quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A chacina do prazer

A bravura portuguesa sempre se diferenciou sobre as mais variadas formas. A coragem e a valentia sempre correram nas veias lusitanas. Ao longo dos tempos, os primórdios representantes desta espécie, enraizavam nos mais jovens artes antigas e rigorosamente solenes. Se imaginarmos o tradicional espectáculo de touradas como uma exibição exuberante e fielmente clássica, é natural que os sacrifícios impostos ao touro se tornem numa prática cultural. Ora, assim sendo, as infalíveis espetadelas no touro causam agrado aos visionários deste tipo de práticas. É quase comparado a um desporto. Contudo, não será uma controvérsia causar sofrimento a um animal? Sim, porque a ciência reconhece inquestionavelmente os animais (incluindo touros) como seres capazes de sentir dor e prazer. O cavaleiro, vestido com indumentárias do século XVIII, carrega um ceptro invisível que lhe confere o poder soberano, de chacinar a seu belo prazer o pobre do animal. Contudo, o mais espantoso, é percebermos que a televisão portuguesa, a RTP, que deveria ou que supostamente presta serviço público, transmite esse tipo de massacre em horário nobre. É altura de nos perguntarmos onde está a legislação que visa a protecção dos animais? O Estado deveria ter como tarefa fulcral tutelar os direitos fundamentais da existência humana, e isso implica intrinsecamente a defesa contra violências injustificadas, que fomentam o sofrimento e a crueldade infligidas ao touro. Existem inúmeros países que continuam exercer este costume bárbaro e retrógrado, que satisfaz cada vez menos a população em geral. O ser humano pela instrução ou pelo conhecimento e sensibilidade para com a mãe natureza e os seus “descendentes”, começa a abolir práticas que degradem a essência da espécie. Seguem uma linha humanista. A arte de trucidar o touro em praça pública pode levar os indivíduos que fazem disso profissão, a lesões graves no contacto directo com o animal. Então surgem os famosos forcados, que saem quase sempre com sangue a escorrer pelo corpo. O espanto dos espectadores é fenomenal. Brota um sentimento de pena, daqueles indivíduos que só foram tentar imobilizar o touro. Como se o touro fosse ali parar por acaso. Já pensaram se fosse o contrário? Todos nós demonstramos sentimentos de lástima quando vemos alguém, humano, a ser torturado, mas não nos lembramos que torturamos dá mesma forma os animais. E que isso lhes causa imensa dor, tal como nos causaria a nós. E se pensarmos mais um pouco, chegaremos à simples conclusão que não devemos fazer aos outros, aquilo que não gostávamos que nos fizessem a nós!

O homem tornou-se na pura realização do seu desejo súbito de não compreender que tudo o que o rodeia faz parte de uma cadeia que alimenta o mundo. É capaz de considerar as Touradas como Património Imaterial e Cultural, como é o caso de França. O património e a cultura de um povo deveria residir em acções que jamais colocassem em causa a dignidade humana, e não em feitos que satisfaça a selvageria de certos humanos!


por: Márcia Alves


*Este artigo não redigido ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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