sexta-feira, 7 de outubro de 2011


Reportagem – Regresso às Aulas


Regresso às novas lições

A cada ano que passa entram milhares de novos estudantes nas universidades e escolas portuguesas. Poucos dias após o inicio das actividades lectivas acompanhamos um dia do regresso às aulas de duas estudantes que, apesar de doze anos de diferença, apresentam muitas semelhanças no que respeita a esta nova etapa das suas vidas.

Podia ser apenas mais um dia de rotina para a pequena Catarina (nome fictício) de 6 anos. Mas, este dia, foge muito do que foi habitual para esta criança ao longo dos seus poucos anos de vida. Estamos no dia 26 de Setembro, e é ainda com alguma estranheza que Catarina, se despede da mãe para entrar na sala de aula da Escola da Barroca de Fiães, distrito de Aveiro. Apesar de já terem passado alguns dias após o primeiro dia de aulas, ainda é visível o nervosismo na expressão da criança que começa, agora, a adaptar-se a uma nova realidade. Segundo Sílvia Sousa, mãe da criança, a adaptação a “esta nova etapa da sua vida tem sido bastante positiva, no entanto as perguntas e receios são uma constante”.
Noutro ponto do país, nomeadamente em Coimbra, Mónica Silva dá os primeiros passos na Escola Superior de Educação disposta a “enfrentar um dia cheio de novidades”, refere a jovem de 19 anos, natural das Caldas da Rainha. É bastante visível a satisfação na face da estudante de Comunicação social, pois atingiu o seu principal objectivo “entrar em Coimbra e neste preciso curso” pois foi a sua primeira opção na candidatura. Longe de casa e da sua família salienta que o alojamento “não é muito acessível mas existe uma grande oferta”, conseguindo assim arranjar quarto rapidamente.
Embora exista uma larga diferença de idades entre estas duas jovens, há algo que as une, a entrada numa etapa totalmente desconhecida. Com um ar bastante envergonhado, Catarina conta “já tenho duas amiguinhas”, e, apesar sua expressão embaraçada a mãe menciona que “dias antes da escola começar sentia a minha filha bastante nervosa e agitada, no entanto está-se a adaptar bastante bem, mostrando algum entusiasmo em relação às actividades escolares”. A integração é essencial nesta nova fase, por vezes chega a ser um problema para alguns, mas no caso de Mónica tal não se sucede. São já quase duas da tarde e a jovem depois de uma manhã de aulas enfrenta agora a tradição académica, as praxes. Na sua opinião, participar nas actividades praxísticas não é algo que a aborreça, pelo contrário “estou a gostar bastante e na minha opinião a praxe, quando não ultrapassa os limites do bom senso, só traz vantagens, pois contribui para a integração”. A jovem estudante refere que “já conhecia alguns amigos que estudavam em Coimbra”, tornando assim todo o processo de adaptação mais fácil. No entanto, a transição do ensino secundário para o ensino superior não é fácil, os deveres e exigências são acrescidas, pois “ingressar num curso do ensino superior e viver sozinha pode significar o aumento da liberdade mas também da responsabilidade”, relembra a jovem universitária. Bem ciente da actual situação do mundo de trabalho, a primeiranista não esquece a importância do seu rendimento escolar. “Tenho consciência que me espera um futuro profissional pautado pela competitividade, quero começar com o pé direito e preparar a minha formação da melhor forma possível”, explica Mónica. Distante de casa e da protecção dos pais, os recém chegados ao ensino superior enfrentam desafios completamente novos, como por exemplo gerir recursos económicos e lidar com colegas de turma que têm objectivos muito semelhantes.

De forma vaidosa a pequena Catarina desce as pequenas escadas da sua escola, terminou o dia de aulas por hoje. Assim que vê a mãe, a criança exibe um sorriso e entrega a grande pasta cor-de-rosa. “Como correram as aulas? “, pergunta a mãe e a pequena acena-lhe constrangida com a nossa presença. Na entrada da escola existem muitas outras crianças felizes por verem as suas mães novamente, “é normal que nestes primeiros dias haja algum receio por parte das crianças, é difícil explicar-lhes porque razão têm que sair da pré-escola e abandonar os antigos coleguinhas”, comenta a mãe de Catarina. As diferenças entre o infantário e a escola primária são diversas, começam a introduzir-se horários, regras de comportamento e as primeiras exigências. Sílvia Sousa refere que “é lógico que o acompanhamento e o tratamento dado no infantário não pode ser o mesmo na escola primária, mas penso que seja melhor preparar os nossos filhos para uma realidade que deixa de ser tão flexível”.
Para Mónica e Catarina, começa agora um grande desafio. No caso, da mais nova começam agora a ser introduzidas as primeiras regras e responsabilidades “agora sei que tenho de fazer os trabalhos que a professora manda, e ter o meu caderno organizado “, explica Catarina. No caso de Mónica estas tornam-se acrescidas “viver sozinha para mim é uma responsabilidade, longe de casa e da família tenho que ser cada vez mais autónoma”. Ainda que em idades totalmente distintas ambas iniciam um processo de crescimento pessoal. Para a estudante universitária estes são os últimos passos para se tornar totalmente independente, enquanto para a pequena Catarina só agora começa a perceber as responsabilidades que implicam o crescimento. 


Por : Rosália Costa
 Redacção 1

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