segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Latada menos crítica


É mais um ano em que se repete o cortejo da latada. São muitos os desfilam pelas ruas de Coimbra, caloiros vestidos a rigor, acompanhados por estudantes com os seus nabos. Do outro lado observam-nos familiares e curiosos.

 É neste cenário que encontramos Margarida Pinto, natural de Estarreja. Não foi estudante universitária, mas hoje acompanha o seu filho, estudante do primeiro ano de mecânica. Numa breve conversa esta mãe conta-nos a sua perspectiva sobre o cortejo da latada, tendo sempre um olhar de alguém que nunca fez parte desta realidade.
Rosália Costa: Porque decidiu vir ao cortejo da latada?
Margarida Pinto: A grande razão por estar aqui é ter um filho que estudar pela primeira vez. Sendo Coimbra a “cidade dos estudantes” também tinha grande curiosidade em saber como eram estas festas, como se desenvolvem, o ambiente e espírito académico. Como nunca fui estudante universitária nunca estive em contacto com esta realidade, só tinha conhecimento pelo que era mostrado na televisão, então vim com o interesse em descobrir o que aqui se passava. E como é obvio, tenho um grande gosto em acompanhar o meu filho nesta nova fase da vida.
RC: Quais eram as suas expectativas para esta latada?
MP: Como já disse anteriormente, não tinha grandes ideias do que seria a latada. Mas imaginava principalmente muitos estudantes em euforia na rua.
RC: Em que medida relaciona a latada com o espírito académico e com a praxe?
MP: Apesar de não ter grandes conhecimentos sobre as praxes, penso que a latada seja o final de um ciclo de praxes, em que os caloiros se apresentam à cidade e são baptizados pela primeira vez. Naturalmente só os estudantes que estão envolvidos nas praxes é que participam activamente no cortejo.

RC: Concorda com a praxe ?
MP: Acho que não posso dizer que concordo plenamente, ou que discordo. Com o moderação e bom senso e havendo sempre respeito pelo outro a praxe é sempre uma mais-valia. No fundo são brincadeiras engraçadas para envolver os estudantes. Mas claro que já ouvi muitos testemunhos de antigos estudantes que lembram a praxe como algo assustador, em que referem histórias pavorosas e de situações em que não há o mínimo de respeito.  A praxe é positiva se for aplicada da maneira certa, de outra forma só torna mais dolorosa a entrada na faculdade.

RC: Se fosse estudante participaria nas actividades praxisticas?
MP: Sim, se tivesse seguido o ensino universitário acho que não me importava de me vestir como os estudantes que vejo agora no cortejo, acabam por ser brincadeiras muito divertidas.


RC: Qual o ponto alto do cortejo da latada?
MP: Pessoalmente o momento que mais gostei foi o baptismo no Mondego. Só quem vê de perto é que consegue perceber a emoção tanto dos caloiros como dos padrinhos que os baptizam. É uma tradição que se deve ser preservada.
RC: Na sua opinião quais forma os pontos mais negativos do cortejo da latada?
MP: (risos) Essas são as coisas do costume, que acontecem em qualquer festa, os grandes exageros. Já estava à espera que isto acontecesse, mas faz me alguma confusão pensar que jovens com cada vez mais cultura e acesso a informação continuam a beber sem pensar nas consequências. Acaba por ser triste ver um cortejo com tanta alegria e diversão ser invadido por ambulâncias, algo que podia ser evitado. Também não gostei da desordem e confusão, devia estar tudo mais organizado.  
RC: Sendo estes os jovens que serão o futuro do nosso pais, não acha que estão demasiado conformados com a situação económico-social que se vive na actualidade, deixando de utilizar tanto a crítica no cortejo?
MP: Tinha uma ideia bastante diferente do que presenciei hoje no cortejo. Através dos meios de comunicação social pensava que o cortejo estava principalmente focado em criticas politicas, no entanto, apesar de ainda existir alguma critica o cortejo assemelha se mais a um pequeno carnaval, com uma mistura entre estudantes trajados e caloiros vestidos das mais diversas formas. Na minha opinião o cortejo devia ser mais alusivo às criticas, pois é uma óptima oportunidade dos estudantes se manifestarem, mas com a crise actual acho que os estudantes preferem aproveitar estas ocasiões para se divertirem ao máximo e esquecerem esse tipo de problemas.

 Rosália Costa
Redacção 1

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