segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A adolescência e o uso de drogas

A palavra “adolescer” origina do latim e significa crescer, tornar-se maior. Desde os primórdios que se procura identificar as características da adolescência. Já o filósofo grego, Sócrates, afirmava que “os jovens rebelam-se contra a autoridade e não respeitam os mais velhos. Contradizem os pais e tiranizam os mestres”. Já Aristóteles considerava o adolescente como “cheios de esperança, por não haverem sofrido muitos desenganos, mais que as pessoas de outras idades, a amizade e o companheirismo, já que buscam mais o amigo do que o interesse. Fazem tudo com excesso: amam-se, odeiam-se, enfim, agem, e fazem-no com veemência”.
A adolescência é, talvez, o período mais atribulado de uma vida. É reconhecida por ser cheia de desafios, turbulências, inquietudes… É a fase mais tumultuada do desenvolvimento humano em função das grandes modificações físicas e emocionais processadas num curto espaço de tempo. Devido a tudo isto, os adolescentes, por vezes, acabam por se desviar do caminho correcto levando-se a eles próprios a problemas mais sérios. A instabilidade, os conflitos internos e até a incerteza quanto ao futuro tornam o adolescente vulnerável a uma sério de situações, entre elas poderá estar o uso de drogas. Várias são as pessoas que estudam estes casos que alertam que este poderá ser o período mais significativo para a utilização de substâncias psicoactivas. O uso de drogas na adolescência é uma questão que preocupa cada vez mais os profissionais de saúde e educação. As análises aos pacientes que consomem drogas remetem-nos para a conclusão de que na maioria dos casos o consumo inicia-se nesta fase de crescimento.
Existem pesquisas que nos permitem ver que o uso de psicoactivos na adolescência tem vindo a aumentar. Podemos ver nestes estudos que em 15 000 estudantes com idades compreendidas entre os 12 e os 15 anos, 50% já consumiram álcool, 11,6% tabaco e 11% outras drogas. Esta precocidade é alvo de preocupação por parte dos profissionais de saúde e educação, dos pais e de toda a sociedade em geral. Não só este, mas vários estudos, relatam-nos para a realidade das crianças e adolescentes estarem a envolver-se cada vez mais cedo com o uso de álcool e outras drogas. Pode acontecer assim, uma relação entre a precocidade do consumo e o desenvolvimento da dependência.
É importante conhecer os diferentes estágios de envolvimento com as drogas e analisar as variáveis envolvidas, por exemplo, as psicossociais, o padrão de consumo e as razões atribuídas para o uso inicial. Um dos factores mais forte, associado ao uso de drogas pelos adolescentes, é o facto de os seus amigos e colegas usarem psicoactivos, e a fácil obtenção e disponibilidade da droga. É na adolescência que a tendência grupal assume uma maior importância. A aceitação por parte dos outros é essencial para que
se sintam integrados, mais fortes e confiantes aumentando assim a auto-estima. As atitudes impostas pelo grupo passam a ser soberanas, pois só assim conseguem a aceitação e o suporte emocional de todos os membros do mesmo. Ter amigos que usam drogas é a acção principal para se dar o uso experimental e inicial.
Apesar de se conhecerem inúmeras razões para o uso inicial de psicoactivos é dado maior enfâse ao aspecto familiar e à relação com os amigos. A presença de conflitos familiares e a influência dos colegas são os dois pontos maior associados aos altos níveis de consumo de drogas.
Este, é então um problema social bem marcado e definido nos tempos de hoje. Um problema, ainda longe de ser resolvido, e que merece ser trabalhado para que os nossos adolescentes venham a ser pessoas melhores. Afinal não serão eles os adultos de amanhã?
 
por: Maria Ferreira
*Este artigo não está escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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