domingo, 4 de dezembro de 2011

A Igreja Católica e as suas imposições


   Quando comecei a frequentar a escola primária foi-me “imposto”, pelos meus pais, a entrada na catequese. Através da explicação da minha mãe, tudo me pareceu bastante claro, à primeira vista. Ia conhecer a história de Jesus, aprenderia algumas orações e, tudo isto, na presença dos meus colegas de escola.

  Eu gostava muito de ir à catequese, não tinha medo de me confessar, gostava de rezar, faltar à missa era algo que eu nunca ponderava e falhar um trabalho de casa nem pensar. Mas, se Deus era tão importante, porque é que o meu pai não rezava? E se a Igreja Católica “é a casa do senhor” porque é que, a não ser a minha avó e eu, ninguém lá em casa ia à missa? E se os padres não podem casar, porque é que se dizia que o padre da minha terra tinha uma filha? Aos 13 anos deixei de frequentar, assiduamente, a igreja.

  São muitos os pontos que não compreendo e até me recuso a aceitar. Há muitos séculos atrás, só os grandes senhores podiam partir em paz. Mais precisamente, o dinheiro doado à igreja permitia às almas, com algumas posses económicas, ir para o céu. Desde cedo, a Igreja teve maus representantes que em nada contribuíam para o bom nome do Senhor. Então porquê que as pessoas continuavam a acreditar nos membros da igreja como que no próprio Deus? Porque é pecado não acreditar. Porquê? Porque Deus pune. Mas Deus não nos ama?

  É difícil enfrentar a verdade quando ligamos a televisão e vemos que mais um padre abusou de uma criança. E mais grave do que isso é ver que a maioria não é punida, pois a igreja não o tem permitido. Tudo pelo bom nome da Santa Casa.

  E quanto ao respeito pela diferença? No velho testamento diz: “Não te deitarás com um homem, como se fosse mulher: isso é toevah*”. Leva-nos portanto a concluir que a homossexualidade não é aceite pela igreja. Mas, se assim é, a afirmação que a Bíblia menciona: “Amai-vos uns aos outros", não vem contradizer a anterior? Devemos nós permitir que a igreja condene as nossas escolhas contradizendo as suas próprias teses?

  Nos últimos anos muito mudou: o mundo da televisão modificou-se, as redes sociais alteraram-se, as nossas velhas  ideias foram substituídas por outras mais modernas e actuais, porque não pode também a igreja evoluir e adaptar-se às novas realidades sociais e económicas? Como pretende que o público mais jovem abraçe uma religião que discorda do simples uso de um preservativo?

  Por estas e por outras é que me fui afastando, pouco a pouco, da Igreja Católica+ e do que a mesma representa. No entanto, continuo a ter fé em Deus e creio ainda na ideia que sem Ele não estaríamos por aqui.

 *Toevah- Impureza

Por: Inês Silva, R 1

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