quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Shopaholic, uma "profissão" em desuso!



Quando era pequena lembro-me de ir aos centros comercias, na altura, em Coimbra, apenas existia o Coimbra Shopping, o Girassolum e pouco mais, e estavam repletos de fanáticas (os) às compras. Então quando se aproximava a época natalícia notava-se, ainda mais, uma corrida a estes centros.

Sem dúvida que as senhoras são as mais afectadas por esta "doença". Lembro-me de as ver saírem das lojas cheias de sacos atrás, a olharem para outras montras e parecia que a roupa, aos olhos delas, pediam por favor para sair daquele manequim enfadonho, a qual pedido elas não conseguiam resistir e entravam na loja, dirigiam-se à peça de vestuário, calçado, o que fosse, e compravam, sem por vezes, sequer, experimentar.

Este ato, que conduziu, muitas pessoas ao desespero e inclusive à falência levou à realização de um filme, em 2009, Becky Bloomwood, veio retratar a vida de muitos shopaholics, que chegam ao ponto de ter de vender tudo o que tinham comprado para pagar as suas dívidas, na minha opinião achei o filme algo de genial. Retrata a vida destas pessoas, e, neste caso, de uma pessoa que conseguiu vencer o vício.

Com o alargar dos anos os especialistas foram estudando esta ação compulsiva, foram-se criando, grupos de apoio, maneiras de evitar este comportamento compulsivo por compras, mas a meu ver, o fator que levou a uma redução de shopaholics nos centros comerciais foi a crise. Foi ela que veio acabar com este ato coercivo, tanto por parte das mulheres como por parte dos homens, sem sombra de dúvida, que, a crise, fora o impulsionador para uma redução de shopaholics.

Agora pergunto será shopaholic uma "profissão" em desuso? Sim deveria ser, estamos em época de crise, muitos nem dinheiro têm para a comida, mas depois vejo sempre aqueles com dinheiro para tudo. Vou ao fim de semana à restauração de um centro comercial está sempre repleto. Vou durante a semana às lojas tem sempre pessoas que aproveitam para comprar mais uma peça para a sua colecção.
Poderá ter reduzido a percentagem de compradores compulsivos mas, mesmo assim, apesar desta crise, nem todas as pessoas foram capazes de resistir a tamanho vício.

E outra questão pertinente, serei eu shopaholic? Sim, possivelmente já tenha sido, não passava uma semana que não fosse ao centro comercial comprar algo, por mais banal que fosse. Não era daquelas pessoas que via algo numa montra, achava bonito e tinha de ir comprar, mas gostava de ir quase sempre comprar um mimo para mim. Hoje em dia, fui completamente afetada pela crise, passo um mês ou mais sem ir comprar o quer que seja. Sinceramente não é por isso que sou mais infeliz, pelo contrário, assim consigo gerir o meu dinheiro e guardá-lo para as coisas mais importantes. Não sou como a Becky Bloomwood que pedia empréstimos para ir às compras e, mais tardiamente, para pagar os empréstimos dessas mesmas compras.

E não, shopaholic não é, nem nunca será uma “profissão” em desuso!


por: Soraia Pinheiro


*Este artigo não redigido ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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