quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Um desenho de vivências universitárias

"Um funeral à chuva "

      
        Foi no dia 3 de Junho de 2010 que estreou nacionalmente a primeira longa-metragem de Telmo Martins, com actores profissionais de televisão e cinema. Conhecido por algumas peculiaridades, o filme intitulado “Um funeral à chuva” obteve alguns apoios privados, mas não teve qualquer tipo de apoio financeiro por parte do estado. O filme teve um enorme êxito e conseguiu transmitir o valor que o cinema português consegue atingir se houver paixão e arte. As filmagens foram realizadas quase integralmente na Covilhã nos meses de Setembro e Outubro com o apoio da Lobby Productions.
      O filme remete para um grupo de antigos estudantes da Universidade da Beira Interior, que se voltam a encontrar na cidade onde estudaram, devido à morte de um dos elementos do grupo, o João (João Ventura). O reencontro visa satisfazerem um dos últimos desejos do amigo: eternizarem a amizade que os une e que este seja enterrado na Serra da Estrela. Um filme que transmite a essência das amizades universitárias que, segundo as personagens, são para a vida. Transmite o poder que o tempo tem em afastar grandes relações de amizade. Salienta também para a dificuldade na transição da vida de estudante para a vida profissional e as mudanças que acarreta, nomeadamente em assumir imensas responsabilidades que não existiam e que progressivamente podem mudar a nossa maneira de ser.
        Após dez anos separados, os sete velhos amigos recordam os tempos de faculdade e tudo aquilo que viveram em conjunto. Reparam que apesar das diferenças que surgiram entre todos, a essência da verdadeira amizade continua. A morte de um amigo faz com que todos voltem ao passado, recordando com saudade e alegria os seus tempos de juventude.
       Zé (Hugo Tavares) tornou-se professor universitário. Marco (Alexandre da Silva) transformou-se num famoso e aventureiro cronista de viagens, apesar de ter estudado engenharia. Susana (Sílvia Almeida) é uma engenheira bem sucedida e o seu irmão André (Luís Dias) vive da música que faz. Rui (Pedro Górgia) é empregado num clube de vídeo e namora com Vasco (Pedro Diogo). Diana (Sandra Santos) queria ser actriz na faculdade, mas transformou-se num dos rostos da televisão nacional, devido ao concurso que apresenta. Desde que saíram da Covilhã e deixaram para trás a mesma experiencia académica, o grupo de velhos amigos tem de saber lidar com o reencontro forçado.
       O filme possui uma grande dose de divertimento, o que alivia de certa forma o clima sombrio que um funeral geralmente apresenta. Não é um drama, porque acrescenta várias doses diferentes, que aliviam a tensão. É um excelente filme para quem pretenda rever a típica vida universitária, assim como quem dá valor à amizade, ao convívio e à lealdade. Segundo as personagens, há que sorrir sempre, porque a vida é bela demais para chorar.
     "Fala da amizade entre pessoas e da forma como isso marca as nossas vidas daí para a frente”, afirma o realizador Telmo Martins de trinta anos de idade, que acredita que os estudantes universitários se revêem no filme. O realizador frequentou o curso de Arte e Multimédia, assim como algumas disciplinas do curso de cinema da Universidade da Beira Interior. “Não é uma seca de filme português. Tem mensagem, fala-se para as pessoas que estão a ver e não para nós que o fizemos”, concluí o realizador da longa-metragem.  
                                                                                 Por Ana Pombo, redacção 2

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