segunda-feira, 15 de outubro de 2012

"Se a ti te gusta, a mi me encanta"

Começou dia 11 de outubro e terá fim no dia 17 esta que é, em Coimbra, a semana mais aguardada desde o início das aulas: a semana da Festa das Latas. Que os estudantes portugueses são fãs destes sete dias, já nós sabemos, fomos, portanto, descobrir como reagem os estudantes Erasmus a esta tradição unicamente nossa.

Na frenética noite de quinta-feira, Jose Garcia, espanhol de gema a estudar em Coimbra, prepara-se para sair. Depois de ter assistido, na noite anterior, à serenata monumental, as expetativas do que se avizinha são tão altas, que três dos seus amigos já estão a caminho da capital estudantil. Descreve as ruas como estando cheias de “Harry Potter’s” - é sempre assim que chama aos estudantes que envergam com orgulho o traje académico. Não parecendo interessar-se pelas capas e batinas que sufocam as ruas, sai com uma cerveja na mão e com um visível sorriso ansioso nos lábios.
Antes de se deslocar ao recinto, rumo à Praça da República onde se encontra com outros que, como ele, estão mas não são de cá. Juntam-se todos num só idioma e com mais umas quantas cervejas em cada mão, descem as ruas até à Praça da Canção.
Diferente é a situação de Andrea Rizzo e Giulia Ferrara, almas italianas de pés na cidade da Cabra, vivenciando também eles pela primeira vez, a tradição tão nossa que é esta da Festa das Latas.
Antes da paródia, Andrea e Giulia jantam com os colegas e amigos e, ao contrário de Jose, o idioma pouco lhes interfere na diversão. Andrea diz não entender «porque é que anda tanta gente pela rua, vestida de igual, só para assistir a um concerto». As nossas tradições académicas não lhe fazem sentido e troca a Festa das Latas por uma festa Anti-Latada, na República das Marias. Giulia, por sua vez, entra no espírito e compra o bilhete geral e diz que «se é para ir, ou se vai a tudo ou não se vai a nada», mesmo não gostando particularmente do cartaz.
Dentro do recinto, de boca fechada, não há diferenças entre portugueses e estrangeiros. As vozes vindas do palco fazem-se acompanhar pelos baldes de litro que, mesmo em tempo de crise, não podem faltar. Jose e Giulia saboreiam a noite de festa portuguesa até que a madrugada os canse, tal como todos.
A Festa das Latas abarca-nos a todos, mesmo que uns a tragam mais no peito do que outros.
 
por: Fátima Pereira e Marilena Rato
*Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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