terça-feira, 25 de novembro de 2014

FotoReportagem: "Queremos... Podemos!"


"Queremos … podemos!" é o lema da ACAPO (Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal), uma Instituição Particular de Solidariedade Social. Esta instituição foi fundada a 20 de Outubro de 1989, por fusão de três instituições de apoio à deficiência visual, na altura existentes no país: a Associação de Cegos Louis Braille, sediada em Lisboa; a Liga de Cegos João de Deus, situada também na capital; e a Associação dos Cegos do Norte de Portugal, com sede no Porto.
A ACAPO surgiu da necessidade de criar um sistema de apoio que abrangesse todas as pessoas com deficiência visual do país. Nesse sentido, foram inicialmente criadas as delegações de Lisboa e do Porto, tendo sido fundada mais tarde, em 1992, a Delegação Regional do Centro. Contudo, a instituição não conseguia ter a abrangência pretendida, e muitas regiões de Norte a Sul do país sentiram a necessidade de ter uma instituição desta natureza perto de si, o que levou à criação de várias delegações da ACAPO a nível distrital. Atualmente, esta instituição conta com cerca de 3500 associados e está presente em 13 distritos de Portugal Continental, à exceção ainda de Bragança, Santarém, Portalegre, Sintra, Setúbal, Évora e Beja. Contudo, as delegações que existem são ainda insuficientes para, dado que o Sul do nosso país conta apenas com a de Lisboa e a do Algarve, e ainda não foi criada uma delegação na Região Autónoma da Madeira.




                                                           ACAPO - Delegação Distrital de Coimbra



Prestação de Serviços e Projetos envolventes


A prestação de serviços é uma das principais áreas de intervenção da ACAPO. Nesse sentido, esta instituição desenvolve atividades como o acompanhamento e o atendimento psicossocial; a reabilitação; a prática de atividades culturais, de deporto e de lazer; a formação profissional e o apoio ao emprego. Esta instituição tem também uma intervenção direta na comunidade, dando apoio às famílias; realizando ações de informação; divulgando o seu trabalho e sensibilizando as pessoas para o apoio aos cidadãos com deficiência visual.

Para além da prestação de serviços e do apoio à comunidade, a ACAPO desenvolvem vários projetos em parceria com diversas instituições, sendo um dos mais recentes o que estabeleceu com um grupo de investigadores da Universidade de Coimbra, cujo objetivo principal se prende com o desenvolvimento de produtos que facilitem a mobilidade e o acesso de pessoas com deficiência visual a espaços interiores com grande fluxo de pessoas, como grandes superfícies comerciais. Além disso, a ACAPO integra a “Rede Social de Coimbra”, um fórum onde são discutidas questões relacionadas com a exclusão social.
Outro projeto que a Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal abraça todos os anos é o Dia da Bengala Branca. Esta data que é celebrada em conjunto com o Dia Louis Braille, é bastante importante para esta instituição, pois a bengala branca simboliza a autonomia das pessoas cegas na sua mobilidade e na sua integração. O Dia Louis Braille representa um grande passo no acesso das pessoas invisuais à cultura e à educação. Como refere José Albino, Diretor Técnico da Delegação Distrital de Coimbra da ACAPO, “O dia da Bengala Branca vem contrariar um pouco aquela ideia da pessoa cega que fica em casa ou que tem de andar sempre atrelada a alguém. É uma imagem fortíssima em termos de independência que nós tentamos combater.”Nesse sentido, estas duas datas não poderiam deixar de ser comemoradas pela instituição, tendo em conta a sua importância e o que representam para esta comunidade.


                                      Dia da Bengala Branca - Evento comemorado anualmente pela ACAPO



Formação e Projetos de Reabilitação


A ACAPO procura fornecer às pessoas com deficiência visual, ferramentas que lhes permitam ter o máximo de autonomia e qualidade de vida. Com esse propósito, esta instituição disponibiliza aos seus utentes atendimento e aconselhamento; apoio social e psicológico; a prática de atividades que visam a estimulação sensorial, a mobilidade e o desenvolvimento de competências cognitivas, comportamentais e psicomotoras; lecionação de Informática e de Braille (sistema de leitura e de escrita para cegos); e o desenvolvimento de atividades do quotidiano, que permitam às pessoas com deficiência visual terem uma maior independência.
Nas palavras de José Albino, “Muitas pessoas, quando perdem a visão, por questões emocionais, abandonam-se a si próprias, quase que deixam de cuidar de si mesmas por não acreditarem que isso é possível. Deixam de sair de casa, umas vezes por vergonha, outras porque não acreditam que são capazes de o fazer.” Assim sendo, a ACAPO tem a preocupação de intervir na orientação e na mobilidade, mais precisamente na aprendizagem da utilização da bengala porque, como diz José Albino, “não basta saber usá-la, é preciso usá-la mesmo.” Muitas vezes as pessoas não a utilizam por vergonha, medo ou por preconceito dos outros e, por este motivo, a ACAPO investe bastante no acompanhamento psicossocial aos seus utentes.



                                                     Instalação do Centro de atividades de vida diária


Traballhos manuais realizados pelos utentes


Apoio Financeiro


A Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal trabalha todos os dias pela inclusão social e pela integração das pessoas invisuais e com baixa visão, na sociedade. Contudo, apesar do trabalho notável que esta instituição desenvolve, existe ainda muito descrédito na mesma por parte do governo e das entidades financeiras do nosso país. Segundo José Albino, “O país está em crise e a tendência é que tenhamos cada vez menos apoios. Os cortes são cada vez mais acentuados.”

Contudo, apesar das adversidades que diariamente enfrenta, a Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal trabalha todos os dias com afinco, em prol do seu principal objetivo: salvaguardar e representar os direitos e interesses da pessoa com deficiência visual, com vista à sua plena inclusão.



                                                                Logótipo e lema da ACAPO



Por: Catarina Coutinho, Flávia Silva, Larissa Costa, Liliana Ferreira, Sandra Neves, Priscila Duarte







1 comentário:

  1. Para uma foto-reportagem, tem muito poucas fotos...

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