhe-emos o valor do passe, que fica em 20 euros mensais. Temos ainda as telecomunicações, que são indispensáveis hoje em dia, como o caso do telemóvel, onde lhe poderemos adicionar 10 euros ao mês. Há ainda a possibilidade de o estudante ter internet em casa, para realizar os tais trabalhos para o seu curso e outro tipo de lazeres. Aqui, estimando 3 pessoas num apartamento, e internet a 20 euros/mês, estaremos a adicionar 7 eurinhos a esta conta. Temos também certos gastos, como a compra de vestuário, ou outro tipo de tecnologias, pois só em sapatos vai uma fortuna, e o que se tem não dura para sempre. Dar-lhe-emos, assim por baixo, mais 20 euritos. E por fim, temos as fotocópias que tanto podem ir de 5 a 50 euros mensais e os livros originais que temos de comprar, pois não podemos reproduzir cópias não autorizadas.

Bem, senhor ministro, no fim do mês temos uma quantia choruda, são 665,8€! Sem contar com fotocópias... Imagine agora um casal com 2 filhos na universidade e veja no que dá. Não quer cortar-nos mais um pouco?

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