segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Sem vocação

Segundo Aristóteles, “no cruzamento entre os nossos talentos e as necessidades do mundo está a nossa vocação”. A felicidade profissional vem quando trabalhamos nalgo que, verdadeiramente, tem a ver com nossa vocação. Quando não estamos de acordo com nossa “missão pessoal”, ficamos irritados, de mau humor e, por consequência, não conseguimos servir ninguém.
Quantos de nós já não foi mal atendido em serviços públicos? Hoje em dia e cada vez mais se notam que as pessoas exercem profissões de atendimento ao público sem ter perfil para tal.
A febre de arranjar um emprego para poder pagar as contas no final do mês faz com que se acabe, nalguns casos, a aceitar uma primeira oferta, mesmo que não seja precisamente aquilo que gostemos e que queiramos fazer para o resto da vida. Porém, as circunstâncias em que vivemos obrigam-nos a tal, já para não falar do quão cedo os jovens têm de escolher a área que querem seguir e por vezes ainda sofrem a influência dos pais que tentam manter a “tradição” da família.
Para mim, os casos mais polémicos são mesmo os dos hospitais onde doentes não são tratados devidamente, tendo em conta o seu estado debilitado. Por vezes, são, até, deixados no esquecimento dos ditos “profissionais”. Enfermarias onde se encontra um desleixo por parte de alguns enfermeiros e auxiliares. Enquanto pessoas tentam lutar contra a uma doença que as deixa fragilizadas e as fazem sofrer, é possível assistir-se, também, a uma ausência eminente da mensagem tão badalada nos cartazes dos nossos hospitais – “Humanização”- salvo está algumas excepções. De pouco vale termos técnicos altamente qualificados, nas unidades de saúde se, ao mesmo tempo, estes mesmos não são portadores de um trato verdadeiramente humano. Para quê investir neste Ministério, se responsáveis não são capazes de promover e preservar o bom estado de saúde dos que legitimamente os procuram e deles necessitam, para se reerguer, ou nas situações extremas, chegar a um fim condigno?
Infelizmente, existem vários locais onde pagamos por um serviço que não existe. Má vontade e falta de respeito é o que mais se vê. Pessoas frustradas com a profissão que exercem e que acabam, de uma certa formam, por descarregar nos outros. Depois tudo isto se torna num ciclo vicioso. Funcionários mal recebem os clientes. Estes, consequentemente, também ficam aborrecidos com a situação, causando, por vezes, mau ambiente e o dia acaba por “acabar mal” a ambos.
Hoje em dia é tão fácil ficarmos admirados com um bom atendimento, quando deveria acontecer precisamente o contrário. Pode-se dizer que estamos mal habituados e com este “stresse” que levamos, diariamente, acabamos por deixar passar pequenas atitudes que, se talvez, fossem chamadas a atenção, poderia contribuir para um melhor desempenho das funções do profissional.
Porém, não acredito que seja só a falta de vocação das pessoas para certas áreas que as torna piores profissionais. Se houver factores que as motivem para o trabalho, principalmente o bom ambiente, já é meio caminho andando para que olhem de outra maneira para o dia que as
espera, assim como o encarem com outro entusiasmo. Assim, as tarefas serão melhor desempenhadas.
Acima de tudo, o mais importante, é que se siga o caminho que nos faça sentir felizes e realizados, assim como nunca esqueçamos que aquilo que executarmos vai influenciar a vida de outra(s) pessoa(s) e por isso deveremos adoptar um comportamento mais altruísta e menos egocêntrico . Se todos soubermos ter uma conduta educada e simpática, automaticamente contagiaremos o ambiente que nos envolve e torná-lo-emos mais agradável para todos.

por: Maria Melo
*Este artigo não está escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico 

2 comentários:

  1. Maria Manuel Gonçalves15 de novembro de 2012 às 22:43

    Este artigo é muito relevante e sempre actual.
    Infelizmente, a realidade que aqui se espelha é, sem dúvida, a verdade.
    Realização profissional e humanismo,duas componentes que, inevitavelmente, caminham par a par no percurso profissional da cada um de nós e no nosso relacionamento com os outros.
    É urgente uma responsabilização de todos nós num processo que também é, de todos nós!

    Parabéns pela escolha do tema e pela forma como foi exposto, a qual revela não só a sensibilidade de quem o redigiu como também maturidade.

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  2. Vocação é um ato de coragem, é conseguires neste teu texto, tão bem e claramente, enumerando múltiplas situações quotidianas, ressaltar a sua importância, fazendo despertar nos que lerão, que vocação implica e muito Humanização, sem este valor, dias e dias de trabalho enfadonhos serão, igualmente se tornarão osb nossos recetpores, aqueles a quem vamos ensinando o sentido de VOCAÇÃO, através de tudo quanto somos no que fazemos.ADOREI!Parabéns, excelente texto Maria!

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