terça-feira, 27 de outubro de 2015

O saber, para ela, continuará a ocupar o mesmo lugar



A Escola Superior de Educação de Coimbra é um espaço simbólico para Ana Nunes. Foi lá que se licenciou em Comunicação Social, e é lá que vai continuar o seu percurso académico, no mestrado em Comunicação e Marketing. Um complemento na sua aprendizagem, que, curiosamente, a própria compara ao desejo por “um docinho depois do jantar”. 

Uma das variantes importantes do curso de Comunicação Social da Escola Superior de Educação de Coimbra é o estágio curricular, feito no 2º semestre do 3º ano. Qual é que achas que é  a mais-valia deste estágio?

Há cursos que não têm estágio e por muito que o trabalho seja bem feito, esses trabalhos não nos colocam na realidade do mercado de trabalho. É no estágio que se percebe como é o dia-a-dia de uma redacção. Um estudante de outro curso de comunicação/jornalismo muitas vezes no fim do seu percurso académico questiona-se até que ponto é que ele tem experiência para enfrentar o mercado de trabalho. O estágio dá-nos isso - experiência. Além de um contacto, quer com o mercado de trabalho, quer com as fontes. 

Quais foram as principais dificuldades no processo de escolha do local do estágio?

A principal dificuldade residiu no facto de a ESEC não ter protocolos com as empresas que talvez eu estivesse mais identificada. Lembro-me que a ESEC tinha protocolos com o Hospital de Coimbra, com a Câmara Municipal que são boas instituições mas que na nossa área não se enquadram muito bem. O que temos, ou neste caso tivemos de fazer foi, arranjar, procurar e ver quais eram os locais em que nós gostaríamos de estagiar, fazer uma lista (não muito grande) e entregar essa lista aos professores. Depois ao professor coube a tarefa de criar aquela ponte de comunicação entre a ESEC e a empresa. Falando do meu caso, escolhi uma produtora para realizar o meu estágio – não fui a única diga-se -, e depois da professora ter feito os contactos tive que esperar 3 meses para receber um não. O estágio para alguns colegas meus começou em Dezembro, para mim começou em Abril – a diferença é grande. Depois de ter recebido o “não” por parte da empresa, as ofertas eram mínimas e teve de se arranjar uma solução de recurso. 

Quando se está num estágio, seja ele curricular ou profissional, há uma montanha-russa de preocupações e expectativas. Como foi gerir o dia-a-dia e ao mesmo tempo pensar a longo –prazo?

Quando se vai para um estágio, seja ele curricular ou profissional, vai-se sempre com a expectativa em alta. Alguns estágios correm bem, outros estágios correm mal. Uns correspondem às nossas expectativas, e superam até, outros não. No meu caso gostei do estágio, porém as perspectivas para o futuro, dentro da área, não cresceram. 

Ou seja, o estágio até te enriqueceu e preparou-te melhor para o mercado do trabalho, mas não te deixou com a segurança de que é nesta área que tu queres “crescer” profissionalmente

Exactamente. Foi ter a expectativa de querer trabalhar nesta área, querer estagiar e ter um bom estágio relacionado com aquilo que estudamos e depois chegar ao fim do estágio e pensar “Afinal não era isto que eu queria”. E quando isso acontece, há que procurar outras hipóteses.

 Mas essa mudança de rumo aconteceu devido a um pormenor menos positivo no estágio ou à própria competitividade do mercado de trabalho?

Percebi que o mercado de trabalho é muito competitivo, aliás o meu estágio até correu lindamente e as pessoas foram “5 estrelas”.  Mas o ambiente e o dia-a-dia- fizeram-me repensar que se calhar não era isto que eu queria. Também por muito que o estágio corresse lindamente, o facto de não ser na área específica que eu queria, fez-me querer alargar os meus horizontes e procurar qualquer coisa nova. 

No meio deste autêntico turbilhão, quando e porque surgiu a ideia do mestrado?

O estágio serviu para muita coisa. Foi um momento essencial e fundamental nestes 3 anos e serviu para acabar o curso. Acabou por ser um misto de sentimentos para mim. Foi pensar que aquilo era necessário, mas por outro lado também pensei que não era ali que eu queria estar, apenas a força das circunstâncias conduziram a esse desfecho. Essa instabilidade emocional acabou por fazer-me abrir os olhos e pensar que podia alargar os meus horizontes. Estás a ver quando uma pessoa no fim do jantar quer um docinho? (risos) Eu quando acabei o curso senti que faltava qualquer coisa. Achei que era o mais indicado. E não estou a fugir muito à licenciatura que tirei…

Depois da oferta formativa em Comunicação Social, a ideia do mestrado e Marketing e Comunicação surgiu como uma intenção de complementar a formação anterior ou procurar novos conhecimentos?

As duas coisas. Faltava qualquer coisa, portanto isto que eu vou fazer vai ter de ser um complemento à formação que tive, mas também será a busca de novos conhecimentos pois numa das áreas (marketing), eu não tenho bases e por isso vai ser uma forma de aprender algo de novo. É uma nova área para mim.

Consideras que com a competitividade do mercado de trabalho, fazer um mestrado tornou-se ainda mais importante para a formação de um jovem?


Hoje em dia é muito importante para um jovem ter uma formação académica completa. Como podemos ver, há pessoas que tiram a licenciatura, o mestrado e o doutoramento e mesmo assim não têm oportunidades de trabalho. Qualquer tipo de formação é importante para nós, jovens, e mesmo para os que já não são tão jovens podem querer saber mais. Porém nos tempos que correm não consigo dizer que tirar um mestrado é uma mais-valia. Só quando eu acabar o meu é que posso dizer isso (risos)…

                                                               Jorge Fernandes (20140104)


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