terça-feira, 7 de outubro de 2014

Do Desporto para o Mar

Do Desporto para o Mar

Ana Ramos é uma jovem de 24 anos, licenciada em Ciências do Desporto, mas com uma grande paixão pelo mar desde pequena. Também diz sempre ter tido gosto em ajudar as pessoas, daí ter decidido ser Nadadora Salvadora.

Há quanto tempo é Nadadora Salvadora?
Desde o verão de 2012. Para o ano terei de renovar o curso e voltar a fazer os exames teóricos, práticos e teórico-práticos, pois de três em três anos teremos de renovar a licença, e para continuar apta não poderei chumbar em nenhuma das provas.

Porque decidiu trabalhar como Nadadora Salvadora?
Primeiramente porque estou muito ligada ao mar, vivo perto da praia e pensei ser uma forma de aproveitar o verão na praia sendo útil à comunidade. Depois foi uma forma de enriquecer o meu curriculum uma vez que sou licenciada em Ciências do Desporto, e também porque, na minha opinião, é uma profissão muito importante e deve ser levada a cabo por pessoas conscientes que devem ter sempre presente a responsabilidade das vidas humanas. Outra das razões que me motivou a tirar o curso e exercer, foi o facto de cada vez existir mais afluência de pessoas às praias na minha zona (zona centro) fazendo-me sentir útil no que diz respeito à segurança das praias e contribuir para que cada vez sejam mais frequentadas.

Em que praias trabalhou?
Trabalhei em várias praias da zona centro, que pertencem à concessão da Câmara de alcobaça:  S. Pedro de Moel, Pedra do Ouro, Vale Furado… etc

Quais as ocorrências mais frequentes?
Um bom Nadador Salvador (NS) é aquele que previne o acidente e consegue antecipar atitudes de risco evitando males maiores, no entanto existem sempre pessoas que arriscam, e o que acontece mais são crianças em pré-afogamento, porque os pais facilitaram e as deixaram sozinhas a brincar com a água pelo joelho. Esquecendo-se que o mar pode ser imprevisível e mesmo uma onda pequena pode ser suficiente para a criança perder o pé e ficar aflita sem ajuda imediata. Nestes casos é fundamental advertir os pais e apelar à responsabilidade e vigia constante dos seus filhos quando estão na praia. Existem também casos em que as pessoas não conhecem as correntes do mar e se aventuram para zonas onde não conseguem sair sozinhos.
O caso mais grave que tive, foi na praia de S. Pedro de Moel, uma praia com fundos muito rochosos e num dia de bandeira vermelha, quatro crianças estavam a brincar à beira mar, veio uma onda do set (à qual costumamos chamar vassoura) e as quatro crianças foram arrastadas para dentro, todos agarrados uns aos outros, felizmente nessa praia existem quatro postos de praia cada um com dois NS e em trabalho de equipa conseguimos resgatar as crianças sãs e salvas.

Na sua opinião acha que os banhistas têm consciência dos perigos e respeitam as bandeiras e os avisos dos Nadadores Salvadores?
Tendo em conta a minha experiência, penso que as pessoas cada vez têm mais consciência dos perigos e preferem frequentar praias vigiadas, principalmente quando têm crianças. No entanto como em todo lado existem pessoas que fazem questão de ignorar os avisos dos NS e preferem arriscar as próprias vidas e muitas vezes as nossas vidas também.

Em termos das condições de trabalho o que considera que está mal e deveria ser mudado para uma melhor realização do trabalho do Nadador Salvador?
Alguns concessionários não vêm com bons olhos o NS, porque são obrigados pela lei a ter dois NS por cada 100m de praia concessionada. Isto é o início de uma bola de neve de acontecimento que, a meu ver, se podia resolver com a seguinte lei: “Todos os comerciantes que estejam na praia (e não só os que estão nas dunas) e que usufruem dos meses de época balnear (hotéis, restaurantes, etc…) devem contribuir para o salário do NS”; pois todos usufruem se a praia for bem vigiada, faz com que as pessoas voltem em novos verões. Antigamente na minha zona as remunerações rondavam os 1000€, hoje em dia ganhar 700€ é considerado muito bom pela maioria dos NS, pois os concessionários, não se importam de pagar apenas o salário mínimo nacional, que a meu ver não é justo para ninguém muitos menos para uma pessoa que arrisca a própria vida para salvar alguém.
A polícia marítima deveria ser o exemplo a seguir, responsável pelo bom funcionamento das praias e zonas costeiras de todo o país.
Contudo este foi um Ano muito tranquilo nas nossas praias, na pedra do ouro (praia onde trabalhei este ano) não fiz nenhum salvamento, mas os peixes aranhas fizeram das suas mais uma vez… 12 ocorrências em três meses, esta na média.



Daniela Ramos

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