segunda-feira, 19 de março de 2012

"Das 9 às 5"

Num país em que a evolução de mentalidades é demasiado lenta em relação ao resto da Europa, os negócios do sexo permanecem num vazio legal. 


O filme "Das 9 às 5" de Rita Alcaire e Rodrigo Lacerda pretende dar voz e cara, dum ponto de vista laboral, às pessoas que vivem de profissões não reconhecidas e/ou controversas. Sob o lema, "Trabalho Sexual é Trabalho", aqueles que se expõem reivindicam direitos legais que lhes trarão respeito, inclusão social e protecção.

Áreas como sex-shops, strip-tease, pornografia e prostituição têm regras, remuneração e horário, como qualquer outra profissão e é deste último elemento - o horário - que surgiu naturalmente o título "Das 9 às 5", sugerindo um paralelismo entre estas e "as outras profissões". Sendo que o principal objectivo não é reivindicar mas sim gerar debate dando voz à experiência pessoal e não a investigadores que falam na terceira pessoa.

Questões como a custódia dos filhos, aceitação por parte da família, apoios sociais, violência social e discriminação fazem parte do dia-a-dia de quem se atreve a viver da sexualidade.

No que diz respeito ao processo de produção, a equipa de freelancers enfrentou alguns obstáculos, desde os habituais, aos gerados pelo carácter delicado do assunto. Os mais rotineiros são o cansaço e o stress decorrentes de horários extensos, bem como a dificuldade em conseguir financiamento para levar a cabo o projecto. Uma vez que  este tipo de produtos nem sempre gera lucros significativos, durante o processo de produção os elementos da equipa tiveram de garantir outros trabalhos em simultâneo. No que diz respeito à pré-produção, a maior dificuldade consistiu em encontrar pessoas disponíveis a falar, pelo que as associações que estão de alguma forma ligadas aos negócios do sexo, constituíram uma ponte entre os trabalhadores e os jornalistas. Na fase da pós-produção, devido aos direitos de autor, a banda sonora revelou-se outra das barreiras, pois uma das músicas que pretendiam utilizar não foi autorizada. Como alternativa, recorreram a bandas coimbrenses. Ainda nesta fase, limitados pelo tempo estipulado pela RTP tiveram de encurtar  em grande parte o seu trabalho. Por outro lado, já numa fase avançada alguns testemunhos considerados importantes pediram para que a sua colaboração não fosse inserida no trabalho final.

Após cerca de três anos de esforço, o resultado do projecto financiado pela RTP é 52 minutos intensos de um documentário que causa incómodo. Curiosamente, segundo os realizadores o feedback tem sido positivo.

Trailer: http://vimeo.com/30755547


Catarina Rodrigues e Eduarda Barata

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