terça-feira, 9 de outubro de 2012

Portugal para os Pequenitos

Zzzzzzzz…Abelhas? Ou estará alguém a dormir? 

Era uma vez, numa terra muito longínqua chamada Europa, um país que se situava em pleno oceano Atlântico e que servia de hall de entrada para uma coisa muito engraçada chamada Península Ibérica. Este país era muito pequenino mas tinha muita gente a viver nele- mais ou menos 10 milhões de pessoas. 

Abelha Maia
Esta nação, apesar de ter imensa gente, concentrava-se no litoral e na fronteira com Espanha. No centro do país, viviam as pessoas mais idosas. Isto, trocado por pessoas como vocês, “miúdos”, resulta em: Vocês conhecem uns animaizinhos chamados “abelhas”? Este país era mais ou menos assim. Dividia-se em colmeias. A colmeia central, a principal, onde tudo acontecia dava-se pelo nome de “Élle”. Era aqui que se vendia e se comprava o mel que as abelhas desta mesma colmeia e das colmeias vizinhas produziam. Em seu redor existiam umas colmeias mais pequeninas mas com muito potencial. O que acontecia é que a “Élle” recebia todos os apoios e não deixava que as outras abelhas interferissem. Durante algum tempo, acreditou-se que se fabricava e se vendia muito mel. E, quando não havia dinheiro para investir, em vez de se chegar a uma conclusão com todas as colmeias, pedia-se ajuda às abelhas estrangeiras. Que nada conheciam da nossa produção e o único interesse envolvido era fabricar a baixo custo o maior número de mel. Foi o que aconteceu… As outras colmeias, à exceção da Élle, deixaram de produzir e as abelhas que trabalhavam nelas haviam sido “dispensadas”. Ou seja, as abelhas que na altura trabalhavam deixaram de ter dinheiro e até mel para dar às suas filhas, abelhinhas. As abelhas mais velhas, sempre esquecidas pelos produtores de mel, já não tinham dinheiro para comprar medicamentos. Sim, porque as abelhas também ficam doentes! E, com o tempo, nem a colmeia Élle se safou! Começaram, então, a comprar mel de outros países! Este país de que falamos, que se assemelha a estas colmeias, deixou de vender para fora os seus produtos e passou só a comprar. Às vezes lá iam vendendo pasteis de nata mas eram tão poucos que não conseguiam lucro- dinheiro. Conclusão, Ficou endividada! Imaginem que vocês mesmo sem dinheiro fossem comprar aquele brinquedo de que tanto gostam e que, para isso, pediam o dinheiro emprestado à vossa avó- que, como as abelhas mais velhas- já pouco tinham para comprar medicamentos. Algum dia teriam de o repor, certo? E se nunca conseguissem pagar de volta? Quem é que depois lhe iria comprar os medicamentos? O segredo é não gastar dinheiro que não se tem. Isto, até crianças da vossa idade percebem. Sabem aquele mealheiro que vocês guardam em cima da secretária? Para que possam amealhar, não o podem gastar. Caso contrário não é um mealheiro! É um porta-moedas. Este país não queria ter um mealheiro! Só queria ter porta-moedas. Assim que encontrava uma moeda gastava-a! Desenfreadamente! O mesmo acontecia no caso das abelhas! Em vez de venderem mel e consequentemente comprarem outras coisas que ajudassem na produção, só compravam! Mas não compravam coisas úteis! Compravam máscaras de mergulhadores e pés de pato…Ora, digam lá, onde é que este equipamento ajuda para que haja mais mel? Não ajuda! Mas, uma coisa curiosa aconteceu. Todas as colmeias e as abelhas trabalhadoras se aperceberam que os patrões de todas as colmeias lhes gastavam o dinheiro todo!!! As abelhas revoltaram-se e ferraram os “senhores” das colmeias até chegarem a um acordo. Não podiam ficar paradas perante tamanha injustiça! Foi exatamente aquilo que não aconteceu no país de que vos falo. Esporadicamente aparecem abelhas que já assistiram àquilo que se vê neste país e tentam ajudar com diversos conselhos e até teorias práticas para que possam viver melhor. Mas, ainda assim não têm muita credibilidade num território onde o interesse económico se sobrepõe às condições de vida da população. Parece-me, de facto, que precisamos de uma manifestação temática onde os manifestantes se vistam a rigor, de amarelo e preto e, de preferência com um ferrão bem afiado. Será isto uma loucura ou um mal necessário? Se calhar o melhor é perguntar às cartas da (abelha) Maya. 

por: Joana Luciano

 *Este artigo foi redigido ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

 

2 comentários:

  1. Muito bem escrito e adorei a sátira feita ao estado actual de Portugal ,e não sou o único a ter essa opinião .Espero mais crónicas desta qualidade.

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  2. Parabéns pelo artigo, esta bem escrito e coerente. A história está escrita de uma maneira engraçada mostrando a desilusão e as tristes condições do país. Espero ver mais artigos deste tipo, pois satiriza sem ter de passar pelos clichés habituais da tv e dos jornais. Está escrito de maneira a que todos entendam, sem ser preciso desenhos. Era bom que os "senhores" das colmeias o lessem e relessem.

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