segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A Crise e a Saúde Metal

No âmbito das comemorações do Dia Mundial da Saúde Mental, que se assinala no dia 10 de outubro, a Associação para o Estudo, Reflexão e Pesquisa em Psiquiatria e Saúde Mental, A.E.R.P.P.S.M., e a Associação de Apoio aos Doentes Depressivos e Bipolares, ADEB, promoveram uma sessão pública na Fnac de Coimbra com a intenção de debater o tema a “Depressão: uma crise Global”, proposto pela Federação Mundial para a Saúde Mental.

Ana Vieira Araújo, médica psiquiatria, realçou que o objetivo desta sessão era aumentar a consciência pública sobre as questões de saúde mental e consequente discussão dos parâmetros da intervenção, tratamento e prevenção. Alertou ainda que, hoje, “a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que mais de 350 milhões de pessoas sofrem de depressão” e “ligado à depressão está associado uma taxa elevada de suicídio”.
 
A oradora Rita Crispim, psicóloga na região centro da ADEB, abordou as temáticas depressão e trabalho e depressão e desemprego. O impacto desta patologia na vida profissional da pessoa faz com ela se sinta incapacitada na realização das suas tarefas e que seja vista, muitas vezes, como incompetente aos olhos dos colegas de trabalho. No que diz respeito à abordagem depressão e desemprego, a psicóloga explica que “com a depressão as pessoas perdem autonomia e devido à situação de instabilidade económica, profissional e familiar, e dificuldades de acessos a cuidados de saúde há uma diminuição da qualidade de vida. Deste modo, a ADEB focaliza-se na “prevenção, educação e reabilitação psicossocial” na saúde mental para que o doente possa lidar melhor com a patologia.

O tema depressão no feminino foi apresentada por Ilda Murta, psiquiatra, que salientou que “a mulher tem mais predisposição para a depressão, mas pede ajuda ao contrário dos homens”.

O painel de oradores também contou a presença de Fernando Gomes, enfermeiro, que partilhou algumas reflexões de “como lidarmos com o tema da saúde mental”. “É importante trazer para o debate público e órgãos de comunicação social as dificuldades sentidas na sinalização da depressão e dar voz a quem sofre com problemas deste tipo”, afirmou. 
 
A luta contra o estigma, assunto mundialmente falado neste dia, é “a chave para o aumento do sucesso do tratamento”. Ainda existem muitos mitos na comunidade que marcam as pessoas que sofrem de doenças do foro psicológico. “Ainda não é trivial as pessoas dizerem que foram a uma consulta de psiquiatria ou que têm uma doença psiquiátrica”, referiu. A redução do estigma e da descriminação passa pelo reforço da psicoeducação com o fim de perceber as causas deste fenómeno.
 
Como observação final falou-se do interesse da reabilitação psicossocial (RPS) na intervenção de doenças mais graves. Este método deve ser utilizado em conjunto com tratamentos de psicoterapia e psicofarmacologia, porque encontra estratégias de resolução de problemas com que os doentes se deparam bem como conjuntos de ações de forma a inseri-los na sociedade. Além disso, a RPS também trabalha no âmbito da imagem, da autoestima e da confiança; permite que o paciente readquira as suas capacidades e o torne como um
elemento válido. A ajuda e o apoio estão orientados para a família. Face a estes pontos o doente ao começar a sentir melhorias adere melhor ao tratamento e previne as recaídas.

por: Patrícia Gomes
 
*Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
 

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