terça-feira, 27 de outubro de 2015

ASSOCIAÇÃO ENTRE PEDRAS, ONDE A TRADIÇÃO CHEGA ÁS NOVAS GERAÇÕES


   Enquanto se fala muito de crise financeira e da falta de dinheiro, entrevistámos o presidente da Associação Entre Pedras, Luís Duarte .
Aqui está a prova de que com a força de vontade de 19 jovens e com algum investimento deles, foi possível reactivar uma antiga escola primária, na localidade de Malhadas, que se encontrava abandonada e com alguns sinais de degradação. Impedindo assim que o sítio onde a maior parte deles aprendeu a ler e escrever, caísse nas “mãos erradas”.



Pode explicar aos leitores onde nos encontramos?
Estamos na pequena aldeia de Malhadas, localizada no concelho de Soure, e estamos dentro de uma escola primária que já estava desactivada há mais de 10 anos, já estava a entrar em estado de degradação, já tinha vidros partidos, e um grupo de jovens da aldeia (e não só) uniu-se para restaurar a escola onde juntos aprenderam a ler e a escrever, passando assim a ser a sede da Associação Entre Pedras.

E como apareceu a ideia de criar a Associação Entre Pedras?
Isto é uma ideia que já vem de há alguns anos. Resultado de um evento que organizamos todos os anos, que é o passeio de motorizadas. No passeio, ao qual demos o nome de “Entre Pedras”, juntamos pessoas de todas as gerações para darmos um passeio pela região, obviamente de motorizada. Não é só pelo convívio em si, é também para dar a conhecer a nossa região aos participantes.
Portanto a criação da Associação “Entre Pedras” surgiu porque precisávamos de um “sítio legal”, uma espécie de escritório onde pudéssemos organizar o passeio e outras actividades, assim como precisávamos de um sítio onde os jovens pudessem conviver.
Acabámos por dar o nome de Associação Entre Pedras porque o nome já era conhecido do passeio das motorizadas, então resolvemos não mexer.

Porque escolheram renovar a escola?
Descobrimos que a escola estava à venda em leilão e que qualquer particular a poderia comprar. Logo nos apressámos para impedir que alguém de fora comprasse o edifício, até porque seria uma perda enorme para a gente desta aldeia ver a escola que frequentaram ser demolida ou algo do género.
No entanto quando tivemos esta ideia, nunca pensámos que do ponto de vista legal fosse tão complicado. Contudo entre burocracia e mais burocracia, lá conseguimos a autorização da Câmara Municipal para podermos usar o edifício e avançarmos com os arranjos necessários, mas sempre mantendo as linhas originais do edifício.

Já se sabe que qualquer obra necessita de investimento monetário, como é que resolveram esse problema?
Bem, inicialmente na primeira reunião com o Presidente da Câmara Municipal, ele prometeu-nos os materiais para realizarmos as alterações necessárias. Mas como não podemos ficar parados à espera do que pode não vir, decidimos avançar, comprámos os primeiros materiais com o nosso dinheiro, vernizes, madeiras, tivemos muita ajuda de particulares, e de empresas que mesmo tendo facilitado as datas de pagamento dos materiais ainda ofereceram os vidros e as paletes que usámos para fazer o balcão e as cadeiras. Foi tudo feito por nós, reunimos aos fins de semana e toda a gente ajudava.
Se estivéssemos à espera do apoio da Câmara Municipal, ainda não teríamos feito nada. Por isso a palavra de ordem desta Associação é: tomar a iniciativa. Sem iniciativa não se faz nada.

Como está a correr o projeto até agora?
Está a correr muito bem. Neste momento a Associação está a funcionar totalmente. Podemos dizer que o projeto está a ter sucesso, visto que encontramos aqui pessoas de todas as faixas etárias. E aos fins de semana muita gente dirige-se até aqui para tomar o seu café, ou só para conviver.

O que é que podemos esperar para o futuro?
Vamos continuar a criar actividades, temos já prevista uma noite de Halloween para dia 31 de Outubro. Estamos a pensar também em organizar um magusto como antigamente, fazendo uma fogueira no chão, assim como queremos também organizar noites de fados, e de música ao vivo.


José Lourenço 20140738
(Grupo 6)

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