quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Uma era em rede cibernética

             Num mundo cada vez mais acelerado, embutido numa tecnologia também ela cada vez mais avançada, com pessoas a viverem incessantemente dependentes de novos meios para satisfazerem as suas necessidades emocionais, informativas e afectivas, é o mundo onde vivemos. Para nós já nada é anormal, pois trata-se apenas de uma nova rotina intrínseca nas nossas veias. Vivemos como carneirinhos atrás uns dos outros, seguindo a regra, sem falhar nas expectativas da sociedade, que está agarrada a uma rede crescente de comunicação e informação, que se executa a uma velocidade antes inatingivel.                
        Já praticamente não paramos para pensar na nossa dependência em comunicar de uma forma diferente de antigamente. “Antes a comunicação era mais frontal e menos artificial”, dizem muitos dos actores sociais que constituem a nossa sociedade. Somos todos uns actores num teatro que se chama “o mundo tecnológico” ou mais propriamente “o mundo em rede”. Actores em rede foi naquilo que nos tornámos. Mergulhámos numa rede incessante de comunicação, que já não será fácil de largar.
         O mar de redes sociais em que incontrolavelmente mergulhámos, trouxe-nos muitos aspectos saborosos e que nos têm vindo a facilitar a vida social, profissional e até a afectiva. De facto, as redes sociais permitem-nos viajar em tempos imagináveis, que seria totalmente utópico sem a sua existência. Conseguimos agora comunicar para todas as partes do planeta e já ninguém está longe. Mantêm-se amizades a longas distâncias e criam-se até novas amizades num mundo virtual, que se transformou já na própria realidade.
         Num mundo virtual e universal acedemos a qualquer tipo de informação, debatemos ideias de uma forma muito mais democrática e fugimos da rotina do nosso dia-a-dia. Entrámos numa outra rotina virtual que se tornou já uma dependência.
         Em termos profissionais uma boa rede de contactos facilita a vida de quem pretende progredir num mundo de trabalho cada vez mais competitivo e em mudança. As redes sociais possibilitam a divulgação de currículos, oportunidades crescentes de emprego, devido a uma maior facilidade de comunicação com entidades que poderão analisar o nosso valor e expectativa. A prática de “caça-talentos” também se “democratizou” com a Web, pois as possibilidades de ser escolhido como um talento procurado numa determinada área, aumentaram consideravelmente.
          Com o evoluir frenético de um mundo em rede tecnológica, conseguida através da internet, podemos entrar em contacto com  pessoas conhecidas e podemos saber mais facilmente o que os outros pensam de nós, tornando-se essa imagem que transmitem de nós próprios, a nossa referência pessoal. Temos mais facilidade em saber como está o nosso reconhecimento e se estamos a conseguir ir ao encontro das expectativas dos outros. Além disso, conseguem-se divulgar músicas, vídeos, sites, blogs, as notícias divulgam-se mais rapidamente, trocam-se informações, opiniões e experiências de vida, compram-se produtos e até já surgem novos companheiros amorosos através da web.
         No entanto, a privacidade que antes existia foi quebrada pela crescente adesão em massa às novas redes de comunicação. A vida privada passa de repente a vida pública. Pessoas anónimas passam a pessoas conhecidas por quem nem sequer conhecem. O mundo deixa de ser constituído por desconhecidos para se transformar num mundo em que todos sabem facilmente da existência uns dos outros. O problema grave é quando se conhece alguém, sem esse alguém saber da nossa existência. Aqui começa o grande perigo à segurança de cada pessoa.
        Os espaços de convívio para as crianças e jovens têm vindo a diminuir, logo há que haver também novas formas de permitir uma socialização que não deixe de ser igualmente saudável e os mantenha informados, socializados e afectivamente realizados. No entanto, há que haver sempre um certo controlo por parte dos pais e professores, de modo a que este mundo virtual e extremamente versátil, não se torne algo perigoso.
        A maioria dos raptos e das violações a menores advêm de pessoas que utilizam as redes sociais, através de perfis falsos, para conseguirem obter informações sobre os jovens. Os perigos do novo mundo tecnológico e em rede espreitam por toda a parte e por isso é essencial que estes sejam cobertos por pessoas atentas, informadas e que pretendam o bom uso das redes sociais por parte dos seus alunos ou familiares mais jovens.
      O mundo das redes sociais veio para se fixar na sociedade e tornou-se uma nova forma de socialização entre as pessoas e o mundo.  Transformou-se também numa nova forma de expressão entre os seres humanos que constituem este “teatro em rede” ou “teatro tecnológico".
      Está a acontecer uma autêntica revolução cibernética que tem vindo a melhorar consideravelmente não só a vida dos mais jovens, que são os grandes usuários dos novos espaços sociais em rede, mas também a vida dos  adultos. No entanto, o mundo cibernético pressupõe um olhar muito mais atento, pois nem tudo é “doce”. Existe muito mais para explorar. É necessário saber usar as redes sociais, de modo a que estas não nos usem a nós. O vício incontrolável em aceder à rede social que usamos pode tornar-se muito perigoso e prejudicial, como qualquer outro vício que com o passar do tempo, mais difícil será de controlar.
      A vida transformou-se e as dificuldades de comunicação cessaram. Comunicar com alguém que antes parecia inatingível, agora praticamente tornou-se rotina. Basta um simples “click” e entramos mais uma vez, no meio de tantas outras, num mundo que deixa de ser apenas nosso e passa a ser um mundo que também pertence aos outros. No fundo, precisamos dos outros para nos sentirmos úteis num mar de redes sociais que anualmente, semestralmente, semanalmente, diariamente, minuto a minuto e segundo a segundo acabamos inevitavelmente por mergulhar.




                                                                                                Por Ana Pombo, redacção 2

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